Notas iniciais
"Porque no fundo, todos nós temos problemas"

— Sorikawa Ariyama?

— Presente.

O professor estava fazendo a chamada, enquanto as pessoas da sala conversavam discretamente, desenhavam, ou simplesmente prestavam atenção ao professor, mostrando respeito ao homem. Acostumado com as faltas da Iruna, simplesmente ignorou seu nome. Ela estava atrasada, e não sabia.

O colégio ficava um pouco afastado da cidade em si, mas os alunos não ligavam, alguns moravam perto, mas, para Iruna, ela vinha por causa que as flores de cerejeira ficavam absurdamente bonitas naquela época do ano. A cidade onde a garota mora tem um clima frio, então é comum nevar em diversas partes do ano; as Sakuras ficavam lindas com neve em cima dos galhos e as flores um rosa tão clarinho...

No caminho ao colégio, a garota e o garoto seguiam até a sala dos professores, distantes um do outro. Os dois foram direcionados até a sala dos professores, explicar o porque de tanta demora.

— Sinceramente, o senhor não acha que essa desculpa não é um pouco antiga, não? — a professora e coordenadora do colégio disse ao ouvir a desculpa do garoto: metrô muito lotado. Ela se voltou para Iruna e perguntou com um sorriso doce no rosto — A senhorita é a Sakayama Iruna?

— Sim.

— Ótimo! Hayashi Naoyuki! — ela falou em tom autoritário, e o garoto de cabelos e olhos castanhos olhou assustado para ela — No intervalo, você mostrará à essa garota todo o colégio, como castigo de ter chegado atrasado!

— Mas ela também chegou atrasada! Qual é, Maiko! — Hayashi disse indignado. A mulher pegou a orelha do garoto e apertou.

— Yuki-kun, que tal você levá-la até a sua sala? Afinal, é a mesma. Nos veremos no final da aula, 'filho'.

Iruna arregalou discretamente os olhos, aquela mulher, com aparência tão jovem tinha um filho?! O garoto se irritou com a mãe, que só deu um sorriso vitorioso. Os três saíram da sala e ao chegarem na porta, o professor foi chamado para conversar com a mulher.

— Sakayama Iruna? Você pode se apresentar à sala, depois, falarei com o representante de turma para guiá-la pelo colégio.

— Nakamura-san, não precisa. Já falei com o Hayashi, e esse será seu castigo por chegar atrasado.

O professor deu como entendido, e levou Iruna até a frente da sala. Ela começou a observar todas as garotas e garotos que olhavam desprezando-a. Meninas com 1kg de maquiagem no rosto, garotos quietos que nem percebiam que ela estava ali e garotos olhando e encarando ela de cima à baixo, seria normal, mas eles olhavam ela pervertidamente. O professor deu a ordem: ela já poderia se sentar.

Procurou no mapa de sala seu nome marcado nas bancas, porém, havia uma garota sentada nela, conversando e se maquiando na frente do professor. Suspirou. Nunca ela iria conseguir socializar com aquelas meninas. Seguiu ao fundo e se sentou na última cadeira da segunda fila. Ao seu lado, porém uma cadeira à frente, o Hayashi estava lá, sorrindo para o garoto da frente.

Em relação às garotas, saberia que, por não fazer parte de nenhum grupinho, ficaria sozinha. Mas o que importava? Ela tinha seu diário. Escondido no fundo da bolsa, onde ninguém jamais imaginaria. Ela já estava acostumada a ser só, desde criança, era apenas uma deixada de lado. Iruna não se importava com o que as pessoas pensavam. "Mas é um ano diferente, eu não sou mais criança.".

Era constrangedor para ela. Algumas pessoas encaravam-na de um modo estranho e faziam comentários que da sua distância até essas pessoas, era impossível de se ouvir.

“Calem a boca, seus idiotas”, pensou ela. Nunca fora encarada tanto em sua vida como naquele dia. Conseguiu se concentrar até a hora em que o sinal tocou: hora do intervalo.

Iruna se levantou rapidamente. Queria ficar só e longe dos olhares dos alunos que a achavam tão estranha. Mas quando ela tentou sair da sala, um braço bloqueou sua passagem. Era o Hayashi.

— Vamos — ele disse — Eu tenho que lhe mostrar o colégio.

— Você não precisa me mostrar se não quer... Eu sei me virar só. — Iruna reclamou. O garoto deu um sorriso debochado.

— Minha mãe ficaria uma fera se eu deixasse de cumprir uma ordem dela. Não vai demorar muito.

— Espero que realmente não demore.

Na verdade, ela não ligava para a quantidade de tempo que eles gastariam fazendo um tour pelo colégio. Ela não estava com fome, embora estivesse segurando um sanduiche, feito pela sua tia.

O Naoyuki, enquanto mostrava o colégio para a Iruna, era cumprimentado por todos. Vários garotos e garotas o cercavam para falar com ele. Embora o mesmo não gostasse desse tumulto em volta de si, ele era popular.

— Deixei o melhor lugar para último — ele disse enquanto abria uma porta trancada, que ao ser aberta, dava para uma paisagem incrível — Bem vindo ao meu refúgio!

A vista era completamente estonteante. Dava para ver os poucos prédios e as casas da cidade. Um lago e sua ponte também apareciam. Iruna nunca tinha percebido que na sua cidade havia tantas árvores, fora no caminho de seu colégio. E que árvores! Aquele lugar cheirava como a primavera, e lembrava o outono. A garota estava completamente distraída.

— Nossa! — ela disse ainda concentrada na vista do lugar — Isso aqui é incrível!

Naoyuki sentou-se no chão e sorriu ao ouvir o comentário. Ele abriu seu lanche e começou a comer, enquanto observava secretamente a garota. Pensou em quantas pessoas ele já trouxe àquele lugar. “Uma, ou duas, talvez”. Uma dúvida pairava sobre Iruna.

— Por que você tem a chave daqui? — ela hesitou em perguntar.

— Aqui é o meu refúgio. — ele disse com um sorriso ‘morto’ no rosto — Significa que eu já fugi. Eu venho para cá desde criança. A coordenadora, a minha mãe, sempre trabalhou aqui e eu vinha para cá com ela — ele não parecia feliz contando aquilo — Eu fugi para cá, e desde criança, eu tenho a chave do terraço.

O silêncio tomou conta da atmosfera do terraço. O som que indicava que o intervalo havia acabado tocou e os dois se levantaram, indo juntos — e calados — para a sala de aula.

“Aqui é o meu refúgio, significa que eu já fugi”.

“Mas, por quê?”, pensou Iruna. Por que ele fugiria? Ele não parecia bem ao contar aquilo. Ao chegarem à sala, foram para seus lugares. Distantes um do outro, como se nunca tivessem se falado.

E era realmente como se eles nunca tivessem se falado. Naoyuki desejava voltar no tempo e não ter mostrado o terraço a ela. Ou ter evitado responder àquela pergunta. Fingiu que nada tinha acontecido e voltou a falar com os seus “amigos”.

Nayouki era como ela; não tinha ninguém em quem confiar verdadeiramente e aquilo os uniria.

Notas finais
Quero me desculpar aos leitores que esperam por esse capítulo à um bom tempo! Tá me faltando inspiração e criatividade e isso é, definitivamente, um problema ENORME! Gomen, e boa leitura!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.