Notas iniciais
Desculpem pela demora para postar!

A música me atinge antes mesmo que eu desça da carruagem. Hans me oferece o braço e eu o aceito mais por educação do que por vontade própria. Ainda estou desconfortável com o que ele disse a respeito de Kristoff e dos Bjorgman, o suficiente para cogitar dar meia volta e retornar à minha casa. Mas então avisto Vega dançando alegremente com um rapaz de cabelos escuros e ela acena para mim, aproximando-se.

– Anna! Você veio! – ela lança os braços ao meu redor, gargalhando.

– Não perderia por nada – digo quando ela se afasta para me olhar. – Este é o senhor Hans, das Ilhas do Sul. Ele está me acompanhando esta noite. Senhor Hans, esta é minha amiga, Vega.

Os olhos azuis de Vega saltam de mim para Hans e suas bochechas ficam vermelhas quando ele a cumprimenta com um beijo nas costas da mão. Outra música começa a tocar e Vega bate palmas.

– Oh, minha música favorita! – exclama ela. – Vou dançar com o senhor Condor e depois nos falamos, tudo bem?

Sorrio.

– Claro, vá em frente.

Ela agarra a saia e perambula pela praça à procura de seu parceiro de dança. Hans suspira ao meu lado e eu olho para ele. A expressão em seu rosto é maravilhada e ele parece bem mais bonito à luz das lanternas da praça. Quando me pega encarando-o, não consigo evitar ficar constrangida.

– Gostaria de dançar, senhorita Anna? – Hans pergunta baixinho, inclinando-se o suficiente para que eu sinta sua respiração em meu pescoço.

Uma boa moça nunca recusa o convite educado de um cavalheiro para uma dança, diria madame Daisy, se estivesse aqui.

– Eu adoraria – sorrio.

Hans me conduz ao centro da praça, onde outros casais deslizam ao ritmo dos violinos, trompetes e tubas. Nós nos posicionamos um bem perto do outro e começamos a dançar suavemente. Após conhecer Kristoff, tive certeza de que nossa primeira valsa seria hoje, na noite de música e que tomaríamos conta do lugar, dançando apaixonadamente até os primeiros raios do sol surgirem no horizonte. Infelizmente, ele teve assuntos mais importantes a tratar do que estar aqui comigo e, mesmo que eu compreenda perfeitamente seus motivos, ainda me sinto chateada.

– No que está pensando? – pergunta Hans, o rosto a pouca distância do meu.

Solto um suspiro ansioso. Ele provavelmente sente meu coração batendo descontroladamente. Preciso me acalmar, preciso me acalmar...

– Estou... estou pensando em como estou me divertindo – digo, sorrindo amarelo.

Hans me gira no ritmo da música e volta a me envolver em seus braços.

– Isso me deixa feliz – diz ele. – A senhorita é uma dama adorável.

Dou risada um pouco alto demais.

– Acha engraçado meu elogio? – Hans pergunta, sorrindo.

– O senhor é a primeira pessoa e me chamar de dama.

Ele arqueia as sobrancelhas.

– Jura?

Assinto.

– Papai, madame Daisy e minhas amigas não acham que sou madura o suficiente para ser chamada de dama – reviro os olhos. — Principalmente madame Daisy. Ela diz que me comporto como uma garota comum, que não respeito as regras da etiqueta e que fico tagarelando sobre coisas fúteis, o que eu acho completamente injusto. Por falar nisso, por que as jovens não podem tomar as próprias decisões sobre o que acham certo e errado? Por que sempre têm que seguir regras enquanto os rapazes fazem o que querem sem consequências e sem...

Congelo, arregalando os olhos. Estou falando demais. Tagarelando demais. Olho para Hans, esperando ver a desaprovação estampada em seu rosto, mas ele parece apenas intrigado, curioso sobre o que tenho a dizer.

– Oh – ele diz -, continue. Estou ouvindo.

Estou ouvindo. Ele está me ouvindo. Sem críticas, sem revirar de olhos, sem julgamentos. Não consigo conter um sorriso largo.

– Já falei demais – dou risada, sacudindo a cabeça. – Acho que devemos nos concentrar em dançar agora.

Ele ri e me gira novamente. Dessa vez, quando retorno aos seus braços, Hans me aperta contra seu peito e eu prendo a respiração, encontrando seus olhos.

Errado, errado, errado.

A música termina e nós nos afastamos. Minhas mãos estão trêmulas.

– Algo errado? – Hans pergunta.

Tudo.

– Não, não... – murmuro. – Eu só...

– Anna! – ouço uma voz feminina chamar. Viro-me e vejo Reidi caminhando em nossa direção. A surpresa toma seu semblante assim que ela vê Hans. – Anna, minha amiga.

Eu a abraço. Meu coração parece prestes a sair pela boca.

– Como você está? – pergunto.

– Acabo de chegar – ela sorri e então olha de soslaio para Hans. – Humm... Posso falar com você a sós por um momento, Anna?

– Eu... – olho para Hans.

– Oh, vá – ele incentiva. – Vou dar uma palavra com o banqueiro, ele é amigo de meu pai. Vejo a senhorita logo mais.

– Certo – digo.

Reidi me arrasta para um canto afastado do centro da praça, onde casais recomeçam a dançar. Os olhos castanhos de minha amiga brilham, severos.

– Quem é esse senhor, Anna? – ela indaga, soando acusadora. – Por que está aqui com ele?

– Não é nada demais, certo? Ele veio tratar de negócios com meu pai e se ofereceu para me acompanhar à noite de música. Qual o problema nisso? – ergo o queixo, irritada.

Ela fica furiosa.

Qual o problema nisso? Anna, onde está seu noivo? As pessoas estão comentando!

Baixo os olhos. Não quero dizer em voz alta que fui trocada pelos negócios da família dele. É vergonhoso.

– Kristoff... está ocupado – respondo. – Eu não queria ficar sozinha e aceitei o convite do senhor Hans. Ele é meu amigo!

Reidi me segura pelos ombros.

– Ele pode até ser só isso mesmo para você, mas não para o restante da vila. Estão achando que você é uma oferecida, Anna. Fica noiva de um homem num dia e acompanha outro à uma festa pública! Admita que isso não soa bem.

Franzo a testa e desvencilho-me de Reidi.

– Pois deixem que digam o que quiserem. Eu não me importo.

– Você não, mas e quanto a Kristoff? – ela arqueia as sobrancelhas. – Já pensou em como ele vai se sentir quando essa história chegar aos ouvidos dele? Que a noiva dele estava nos braços de outro homem na frente de toda Arendelle?

– Já chega! – Dou as costas a ela e volto ao centro da praça.

Reidi está sendo ridícula, soando igualzinha a madame Daisy. Hans e eu não estamos fazendo nada de errado. Estamos?

Não consigo encontrá-lo em lugar algum, por mais que eu procure entre os banqueiros e comerciantes que reúnem-se para conversar. Hans devia estar procurando por mim também, por isso parei de perambular e sentei-me num dos bancos da praça mais afastados da agitação da festa.

Será que eu estou fazendo algo errado? Será que devia ter ficado em casa, esperando que Kristoff viesse me visitar após terminar de resolver seus assuntos? Será que Reidi está certa?

Não. Hans é apenas meu amigo e...

Uma mão me puxa pelos ombros, conduzindo-me até as árvores pouco iluminadas da praça. A festa de repente parece distante, insignificante. Apesar de assustada, não grito. É tudo muito repentino para que eu possa sequer pensar em emitir qualquer som. Então, a pessoa que me puxou vira-me para olhar-me e eu prendo a respiração, sentindo meu coração acelerar e reconhecendo aquele rosto em meio as sombras.

Kristoff.

Notas finais
O que acham que Kristoff está fazendo na praça? Continuem acompanhando!