Amor e matemática
1 Um cheffe medíocre
Eu tinha acabado de fumar mais de três cigarros antes de entrar na palestra. As cadeiras eram altas e largas, havia um quadro negro brilhante mas á frente. Fiquei feliz em saber que ninguém me notaria ali, afinal de contas não havia mais do que trezentas pessoas ali.
Eu larguei meu telefone em cima das minha pernas e observei um senhor gorducho tomar a frente da sala oval.
-"Meu nome é Ângelo Mick"-Ela escreveu na lousa. -"O que é morte? O que é vida? O que é que faz isso acontecer?" -Ele anotou novamente na lousa. — A morte a algo simbólico. Algo que estamos predestinados assim que ganhamos a vida, algo que temos certeza. Algo forte que ninguém nunca vai escapar. A vida? A vida é uma brincadeira divina. Sabe? Dê a eles vida pra podermos tira-la, Como um estagiário numa empresa idiota e medíocre. O que estamos fazendo aqui?" -Ele gritava a cada palavra como se quisesse enfatiza-las.
Eu nunca me pronunciava, não gostava muito da ideia de expor minhas opiniões, ainda mais quando tinha concordado com tudo que aquele homem gordo tinha falado. Sim a vida era uma empresa com um chefe medíocre, sim estaríamos mortos antes de conseguir outro emprego e sim não estamos fazendo nada... Se bem que na verdade....
-Estamos acabando com a empresa do chefe medíocre. -Gritei.
Todos olharam para mim com olhares interessados.
-Exatamente senhorita, nos homens com nossas bombas estamos explodindo tudo! Deixando com fome crianças, acabando com casamentos e... Vivendo em paz com o chefe medíocre, porque achamos que se nos dermos o dinheiro para as igrejas estaremos salvos...
A palestra continuou debatendo assuntos primordiais.
eu me calei depois de falar que o chefe era medíocre, pois eu sempre guardo minha opiniões pra mim.
No final da palestra que durou no minimo 3 horas eu já estava exausta e pronta pra dormir. Até que um puxão no braso me fez girar 180 graus.
-"Você precisa de mais empenho" -Eu não tinha notado as palavras porque CARAMBA! O garoto mais lindo que eu já vi estava bem na minha frente.
-"Como?"
-"Você disse que estamos destruindo a empresa do chefe medíocre, mas esqueceu que estamos em uma empresa e as empresas geralmente tem concorrentes querendo acabar com elas. Então criam marketing, promoções etc..." -Ele estava insinuando que eu não pensava.
-"È..."
È... Eu não tinha resposta porque realmente eu não tinha pensado nisso.
Ele sorriu, um sorriso branco como porcelana.
-"Sou Paul King."
-"Amanda Ross."
-"Se importa de tomar café comigo Amanda, sei lá... Vai que o chefe Resolve despedir a gente daqui a vinte minutos." -Ele brincou.
Fiz que sim com a cabeça.
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