Amor de Luz
14 Ilusão
Já anoitecia quando uma confusão de barulhos rodeava o salão. Asas batendo, urros, trotes, risos e gritaria.
__ O que é isso? – perguntei me encolhendo junto a Kevin.
__ Minha família. – suspirou.
O barulho tinha cessado e pessoas entraram pela porta. Era quarto, da esquerda para a direita um garoto metade homem metade bode, uma menina com asas brancas e emplumadas, um senhor aparentemente normal, mas muito pálido e o ultimo era uma senhora muito bela.
__ Mari esse é o pessoal, pessoal essa é a Mari. – apresentou-me meio envergonhado e bem rápido. – Vamos você precisa descansar. – e me puxou pelo braço.
__ Não tão de pressa rapaz... – falou o senhor. Com uma incrível rapidez já estava na nossa frente. – Hefestos Blum, encantado senhorita. – reverenciou-se, deu uns tapinhas na mão de Kevin para que me soltasse, foi até engradado, a expressão de Kevin também . Ele fica atraente quando está nervoso e envergonhado. – Deixe-me apresentá-la a nossa pequena família. Minha bela Pisi. – parecia que estava num conto de fadas perto dela. – Lácio, o mais velho dos filhos e nossa casula Gabriela. Kevin nos falou muito sobre você. Sinta-se a vontade e estaremos aqui para protegê-la.
__ Muito obrigada senhor, mas do que exatamente vocês querem me proteger? O que eu sou? – Hefestos parecia bastante empolgado com minhas perguntas, mas, no entanto surpreso.
__ Não contou a ela Kevin? – falou olhando com repreensão para Kevin. – Vamos aos meus aposentos.
__ Mas pai ela na... – começou Kevin.
__ Basta! – explodiu Hefestos. As mobílias chegaram a tremer – Andem.
No caminho Kevin estava tão quieto nem parecia ele. Tão confiante e certo do que estava fazendo e agora parecendo um gatinho abandonado e inseguro.
O quarto era divino. Tantos detalhes que não deu para ver todos.
__ Lácio fique lá fora. Se algo acontecer interrompa, fora do qual não.
__ Sim pai! – obedeceu Lácio.
__ Muito bem, Mariana o que você sabe sobre o Mundo oculto? — perguntou-me fazendo um sinal a Kevin para ficar quieto.
__ Acho que só o suficiente senhor.
__ Ele lhe contou sobre a Guerra?
__ Sim! – respondi.
__ Ótimo! Pois bem, essa guerra continua, mas com outro propósito. Você. Creio que você já sabia disso. – balancei a cabeça afirmando. – Seus pais deixaram uma herança preciosa para ambas as partes, o Poder Supremo.
__ Que pais?
__ Bom pergunta querida. Você passou a vida achando que seu pai é Davis, mas não é. Seus verdadeiros pais Zeg e Iris. Os primeiros dos reis e rainhas das criaturas celestiais. Tendo então criado os dois lados.
Cada palavra que dizia entrava como espinhos no meu coração. Eu passei meus vinte anos chamando um cara de pai sem ele ser. Tudo que eu conhecia de família não existia.
__ Onde eles estão? Por que nunca os conheci? – minha voz nem saia direito.
__ Eles são deuses Mari, não podem vir a terra. – respondeu Kevin. – e também não podem ver seus filhos. Coisa de deuses. – continuou parecendo entender minha frustração. – Pai posso conversar com Mari a sós?
__Claro! – respondeu muito serio.
Saímos do quarto dele e fomos para o quarto que acordei.
__ Senta aqui, tem mais coisas para lhe contar. – Kevin me puxou para sentar na cama.
__ Fale.
__ Hefestos também não é meu pai. Ele me criou desde que os verdadeiros me abandonaram. Minha mãe era uma vampira, meu eu não sei. Lácio e Gabriela também não são filhos dele. Somos os rejeitados, mas com um papel importante. Há outros que são meus irmãos só que estão espalhados pelo mundo fazendo sua proteção também. Somos o pouco que sobrou da elite da Luz. – ele parou de repente e me encarou. — Esta pálida! O que tem?
Demorei um pouco para responder, mas não estava bem mesmo. – |Acho que é só um mal estar.
__ Melhor dormir um pouco. Vou ficar fazendo companhia a você. – nos ajeitamos na cama e peguei no sono.
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