Amor de Pai - RxHr
12 Capítulo 12
Hermione estava sentada na mesa de Harry, esperando que todos chegassem para irem até a missão. Ela estava nervosa, e ansiosa. Queria logo acabar com aquilo e voltar para sua filha e seu noivo. Ela sorriu imediatamente com aquele pensamento. Olhou para sua mão e o brilho do anel fez um pequeno reflexo.
***
– Você... Ta falando sério? – Ela colocou as mãos na boca.
– Claro que estou. – Ele riu. – E aí, o que me diz?
– É... Claro que eu aceito me casar com você Rony! – Ela disse emocionada, com lágrimas nos olhos. Rony abriu um largo sorriso, e colocou o anel no dedo de Hermione, beijando a mão dela logo depois.
– Eu te amo Hermione. – Ele sorriu. – Finalmente vamos ser uma família completa.
– Sim Rony! Finalmente. – Ela pulou em seu pescoço e o puxou para a cama.
– Meu filho, que notícia maravilhosa! – Molly correu para abraçar os dois, seguida por todos da família que estavam presentes.
– Vocês não acham que fizeram as coisas ao contrário não? – Fred riu abraçando Hermione.
– É... Se fossem acompanhar a vida de vocês, deveriam ter casado antes e noivado depois. – Jorge confirmou e todos começaram a rir.
– Não importa a ordem... O que importa é a felicidade. – Hermione sorriu e pegou Mia no colo.
– Isso foi lindo... – Gina disse emocionada começando a chorar.
– Gina? O que é isso minha filha? – Arthur perguntou. – Está chorando?
– Sim pai... – Ela pegou o lenço que Harry entregava para ela. – Desculpe.
– Gina, não faça feio para nossa família. Você sempre foi o mais machão de nós. – Fred brincou.
– É... Gina está um pouco sensível. – Harry disse abraçando ela pela cintura. Todos olharam estranhos para eles, mas Molly rapidamente percebeu o que estava acontecendo.
– Não acredito! – Ela disse fazendo a maior festa. – Mais um neto! – Ela correu para puxar a filha para um abraço, e as duas começaram a chorar.
Os outros ficaram olhando estranhamente para as duas emocionadas sem mais nem menos.
– Gente... Por que estão chorando? – Rony perguntou.
– Rony, elas estão felizes! – Hermione disse sorrindo.
– Mas precisa disso tudo?
– Não se preocupe, isso é só o começo. Gina vai ficar muito mais sensível. – Hermione disse inofensiva e Harry olhou assustado para ela. Gina Weasley, ciumenta, impaciente, nervosa e sensível. Seriam nove meses difíceis... Mas isso não importava. Ele estava muito feliz.
– Ainda não acredito que você vai amanhã. – Rony disse abraçado a ela no sofá, em frente à lareira. Fazia muito frio naquela noite.
– Eu também... Mas por um lado me sinto mais aliviada. Quero resolver isso logo, e ter certeza que Mia está bem. E Gina também. Não agüento essa aflição.
– Eu também. Mas não se preocupe, ela vai estar segura comigo.
– Eu sei que vai. – Ela sorriu para ele, e o beijou rapidamente. – Já decidiram onde vão ficar?
– Acho que não vou negar a oferta da minha mãe... Pelo menos não irei precisar ficar cozinhando e ainda vou poder treinar um pouco na parte da tarde.
– Fico mais tranqüila sabendo que vocês vão ficar na Toca.
– E eu continuo preocupado com você...
– Não se preocupe, eu vou te mandar cartas todos os dias. Eu te prometi... E mesmo assim serão apenas três dias. Você vai ver como vai passar rápido.
– É, tomara... – Ele acariciou os cabelos dela. – Sabe... Não suportaria se alguma coisa acontecesse com vocês..
– Ron... Para com isso. Nada vai acontecer com a gente.
– Promete que se algo sair do controle, você vai voltar imediatamente.
– Rony...
– Por favor Hermione, prometa.
– Está bem... Eu prometo Rony. Agora vamos parar de falar sobre esse assunto, e aproveitar que Mia está dormindo... Quero ter uma noite maravilhosa com meu NOIVO antes de viajar. – Ela sorriu e pegou as duas taças com vinho que estavam na mesa, entregando uma a Rony.
– Tem razão futura Senhora Weasley. – Ele pegou a taça e os dois brindaram.
Não beberam todo o vinho. Fizeram coisas muito melhores.
Hermione abaixou em frente à cama de Mia. Ela ainda dormia tranquilamente, parecendo um anjo. Hermione sempre se sentia feliz ouvindo a respiração calma da filha. Sentiu-se orgulhosa por nunca ter pensado na hipótese de não tê-la. Por mais que tivesse dificuldades, sempre se sentiu feliz por ter uma filha de Rony.
Ela passou a mão pelos cabelos da filha, sorrindo incontrolavelmente. Queria resolver tudo de uma vez, e mantê-la longe de qualquer perigo. Ela se sentia tranqüila sabendo que Rony cuidaria muito bem dela.
– Está na hora... – Rony escorou na porta cruzando os braços. Hermione olhou para ele. Justo aquele dia ele escolheu para usar o suéter preferido de Hermione. Verde escuro. Os cabelos não tão rebeldes como antigamente, estavam sensualmente penteados para o lado, realçando ainda mais os olhos azuis, que amanheceram extremamente radiantes naquele dia.
Hermione deu um beijo demorado na testa da filha, e se virou, olhando Rony por longos segundos.
– O que foi? – Ele sorriu.
– Você fez de propósito.
– E do que estou sendo acusado?
– Sabe como eu adoro quando você usa esse suéter e fica me olhando maliciosamente. – Ela se aproximou, fingindo estar zangada.
– Não foi minha intenção. – Ele a segurou pela cintura e Hermione o olhou de cima em baixo. Rony estava bem mais forte, fazendo com que o suéter ficasse um pouco mais justo nos braços, mostrando claramente o quanto eles eram fortes. – Mas que bom que funcionou. – Ele sorriu malicioso.
– Isso não é justo.
– O que não é justo é ficarmos sem você durante três dias.
– Ron... Já falamos disso...
– Eu sei. Desculpe. – Ele beijou a testa dela e a abraçou, escorando seu queixo no topo da cabeça dela, enquanto ela deitava sua cabeça no peitoral dele. Ficaram assim por longos segundos, até que Rony a soltou um pouco. – Você tem que ir... Vai se atrasar.
– Sim. – Ela disse engolindo as lágrimas.
– Não vai chorar... – Ele disse passando a mão no rosto dela, sabendo exatamente quando ela queria desabar em lágrimas.
– Vou tentar. – Ela sorriu triste.
– Não esquece que eu te amo muito. – Ele olhou nos olhos dela. – E me escreva todos os dias.
– Eu prometo. E eu também te amo muito. – Ela ficou nas pontas dos pés para conseguir beijá-lo. Ele apertava a cintura dela, como se não quisesse soltá-la nunca mais. Hermione também não queria deixá-lo, mas precisava. Ela se afastou do beijo e os dois foram de mãos dadas até a lareira. Quando Hermione soltou sua mão, sentiu que uma parte de si ficava ali.
– Tchau Ron...
– Se cuida meu amor. – Ele sorriu de lado meio triste e Hermione sentiu seu coração disparar. Há quanto tempo ele não a chamava daquele jeito. Ela entrou na lareira, e olhou para ele pela ultima vez, vendo-o acenar triste. Ela pegou o pó de flu e jogou no chão. Tudo o que viu segundos depois foi a sala principal do Ministério.
***
– Hermione, que bom que você já chegou. – Harry entrou em sua sala e abraçou a amiga. – Como está?
– Nervosa. Destruída. Abalada. Coração partido. – Hermione riu triste e Harry sorriu para ela.
– No início é assim... Depois a sensação fica um pouco mais suportável.
– E você, como está?
– Deixei minha mulher grávida em casa em uma cama quentinha... Como acha que eu estou? – Ele sorriu. – Bom, mas de qualquer modo são apenas três dias, e elas estão em boas mãos. Gina vai ficar na Toca.
– Rony e Mia também vão ficar lá.
– Viu? Talvez eles nem sintam tanta saudade da gente. – Eles riram. – Bom, acho que estão todos aqui então. Vem, vou te apresentar.
Os dois saíram da sala de Harry, e seguiram pelo corredor do ministério. Eles pararam em um enorme salão, onde tinha uns dez homens reunidos ao redor de uma garrafa. Hermione logo deduziu que era a chave do portal.
– Ei, pessoal! Essa daqui é a Hermione. – Harry chamou a atenção de todos. Hermione sorriu envergonhada e os homens sorriram para ela.
– Eu sou a única mulher? – Ela sussurrou para Harry.
– Não se preocupe, a maioria são casados.
Hermione continuou sorrindo envergonhada. Eles pareciam bem simpáticos, e a maioria parecia bem experiente. Hermione avistou uma pessoa de cara amarrada e nariz em pé.
– Você não me disse que Nicholas Vincent ia também. – Ela questionou.
– Eu também não sabia... Kingsley me disse hoje.
– Já que a Senhorita Granger deu o ar da vossa graça, podemos ir logo com isso? – Nicholas perguntou mal humorado.
– Sim. – Harry respondeu e todos fizeram uma roda em volta da garrafa. Harry olhou em seu relógio. – Daqui a um minuto nós vamos estar no Hotel Pavillon. Quero que todos ajam com naturalidade e usem os nomes que estão com vocês. Tem uma reserva para cada um com esse nome. Lembrem-se: Nós não nos conhecemos. Todos estão com o colar? – Harry perguntou e cada um olhou para seu respectivo colar, inclusive Hermione. – Ótimo. O medalhão que está no colar vai ser o modo como vamos nos comunicar. Estão prontos?
Todos balançaram a cabeça afirmando. A garrafa se acendeu, e todos juntos deram um jeito de tocá-la. Hermione sentiu-se sendo puxada, logo depois caindo em um jardim. Ela olhou ao redor, não havia ninguém. Ficou admirada que, como no mundo dos trouxas, no mundo bruxo também havia avanços. Com certeza era um novo modo de viajar pelo portal, que deixava cada pessoa em seu respectivo lugar. Ela se levantou rapidamente antes que alguém aparecesse, e tentou parecer natural.
Ela entrou no grande e luxuoso hotel, e tentou não parecer tão surpresa. Ela foi até a recepção e sorriu para a moça.
– Bonjour! Mon nom est... (Bom dia, meu nome é...) – Hermione olhou rapidamente para um bracelete que usava. – Madeline Biarcc. – Ela sorriu forçada. Tinha odiado aquele nome.
– Oui madame. A une réservation en votre nom. ( Sim madame. Há uma reserva em seu nome.) – A recepcionista sorriu e Hermione aguardou. Ela lhe entregou uma chave. — Amusez-vous. (Divirta-se)
– Merci. – Hermione pegou a chave e saiu, indo até o elevador. Ela olhou o número do quarto: 405. Apertou o botão 4 do elevador, e esperou até que a porta se abrisse.
Ela seguiu até o número que estava em sua chave, e abriu a porta. O quarto era bem mais luxuoso do que ela imaginava. Havia algumas roupas em sua cama, e um bilhete. Hermione fechou a porta, e foi até a cama. Pegou o bilhete e começou a lê-lo.
“Hermione,
Espero que apesar de tudo, aproveite o tempo livre que tem aí. Sei que gosta muito de livros, por isso tomei a liberdade de deixar vários para você se ocupar. Essas roupas são para você usar. São roupas trouxas. O frasco que tem ao lado é uma poção para mudar a cor dos cabelos. Você ficará loira. Será uma grande mudança, mas é para o seu bem. Não pode ser reconhecida. Obrigado mais uma vez por nos ajudar. Até mais.
Kingsley. ”
Hermione olhou para as roupas em sua frente. Vestidos. Apenas. Hermione gostava de vestidos, mas não daquele jeito. Eram um pouco mais curtos e decotados. Ela pegou a poção em cima da mesa, e olhou para o espelho. Loira. Não se imaginava daquele jeito. Hermione nunca teve vontade de mudar a cor dos cabelos, mas ela sabia que realmente era para o seu bem.
– Te venci mais uma vez. – Mia disse orgulhosa olhando para Rony.
– Não é possível. Ninguém nunca conseguiu me vencer em uma partida de xadrez! – Ele disse fingindo indignação. – Não me reconheço mais...
– Papai, não seja dramático. – Mia se levantou e sentou em seu colo, dando um beijo no rosto dele.
– Você fica tão parecida com sua mãe quando faz isso. – Rony riu.
– Dizem que eu pareço muito com ela. Mas é porque não te conheciam.
– Quem disse isso?
– Meus avós...
– Ah... Sim... E como eles estão?
– Estão bem. Moram em uma fazenda.
– Eles sempre te trataram bem?
– Claro papai! Ajudaram minha mãe a me criar. Compravam presentes para mim e tudo mais. O vovô até me chamava de Lica.
– Lica?
– É... Amélia... Aí a vovó me chamava de Lia, o vovô de Lica, e minha mãe de Mia.
– Imagino a bagunça que foi. – Rony riu.
– Era divertido. Sinto saudade deles. Mamãe disse que logo eles iam vim nos visitar.
Rony sorriu. Não sabia se os dois ainda gostavam dele como na época de escola, principalmente depois de Hermione ter criado a filha deles sozinha.
– Hey, o que estão fazendo? – Gina se sentou ao lado deles.
– Estávamos jogando xadrez. Venci o papai três vezes seguidas! – Mia disse empolgada.
– Uau! Isso é um fato histórico! Já contou para sua avó?
– Não... – Ela se levantou e saiu correndo. – Vovó!
Os dois riram e olharam para o mesmo lado, vendo o sol forte atrás das montanhas.
– Sinto falta daqui... – Gina disse.
– Eu também.
– Lembra quando brincávamos de quem conseguia chutar os gnomos mais longe?
– Lembro... Eu sempre vencia. – Ele riu.
– Mas é claro. Você sempre foi mais alto. – Gina também riu.
– Bons tempos...
– É... Não tínhamos preocupações. Mas imagino várias crianças correndo por esse jardim, fazendo o mesmo que fazíamos.
– Bom... Duas já têm. – Rony se referia à Mia e Victória, filha de Fleur e Gui. – Daqui a alguns meses teremos mais um. – Ele sorriu olhando para a irmã.
– Ou mais uma. – Ela colocou as mãos em sua barriga. – Às vezes tenho medo.
– De que?
– De não ser uma boa mãe como a mamãe foi. Ela conseguiu cuidar de sete filhos, educando um por um.
– Menos Percy. Ainda acho que ele foi adotado.
Os dois riram.
– Mesmo assim... Percy foi um idiota, mas percebeu isso a tempo.
– Eu também tinha esse medo. Principalmente porque fui pego de surpresa. Mas não é tão difícil quanto você imagina... E tenho certeza que você será uma ótima mãe.
– Isso é porque Mia ainda é criança. Espera ela ser adolescente.
– Fique sabendo que minha filha vai ser uma adolescente calma e tranqüila. – Rony disse orgulhoso, quando ouviram vários estalos no jardim, fazendo com que os gnomos voassem pelos ares. Mia saiu correndo de casa com várias bombinhas em sua mão. Fred e Jorge pararam na porta sorrindo para a sobrinha que se divertia vendo os gnomos voarem pelos ares. – Menos se ela andar com eles.
Eles começaram a rir, e logo depois se juntaram aos outros, relembrando os velhos tempos. Fred e Jorge e Mia jogavam as bombinhas, enquanto Rony e Gina chutavam-nos para bem longe. Estava sendo uma tarde divertida.
Hermione se olhou no espelho mais uma vez. Era inacreditável. Estava realmente muito loira.
– Rony ia pirar! – Ela disse para si mesma, rindo. Imaginou o que ele diria se a visse daquele jeito, parecendo uma aluna da Sonserina. De tanto olhar no espelho ela acabou se acostumando um pouco com a nova aparência. Viu que seu colar estava brilhando. Ela abriu o pingente e leu a frase que apareceu.
“Encontre-me no saguão daqui a dez minutos. Harry”.
Hermione olhou mais uma vez para o espelho, observando o vestido vermelho que usava. Não estava nada parecida com a Hermione verdadeira, mas essa era a intenção. Ela pegou um pedaço de pergaminho e molhou a pena na tinta:
Rony,
Cheguei bem. O hotel é muito bonito. Irei encontrar com Harry agora, mas não se preocupe. Estarei irreconhecível, tive que me disfarçar. Já estou morrendo de saudade de vocês. Cuide bem da nossa filha, e mande um grande beijo pra ela e para todos aí, inclusive Gina. E claro, um bem especial para você.
Com amor, Hermione.”
Ela terminou de escrever o bilhete e abriu a janela, deixando com que a coruja cedida pelo Ministério voasse rumo ao por do sol. Ela saiu apressada do quarto, indo se encontrar com Harry.
Em poucos segundos ela estava no saguão do hotel, que estava começando a lotar. Ela andou no meio das pessoas, tentando não olhar muito para cada um. Algumas vezes recebia elogios dos homens que a olhavam maliciosos, e ela acabou rindo, imaginando se Rony estivesse ali. Com certeza já tinha dado uma crise de ciúmes.
Ela procurava por Harry, quando alguém trombou nela. O homem tinha um cavanhaque bem feito e os olhos castanhos. Os cabelos pretos e lisos caiam em sua testa.
– Me desculpe Senhorita... – Harry disse.
– Harry! – Hermione disse baixo e riu.
– Hermione?! Por Deus... Como... Por quê? – Ele arregalou os olhos pegando no cabelo dela. – Você está fantástica!
– Mesmo? – Ela sorriu sem graça. – Achei muito exagerado.
– Mas está perfeito! – Ele sorriu. – Vem, tem uma mesa ali. – Ele colocou a mão nas costas dela, guiando-a até a mesa. Ele puxou a cadeira para ela se sentar, e logo depois ele se sentou também. – Bom, te chamei aqui para te dar as instruções. Você já sabe que seu nome é Madeline Biarcc não é? – A amiga fez uma cara estranha e Harry riu. – É... Eu também não gostei. Enfim... Você terá que falar francês o máximo que puder. Tem que parecer ser realmente francesa.
– Quoi que vous disiez, patron. – Ela sorriu.
– O que?
– Como quiser chefe. – Ela riu e Harry também.
– Perfeito. Bom... Eu e os outros aurores estamos nos comunicando com isso. – Harry apontou para seu ouvido, onde tinha um tipo de fone sem fio. – É usado pelos trouxas... Mas achamos muito útil para essa missão. Idéia de Arthur...
– Claro. – Hermione sorriu.
– Kingsley nos informou que o homem já está hospedado aqui. Seu nome é Pierre D’elarc. Como ele se hospedou ontem à tarde, soubemos que ele veio jantar aqui mesmo, ontem à noite. Esperamos que ele faça o mesmo hoje.
– E então eu me aproximo dele...
– Exato. Mas você tem que se aproximar como se tivesse realmente interessada em conhecê-lo, como se tivesse... Er...
– Me oferecendo para ele. – Hermione corou.
– Sim. E... Rony não precisa saber disso.
– Com certeza ele irá descobrir de qualquer jeito. – Hermione sorriu triste. – Continue.
– Para as coisas parecerem mais reais... Nicholas vai se aproximar de você como se te conhecesse. Ele irá te elogiar e falar muito bem de você.
– Nicholas? Não o imagino fazendo isso...
– É... Ele também parece não ter gostado muito da idéia. Então é isso. É simples não é?
– Falando assim, é... Tomara que dê tudo certo.
– Não se preocupe... Eu e outros dois aurores vamos estar sentados em uma mesa não muito afastada. Vamos estar de olho em vocês... Aqui. – Ele lhe entregou um objeto parecido com o dele. – Para nos comunicarmos.
– Certo... – Hermione olhou para suas mãos. – Tomara que eu descubra alguma coisa...
– Vai sim. – Harry sorriu e apertou a mão da amiga. – Bom, eu vou subir... O jantar será servido daqui a pouco... Então se quiser continuar aqui...
– Acho que vou continuar, aquele quarto me deixa angustiada.
Harry riu.
– Ok. Ah, e mais uma coisa... Meu nome é Adam.
– Certo, Adam. – Hermione sorriu, e Harry sorriu de volta, deixando-a sozinha na mesa.
Rony se sentou pesadamente no sofá ao lado de Gina. Os dois estavam exaustos. Passaram a tarde inteira jogando quadribol.
– Harry não pode nem imaginar que joguei quadribol. – Gina disse.
– E o que é que tem?
– Eu estou grávida... Ele deixou claro que não era para eu fazer nada que exigisse muito de mim.
– Acho que Harry está exagerando.
– Não, ele só está protegendo a esposa e o filho.
– Eu não seria tão chato com Hermione. Cuidaria dela, ia protegê-la, mas sem essas neuras. De qualquer modo você não voou tão alto, e nem fez muito esforço.
– Mia já foi dormir?
– Ainda não... Está conversando com o pai sobre objetos trouxas.
– Ih, então eles vão ficar lá por muito tempo ainda. – Gina riu. – Rony... Posso te fazer uma pergunta?
– Claro.
– Você já gostou realmente da Emília?
– Bom... Não. Aquela época eu só fiquei com ela por Hermione ter saído com Córmaco.
– Você não sente mais nenhuma atração por ela, certo?
– Claro que não Gina! Eu estou noivo, esqueceu?
– É que... Eu queria saber... Vocês homens, mesmo quando estão comprometidos... Não se sentem atraídos por outra mulher?
Rony ergueu as sobrancelhas para ela. Entendia exatamente porque Gina estava perguntando aquilo. Os ciúmes eram de família.
– Nós não estarmos mortos Gina. Achamos outras mulheres bonitas sim. Se lembra quando namorou Dino no sexto ano?
– Lembro...
– Então, você gostava dele?
– Não! – Gina respondeu rapidamente.
– Mas saiu com ele por quê?
– Por que eu o achava bonito e carinhoso...
– Hoje se você encontrar com ele, ainda vai achá-lo bonito?
– Acho que sim.
– É isso que sentimos.
– Quer dizer que você admite que vocês homens realmente acham outras mulheres bonitas?
– Achar uma mulher bonita não quer dizer nada Gina.
– Então você... Er... Teria coragem de trair Hermione, se uma mulher bem bonita desse em cima de você? – Rony deu uma gargalhada e Gina olhou sem entender.
– Claro que não Gina! Eu amo Hermione! Não tenho, e nunca terei vontade de traí-la. Posso achar outras mulheres bonitas, mas Hermione é a mais linda do mundo pra mim, nenhuma chega aos pés dela. Nenhuma outra mulher no mundo desperta em mim as coisas que Hermione desperta.
– Isso... É lindo Roniquinho. – Gina disse apertando as bochechas dele. – Desde quando você ficou tão maduro assim?
– O tempo ajudou bastante... – Ele sorriu e bagunçou o cabelo da irmã.
Hermione já estava ali há quase duas horas. Já havia tomado duas taças de vinho, mas resolveu não pedir mais. Queria estar totalmente consciente do que estava fazendo. Ela estava se cansando de ficar ali, quando ouviu a voz de Harry em seu ouvido:
– Mione, consegue me ouvir?
Hermione olhou para ele disfarçadamente, e balançou a cabeça afirmando.
– Ótimo. Olhe para o homem que acabou de sentar-se à mesa a sua esquerda. – Hermione sutilmente virou a cabeça, e reparou pelo canto do olho um homem com uma expressão parecida com a dos Malfoy, e fez o estomago de Hermione embrulhar. – Ele é o Pierre. Espere um tempo, e passe ao lado dele, indo até o bar e encarando-o.
Hermione sentiu que seu coração ia sair pela boca. Ela olhou uns instantes para sua taça de vinho, e logo depois se levantou, passando na frente de Pierre. Ele ergueu os olhos para olhá-la, e ela o encarou, dando um sorriso de lado. Ela percebeu que ele a olhava até quando ela deu as costas para ele, indo até o bar.
Ela pediu ao barman mais uma taça de vinho. Logo depois ela se virou, e andou o mais sensual que pôde, passando por ele e o encarando novamente. Ela se sentiu feliz em saber que conseguia despertar olhares nos homens, mesmo que ele provavelmente seja um assassino. Ela voltou para sua mesa, e se sentou rapidamente, aliviada. Se ficasse mais um tempo em pé talvez fosse desmaiar de tanto nervosismo.
– Brilhante Hermione! Você foi perfeita. Agora espere que ele vá até você. Foi de primeira hein! – Harry riu e Hermione o fuzilou com os olhos de longe.
Ela começava a achar que não tinha dado certo, quando sentiu um perfume extremamente forte e enjoativo.
– Bonne nuit. (Boa noite). – A voz dele era forte, Hermione se sentiu fria.
– Bonne nuit. – Ela sorriu para ele.
– Seule, madame? (Está sozinha?) – Ele sorriu de lado.
– Peut-être, peut-être pas. (Talvez sim, talvez não.) – Ela tomou um gole de vinho.
– Comment puis-je savoir? (Como posso saber?)
– Raconter moi votre nom. (Me dizendo seu nome). – Ela o encarou. Seu olhar era frio, e com certeza sem nenhuma dúvida ele era arrogante como os Malfoy, mas não podia negar que era um homem muito atraente. Ele abriu um largo sorriso para ela.
– Puis-je? (Posso?) – Ele apontou para a cadeira em sua frente. Hermione sorriu e afirmou com a cabeça. Ele puxou a cadeira e olhou no fundo dos olhos dela. — Vous êtes Français? (Você é Francesa?)
– Oui. (Sim).
– Mas sei que pode falar inglês. – Ele sorriu divertido e Hermione prendeu a respiração. – Ouvi você pedindo uma taça de vinho para o garçom. – O pequeno sotaque francês fazia com que ele ficasse ainda mais atraente. Hermione se amaldiçoou por não ter falando Frances com o barman, como pode se esquecer desse detalhe?
– Tenho parentes na Inglaterra. – Ela sorriu.
– Estou encantado como fala inglês tão bem. – Ele sorriu. – Posso saber por que uma moça linda como você está sozinha nesse hotel maravilhoso?
– Bom... – Ela não tinha pensado nisso. Como não pensou nisso?
– Mademoiselle! – Nicholas apareceu ao lado de Hermione, com um chapéu e um cavanhaque. – Como está linda essa noite. – Ele beijou a mão de Hermione, e ela teve vontade de rir. Pensou em como Nicholas devia estar ganhando bem para fazer aquela cena.
– Merci. – Ela sorriu.
– Vejo que está acompanhada essa noite... – Ele olhou para Pierre, que o olhava curioso. – Peço desculpas, mas ela é uma mulher rara... Não posso deixar de cumprimentá-la. Espero que se divirtam, e cuide bem dela. – Ele sorriu para Pierre, que sorriu de volta um pouco sem graça. – Vejo você depois Mademoiselle. – Ele sorriu para Hermione, e havia brilho em seus olhos.
– Vejo que é conhecida por aqui. – Pierre disse.
– Um pouco... Venho muito aqui depois que meus pais morreram. Nós costumávamos vir aqui todos os anos, e eu continuo a tradição.
– Imagino que é casada...
– Não... – Ela tomou um gole de vinho.
– Comprometida... – Ela balançou a cabeça negando. Sentia-se péssima em mentir. Sua vontade era de falar que sim, era comprometida e muito bem comprometida. Ela olhou para sua mão, e seu anel não estava lá. Por sorte ela tinha se lembrado de tirá-lo antes de sair.
– Então... Parece que hoje será uma ótima noite. – Ele sorriu e Hermione sorriu de volta. O que ele queria dizer com aquilo?
– Já escovei meus dentes papai! – Mia subiu em cima da cama de Rony e começou a pular.
– Deixa eu ver. Da um sorriso. – Ela abriu um largo sorriso mostrando todos os seus dentes. – Hum, muito bem! Não pode deixar de escovar os dentes. Dizem que gnomos aparecem no quarto de quem não escova.
– Sério papai? – Mia perguntou parando de pular.
– Sério. Mas você não corre esse risco, porque você é uma garota obediente não é? – Ele pegou a filha e a deitou na cama, enchendo-a de cócegas. Ela dava gargalhadas gostosas que fazia o coração de Rony disparar. – Agora vá dormir, já está tarde. Sua avó daqui a pouco vem aqui brigar com a gente.
– Papai...
– Hum?
– Você dorme comigo? Eu estou... Com medo. – Ela deitou a cabeça no travesseiro e se cobriu. Rony sorriu para ela e deitou ao seu lado, se escorando em sua mão.
– Seu desejo é uma ordem princesa. – Ele sorriu.
– Eu queria ser uma princesa... – Ela disse com os olhos brilhando.
– Mas você é uma princesa. A princesa do papai. – Os dois riram. Mia olhou para o lado, e o seu sorriso foi sumindo. – O que foi princesa?
– O que será que a mamãe está fazendo?
– Eu também gostaria de saber... – Ele disse também diminuindo o sorriso. Aquela altura Hermione já deveria estar cumprindo sua tarefa. Um frio correu pelas suas espinhas. Hermione conversando com outro homem... E se algo passasse dos limites?
– Papai?
– Sim? – Rony despertou de seus pensamentos.
– Sírius era uma boa pessoa? – Rony pensou por uns instantes e sorriu inevitavelmente.
– Sim... Uma ótima pessoa. Eu costumava dizer que queria ser como ele quando fosse adulto. – Ele riu.
– Às vezes... Eu sinto falta de conversar com ele.
– Filha... Eu não quero que pense nisso mais... Sua mãe vai cuidar disso... – Ele pensou por uns instantes. – E eu também. – Ele sorriu. — Só não quero que fique pensando nisso.
– Está bem papai. – Ela sorriu e Rony a aninhou em seus braços, acariciando os cabelos dela até que ela pegasse no sono.
Hermione e Pierre gargalhavam juntos. Se Hermione não soubesse de toda a história, nunca iria dizer que ele era um péssimo homem. Ela ainda estava desconfortável naquela situação, mas não estava tão nervosa como antes. Ele já havia bebido cinco copos de whisky, e estava bem mais solto.
– Então... Pierre. Você trabalha de que? – Ela perguntou olhando um pouco para Harry, que estava na mesa atrás dele, um pouco afastado. Ele olhava atentamente para eles, e Nicholas ao lado, estava estranhamente com a cara amarrada olhando para os dois.
– Cuido dos negócios da família. – Ele disse simplesmente, e Hermione logo deduziu que era um garoto mimado que vivia da fortuna da família. Hermione olhou para o bolso dele, e sua varinha aparecia um pouco.
– O que é isso no seu bolso? – Ela perguntou divertida, e ele se assustou, empurrando a varinha novamente para o bolso.
– Er... Nada de mais.
– Estranho... Se não fosse loucura eu diria que era uma varinha. – Hermione riu. – Como dos filmes da Cinderela.
– Er... – Nicholas disse um pouco sem graça, e Hermione sabia que ele não fazia idéia de quem era Cinderela. – Mas então, Madeline. – Ele segurou sua mão. – Que tal se você subisse comigo um pouco?
– Me... Melhor não. Estou um pouco cansada. – Ela sorriu.
– Uma pena... Queria realmente te conhecer melhor.
– Podemos marcar outro dia... Vou ficar aqui mais uns dias. – Ela se levantou e ele também.
– Que tal amanhã na hora do almoço? Gostaria realmente de te conhecer melhor. – Ele sorriu e colocou a mão no bolso. Harry se preparou para o pior. Colocou a mão em sua varinha, Nicholas fez o mesmo. Pierre tirou um cartão do bolso em que estava sua varinha e entregou à Hermione. Os dois respiraram aliviados. – Meu telefone.
– Entrarei em contato. – Ela sorriu. – Bons sonhos... – Ela deu um sorriso sedutor.
– Pour vous aussi, Chérie. (Para você também, querida). – Ele beijou a mão dela e Hermione saiu em direção ao elevador.
Quando as portas do elevador se fecharam, ela respirou aliviada. Sentia suas pernas bambas e finalmente conseguia respirar direito. Pelo menos tudo tinha corrido bem... Por enquanto.
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