Amor do vazio
3 Normal
Notas iniciais
Abro os olhos, vejo o meu despertador tocar incessantemente simplesmente o desligo e viro de lado,( 8:00 am) me enrolo como uma bolinha em minha cama, “vou acordar as 10 e ir para terceira aula” me deixo adormecer por um tempo ate ouvir o despertador tocar de novo e levantar, caminho me desfazendo de minhas roupas pelo caminho ate o banheiro, deixo agua quente encher a banheira, faço um coque alto e desengonçado no alto da cabeça, entro na banheira sentindo a agua quente penetra nos meus ossos congelados, olho para os meu joelhos avistando os curativos, tiros os um por um ate enxergar todos os arranhões vermelhos na minha pele branca, permaneço imóvel, ouvindo o coração bater contra minhas costelas, minhas pernas juntas ao peito fecho os olhos me concentrando no som da agua tremulando na banheira de porcelana e o silencio do apartamento, saio do banheiro deixo a agua do meu corpo respigar no piso de madeira, vou ate o armário parando para olhar no amplo espelho de meu quarto que toma uma parede inteira, olho para mim mesma toco minha bochecha sentindo um leve suco nela, meu olhos estão apagados as escoriações fundas os delineia, meus lábios rachados, olho para o resto do meu corpo vendo a clavícula junta a pele, meus seio não diminuídos um centímetro sequer, sinto o seu peso mesmo eles não sendo grandes preferia que fossem menores, olho para minha barriga quase inexistente a costelas já aparecem mais debaixo da pele, minha cintura fina , meu quadril levemente avantajado e minhas coxas roliças assim como meu seios tem tamanhos irritantes que não parecem mudar, olho para as pequenas cicatrizes nelas, volto meu olhar para a meu estomago vendo as mesmas cicatrizes, você esta enrolando ouso a frase sussurrada em minha mente saio da frente do espelho esquecendo o que vira ali, saio de casa com uma bolsa grade tiracolo com alguns cadernos um estojo e um livro, desço as escadas ate a rua caminho ate chegar na escola paro na frente do portão aberto e entro as pessoas passam por mim no corredor, fico grata por estar sendo ignorada, entro para sala que terei aula, ando na direção da mesa do professor, pego a folha de chamada e coloco presença para mim mesmo que e não fique ate o fim do período, vou ate a ultima carteira do lado da janela sento tiro os fones de ouvido da bolsa coloco em minha cabeça ajeitando o fone em meus ouvidos coloco a primeira musica que penso e olho para fora da janela, ouso os alunos entrando na sala ninguém parece me notar o professor de calculo entra mandando todos se sentarem, logo concentro na musica que ouso uma das minha favoritas
I wanna be a bottle blonde
I don't know why but I feel conned
I wanna be an idle teen
I wish I hadn't been so clean
Quero ser uma loira oxigenada
Não sei por que, mas sinto-me enganada
Quero ser uma adolescente desocupada
Queria não ter sido tão inocente
I wanna stay inside all day
I want the world to go away
I want blood, guts and chocolate cake
I wanna be a real fake
Quero ficar dentro o dia todo
Quero que o mundo vá embora
Quero sangue, coragem e bolo de chocolate
Quero ser uma verdadeira falsa
a maldita aula não termina olho para lousa vendo cálculos ridículos
— alguém sabe qual é a resposta?- o professor pergunta – Srta. Melies.
I wanna drink until I ache
I wanna make a big mistake
I want blood, guts and angel cake
I'm gonna puke it anyway
Quero beber até sentir dor
Quero cometer um grande erro
Quero sangue, coragem e bolo levinho
Vou vomitar de qualquer jeito
Yeah I wish I'd been a, wish I'd been a teen, teen idle
Wish I'd been a prom queen fighting for the title
Instead of being sixteen and burning up a bible
Feeling super, super, super suicidal
Sim, eu queria ter sido uma adolescente desocupada
Queria ter sido uma rainha do baile lutando pelo título
Em vez de ter dezesseis anos e estar queimando uma bíblia
Sentindo-me super suicida
Viro o rosto olhando com desdém ele me olha com sua cara redonda e anda em minha direção me recosto na cadeira olhando para cima.
The wasted years, the wasted youth
The pretty lies, the ugly truth
And the day has come where I have died
Only to find I've come alive
Os anos desperdiçados, a juventude desperdiçada
As belas mentiras, a verdade feia
O dia em que morri chegou
Só para descobrir que me tornei viva
—Srta. Melies, você parece muito interessada na aula, pode nos dizer a resposta do calculo na lousa?- vejo varias cabeças viradas em minha direção e risos contidos, abaixo a cabeça para o meu celular ligo a tela e começo a procurar uma musica.
Feeling super, super, super!
Feeling super, super, super!
Feeling super, super, super!
Come alive
Sentindo-me super, super, super
Sentindo-me super, super, super
Sentindo-me super, super, super
Torno-me viva
— a resposta e 75 – continuo procurando – observe, você pega o valor dos lados mas o do x multiplica depois divide e efetua uma conta de equação de segundo depois pega o resulta que deu 7 e faz menos o ângulo assim você acha o valor de y – clico na musica escolhida e olho pro professor que tem um olhar em chamas.
— certo Srta. Melies, mas eu gostaria que você fosse lá pra frente e explicasse com cálculos precisos como você fez agora só que na lousa, se não for incomodar já que você não esta fazendo nada de útil – dou um sorriso preguiço e carregado de veneno, olho para sua cara retorcida em uma tentativa má sucedida de um sorriso vitorioso.
— incomodar? – digo lhe dirigindo o sorriso – você começou a me incomodar no exato momento em que preferiu vir aqui me perturbar com uma pergunta estupida, só para se vangloria na frete de seus súditos nerds e outros fies, só por que preferi ouvir musica do que olhar o que suas mãos gordas estavam fazendo – olho para ele vendo seu rosto mudar de branco para vermelho depois roxo – Srta. Melies, você não deve se portar assim em uma sala de aula na minha opinião você...
— e desde quando eu me importo com sua opinião – digo estreitando os olhos – você só veio aqui para fazer o SEU trabalho, não para humilhar alunos que estão nem ai com a sua matéria.
— Srta. Melies, você será suspenção por ofender minha autoridade
— é mesmo? – ouço o sinal tocar, me levanto olho bem pra cara do professor.- você não tem mas autoridade agora, não é? – pego minha bolsa e saio da sala deixando um professor irado pra trás. Evito o mar de gente ando ate a biblioteca da escola ninguém esta lá nesse horário “posso ficar escondida aqui” tiro o livro da minha bolsa voltando a ler de onde parei.
Almoço
Passo pelos corredores vazios ate a saída de incêndio, vou na direção do campo de futebol, sento na arquibancada me lembrando da ultima vez ali, tiro o livro e a caixa de cigarro, tiro um acendo abro o livro e volto a ler, um tempo depois uma fila de jogadores entra em campo olho por cima do livro reconhecendo um deles que olha em minha direção fito o livro sem lê-lo ouso som de passos vindo ate mim.
— você não deveria estar almoçando?
— e você? Não deveria esta lá em baixo jogando ?
— certo, você me pegou nessa, oque faz aqui nesse horário ?
— você pergunta demais
— e você responde de menos – Bufo em sua direção
— estou lendo como se não fosse obvio o bastante fumando também- ele olha pra mim mas não me responde – e estou aqui por que não queria ser incomodada como estou sendo agora.
—... não acho que seja isso- diz ele enfiando a mão no bolso tirando uma caixinha de metal, ele abre tirando um palito marrom, coloca entre os dentes deixando uma ponta intacta no lado de fora e uma preste a ser comida no outro lado.
— não acho que você esta aqui só para não ser incomodada – silencio
— você se isola para não ser importunada.
— não diga, o que veio fazer aqui Gideon?
— vim conversar com você e ser seu amigo – responde sorrindo
— Gideon...eu não QUERO amigos, eu não preciso
— tudo bem, posso ser o seu primeiro- silencio reina novamente entre nos tento ignora-lo e falho miseravelmente.
— O QUE VOCÊ ESTA FAZENDO AINDA AQUI GIDEON – grito
— ahhh...credo você me assustou – responde ele com uma cara de falsa surpresa- e estou aqui curtindo a sua companhia – “mas o que???”
— eu já disse que quero ficar sozinha – levanto sentindo o cheiro de canela vindo de sua direção
— sabe, acho que você quer ficar sozinha – obvio – mas não quer se sentir sozinha – fico em silencio processando o que Gideon dissera
— por isso se isola — ando um pouco
— parabéns Sherlock, mais um ridículo caso resolvido.- jogo as palavras pelo ombro junto com o cigarro. Saio da escola, ando sem rumo ate parar em um mercadinho, entro indo indo na sessão de doces pego um pacote de alcasus,pirulitos e alguns pacotinhos de chicletes passo por outro lado pegando dois pacotes de batata frita e cinco potinhos de yorgutes, ando na direção do caixa, arranco um fio solto de uma das tranças
— olha quem veio fazer sua compra do mês – um homem de aproximadamente 50 anos se dirigi a mim com um sorriso
— ola Oh Rei Arthur – faço uma reverencia enxagerada
— corta essa de rei Arthur e vamos ver que porcarias compro esse mês – Arthur passa a comida pelo leitor – credo, mas porcaria de sempre quando você vai começar a comer comida de verdade em menina – ele me olha com uma pontada de preocupação desnecessária e balança a cabeça negativamente – deu 22 dolares – começo a remexer minha bolsa procurando a carteira, a resgato tirando as notas, o velho Arthur desaparece do caixa, vejo ele voltar com algo na mão que fez meu estomago se revirar – pega garota, isso vai encher melhor o seu estomago – ele me estende um cachorro-quente com mostarda e ketchup – você não vai precisar pagar, agora pega logo meu braço é velho como o resto de mim – pego cachorro-quente e aceno em despedida, ando com as sacolas em uma mão e o o lanche na outra, sinto o cheiro daquilo me atentando a mente sem querer esbaro em um grupo de garotas e vou ao chão e fico de joelhos
— ai garota ....- um sorriso maldoso em seus lábios pintados – me desculpe querida, mas eu não vi você, normalmente eu não noto pessoas abaixo de mim e tão ridícula e feia que realmente foi difícil notar – ela se vira para as amiga cochicha algo e voltam a andar rindo alto. Começo a levantar 'você sabe que é verdade' olho para o asqueroso lanche em minha mão 'ridícula você esta feia mesmo há olhe para si e horrivel' "eu não queria" levanto e levo o lanche na direção da minha boca, "eu realmente não queria que isso me afetasse como me afeta" mordo o cachorro quente e mastigo minha boca se enche dessa coisa borachuda "eu me odeio" ando com passos longos, mastigando cada pedaço ate chegar em casa, abro a porta já terminado de engolir, a comida pesa como chumbo em meu estomago, jogo minha bolsa no chão e vou ate o banheiro meu corpo treme as lágrimas já tomaram meu olhos, jogo o resto que sobrara semi dissolvido no vazo sanitário, levanto a cabeça inda curvada, o gosto acido na lingua, me arrasto pra fora do banheiro desfaço-me das roupas que pesam em meu corpo, uma regata, um shortinho e um blusão de frio me vai bem volto indo a cozinha, abro o armário pego uma frasco de remédio para estomago pego agua da geladeira espero alguns minutos, abro novamente o armário e pego uma garrafa de vinho pela metade e um pacote de batatinhas, ando ate o sofá ligo a teve retiro a rolha e viro o conteúdo que arranha minha garganta em carne viva, me forço virar mais goles, olho para teve enquanto minha mente divaga, me lembro de como consegui o vinho, a vizinha do meu andar, uma velha rica que compra uma nova remessa de vinho toda semana, de domingo a domingo deixa uma caixa pra fora de sua casa com o reto que ela não consumirá, então simplesmente sorrupio algumas garrafas cheias, foco o olhar na teve, algumas horas depois e metade de um saco de batatinhas, pego o telefone e ligo para um mercado que faz entregas em casa, peço a mesma coisa todo mês, uma caixa com 20 pacotes de macarrão instantâneo, eu não como quase nada então isso e o suficiente, alguns minutos depois alguém toca a campanhia, me arrasto ate a porta abrindo com lentidão um garoto de aproximadamente 14 anos me encara, simplesmente cruzo os braços e o encaro de volta
— aqui esta sua compra do mês katrinna.
— marco — o garoto estende o pacote na minha frente, lembro me por que do garoto fazer o fornecimento de veneno instantâneo, quem vinha entregar era o irmão mais velho de marco, bastou a segunda vez que veio entregar a remesa e quase arranquei seu olhos, tentei não ligar em sentir e ver ele me tocar com o olhar isso me irritou em um nível que em menos de alguns segundo eles mudaram para o marco ser o único entregador que vem em todo mês
— como vai pirralho?
— melhor que você com certeza katrinna
— olha como fala comigo seu saco de hormônios- puxo a orelha do moleque, fazendo guinchar, retiro o pacote de seu domínio.
— anda indo a escola?
— você sabe que tenho que ir – ele faz uma cara emburrada
— aquele garoto ainda enche seu saco?
— insistentemente- um suspiro
— por que simplesmente não o soca e acaba logo com isso ?
— você sabe o que aconteceria comigo, se meus pais descubro sem — ele da um passo pra tras
— ate o próximo mês katrinna — ele se despede com um aceno e começa a andar rumo ao elevador
Entro de volta no apartamento, coloco a caixa em cima da bancada, vou ao sofá termino o vinho e acendo um cigarro, deito no sofá e espero a exaustão me levar.
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