O estádio estava lotado. Muito mais gente do que Rony já tinha visto. Ele olhava pela janela do vestiário, e não conseguia expressar em palavras a emoção que estava sentindo. Várias faixas com o seu nome, pessoas gritando por ele. Era inacreditável. Apenas em seus sonhos ele imaginou isso. Era impossível procurar pela sua família no meio de tanta gente.

– Está tenso capitão? – Rony fechou os olhos querendo que estivesse tendo um pesadelo.

– O que está fazendo aqui? – Ele perguntou sem se virar.

– Vim te desejar boa sorte.

– Não preciso da sua bondade.

– Auto confiança é tudo, muito bem. – Ela sorriu e se aproximou dele, o massageando.

– O que você quer Emília?

– Já disse... Vim te desejar boa sorte.

– Você pode desejar isso lá de cima da arquibancada, sem precisar ficar tocando em mim. – Respondeu bravo saindo de perto dela.

– Você está tão agressivo Rony... Isso é tão sexy. – Ela riu maliciosamente.

– Você me embrulha o estomago.

– Quanto mais você me trata assim mais eu te desejo. – Aproximou-se dele enquanto ele dava passos para trás.

– Pelo amor de Deus Emília, me deixa em paz! Você não se cansa?

– Eu quero você Rony, e não vou descansar enquanto não tiver você pra mim. – Ele gargalhou ironicamente.

– Não viu o profeta diário ainda?

– Vi sim, mas não me importo se está noivo. Eu não tenho ciúmes.

– Repugnante Emília. Nem se eu estivesse solteiro eu ia querer você.

– Duvido... Não tem como você ter mudado de idéia. – Ela continuou se aproximando, e Rony ficou encurralado na parede. – Não se lembra Rony? – Ela cochichou em seu ouvido. – Você gostava tanto dos meus carinhos. – Ela enfiou a mão por dentro da camisa dele. – Suspirava tão alto que tínhamos que fazer feitiços abafadores. – Ela riu olhando para os lábios dele. – E eu sei que você ainda sente isso.

– Quer saber a única coisa que eu sinto por você? – Ele perguntou calmamente. – Nojo! – Ele a segurou pelos ombros. – Me-deixa-em-paz. Foi um erro ter ficado com você no sexto ano. Sempre amei e sempre vou amar Hermione, e não existe mulher no mundo que vai me fazer traí-la. – Ele a empurrou e saiu batendo os pés.

– Você ainda vai ser meu Ronald Weasley... – Ela sorriu.



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– Boa noite senhoras e Senhores, anões e elfos. – Barney saudou animado e toda a torcida aplaudiu. – Hoje teremos Inglaterra VS Irlanda. Quero ouvir a animação da torcida da Inglaterra, onde temos nosso ilustre rei Rony Weasley!

Um barulho ensurdecedor foi feito pelos torcedores da Inglaterra. Centenas aplaudiam, Centenas assopravam cornetas, e centenas fazia outros tipos de barulhos. Ficaram assim por longos segundos.

– Uau, isso foi demais! Agora quero ouvir a animação da torcida da Irlanda.

Outro grande barulho foi feito pela torcida da Irlanda, mas nada comparado com a primeira torcida.

– Isso aqui ta demais minha gente! E que tal se déssemos essas belas boas vindas para os jogadores? Que entrem os jogadores da Inglaterra! – Mais uma vez a torcida fez a maior bagunça. Os jogadores entraram todos juntos voando em suas vassouras, e vários foguetes das cores azul, branco e vermelho explodiam nos ares. – E aí está ele pessoal! Rony Weasley, nosso rei! – Rony entrou voando logo atrás dos outros. Os painéis de todo o estádio se focaram nele. Ouviam-se mais gritos femininos do que masculinos, se é que dava para distinguir no meio de tanta bagunça. Rony sorriu gentilmente e acenou para a torcida, que mais uma vez gritou. – E agora vamos saudar os jogadores da Irlanda!



– Tá se achando não é Weasley? – Córmaco se aproximou dele.

– Não enche Mclaggen. Melhor prestar atenção no jogo.

– Você não é o capitão aqui Weasley. Não me diz o que fazer.

– Ei Mclaggen, pega leve. – Thompson se aproximou.

– Não se envolva Thompson!

– Deixa ele pra lá Thompson, só ta querendo arrumar confusão.



– Que os jogos comecem! – Kingsley disse do topo da arquibancada, e os balaços foram lançados.



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O jogo estava na metade, e a Inglaterra ganhava por cinqüenta pontos.

– Mas que droga! Aquilo ali não vale! – Hermione gritou.

– Hey, calma aí. – Harry riu da amiga.

– Calma nada Harry! Cadê o juiz nessas horas? Daqui a pouco estão lançando feitiços um no outro ali em cima.

– Hermione, que estresse! – Gina olhou para a amiga, que percebeu que todos olhavam para ela assustados.

– Desculpem... É... A gravidez. – Ela disse sem graça.

– Mamãe, olha lá! O papai defendeu mais uma! – Mia gritou animada, junto com todos os outros da torcida.

– Isso aí Rony! Ele é demais! – Todos se viraram para a mulher que tinha acabado de chegar.

– Bulstrode. – Hermione e Gina disseram com desgosto.

– Oh, olá. Não vi que vocês estavam aí.

– Ah é claro... Por que no meio de tanta gente você veio sentar justo do nosso lado. – Hermione disse irônica.

– Calma aí Granger... Que nervosismo. Isso pode fazer mal pro bebê.

– Emília por que você não vai sentar em outro lugar? – Harry perguntou calmamente.

– Porque eu estou a fim de me sentar aqui, Potter. Por isso.

Eles sabiam que não ia adiantar ficar discutindo com ela, então acharam melhor continuar prestando atenção no jogo.


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– Clapton está alcançando o pomo pessoal! Será que finalmente vai ser a vitória da Inglaterra? Esperem... Esperem aí! Mclaggen, o que está fazendo?



– Mclaggen sai daí! – Clapton gritou com ele, que estava perseguindo o apanhador do time adversário.

– MCLAGGEN O QUE TÁ FAZENDO? – Rony gritou de longe. – Droga ele vai estragar tudo!

– Parece que Mclaggen está levando muito a sério esse lance de marcação. – Barney disse.

– Rony, ele vai acabar arrumando encrenca. – Thompson disse.

Rony ficou irritado e saiu voando atrás de Mclaggen.

– E parece que Weasley ficou muito irritado com o colega e até saiu da sua posição! Melhor tomarem cuidado.

– Ô MCLAGGEN, SEU IMBECIL! – Rony gritou. – FIQUE NA SUA POSIÇÃO.

– JÁ DISSE QUE AQUI VOCÊ NÃO É CAPITAO WEASLEY, FICA NA SUA!

Os dois voavam lado a lado, Mclaggen ainda tentava perseguir o apanhador rival, enquanto Rony tentava impedi-lo.

– O que Mclaggen ta fazendo? – Harry perguntou com raiva.

– Esse cara é um idiota! – Fred falou.

– Rony não deveria ter saído da sua posição... – Sírius disse.

– Eles estão indo rápido demais! – Hermione falou aflita.

Os dois voavam mais rápido do que os outros. Algumas vezes Rony perdia o equilíbrio, e arrancava gritos de tensão da torcida.

– Cuidado Córmaco! – Rony gritou quando os dois perderam o equilíbrio e foram direto para a pilastra que dividia a arquibancada. Rony o empurrou para que ele não trombasse, mas não conseguiu escapar a tempo. Deu de cara na parede, quebrando sua vassoura.

Tanto a torcida da Inglaterra quanto a torcida da Irlanda começaram a gritar assustados. Rony caía de mais de 60 metros de altura. Hermione arregalou os olhos e sentiu seu coração parar por alguns segundos. Harry pegou Mia no colo e tampou o rosto dela para ela não ver.

Rony não caiu no chão. Kingsley estava com sua varinha apontada para ele.


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– Rápido! Levem ele para o St. Mungus. – Kingsley dizia aflito enquanto alguns enfermeiros cuidavam de Rony.

Eles o obedeceram, e logo saíram com Rony desacordado na maca.

– Onde ele está? – Hermione entrou às pressas na Ala hospitalar.

– Hermione, fica calma... Estão levando ele para o St Mungus... – Kingsley tentou acalmá-la.

– Oh meu Deus! Eu preciso saber como ele está... Eu... Eu... – Ela começou a chorar. Estava nervosa. Harry chegou correndo logo atrás procurando por Hermione que tinha fugido deles há poucos minutos. Ele viu o estado dela, e a abraçou.

– Harry, leve Hermione para casa... Ela não pode ficar assim.

– Não! Eu não vou pra casa. Preciso vê-lo Harry.

– Hermione você não está em condições de vê-lo agora. Olha seu estado.

– NÃO ME IMPORTA HARRY POTTER! EU QUERO VER O RONY AGORA! – Ela gritou nervosa.

Suas mãos estavam trêmulas e ela não parava de chorar. Harry percebeu que o único jeito era levá-la até o St Mungus.

– Está bem... Eu vou te levar lá.

– Queria falar comigo Ministro? – Córmaco se aproximou. Harry estava prestes a enfeitiçá-lo, quando Hermione se soltou do seu abraço e foi até ele. – Hermione... Eu... Eu...

Mas ele não terminou sua frase. Foi acertado bem no meio do rosto. Caiu no chão com o nariz sangrando. Harry e Kingsley quiseram rir, mas acharam que não seria apropriado.

– Vem Mione, vamos ver o Rony. – Harry a abraçou novamente e os dois saíram pela porta.



***



“Os corredores de Hogwarts estavam vazios. Rony sentia-se sem ar. Empurrou calmamente a menina que estava em sua frente, com os lábios grudados nos seus.

– Emília... Vai devagar. Ainda estamos no corredor. – Ele riu.

– Não importa... É uma adrenalina... Isso é sensual. – Ela mordeu os lábios e voltou a beijá-lo. Os dois ouviram barulhos se aproximando, e então olharam para a mesma direção. Hermione usava um vestido bege decotado, e estava com ninguém menos que Mclaggen ao seu lado. Eles pareciam ter se divertido na festa do Slughorn.

– Boa noite Granger. – Emília disse alegre. Rony continuou intacto.

– Boa noite. – Ela disse com um pouco de desprezo.

– Vamos pra outro lugar Mione, aqui está cheio. – Mclaggen disse pegando sua mão. Hermione olhou mais uma vez para Rony, e então continuou andando dando gargalhadas com Mclaggen.

Rony sentia seu sangue ferver. Era Mclaggen, com Hermione... SUA Hermione.

– Então... Onde paramos? – Emília sorriu maliciosa.

– Er... Emília... O que acha de irmos para um lugar mais reservado? – Ele sorriu.

–------

– VOCÊ O QUE? – Harry gritou.

– Shhhhh. – Rony olhou para o dormitório. Neville se mexeu na cama, mas não acordou.

– Rony! Como pôde fazer isso? – Harry agora estava cochichando.

– Eu... Eu não pensei direito Harry. Hermione passou tão alegre com Mclaggen que eu fiquei com raiva.

– E então resolveu levar Emília para a biblioteca e perder sua virgindade? Deus... Não quero nem pensar se Minerva ou Filch tivesse entrado na hora.

– Nós pensamos nisso Harry. Dáfine estava vigiando do lado de fora...

– Sei... Poxa Rony, mesmo assim foi uma burrada. Você não está gostando da Hermione? Me disse isso hoje mesmo! Disse que ia terminar com Emília.

– Eu sei... Mas como eu disse Harry, fiquei com raiva. E nesse instante Hermione deve estar se divertindo com Córmaco. – Ele disse com desgosto.

– Tenho quase certeza que não. Hermione não é assim.

Rony ficou calado. Estava arrependido.

– Melhor irmos dormir. – Rony se virou na cama. – Boa noite.

– Noite.

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– Bom dia! – Hermione sentou-se à mesa animada.

– Bom dia! – Harry respondeu no mesmo tom de animação.

– Olá. – Luna respondeu do jeito... Luna.

– Bom dia Mi. – Gina respondeu.

Rony continuou comendo. Não respondeu.

– Harry, não te vi indo embora da festa ontem. – Hermione ignorou o comportamento infantil de Rony.

– É que eu... Estava cansado. – Mentiu. Na verdade tinha saído para vigiar Malfoy.

– Ou talvez você não notou porque estava ocupada demais saindo pelos corredores com o Mclaggen. – Rony disse nervoso.

– Do que está falando?

– Você sabe muito bem do que estou falando.

– Olha aqui Ronald, você fica se agarrando no corredor com Emília, e ninguém nunca disse nada. Por que não faz o mesmo em relação a mim?

– Claro... Se quiser continuar agindo como uma qualquer por aí.

Harry o olhou assustado. Hermione bateu a mão na mesa e se levantou.

– Você... – Ela tentou dizer algo que fosse tão ofensivo quanto o que ele dissera. Mas não conseguiu. Apenas se virou com raiva e saiu andando. Ninguém a viu durante o resto do dia.



***

Rony abriu os olhos com dificuldade. Sua visão estava embaçada, e ele não conseguia dizer onde estava. Percebeu que alguém segurava a sua mão. Aos poucos sua visão foi ficando normal, e ele pôde vê-la. Ainda um pouco tonto ele sorriu, se mexendo um pouco para que ela percebesse que ele tinha acordado.

– Ron? – Hermione pulou da cadeira e se aproximou dele. – Ron... Está me ouvindo?

– Sim... Parece que ainda tenho meus dois ouvidos. – Ele brincou e Hermione o abraçou.

– Meu Deus Rony! Fiquei tão preocupada com você!

– Eu estou bem Mione. – Ele retribuiu o abraço tentando tranqüilizá-la. – Há quanto tempo estou desacordado?

– Deve ter umas nove horas... Eles te deram uma poção para você dormir... Estava se queixando de dores quando acordou a primeira vez.

Ele tentou se sentar e sentiu uma dor no braço.

– Ai.

– Rony! Ouviu o que eu acabei de dizer?

– Mas não deveria estar doendo ainda.

– A enfermeira já consertou a fratura, mas ainda vai demorar um tempo para recuperar.

– Que bom que acordei com você do meu lado. Eu estava sonhando com você. – Ele segurou sua mão.

– Mesmo? – Ela sorriu.

– Mesmo. – Ele beijou sua mão. – Não foi um sonho muito bom, foi mais uma lembrança, mas foi bom acordar e ver que você está do meu lado.

– Sempre.

– Olá Bela Adormecida. – Harry entrou o quarto.

– Bela quem?

– Deixa pra lá. – Ele riu. – Como está se sentindo?

– Pronto para sair daqui.

– Não é bem assim Rony... Você tem que descansar ainda. – Hermione disse.

– Descansar mais do que já descansei Hermione?

– Se quiser se recuperar, sim.

– Por falar em descansar... Que tal ir pra casa Hermione? – Harry sorriu.

– Não mesmo. Não saio daqui enquanto Rony não sair também.

– Como assim? Hermione, você está aqui esse tempo inteiro? – Rony perguntou.

Hermione não respondeu. Sabia que ele iria xingá-la.

– Ela está sim Rony! – Harry se intrometeu. – Não quis comer, não quis dormir.

– Você ta louca? E o bebê Hermione?

– Nós estamos bem Rony...

– Uma ova! – Ele respondeu irritado. – Vá já pra casa!

– Não Rony... Eu vou ficar e...

– E nada. Eu não quero que você fique comigo.

– Como assim não quer?

– Oras... Não quero não querendo. Quero você em casa.

– Mas...

– Nada de “mas”... – Ele imitou a voz dela. – Harry vai me fazer companhia.

Ela ainda o olhou mais uma vez, mas pelo olhar dele, entendeu que a conversa estava encerrada. Hermione ficou se perguntando desde quando Rony era o mais maduro dos três. No passado, ela estaria no lugar dele, lhe dando uma bronca, e não o contrário.

Ela lançou um olhar mortal para Harry, e logo depois saiu.

– Peguei pesado? – Rony perguntou para o amigo que se aproximou.

– Você precisou. Ela não iria embora.

– É, sei disso. Às vezes Hermione é tão teimosa que... Argh! Onde já se viu? Ficar nove horas sem comer e sem dormir... GRÁVIDA!

– Ela só estava fazendo o seu papel... Você pediu para ela ficar.

– Eu pedi?

– Sim.

– Eu não me lembro disso...

– Como não se lembrou que chamou o nome dela na Ala Hospitalar no sexto ano. – Harry sorriu.

Rony ficou pensativo. Realmente não se lembrou que fez isso no sexto ano. Talvez tivesse falado enquanto sonhava com Hermione.

– Rony... Kingsley pediu para vir falar com você.

– Comigo? Pra que?

– Bom... Primeiramente pediu para lhe desejar melhoras.

– Obrigado.

– Segundo, pediu para lhe dizer que os Chudley ganharam. Ele teria anulado o campeonato se fosse o contrário. – Os dois riram. – E Mclaggen foi expulso do campeonato.

– O que mais?

– E terceiro... Bom... Você sabe que por sorte você está bem e consciente. A batida foi muito feia. Você fraturou o braço direito e bateu o lado esquerdo da cabeça.

– Bom... A cabeça parece que está funcionando bem.

– Nunca esteve Rony.

Mais uma vez os dois riram.

– Continuando... Como você sabe as regras do Quadribol, exige que os jogadores estejam em ótimo estado de saúde.

– Harry... Sou capitão, sei bem como são as regras.

– Certo... Bom, a enfermeira disse que a dor pode passar em uma semana... Mas seu braço não vai estar cem por cento.

– O que quer dizer?

– É... Como você sabe... As regras exigem ótimo estado de saúde. Você não vai mais poder jogar quadribol.

– O QUE? – Rony praticamente gritou. – Como assim Harry? Isso é ridículo. Eu posso muito bem mexer o meu braço.

– Mas não vai ser como antes Rony. E você é o goleiro. Já imaginou o goleiro sem conseguir mexer o braço?

– Eu posso treinar com o esquerdo...

– Você não está entendendo Rony... São as regras. Se você não está dentro dessas exigências... Não pode mais jogar.

Como capitão, Rony sabia que Harry tinha razão. Já havia dispensado vários homens do time por causa dessa maldita regra. Mas se era assim, o que Rony ia fazer da vida? Sua profissão tinha sido perdida.

– E agora? – Ele olhou para Harry.

– É isso que vim falar com você... Kingsley estava conversando comigo, e disse que ficou admirado com sua participação na missão, e sua coragem de salvar Mia. Ele quer te oferecer um cargo de auror. – Harry sorriu para Rony. Sabia que esse sempre foi o que ele quis.

– Mas... Mas... Eu não passei nas provas Harry.

– Ele quis abrir uma exceção. Disse que depois de você ter se mostrado corajoso tanto nessa missão quanto na guerra era suficiente. Você só precisa de alguns treinamentos...

– Mas meu braço...

– Nós aurores não precisamos dessas regras. Tem aurores que usam perna mecânica porque não tem uma perna, e mesmo assim são um dos melhores. Só depende de você... Se vai querer aceitar ou não.

Ele ficou pensativo. Sentiu-se tão desapontado quando não passou nas provas. Queria tanto ser auror com Harry. Ele abriu um largo sorriso para o amigo.

– Tá brincando? Esperei por isso tanto tempo! Claro que aceito. – Ele disse animado.

Harry o abraçou feliz. Seria como na época de Hogwarts, mas com muito mais emoção.



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Hermione havia deixado tudo preparado para a chegada de Rony. A casa estava arrumada, a comida preferida dele estava na mesa. Mia ajudava Hermione a colocar os pratos na mesa quando a campainha tocou.

– É ele mamãe! – Mia correu para abrir a porta. – Oh... Olá.

– Olá. – Nicholas forçou um sorriso.

– Nicholas? O que ta fazendo aqui? – Hermione se aproximou.

– Eu vim... Desejar melhoras ao Rony.

– Ele ainda não chegou...

– Ah... Me desculpe vim sem avisar.

– Tudo bem. Eu digo pra ele que você veio.

– E como você está? – Havia algo de diferente em sua voz.

– Eu estou bem... Ainda estou um pouco enjoada. Mas é sempre assim no início da gravidez. – Ela alisou a barriga. Nicholas a olhava. – Er... Então... Obrigada pela preocupação.

– Ah sim... Tudo bem. – Ele sorriu. Hermione sentiu um enjôo diferente, junto com a sensação de fraqueza. Ela encostou-se ao portal. – Você está bem? – Ele perguntou preocupado.

– Sim... Só fiquei um pouco tonta, mas é normal. Melhor eu entrar.

– Precisa de ajuda?

– Não. – Ela se apressou em responder. – Está tudo bem.

– Tem certeza? – Ele se aproximou um pouco mais. Hermione queria se afastar. Não estava acostumada com as preocupações de Nicholas, principalmente porque ele não teve essa preocupação no duelo que tiveram. Ela iria pedi-lo para ir embora, quando Rony saiu do elevador acompanhado de Harry.

– Nicholas? – Harry perguntou desconfiado. Os dois se afastaram rapidamente, e Hermione olhou para Rony, que estava com a mesma expressão de Harry.

– Eu vim... Desejar melhoras para Rony, e eu estava indo embora. – Ele se apressou em dizer. – Mas Hermione sentiu-se mal.

– Está tudo bem? – Rony passou por ele e perguntou para Hermione.

– Sim, foi apenas tontura... Normal. – Ela sorriu tranqüilizando-o.

– Bom... Eu vou embora. – Harry disse. – Me acompanha Nicholas?

– Claro. – Ele disse sem graça. – Então... Até mais.

– Até. – Hermione respondeu. Rony continuou calado.

Os dois se afastaram, entrando no elevador. Rony continuava olhando para a direção que eles tinham ido.

– Papaaai! – Mia correu até ele. Rony a pegou com o braço esquerdo, já que o direito estava enfaixado.

– Oi princesa!

– Você se machucou muito papai?

– Só um pouquinho...

– Mas vai sarar logo não é?

– Vai sim. – Ele sorriu.

– Vem papai, fizemos um jantar pra você. – Ela desceu do colo de Rony e correu para a sala de jantar. Ele olhou para Hermione, esperando uma explicação. Ela fechou a porta e se virou, quando ele segurou o seu braço levemente.

– O que ele realmente veio fazer aqui?

– Ele já disse Ron... Veio te desejar melhoras. Eu me senti um pouco tonta e ele quis me ajudar.

– Sei... – Ele riu sarcástico.

– Ele tentou ser educado Rony.

– Aquele cara não é educado Hermione.

– Está com ciúmes? – Ela sorriu.

– E se eu estiver? – Ele perguntou indiferente.

– Eu acho uma graça. – Ela riu. – Bom aproveitar enquanto ainda estou assim... Porque quando a barriga crescer ninguém vai olhar mais pra mim.

– Está louca? Você é a mulher mais linda do mundo... E tenho certeza que grávida você fica ainda mais linda. Vou adorar ficar te olhando. – Ele sorriu e a puxou pela cintura. Hermione ficou calada. Começou a chorar. – Hermione? O que foi? – Ele perguntou preocupado.

– Estou me sentindo culpada Ron! Por você não ter participado da minha primeira gravidez.

– Oras... E precisa chorar por isso? Já falamos tanto sobre isso.

– É que... Eu queria que você estivesse comigo.

– Mas eu vou estar com você agora... Não precisa ficar assim...

– Desculpe... – Ela limpou as lágrimas. – Acho que fico sensível na gravidez.

– Você acha? – Ele riu. – Linda. – Ele beijou o rosto dela.

– Mamãe, o jantar está esfriando! – Mia gritou da sala de jantar.

– Você quer descansar um pouco?

– Fiquei mais de nove horas numa cama, o que eu menos quero é descansar. – Ele riu.

Os dois foram para a sala de jantar, e conversaram bastante enquanto comiam. Mia contava sobre o tempo que ficou na casa de sua avó enquanto Hermione ficou com Rony no hospital. Aprendeu várias coisas com os gêmeos. Rony não gostava nada daquilo. Não queria uma filha arteira como os irmãos.

– Quando meu irmãozinho nascer, eu vou ajudar minha mãe a cuidar dele. – Ela disse animada.

– Isso é ótimo... Assim vou poder trabalhar tranqüilo. – Rony sorriu.

– Quando você volta a jogar papai?

– Er... Talvez, nunca.

– O que? – Hermione e Mia perguntaram juntas.

– Temos regras no Quadribol... Meu braço não vai curar cem por cento. Não tem como eu jogar apenas com o braço esquerdo.

– Mas... Que regra ridícula! – Hermione disse brava. – E agora? Você vai fazer o que?

– Kingsley me chamou para trabalhar no ministério... Como auror.

– O que? Então você não pode jogar quadribol, mas pode duelar? Isso é ridículo Ronald.

– Ser auror é diferente de jogar quadribol Hermione.

– É sim, exige muito mais de você.

– Eu estou realizando o meu sonho... Por que está tão brava?

Hermione não disse mais nada. Realmente Rony sempre sonhou em ser um auror, e ela tinha que estar feliz por ele, apesar de ter medo.



– Então... Parabéns! – Ela sorriu.

– Mãe, posso ir para o quarto? Quero ler um livro que tio Harry me deu.

– Sim filha, pode ir.

– Antes eu quero um beijo. – Rony sorriu. Mia desceu da cadeira e foi até ele, lhe dando um apertado beijo no rosto.

– Vai contar história pra mim hoje papai?

– Vou sim.

Mia o abraçou e correu para dentro de seu quarto. Hermione e Rony ficaram se olhando, até que Rony quebrou o silencio, apoiando seu rosto em suas mãos entrelaçadas.

– Não precisa fingir que está feliz.

– Mas eu estou feliz. – Ela sorriu e ele continuou olhando. – Bom... Só fico preocupada com você. Não quero nem imaginar se acontecer algo como aconteceu dessa vez Rony.

Ele ficou em silêncio.

– Mas... No entanto... Se contarmos que você sofreu um grave acidente jogando quadribol... Creio que terei que me acostumar com a idéia.

– Não se preocupe... Eu irei tomar cuidado. – Ele segurou sua mão.

– Eu sei. – Ela sorriu.

– E... Talvez seja melhor ficar afastado dos Chudley... Hoje Emília veio falar comigo.

– E o que ela disse?

– Ficou dando em cima de mim. Mas... – Ele se apressou em dizer quando notou a expressão de Hermione. -... Eu disse que mulher nenhuma no mundo me faria trair você.

– Quem sabe... Emília é uma mulher muito atraente. – Hermione soltou a mão dele. – Talvez agora que você vai ser auror, precise de alguém como ela ao seu lado.

– Hey, calma aí. – Ele riu. – Só te contei porque não quero segredos com você. Como eu disse, mulher nenhuma no mundo vai fazer eu te trair. Nem mesmo Emília. E ela não é tão atraente assim...

– Estranho você dizer isso depois de ficar se agarrando com ela nos corredores.

– Vai ficar jogando isso na minha cara até quando? – Ele perguntou nervoso.

– Deixa pra lá. – Ela se levantou. – Vai ler uma história para Mia, vou cuidar das louças.

Ela pegou os pratos da mesa e foi com raiva para a cozinha. Rony sorriu. Até brava ela era linda... E era sua, apenas sua.