Amor e Poder: O Esquadrão da Morte
39 Capítulo 39 - Eu queria que tivesse sido assim...
Notas iniciais
Amo vocês!!! Bjs
PRÓLOGO DE UMA AUTORA ESTRANHA...“O MUNDO AOS OLHOS DE SANTANA LOPEZ...OU MELHOR, AOS OLHOS DE ALEXANDRE LOPEZ”
Depois de uma semana inteira de muita neve, frio e dor nas articulações, o domingo amanhecera ensolarado como um presente, daqueles que todo mundo pega a bicicleta para pedalar por ai; eu, como sedentária assumida que sou, preferi ficar em casa, escrevendo. Depois de um longo período sem escrever uma só palavra e sem sair de debaixo das cobertas, e agora?! O que deveria escrever para tentar finalizar todo o emaranhado de histórias que desenharam meu primeiro livro sobre a atuação do esquadrão da morte no Brasil? Emergiu então a idéia de transpor, na parte final do capítulo, como foi à experiência de conviver dia após dia com Rachel Berry, Brittany Pierce e Quinn Fabray...eu, Santana Lopez, a jornalista de porta de cadeia, que obteve a última entrevista da promotora que mesmo morta conseguiu condenar boa parte dos figurões do crime organizado à cadeia.
Um cheiro gostoso e forte de café vinha da cozinha, o que me dava a certeza de que era a própria Quinn Fabray que o estava fazendo, afinal ela adorava café forte e amargo, coisa que só o tempo me fizera aprender a gostar. Mesmo depois de quatro anos fora do Brasil eu ainda não acreditara em tudo que havia nos acontecido, e escrever sobre tudo aquilo, mesmo tendo que publicar com um pseudônimo masculino era uma vitória...a vitória de quem acreditou na lealdade e na honestidade do nosso grupo. Você que lê esse prólogo deve estar se perguntando como nossas vidas seguiram sem Quinn...
MANHÃ DO ASSASSINATO DE QUINN FABRAY...
Passado os primeiros momentos a primeira atitude de Finn foi correr em direção ao outro lado do carro e abrir a porta desesperado, precisava ver o estado de Quinn, precisava prestar socorro a amiga, que certamente havia sido atingida. A loira estava recostada no volante do carro, parecia ferida na cabeça e no peito. Finn, vendo o estado grave em que Quinn se encontrava desesperou-se e automaticamente tirou o telefone do bolso e acionou uma ambulância, informando ser policial militar e pedindo urgência no atendimento. Um grupo de pessoas aos poucos se aglomerava em torno do carro da promotora, que embora ferida, ainda estava consciente. Minutos depois alguém vinha gritando no meio das pessoas que cercavam o carro, a voz era conhecida de Finn, o que o deixou ainda mais angustiado...correndo e prevendo o que acontecera, Rachel desesperada empurrava as pessoas abrindo caminho junto a multidão e encontrando a cena mais triste e dolorosa de toda a sua vida, Quinn ainda respirava pausadamente, mas parecia aos poucos deixar que sua vida escorresse por entre suas mãos. Parada ao lado do carro a morena abaixou-se e com cuidado recostou Quinn na poltrona, retirando um pouco do sangue que escorria da cabeça e olhando em seus olhos, que tentavam em vão manter-se abertos...
– Fala comigo Quinn, não me deixa por favor. O socorro já vai chegar, por favor não desista de resistir, por mim amor...eu não saberei seguir em frente sem você. Gritava desesperada Berry, acariciando com cuidado os cabelos da loira, que tentava manter os olhos abertos e a respiração constante. — Você sabe que eu te amo não sabe?! Sabe que desde a primeira vez que te vi meu coração me disse que você seria a mulher da minha vida, seria aquela que seria para sempre a dona dos meus dias, a dona da minha vida Rachel Berry. falou Quinn, quase com um último fio de voz que ainda lhe restava. — Eu não sei de nada disso Quinn Fabray!!! Você precisa ficar viva para repetir isso todos os dias, para me lembrar disso toda vez que eu ousar esquecer...você precisa ficar viva porque sem você minha vida não tem mais sentido entende?! Gritou Rachel, fazendo com que Quinn abrisse os olhos mais uma vez. — Você sabe bem o que fazer, sabe quem e como buscar a justiça que eu busquei a vida inteira...eu confio em você meu amor. Dizendo isso a loira não conseguiu mais manter os olhos abertos, a visão ficou turva, o corpo desfaleceu e ela perdeu a consciência. O grito de desespero de Rachel ecoou por todo o estacionamento, fazendo com que as pessoas que estavam ali, especialmente Finn e Santana, não segurassem suas emoções e chorassem descompassadamente...parecia chegar ao fim uma história de amor que a pouco começara, mas que parecia mais forte que a vida, e também que a morte...
– Não Quinn Fabray, você não vai morrer assim...você não tem esse direito sua promotora de meia tigela, não vai nos deixar aqui na mão!!! Gritou Finn, tirando Rachel de sua frente, jogando o corpo de Quinn no bando do carona e saindo em velocidade máxima. Rachel e Santana entraram as pressas no banco traseiro. O garoto fazia zigue-zague, ultrapassava sinais vermelhos, chegou a bater de leve em outro carro...tudo para salvar Quinn Fabray. Em menos de dez minutos o policial chegou ao hospital onde Emily estava internada, e com Quinn nos braços entrou porta adentro, chutando cadeiras, metendo o pé em portas que estavam fechadas...gritava em alto e bom tom...
– Vocês têm que salvar ela, vocês precisam salvar ela!!! Logo uma equipe liderada pela própria diretora do hospital, Callie Torres, levou Quinn para a área de emergências e começou os primeiros procedimentos, afinal a promotora já estava sem sinais vitais. O que parecia impossível se concretizou depois de quase vinte minutos de tentativa de trazer Quinn de novo à vida...ela respirava com a ajuda de aparelhos, fora trazida de volta à vida depois de quatro choques para restabelecer os batimentos cardíacos...o que importava era que estava viva!!
Somente um mês depois a promotora saiu do coma induzido pela equipe médica...voltara a vida e a primeira pergunta era por Rachel Berry, era se ela ainda à esperava, se ainda era sua namorada. Sim Rachel Berry ainda a esperava...havia usado o diário para conseguir prender os culpados por várias mortes, incluindo a dela, que havia sido simulada para manter sua proteção...
TARDE DE INVERNO NA CIDADE DE USHUAIA – ARGENTINA...
Sim...Quinn Fabray não morreu. Você deve estar se perguntando o que veio depois não é mesmo?! Bom, saímos do país logo após nosso depoimento para a comissão da investigação do esquadrão da morte, eu, Emily e Finn, afinal nossas vidas corriam sério risco se permanecêssemos em nosso próprio país. Em troca dos nossos depoimentos fomos alocados em um programa de proteção a testemunhas e encaminhados para a cidade onde moramos atualmente, Ushuaia, terra de nosso “hermanos” argentinos.
Não...eu não larguei Brittany para trás, nunca largaria a mulher da minha vida para trás!! Depois de alguns dias de ambientação na nova cidade eu burlei todo o programa de proteção e fiz contato com ela, assim como com Rachel, que permaneceu no Brasil acompanhando a recuperação de Quinn, que demorou mais de um mês. Quando finalmente Rachel e Quinn se juntaram a nós aqui na Argentina elas trouxeram o amor da minha vida literalmente escondida...Brittany teve que sair do país escondida, pois Kitty teve a coragem de acusá-la de cúmplice em todas as suas insanidades; a vida política dela acabou, mas por outro lado a nossa vida familiar começou....moramos todos no mesmo bairro, eu, Britt, Rachel e Quinn em uma casa e Emily e Finn em outra...embora eles digam que não e Emily insista em dizer que é gay, eu tenho certeza que o nosso herói bonecão do posto está dando pintadas na latina-asiática, embora eu tenha quase certeza que ele tem o pinto pequeno!!
Olhando da minha janela vejo Britt e nossa primeira filha brincando com a neve em nosso quintal, ela é branquinha como minha loira, mas tem o gênio difícil como as pessoas dizem que eu tenho...não sei porquê falam isso, afinal sou uma pessoa muito fácil de lidar!! Sou escritora, como disse estou escrevendo o meu primeiro livro sobre o esquadrão, Rachel é artista plástica e cantora nas horas vagas, Quinn fotógrafa profissional e Britt médica...Britt não, ela agora é Cristina...Brittany não se chama mais Brittany, assim como nenhuma de nós temos mais os nossos próprios nomes, as nossas famílias, as nossas antigas vidas; novo país, novo lar, novas histórias...alguns preços altos são pagos para viver e lutar por um Brasil melhor e nós pagamos esses preços, mas uma coisa eu posso te garantir...faríamos tudo de novo se fosse necessário!!
Meu livro?! Ele começa com uma citação sobre a ditadura militar que até hoje me toca porque para mim os mortos da ditadura são como os mortos pelos grupos de extermínio da atualidade, a diferença é que você que lê essa história acha que os mortos de hoje são bandidos perigosos...na época da ditadura muitos também achavam que os meninos mortos era ameaças para a sociedade...grupos como o esquadrão da morte são a ditadura atual, só que disfarçada! E é com essa pequena escrita que termino a nossa história...
(...)
Quando o filho de dona Gertrudes morreu, ela começou a se interessar em saber mais sobre a sua luta. Já senhora, foi estudar direito e leu todos os livros que pôde sobre a esquerda brasileira. Saiu atrás das pessoas que conheceram seu filho e que com ele militaram. Soube da participação de Frederico Eduardo Mayr na ALN, descobriu que ele foi treinar guerrilha em Cuba e que voltou como militante do Molipo. Dona Gertrudes participou ativamente da luta dos familiares de mortos e desaparecidos. Conseguiu localizar os restos mortais de Frederico (na vala comum do cemitério Dom Bosco, no bairro paulistano de Perus), pois haviam documentos que atestavam sua morte e o local onde ele havia sido enterrado. Dona Gertrudes era capaz de dizer quando seu filho havia sido preso, onde e quem o prendeu, sabia de tudo, mas dizia que, até o dia de enterrá-lo, toda vez que chovia à noite e uma porta ou janela batia, pulava da cama e corria para a porta dizendo ‘é ele, é ele!’. Mayr foi morto sob tortura no DOI-Codi em 1972. Foi enterrado, no Rio de Janeiro, somente 20 anos depois” (Á margem do rio dos mortos – parte 2, Paula Sacchetta. Disponível em: http://www.cartacapital.com.br/politica/a-margem-do-rio-dos-mortos-%E2%80%93-parte-2>.
Fale com o autor