Amor de adolescente
1 Amor de adolescente
Um morreu pelo poder, o outro pelo amor perdido, e o último acolheu a morte como uma velha amiga.
Após que ele viu a mulher sem pernas andar seu mundo desabou, com fogos de artifícios despediu dos irmãos, sem perceber, a lama virou a água, e a água virou lama.
Esperando catarse, num papiro velho procurou uma mensagem do seu amor, sua mente tentava retomar as rédeas do caminho acostumado, não havia entendido que aquele amor era coisa do passado, não havia percebido, que é do inferno que se vê o paraíso.
Procurou em outros olhos ver o que há muito tempo hibernava a sete palmos do chão, procurava uma vida para tirar outra, todavia se enganava, curar um amor com outro é como se enxugar com toalha molhada.
Nessa viola sem dó, ele tenta tirar uma nota, ainda não percebeu que o Sol avisou com as sombras que o destino já estava previsto, ela ia embora, ele ficava só, dormindo de conchinha com a solidão, ele esperava saudade, ganhou o sepulcro de um amor mal acabado.
Eles não falavam sexo, falavam “fazer amor”, tentou sempre explicar porque após a luz ser apagada ele não conseguia dormir, essa mulher, conseguiu esvaziar sua reserva de amor por uns vinte anos.
Esse vazio... Ela não contou a ele, eu não tenho mais a chance de contar também, aquele feto foi abortado, há muito tempo, forjado sobre a cozinha dos deuses, jogado numa sarjeta de cirurgião corrompido.
Uma cruel e distorcida criatura destrói o universo a cada baque, traga as nuvens num cachimbo de palha arcaico, homérico aos olhares dele, porque tão ingênuo? Por favor, abra os olhos (e numa tentativa desesperada morre afogado na tigela de água do gato).
Fim, 22/02/14
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