Amor de Maroto
5 Capítulo 5
Capítulo 5
A luz do sol refletia em seu rosto. Logo ao olhar ao redor e ver onde estava, sentiu seus pés latejarem. Nem tentou se levantar. Examinou novamente o local. Na cama que ficava em seu lado direito, pôde ver uma cabeleira loura, saindo de uma brecha dos lençóis. Ao virar sua cabeça, percebeu que a do lado esquerdo estava vazia. Nem tinha sido desfeita. Estranhou, mas foi nesse momento em que ela começou a lembrar do ocorrido na noite anterior. Colocou a mão na boca, ainda sentindo certa pressão sobre eles. Então se recordou do que acontecera.
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–Eu amo essa música! Vamos dançar? — Anna perguntou para as meninas. As três logo estavam dançando.
Ao fundo do salão, os meninos conversavam. Não tinham um assunto certeiro, apenas falavam sobre coisas aleatórias.
–A defesa do Smith foi sensacional na última partida. Mas a sorte mesmo foi o Hefford ter pego o pomo um minuto depois. Se não fosse por causa de sua agilidade, Corvinal teria perdido para a Sonserina.
–Mas foi muito por pouco que a Sonserina não ganhou, Aluado. Ainda bem que não conseguiu — Tiago completou.
A conversa não passou de muito além disso. Eles só pararam de falar quando o Professor Dumbledore pediu silêncio e anunciou que a valsa iria começar. Com esse aviso, muitos saíram do meio do Salão e se sentaram. Pedro acompanhou estes, já que não tinha par.
Remo se adiantou, indo até Carol e se posicionando para a dança. Sirius e Tiago fizeram o mesmo.
–Olá, Lírio. Como vai? — Tiago perguntou, colocando uma mão em sua cintura e outra pegou a mão de Lily.
–Não faz isso, Tiago — Lily pediu, quando a música começou a tocar e eles, a dançar.
–Não fazer o quê? Você não quer dançar?
–Pára de sorrir desse jeito — disse, sem graça.
–Tipo, assim? — ele perguntou, sorrindo mais ainda, para provoca-la.
–É sério! — riu. Os dois dançavam calmamente, indo de um lado para o outro.
–Acabei de descobrir o seu ponto fraco — ele disse.
–Qual é?
–Me ver sorrindo. Eu sempre soube que te conquistava de algum jeito.
–Deixa de ser convencido, Potter!
–Ah não! Não começa com os sobrenomes de novo! — ao ouvir suas reclamações, ela riu — É assim? Ok, Evans.
–Assim não vale!
–Antes você só queria que eu te chamasse de Evans, lembra?
–Isso foi faz tempo — ela disse, o encarando. — Muito tempo — corrigiu-se. Eles estavam dançando cada vez mais devagar, quase parando.
–Nossa, não sabia que você mudava de opinião tão rápido.
Lily ia retrucar, quando viu um menino conhecido no canto do Salão. Tinha até esquecido que ele existia. Ao ver que ela o olhava, o garoto começou a andar em sua direção, fazendo-a se lembrar do último acontecimento.
–Olá, Lily. Quanto tempo — Guilherme Williams disse, ao encontrá-la.
–Oi — conseguiu dizer, tensa. Tiago compreendeu e a segurou pela cintura — Pois é... Quanto tempo — a menina olhava para o Salão, em busca de algo que poderia dar-lhe um motivo para sair de lá.
Tiago estava parado, com um braço entrelaçado na cintura de Lily. Não confiava em Guilherme.
–Estou vendo que vocês estão juntos — Guilherme concluiu, ao ver a atitude de Tiago. Lily não entendeu de primeira, mas demorou demais para raciocinar, dando tempo para ele responder por ela.
–Sim, nós estamos juntos. Tenho muita sorte em namorá-la — ele sorriu falsamente. Lily o olhou sem compreender por que ele dizia isso — Se nos dá licença, vamos pegar algumas bebidas — disse por fim, a guiando pelo Salão.
Quando já estavam longe o bastante de Guilherme, Lily começou a fazer perguntas em sua mente. Ficou tão sem graça em vê-lo de novo, que perdera totalmente a noção do que estava acontecendo. Tiago, vendo sua cara de dúvida, adiantou-se e já começou a esclarecê-las.
–Eu só saí de lá, porque percebi que você não esperava encontrá-lo de novo. E também porque você ficou tensa — começou a falar. Lily ia perguntar alguma coisa, mas Tiago esclareceu essa dúvida também — Eu só disse que estávamos juntos porque, se não o tivesse feito, ele teria pedido pra dançar com você, coisa que, pela sua cara, você não queria.
A menina continuou sem reação, principalmente depois de perceber que o amigo tinha bolado todo aquele plano, rapidamente, para ajudá-la.
–Obrigada. Mas por que você fez tudo isso?
–Pra te poupar de ficar chateada — ele respondeu. Como viu que ela não estava entendendo ainda, deu outra resposta — Para te proteger.
–E você queria me proteger por quê?
–Porque eu protejo quem eu amo.
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Carol e Remo não trocaram muitas palavras desde que começaram a dançar. Eles continuavam a valsa lentamente, apenas se olhando nos olhos.
–Carol? — Remo perguntou, um pouco incomodado.
–Sim — respondeu, com um discreto sorriso.
–Hm — ele pigarreou.
–Que foi? Por que você está tão nervoso?
–Vem cá — ele por fim disse, puxando-a com si.
Carol não estava entendendo o que ele fazia, ou para onde a levava.
–Remo, onde estamos indo?
–Eu preciso falar com você. O Salão está muito lotado.
Ainda não compreendendo, continuou a segui-lo. Logo chegaram aos jardins, e ele parou de andar.
–Remo, o que... — ela começou a falar, mas foi interrompida por ele.
–Espera, me deixa falar primeiro — ele pediu. — Carol, desses dias pra cá, nós temos nos falado mais, andado mais junto e sempre acabamos ficando sozinhos algumas vezes — ele continuou. — Bem, esses dias eu estive pensando e... — ele estava muito vermelho, nem conseguia raciocinar direito.
–E...? — a garota perguntou, calmamente.
–Carolina Andrew, você quer namorar comigo?
Nem houve tempo para ele temer sua resposta ou sair correndo de vergonha, pois a menina colocou suas mãos em seu rosto e o beijou. Não foi um beijo de amigos, foi um beijo sincero, cheio de amor. Os dois continuavam em pé, e Remo colocou uma mão em sua nuca e uma puxava sua cintura para si.
O momento durou pouco, mas, para eles, foi um grande tempo. O tempo que eles haviam desperdiçado, onde agora aquele beijo transmitia tudo que eles não haviam falado, que haviam guardado para si.
Ao se separarem, eles se olhavam apaixonadamente um para o outro. Agora sim poderia se dizer que a espera valera a pena.
Os dois foram para o Salão Principal, mas, dessa vez, de mãos dadas.
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–Não estou brincando, eu acho que a maioria das meninas simplesmente chamou qualquer garoto para o baile, só para não ficar sozinha — Sirius comentou, ao reparar nos pares das garotas presentes na ocasião.
–Coitadas! Deixa elas em paz, aliás, não são todas que são desejadas. Pelo menos, assim elas se sentem amadas em algum momento — Anna tentou defendê-las, mas sabia que o menino não iria mudar de opinião tão facilmente.
–Se você quer tanto inocentá-las, tudo bem. Mas eu continuo com a minha teoria — ele riu um pouco. — Mas vamos mudar de assunto, já que esse te incomoda — ele fez uma breve pausa. — Por que demorou tanto para aceitar vir comigo ao baile, senhorita Prett?
Essa pergunta a pegou desprevenida. Não poderia falar a verdade. Não para ele. Tinha que continuar a fingir que não ligava. Mas como?
–Anna? — ele chamou-a.
–Eu... — balbuciou, mas nada saiu de sua boca — Eu... Já tinha sido convidada por outros meninos. Por isso, acabei demorando pra pensar com quem iria. Só por isso — disse a primeira coisa que veio a sua mente, embora a primeira parte fosse verdade.
–Você ficou em dúvida? Eu tenho certeza que sou bem melhor que qualquer um que te chamou! — disse convencido — E quem foi que te chamou?
–Bruno Smith, Frank Lestter, Tate Richard... — começou a contar, sabia que faltavam mais alguns, mas resolveu não os citar ao ver a cara de irritação de Sirius — Que foi? Você me perguntou.
–Nada não. Só um pensamento que me veio a mente, mas já esqueci — ele respondeu, sorrindo. Não comentou nada depois disso, apenas continuou a dançar com ela.
Após vários minutos dançando, eles pararam para beber alguma coisa. Se sentaram na mesa onde Pedro estava e ficaram observando as pessoas se movimentando. Houve um momento sem que nenhum dos dois se manifestasse. Não tentaram puxar assunto. O silêncio começou a incomodar Anna, que tentou quebra-lo.
–Hm, Sirius? — chamou. Ao ver que tinha sua atenção, continuou — Vamos sair do Salão? Está muito movimentado, podíamos ir para algum lugar do castelo mais reservado. O que acha?
–Claro — ele logo animou-se — Me daria a honra? — ele estava de pé, lhe oferecendo sua mão. Ela aceitou e os dois saíram pela porta, indo para nenhum lugar preciso.
Quando estavam bem longe do Salão, Sirius deu-lhe um selinho. Anna sorriu, o abraçando. Ficaram algum tempo desse jeito, até ouvirem uma voz, do fundo do corredor.
–Anna! Como vai? — era Miguel Anton, um corvinal que convidou Anna para o baile. Ele era o próximo que ela iria citar, se o amigo não tivesse ficado enciumado.
–Ah, oi, Miguel — disse sem graça, se desvencilhando de Sirius. — Tudo ótimo... — houve uma pausa — Hm, Miguel, esse é... — ela ia introduzir os dois, mas acabou sendo interrompida.
–Sirius Black. O grande pegador da Grifinória — ele sorriu — Prazer, Miguel Anton. Corvinal.
–Claro, — Sirius riu, falsamente — bem, você já me conhece. Mesmo que nunca tivéssemos a oportunidade de nos falar.
–Isso me faz lembrar, Anna — se virou para a menina — Você deixou de ir no baile comigo, para vir com ele? — perguntou. Sirius estava começando a ficar irritado com aquele menino. Quem era ele para falar desse jeito com ela?
Anna estava sem reação. Nunca achou que poderia encontrá-lo naquele momento.
–Pois é, né... — ela disse.
–Você sabe que eu sou bem melhor que ele — ele sorriu, reparando mais em seu corpo. — Nossa, você está mais gostosa do que antes! Como isso é possível? Sempre gostei de suas curvas, elas me cativam desde o quarto ano — sorriu novamente, dessa vez maliciosamente.
–Meu caro colega, — Sirius começou a falar — Michel, não?
–Miguel — ele o corrigiu, bravo.
–Que seja — ele sorriu. Anna estava com muito medo de algo acontecer — Bem que você podia deixá-la em paz, não?
–Anninha, meu amor, diga a ele que você me prefere.
Sirius dessa vez não se controlou e o empurrou.
–Nunca mais a chame de 'meu amor'. Você está entendendo? — ele começou a avançar.
–Ficou irritado, foi? — o desafiou — Aposto que ficaria mais irritado ainda se eu chegasse perto dela — ele começou a se aproximar. Anna começou a ficar desesperada. Não sabia o que fazer.
–Não se atreva a encostar um dedo nela — a frase foi dita, seguida de um soco em Miguel.
Ele por sua vez revidou, dando outro em Sirius, em seu rosto. Ia revidar, quando o garoto se adiantou, lhe arranhando a testa e socando outra vez. Houveram mais socos, de ambas as partes. Os dois já estavam doloridos.
–Parem! — Anna ordenou, se colocando entre os dois — Qual é o problema de vocês? — ela estava assustada com a cena que acabara de ver — Sirius, você está sangrando — disse, ao perceber o corte em sua testa. — Venha, vamos. — ela o puxou e o ajudou a andar até a Sala Comunal, deixando Miguel sozinho no corredor.
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–Não! Eu não estava afim dele!
–Claro que estava! — Tiago afirmou — Só faltava você babar por ele — ele riu. — Além disso, você ficou brava quando eu interrompi vocês, lembra? Vocês estavam no Três Vassouras, faltava só me socar quando eu fui falar com vocês.
–Mas também né, Tiago, que péssima hora pra você aparecer. Ele estava gostando de mim, só não deu certo porque você apareceu lá, e ele achou que eu gostava de você. Aparentemente, ele gostava de mim até hoje, mas como você disse que nós, supostamente, estávamos juntos, o coitado deve estar triste.
–E você realmente se importa com ele, minha ruivinha? — ele perguntou, em um tom de surpresa — Pensei que você só tinha olhos para mim — disse, convencidamente. Com essa última frase, Lily lhe deu um tapa — Ai, isso dói, Lírio!
–É pra você aprender a parar de ser convencido! Aliás, eu estava começando a gostar dele, até você aparecer e acabar com tudo.
–Se você realmente gostar dele, pode ir, não me importo se você o preferir — Tiago fez beicinho ao dizer isso, logo em seguida riu, revelando seu maravilhoso sorriso. Lily ficou sem graça, corando.
–Pára de ser besta... — ela disse baixinho.
–Como? Será que eu ouvi direito? Lílian Evans acaba de afirmar que me prefere! Isso é um momento histórico! Deveríamos até publicar no Profeta Diário — isso só a fez ficar mais sem graça ainda, deixando-a quase tão vermelha quanto os seus cabelos.
–Pára com isso, Tiago — disse baixinho. — Assim eu fico mais vermelha ainda — ao ouvir isso, o garoto sorriu. Esse sorriso a pegou desprevenida, fazendo-a esquecer de quem era, fazendo-a querê-lo mais ainda. Ela estava pensadora, com um sorriso discreto no canto da boca.
–É impressão minha, ou você está gostando de estar aqui comigo?
–Deixa de ser besta, — ela o empurrou de leve — é claro que eu estou gostando — admitiu, olhando para baixo.
–Nossa, essa noite está cheia de surpresas, não? — ele riu, colocando seu braço em sua cintura. Lily não se importou, ela apenas aproveitou o momento, pois sabia ele não duraria muito.
–Lírio? — Tiago perguntou, depois de algum tempo sem falarem nada. Eles já tinham andado bastante, estavam perto dos jardins.
–Sim — ela respondeu, o olhando. Seus olhos verdes se fitavam simultaneamente.
–Nada. Deixa pra lá — ele disse, desviando o olhar.
–Fala! Agora me deixou curiosa — disse, cruzando os braços.
–Não, é que... — ele tomou coragem — eu estava pensando... No quão bonita você está hoje. Só isso — o garoto disse rapidamente e logo abaixou a cabeça, olhando para o chão. — Quer dizer, não só hoje, sempre. Mas isso não vem ao caso — ele a fitou. Seus rostos estavam perto. Quase se encostando. Ela estava deslumbrante.
Tiago não pensou, apenas agiu. Após dizer aquilo, à luz da lua, naquele lugar, naquele momento, não tinha como pensar duas vezes. Não se importou se ela depois o rejeitasse. O garoto apenas a beijou. Ao seus lábios se encontrarem, houve um pequeno choque. Um choque bom. Lily tentou se desvencilhar, mas, quando deu por si, já estava entregue em seus longos e quentes braços.
Ele a puxava pela cintura e pela nuca, fazendo-a ficar mais perto. Ela tinha suas mãos em seus ombros, que às vezes subiam para seus cabelos negros.
Lily pensou em empurrá-lo, mas não achava que aquele momento se repetiria, então apenas o apreciou. O beijo ficava cada vez mais intenso e rápido. Os dois estavam cada vez mais envoltos. Fazia tempo que Tiago não lhe roubava um beijo. Tinha até esquecido como a sensação de ser pega de surpresa era boa.
Ele desceu sua mão, depositando-a em sua coxa. A menina não parou de beijá-lo, apenas tirou a mão dele de lá, colocando-a novamente em sua cintura.
Após muito tempo, os dois se separaram para pegar ar. Se encaravam intensamente, sem desviar o olhar. Ainda estavam abraçados, apenas as cabeças tinham se afastado.
–Tiago, — Lily disse — me desculpe. Eu não devia ter corres... — ia continuar a falar, mas foi interrompida.
–Shhh — ele colocou o dedo em sua boca — Nunca se desculpe por um beijo desses — ele o deu um selinho. Com isso, a menina depositou sua cabeça em seu ombro, abraçando-o mais forte.
O maroto achou a atitude dela totalmente improvável, mas apenas retribuiu o abraço, acariciando seus cabelos ruivos.
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–Mas por que você foi pra cima dele? Sirius, você podia ter ficado mais machucado. Tem certeza que não quer ir pra Ala Hospitalar? — Anna estava mais preocupada do que nunca.
–Se eu for, a Madame Pomfrey vai perguntar o que aconteceu, e eu me poupo dessa bronca — ele respondeu. — E eu só fui pra cima dele, porque ele estava dando em cima de você e te ofendendo. Só queria te proteger — justificou-se.
Eles andavam até a Sala Comunal da Grifinória. O castelo estava silencioso naquela área, pois o baile continuava a acontecer no Salão.
–Mesmo assim, você estava louco? Eu podia me virar sozinha. Já fiz isso algumas vezes. Depois do quarto ano, ele tentou ficar comigo mais umas 4 ou 5 vezes. Você não precisava ter se metido no meio.
–E te deixar lá, com ele? Você acha que eu sou idiota? — ele olhou para ela. Sua testa ainda sangrava um pouco. Eles haviam chegado na Sala Comunal e estavam indo para o dormitório de Sirius — Você vai subir também? — perguntou, estranhando.
–Eu não posso deixar você assim sozinho. Você não consegue nem comer direito por conta própria, imagina limpar esse corte. Espera só um pouco, vou pegar uma coisa — ela foi para seu dormitório, mas voltou bem rápido, trazendo consigo uma maleta pequena.
–O que é isso? — ele perguntou, ao entrar no dormitório.
–Você quer lavar a testa com sabão?
Ele não reclamou, apenas se sentou em sua cama. O quarto estava vazio. Nenhum dos marotos havia chegado ainda.
Anna pegou um frasco, o abriu e molhou um pedaço de algodão com seu conteúdo e o passou no corte.
–Ai! — ele exclamou — E o que seria isso?
–Um líquido trouxa que se usa para esterilizar machucados — ele a encarou, não entendendo por que ela tinha aquilo. Anna percebendo sua cara de dúvida, se explicou — Mesmo meus pais sendo bruxos, minha mãe é péssima com feitiços assim, então ela sempre usou medicamentos trouxas. A Lily também faz isso.
Ao finalizar de limpar e fazer um curativo, ela o encarou, sorrindo. Como ele podia ser tão bonito?
–Anna? — ele chamou, fazendo-a voltar à si — Obrigado. Nunca conseguiria sem você.
–Eu sei — ela riu, ainda o encarando — Por que você sempre tem que se meter em tantos problemas?
–Eu faço tudo por você — ele disse. Houve uma breve pausa. Ele a olhava nos olhos e agora se aproximava dela. Anna, sentindo a proximidade, fechou os olhos.
Seus lábios se encontraram, fazendo-os se aproximar mais ainda. Sirius a puxou pela cintura, fazendo seus corpos ficarem colados. Ela pensara na ideia que tivera recentemente, de não se entregar tão facilmente para ele, mas não se importou. Apenas curtia o momento.
Os dois, ainda se beijando, deitaram na cama. Anna tinha suas mãos nos cabelos e no ombro do garoto. Já Sirius, depositava uma de suas mãos em sua coxa e outra em sua bunda. Ela não ligava, contanto que nada estragasse o momento.
Ao pararem para pegar ar, Anna disse:
–Eu... Preciso... Ir — disse, sem fôlego. Sirius, indignado, ao sentir ela se desvencilhar de seus braços, a abraçou mais forte, puxando-a de volta. Começou a beijar seu pescoço e ombros — Sirius... Assim não vale... — ela disse, após gemer sem querer — Por que você sempre faz chantagem? — perguntou, o beijando em seguida. Esse não durou muito, pois Anna se levantou rapidamente, gerando alguns protestos.
–Nããão — o garoto reclamou.
–Sirius, eu preciso ir. Não tenho como dormir aqui. Estou de vestido, lembra? — falou, gesticulando para seu corpo.
–Eu te empresto uma camisa, mas fica, por favor — ele fez beiço. Anna pensou por um momento.
–Ok, eu fico! — ela disse, indignada com a teimosia do garoto. Este se levantou e pegou uma camisa em seu malão, entregando-a para ela — Você poderia, hm... Abrir o zíper pra mim? — pediu, virando-se de costas para ele. Ele a atendeu, o abrindo-o, mas continuou observando seu corpo, fascinado por suas curvas — E agora você poderia virar? — perguntou, acordando-o do transe.
Anna despiu o vestido rapidamente, e colocou a camisa dele. Era um pouco curta e não tinha os 3 primeiros botões, deixando à mostra até metade de seu sutiã azul, mas era melhor do que nada.
–Pronto — disse. Ele virou, e logo se hipnotizou novamente — Sirius? — ela perguntou, ao ver a reação dele.
–Sim — ele respondeu, com demora.
–Não precisa babar — disse, se deitando na cama dele.
Ele, por sua vez, não se deitou. Abaixou-se até o malão, pegando uma camiseta. Tirou o blazer e a camisa, revelando seu abdômen definido. Anna estava adorando a visão, mas não olhou muito para não dar de cara. Logo, os dois estavam deitados juntos. Ela, para ficar mais confortável, se deitou de lado. Sirius a abraçou por trás, ficando de conchinha. Nenhum dos dois se manifestou mais, apenas adormeceram.
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Lily estava totalmente desorientada e confusa. Será que teria sido melhor se ela não tivesse contribuído seu beijo? Será que ele achava que agora estavam namorando? Várias perguntas passavam pela cabeça da menina, enquanto ela estava sentada em sua cama.
Para tentar colocar as ideias no lugar, foi tomar um banho e, ao voltar, encontrou Carol sentada na beirada de sua cama, com um largo sorriso estampado no rosto.
–Bom dia! — disse, olhando para a amiga — O que aconteceu ontem, que você ficou tão feliz?
–Lil! Você não vai acreditar! — ela disse, entusiasmada — O Remo me pediu!
–E você aceitou?
–Claro que sim! Foi tão lindo! — falou, pensativa. Carol então disse para a amiga o que acontecera. Detalhe por detalhe.
–Fico muito feliz por vocês dois! — Lily disse, se sentando também.
–E a sua noite? O que aconteceu? — a amiga perguntou, com curiosidade.
–Ah, a minha noite? — não sabia se devia contar ou não à ela. Nem sabia o que estava sentindo exatamente. A única coisa que tinha certeza, era que seus pensamentos estavam todos embaralhados, em um nó sem fim — Então, aconteceram algumas coisas, sim. Mas eu não tenho certeza ainda do que devo achar disso. Quer dizer, estou muito confusa ainda para chegar em uma conclusão concreta.
–Primeiro: o que aconteceu? — Carol perguntou, tentando organizar algo.
A menina contou-lhe tudo. Da aparição de Guilherme, da farsa de Tiago, da conversa e do beijo. E que beijo...
–Lil, você não acha óbvio?
–O quê? — perguntou, sem entender o raciocínio da amiga.
–Você está apaixonada por ele — respondeu. — Aliás, totalmente apaixonada — acrescentou.
–Isso é impossível... não é? Eu nunca senti nada por ele, além de raiva e, no máximo do máximo, algo relativo à amizade. Uma quase amizade. Mas apenas isso — Lily odiava não entender as coisas, principalmente a si própria.
–Olha, eu vou te dar duas situações e você me diz como as imagina — ela começou a falar
–Você sempre encontra Tiago no café da manhã, certo? — a amiga assentiu com a cabeça
– Agora imagine que vocês não se encontrem mais esse horário. Isso é frustrante? — ela pensou muito antes de responder. Ela não sabia viver sem vê-lo de manhã e sem seus sorrisos matinais — Sim, não é? Ok, próxima situação. Vamos supor que haverá uma festa, e ele convida uma garota qualquer para ser par dele. Ele nem sequer te olha nos olhos mais e te despreza totalmente. Qual seria a sua reação: ficaria feliz, pois ele não iria mais pegar no seu pé, ou iria fica magoada, não entendendo a atitude dele?
Os pensamentos de Lily iam a mil. Não conseguia imaginar ele ignorando-a.
–Ok, talvez eu esteja tendo um leve sentimento a mais por ele. Mas, qual é? O que isso pode ter de diferente? Ele vai continuar sendo o mesmo de sempre e eu também, certo?
Carol não teve tempo para responder, pois, nesse momento, Anna entrou pela porta do dormitório. Ainda estava vestindo a camisa de Sirius e tinha em uma mão o seu vestido e seus sapatos de salto e em outra uma pequena maleta.
–Você estava com o Sirius? — Lily perguntou, tentando confirmar suas suspeitas.
–Sim. Acabei dormindo lá — ela disse, colocando as coisas em cima de sua cama. — Apenas dormindo — acrescentou. — Ele nem sabe que eu estou aqui. Quando saí, ele ainda estava adormecido. Só vai sentir minha falta quando acordar.
–E você? Como foi a sua noite? — Carol perguntou, curiosa.
–Foi ótima! Tirando uma pequena parte... — as amigas a encararam sem entender — Eu explico — dito isso, relatou todos os acontecimentos.
–E por que esse tal de Miguel se meteu com ele?
–Sei lá, Lil... Eu já fiquei com ele, muito tempo atrás. Talvez ele achasse que por esse motivo eu gostava dele ou alguma coisa do gênero — a menina deu de ombros.
–E por que você está usando essa camisa? — Carol perguntou.
–Ah, é que não tinha como eu dormir lá de vestido, ai o Sirius implorou que eu ficasse e me deu essa camisa pra eu vestir. Só por isso.
–E, obviamente, ele não te deu uma camisa transparente e sem alguns botões intencionalmente, porque Sirius Black é um santo…
–Não implica com ele, Carolzinha! O coitado ficou machucado tentando me proteger. Eu fiquei com muita dó dele, vai que ele precisasse de mim depois?
–Anna, eu não nasci ontem! E tão pouco ele! Mas você só está falando tudo isso, porque está afim dele. Simples assim.
–Eu? Gostando de Sirius Black? Mas nunca! — exclamou. Tentava de qualquer maneira fazer a farsa ser convincente.
–Ok, se você diz... — Lily disse — Vamos tomar café? Estou morrendo de fome!
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Sirius acordou e estranhou ao não encontrar Anna ao seu lado. Será que ela tinha saído havia muito tempo?
–Bom dia, Almofadinhas — Tiago disse, ao ver o amigo acordado. — Se está procurando a Anna, ela saiu faz algum tempo. Tentou ao máximo ser silenciosa para não te acordar. Eu nem dormi direito, mas fingi estar no décimo sono quando ela se levantou.
–Ah... — Sirius murmurou — Vamos comer? Estou convicto que vou encontrá-la no Salão Principal.
–Claro. Você quer acordar Aluado e Rabicho? — perguntou, se levantando.
Sirius não respondeu, apenas jogou um travesseiro na cara de cada um dos amigos, que murmuraram em protesto.
–Estamos indo para o café da manhã. Vocês vêm ou não? — ele perguntou.
–Não — Pedro disse rapidamente, se escondendo debaixo das cobertas.
–Estou indo, só mais um minuto — Remo disse sonolentamente, se levantando devagar.
—-
–Bom dia, meninas! Hoje o sábado não está um dia maravilhoso?
Os meninos haviam acabado de encontrá-las na mesa da Grifinória. Sirius, após falar, se sentou ao lado de Anna, laçando sua cintura com seu braço. Remo, ao lado de Carol, pegou em sua mão. Tiago apenas se sentou ao lado de Lily, sorrindo para ela.
Após comerem, os seis foram para a Sala Comunal e todos, menos Lily, se sentaram nas poltronas ou sofás.
–Onde você vai, Lil? — Carol perguntou, ao ver que a amiga não ia sentar.
–Vou pegar meus livros e depois vou para a biblioteca estudar. As provas finais já estão chegando e eu preciso ir bem.
–Lily, são só daqui a três meses. Você pode muito bem estudar apenas duas ou uma semana antes. Pra que tanta urgência? — Anna perguntou, colocando sua cabeça no ombro de Sirius.
–Porque eu preciso ir bem. Só isso. Com licença — disse, se virando para sair do ambiente.
–Eu vou com você! — Tiago se manifestou, levantando-se.
–Pra onde? — Lily perguntou, sem entender.
–Pra biblioteca. Vou estudar com você — ele disse. — Se você quiser que eu vá, claro. — acrescentou.
Lily pensou um pouco. Provavelmente, ele nem iria prestar atenção. Mas, talvez ela pudesse fazê-lo estudar, já que ele quase nunca o fazia. Algum tempo depois, ela respondeu.
–Ok. Só vou pegar meus livros — decidiu, subindo as escadas.
Ao verem que ela havia desaparecido, todos olharam para Tiago, sem entender sua atitude.
–Biblioteca? Você? Estudar? — Remo perguntou.
–O pior de tudo não é isso, Aluado. O pior é que a Lily deixou — Sirius disse, corrigindo o amigo.
–--
Ao chegarem à biblioteca, Lily se sentou na primeira cadeira livre, e Tiago a acompanhou.
Quando ela abriu o primeiro livro, o de Transfiguração, ele tentou lhe perguntar algo.
–Hm, Lily?
–Sim — respondeu, virando o corpo para ele. Ao ver o olhar incerto do amigo, descobriu sobre o que ele queria falar — Tiago, se for sobre ontem...
–Exatamente — ele a interrompeu — Bem, eu...
–Só me dê um tempo, pra assimilar as ideias, ok? Eu ainda estou confusa, quer dizer, — ela o cortou, fazendo uma breve pausa depois — eu ainda nem refleti direito sobre ontem. Quero ter certeza de tudo que eu achar de mim mesma antes de qualquer coisa. Tudo bem pra você?
Tiago não entendia por que ela precisava de tempo, mas apenas assentiu, tentando ser o mais compreensível possível. Aliás, mesmo se tivesse pressa, o ritmo dela não ia relativamente como o dele. Ele decidiu aceitar a proposta dela. Faria tudo para tê-la. Nem que tivesse que abrir mão de algumas coisas para isso.
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–Já disse que não.
–Por favorzinho? Ah Anninha, só um minutinho. Não vai doer nada.
–Sirius Black — ela o chamou atenção. — Não é porque ontem você se machucou, que hoje eu vou ter dó e fazer tudo o que você pedir.
–É só um beijinho pra sarar — ele implorou. — E você sabe que eu preciso melhorar.
–Não precisa não. E seu corte é na testa, não na boca — ela o advertiu. — E um beijo não ajudaria em nada.
–Claro que ajudaria. Eu não sentiria mais tanta dor, já que eu estaria relaxado e preocupado com outras coisas — com essa frase ele olhou para o corpo de Anna.
–Não.
–Por favoooor!
–Almofadinhas, deixe ela em paz — Remo interveio.
–Agora você está protegendo ela? E o que aconteceu com a nossa amizade, Aluado? Você deveria me apoiar! — Sirius se indignou ao ver o amigo do lado de Anna.
–Muito obrigada, Remo. Alguém tem que tem consciência dos limites entre vocês quatro — ela encarou Sirius. — Se me dão licença, vou me retirar — dizendo isso se levantou.
–E pra onde a senhorita iria?
–Desde quando isso é da sua conta, Black? — a menina provocou.
–Desde sempre! Desde que assumimos um acordo.
–Eu tenho certeza absoluta que esse acordo não incluía os assuntos pessoais dos quais eu vou tratar agora. Além de que não é como se você fosse ficar sozinho. O Pedro está ai pra te dar atenção, a Carol e o… — ao se virar para os dois, viu que estavam muito ocupados se beijando. — Ok, só o Pedrinho mesmo — concluiu. — Bem, já vou — e assim, a grifinória saiu pelo retrato, deixando Sirius falando sozinho.
Ao se desvencilharem, Remo e Carol olharam para Sirius e Pedro, que estavam quietos desde a saída de Anna.
–Estou vendo que seus métodos já não funcionam tão bem como antes… — Remo disse, tirando sarro do menino. — Se eu fosse você, iria com mais calma, e não com tanta pressa como você está indo — ele aconselhou.
–Eu não estou indo com pressa. Além de que, ela já é minha — disse, convencido.
–Ela não é sua e você sabe, Sirius — dessa vez Carol interrompeu a conversa. — Você sabe que não estão comprometidos em nenhum relacionamento sério para, de alguma maneira, poder se intrometer no que ela faz. A Anna não gosta que monitorem ela. Se eu fosse você, tomaria mais cuidado com isso.
–Conselho entendido.
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