Amor com Amor se Paga.
12 Capítulo 12
Notas iniciais
— O problema do Camus é que ele é viciado em dinheiro. Que merda! Eu falei pra ele que não precisava entrar de novo nesse negócio de personal trainer.
— Milo ninguém precisa fazer voto de pobreza que nem você. – Aiolia riu continuando a dar mamadeira para a filha Lífia, Marin estava na Fundação e ele cuidava da pequena antes dos treinos da tarde começarem – Camus é acostumado ao padrão de vida que tem, acha errado ele querer manter Hyoga e Krest nele?
— Camus não está pensando apenas em si seu grego ingrato, está pensando em você também. – Aiolos comentou enquanto folheava alguns relatórios, iria trabalhar em casa aquele dia. Estava tentado a ignorar o ataque de ciúmes do irmão, pensava que se ninguém lhe desse a importância, Milo acabaria vendo o quanto estava sendo ridículo.
— Se fosse Shura de roupa apertada, desfilando no meio daqueles tarados de academia queria ver! –Milo rebateu ferino, mas ao contrário do que esperava Aiolos desatou a rir.
— Se você souber que Shura voltou a ser personal vai parar de me encher? Sim ele voltou agora que o Shiryu passou para a federação da Grécia e, portanto, será treinado pelo técnico que a Federação tem. Shura não quer "viver do meu dinheiro", então ele não aceita casar enquanto não tiver uma melhor situação financeira. – Aiolos deu de ombros – Que seja! Ele pode fazer o que quiser porque eu confio nele e principalmente, eu confio em mim!
— Tá com medo de o Camus te trocar por um desses ricaços que ele vai treinar Milo?!
— Não fala isso nem brincando!
— Milo seu idiota... – Aiolos foi até o irmão apertando os ombros dele – Confie no amor que vocês sentem um pelo outro, na cumplicidade. Camus ama você, por deus só um cego não vê! Vocês casaram, têm uma família linda. Pare de pensar bobagens quanto a esse negócio de ele voltar a ser personal e também sobre si mesmo. Você é muito homem para ter alguém como Camus! Cadê seus colhões porra?!
Risadas novamente, mas dessa vez a risada de Milo se juntou a elas.
No fundo Milo estava inseguro. Quando percebeu Camus já tinha se organizado e tinha tantos clientes que acabou largando as turmas da tarde na Fundação. O ruivo estava mais do que feliz com o acréscimo na renda e os dias de folga, reservou os quatro primeiros dias da semana para as aulas e os treinos particulares, de sexta em diante ele se dedicaria exclusivamente à família. Milo achou o arranjo maravilhoso e a folga no orçamento providencial até algumas semanas, quando conseguiu pegar o marido saindo para trabalhar.
— Você vai assim?
— Qual o problema? – Camus franziu o cenho achando estranho o modo como Milo o olhava, Krest estava no carrinho e ia junto porque não havia ninguém para ficar com ele naquela manhã. Estavam tendo dificuldades em arrumar uma babá.
Não havia nada errado com a roupa, de modo algum, se Camus estivesse usando ela no quarto deles ou na academia fechada do condomínio só para ele. A malha moldava os músculos perfeitos de Camus, a camiseta preta era tão obscenamente colada que ele tinha vontade de rasgá-la, pensava Milo desgostoso. Havia um short comprido, mas era colado igual à camiseta. Por cima havia outro mais solto.
— Você vai tirar o segundo short?
— Quando começar o circuito de crossfit sim. Vou fazer junto com os alunos e ele vai atrapalhar.
Shun e Hyoga se olharam em seguida para Milo que respirou fundo e virou de costas para um minuto depois voltar-se para Camus.
— Você tem certeza que vai sair assim Camus?!
***
— Nós devíamos vê-lo? Não é porque ele é um idiota ciumento que só pensa besteira que vamos ficar brigados. – Camus olhou pelo retrovisor para Krest que estava no banco de trás na cadeirinha muito entretido com seu chocalho para prestar atenção no desabafo do pai – Ok, vamos pegá-lo na oficina e sair para almoçar naquele foodtruck que ele adora.
Camus estava agora mais calmo e por isso pensou melhor sobre a discussão que tiveram aquela manhã, não havia gostado da cena de ciúmes, principalmente na frente dos filhos deles. Na hora se deixou levar pela irritação e achou um exagero imenso que Milo implicasse com o seu trabalho de personal, mas depois de dois episódios constrangedores com alunos naquela manhã entendeu o receio do seu grego ciumento, embora não concordasse. Sabia que Milo era inseguro e pensava bobagens o tempo todo e que ele, Camus, precisava aprender a lidar com aquela faceta do marido. Acontece que o francês esperava que Milo confiasse nele e no que tinham.
Estacionou na frente da oficina com um tanto de dificuldade porque ela estava cheia àquela hora, ficava feliz que aquilo acontecesse. Milo parecia radiante por agora ser seu próprio patrão e poder fazer as coisas do jeito dele. O galpão tinha um andar superior lateral onde funcionava o escritório da oficina e o depósito de estoque, assim o pátio era dividido em quatro “baias” para os carros e uma salinha frontal onde ficava a recepção. E foi para lá que Camus se dirigiu com Krest no colo, pretendia não demorar e só pegara a sacola do bebê para trocar a frauda dele enquanto Milo se trocava para saírem, seus planos práticos e rápidos. Preocupou-se em vestir uma calça e uma camisa de flanela por cima da roupa de malha para não causar mais confusão, ainda mais na oficina. Milo surtaria!
— Bom dia Camus! Ah Krest vem aqui. – Julie a moça da recepção o cumprimentou e erguendo os braços para acariciar Krest que apenas se retraiu e escondeu o rosto no ombro de Camus, ele era um tanto receoso com outras pessoas – Ah que pena você ainda vem comigo não é fofinho?! Milo está no pátio.
Camus assentiu e seguiu para o pátio onde os mecânicos estavam. A cena que presenciou fez seu estômago revirar e o sangue ferver nas veias, não acreditava que estava presenciando aquilo.
Milo havia tirado a parte de cima do macacão enrolando-o de qualquer jeito na cintura, isso deixava o dorso musculoso à amostra sob a camiseta branca surrada e suja de graxa, isso por si só já era deveras indecente para Camus! No entanto, para piorar Milo conversando “todo sorrisos” e charme com um figurão mais velho bem vestido ao lado de uma BMW, um auxiliar mexia nele enquanto o engravatado "babava" sobre o mecânico que parecia explicar sobre os defeitos do carro, mas o outro nem parecia estar ouvindo.
— Papai! – gritou Krest ao avistar Milo e nesse momento o dono da BMW ergueu a mão para segurar o cotovelo de Milo, deixando-a acariciar a pele bronzeada e se aproximando mais do rosto do mecânico para falar. Foi ao ouvir o filho chamar que Milo virou o rosto na direção vendo Camus e o filho.
Milo pediu licença e começou a andar até o ruivo com um tanto de apreensão. Já vira Camus desesperado, irritado, triste, mas não sabia o que esperar de um francês ciumento. Pelas faíscas que via no olhar avermelhado, só podia prever o que Camus estava prestes a fazer.
— Vocês vieram me visitar?! Oi meu anjinho... – Milo beijou o filho e quando ia beijar Camus ele desviou o rosto.
— Estarei esperando lá em cima. – foi tudo o que recebeu do ruivo e de um modo tão frio que Milo sentiu como se o ambiente esfriasse! Viu o marido lhe dar as costas e seguir para as escadas, deixando-o parado no meio do pátio.
— Impressão minha ou alguém está bem fodido hoje? – disse Ikki quando o grego passou por ele indo atrás do ruivo, o cliente que Milo atendia veio para junto do japonês vendo o outro se afastar as pressas.
— Aquele...
— Marido dele. O ruivo é o diabo na terra de ciúmes, só parece calmo, mas é psicopata. Esse tipo de gente que dá um tiro em alguém só porque olhou para o marido sabe? – disse o moreno olhando o outro engolir em seco e voltar para junto do carro. Suspirou e balançou a cabeça pensando em ligar para o Hyoga e contar, talvez o ruivo jogasse Milo pela janela então era melhor prevenir.
Quando Milo abriu a porta do escritório Camus estava trocando a frauda de Krest no sofá.
— Sabe o que é engraçado? – foi logo dizendo o ruivo – Você teve um piti ridículo hoje de manhã por causa da porra de uma roupa, para agora eu encontrar você flertando todo seguro de si, se exibindo como um pavão! Estava me tomando por você Milo Savalas?
— Camus você não pode chamar palavrão na frente do Krest!
— Vai pra puta que o pariu Milo! – gritou o ruivo, mas depois queria se socar porque Krest o olhou de olhos arregalados – Não pode chamar palavrão Krest! Ouviu?!
— Camus você tá exagerando! Não é nada disso que você tá pensando.
— Eu não ‘tô pensando Milo, eu vi! – o francês desceu o bebê para que ele andasse pelo escritório, Krest apenas olhava de um para o outro, estava achando curioso que eles estivessem falando daquele jeito que ele não entendia. Camus voltara ao seu tom de costume, mas Milo sabia que ele revolvia de raiva internamente ou não estaria falando palavrões – Vai negar aquele figurão te alisando e você todo sorrisos pra ele? É assim que você consegue favores Milo? Por isso acha que eu como personal trainer vou fazer a mesma coisa? Argh que ódio! E eu ainda estava me sentindo culpado por ter discutido com você hoje.
— Camie... Amor vem aqui! Você sabe que faz parte ser cordial com os clientes, só que às vezes eles confundem e aí... – Milo tentou abraçar o marido que se desvencilhou dele – Porra Camus! Sabe que é você que eu amo, nada é mais importante pra mim que você e a nossa família! Eu sei que exagerei, mas eu fico inseguro com esse seu emprego... Tá eu vou parar de implicar com essa história de personal.
— Ah se eu ouvir mais alguma coisa de você sobre o meu emprego Milo Savalas, eu quebro a sua cara! – o espanto de Milo era total, o francês estava fora de si! – Krest vem! Vamos embora.
— Me espera, eu vou me trocar rápido e a gente sai pra almoçar, foi por causa disso que você veio né? Eu imaginei que você tivesse vindo pra gente almoçar juntos, conversar direito.
— Eu vou pra casa! Você que se vire pra almoçar, pede ao figurão te levar pra almoçar Milo. Ele parecia doido pra isso. – o ruivo pegou o filho e a sacola sob o olhar atônito do marido – Eu aceito que os clientes confundam gentileza com liberdade imprópria, não você Milo. Estou muito decepcionado.
Camus teve que afastar Milo para sair porque o grego parecia aterrado demais depois do que ouvira do outro. Estava sem chão porque nunca parou pra pensar em refrear aquela rotina, era acostumado aos flertes na oficina desde quando trabalhava com Tatsume, porém nunca os levava a sério. Era casado agora e louco por aquele ruivo difícil e nunca imaginou que Camus pudesse flagrá-lo daquela maneira.
O francês chegou rápido em casa e deixando o bebê um instante com Hyoga foi tratar de fazer um almoço rápido para ele e Krest, descobrindo que Hyoga havia preparado o almoço.
— Você não foi para o preparatório hoje? – perguntou ao filho que trazia o irmão nos ombros.
— Hoje vou estudar em casa. Porque você não vai tomar um banho e trocar de roupa, eu posso dar banho no Krest.
— O Ikki ligou pra você, claro. – Camus revirou os olhos – Você não pode faltar aula.
— Um dia só não vai fazer diferença e você sabe que eu tenho memória fotográfica, então eu estou com larga vantagem. – piscou o loirinho – Vamos apenas almoçar ok?
— Se você faltar ao preparatório todas as vezes que seu pai fizer alguma merda Hyoga, nem a sua memória fotográfica vai te salvar!
— Sinceramente eu pensei que ele tivesse mudado sabe, ele é um homem casado agora. Ikki sempre me falou que os clientes ficam de quatro para o meu pai, ele gostava de toda a atenção. Mas Camus é só isso, atenção! – Hyoga soltou Krest no chão que saiu correndo para a sala deixando as roupas pelo caminho, era uma mania que ele tinha de gostar de ficar apenas de fraldinha.
— Atenção?! Hyoga eu peguei seu pai flertando descaradamente com um figurão filho da puta, eles conversavam cheios de intimidade! O cara inclusive alisava o Milo! Quem ele pensa que eu sou? Algum idiota?! – Camus passou as mãos pelo rosto levando a franja farta para trás – Eu vou tomar um banho. Faça Krest catar aquelas roupas espalhadas no chão, por favor.
Hyoga deu um suspiro e foi pegar as roupas do irmão, ele era um bebezinho então não sabia das manias de organização de Camus, e em seguida o pegou para dar banho, deixaria o ruivo em paz para aliviar aquela raiva toda.
— Seu pai só faz besteira Krest! – disse ao garotinho quando o encontrou no quarto entre os brinquedos.
— Milo, não o papai. – retrucou o garotinho rindo e Hyoga acabou por rir também.
— Isso.
***
— O que eu faço com você pai? – disse quando atendeu a ligação de Milo, já no meio da tarde.
— Ele está em casa?
— Trancado no quarto depois que colocou o Krest pra dormir, Camus cancelou as aulas do dia. Ele transferiu tudo para amanhã e você sabe o que significa não sabe?
— Eu não posso ficar em casa amanhã! Tem um monte de serviço na oficina.
— Azar o seu, pensasse antes de ficar de flertar com os clientes para o ruivo ver. Ele está furioso, fez isso de propósito porque sabe que você odeia ficar no dia da faxineira, ainda vai ter que ficar com o Krest o dia inteiro amanhã por que ele não tem creche amanhã.
— Mereço mesmo! – o resmungo era cheio de infelicidade.
— Melhor pensar em um baita presente de natal pra amansar o ruivo.
Milo teve que elaborar muito bem seu presente de natal para Camus porque viu que era a única maneira de limpar a sua "barra" com o marido. Camus ainda estava irritado, acabou resolvendo que ele cuidaria da administração da oficina deixando Ikki livre para ajudar no pátio, o que foi providencial com o aumento dos clientes com as revisões do fim do ano. Com isso ele reduziu as aulas de personal para ter tempo de ir à oficina todo dia. Como Milo nunca sabia em qual momento do dia o francês chegaria, passava o dia naquela expectativa nervosa e pisando em ovos. Apesar de agora passarem boa parte do dia juntos, Camus ainda estava um bloco de gelo.
Para desespero de Milo houve mais dois episódios constrangedores com clientes, o último com uma socialite grega milionária que fez questão de lembrar a Milo o quanto se divertiram juntos no verão anterior. Camus claro estava lá para ver e ouvir os relatos da mulher e em casa quando chegou, o grego foi desalojado para o quarto de hóspede.
Milo precisava se redimir e já sabia como.
Então no natal depois do almoço que reuniu além dos Savalas, os Argenkland e os jovens Amamiya na casa de Aiolos, Milo alegou que precisava voltar para a oficina para terminar um carro de um cliente muito importante. O tal cliente havia pagado uma fortuna para que o carro ficasse pronto no dia seguinte, então precisava trabalhar nele aquele dia. Camus não disse nada, apenas olhou enviesado para o grego que já se despedia de todos e depositava um beijo na sua testa, o ruivo estava com a sobrinha Lífia nos braços.
— Que conversa estranha não é mesmo? – Aiolia comentou com o irmão e o cunhado – Vocês estão tão cheios de trabalho assim lá na oficina Ikki?
— Esse carro é de um juiz que aparece lá direto, maior fã do Milo no mundo! –Ikki comentou que estava estirado no divã perto da janela com Hyoga ambos assistindo algo na TV junto com Shun e Shiryu deitados no tapete.
Camus percebeu os olhares trocados de todos os presentes na sala, fingiu indiferença e continuou a mimar a sobrinha com a cabeça cheia de pensamentos homicidas a respeito de certo grego.
— Se eu fosse você ia conferir essa história Camus. – finalizou Marin quando foi pegar a filha com o ruivo.
Não demorou muito para Camus pedir que Aiolos ficasse com Krest por aquele momento que viria buscar o filho depois de resolver algo, Aiolos assentiu e o tranquilizou de que cuidaria das crianças aquela noite. Pelo olhar do ruivo, alguém teria que proteger o escalpo.
Assim que a porta fechou a gargalhada geral ecoou pela sala, até Krest batia palminhas animado sem saber por quê.
— Alguém vai andar engraçado amanhã, por favor, Hyoga grave isso.
— Eu não perderia a oportunidade por nada. — riu o russo feliz demais – Espero que eles se acertem, não aguento mais a civil war em casa!
***
Ao chegar à oficina Camus ficou intrigado ao encontrar as luzes apagadas e tudo fechado, teve de usar sua chave na porta lateral para entrar. Não encontrou qualquer outro carro no pátio a não ser a pick-up de Milo.
— Estava esperando você chegar ruivo.
Camus ficou com a boca seca só de ver Milo ali com o macacão de mecânico e pelo visto só ele. O grego foi encostar-se ao carro dando uma visão exuberante para o ruivo! Milo observou o marido ali vestido elegantemente com a blusa de lã de mangas compridas, calça social e blazer tão perfeito que o mecânico tinha vontade de jogar sobre ele um balde de graxa! Ele trocara a roupa do almoço pelo macacão e as botas isolantes do serviço na oficina, o zíper do macacão aberto até metade do peito deixando o peito musculoso e bronzeado à vista.
— Feliz Natal. – disse Milo se aproximando mais até ficar perto o suficiente para ver as pupilas dilatadas do seu ruivo.
— Pensei que tínhamos nos felicitado. – Camus sugou a saliva, tentando manter-se indiferente e falhando miseravelmente por ter seu desejo mais secreto materializado ali à sua frente. Ainda era Milo! Aquele grego safado por quem era loucamente apaixonado.
— Achei que hoje seria uma boa oportunidade perfeita, uma oferta de paz entre nós Camie. Estou louco de saudade! Há dias dormindo ao seu lado sem te tocar, você não fala comigo direito. – o mecânico deixou que o polegar traçasse as linhas do maxilar de Camus delicadamente.
— Ainda estou decepcionado com você, seu cafajeste, não esqueci! Como se atreve a jogar tão baixo? – só a proximidade de Milo já o afetava! Também estava tão sedento quanto o grego só que era muito teimoso e orgulhoso para dar o braço a torcer. Ainda mais quando acreditava estar coberto de razão.
— Eu estou me comportando, você sabe. Vamos esquecer essa história e você me perdoa, continuamos assim com você me ajudando na oficina e não precisa mais das aulas de personal ou qualquer aula. Isso aqui é nosso mesmo e você está trabalhando duro na administração, melhor do que eu ou Ikki.
— E aí posso ficar de olho em você e vice-versa. – Camus riu de lado, inclinando o pescoço porque Milo agora distribuía beijos pela jugular enquanto as mãos apertavam o corpo firme do outro sob as roupas – Muito prático, mas as aulas de personal ainda são o ponto alto do meu rendimento.
— Porra Camus então tá! Faça a porra das aulas, faça o que quiser só me perdoa porque eu não aguento mais! – o mecânico olhou nos olhos avermelhados que tanto amava – Estou fervendo aqui! Eu amo você, nunca se esqueça disso.
— Eu te amo também Milo, deus como eu te amo! – Camus segurou o rosto do grego entre as mãos e encostou as testas – Só que você precisa confiar em mim!
— O mesmo vale para você!
Afastaram-se as gargalhadas, a sensação de que estavam sendo tolos a respeito de ciúme e insegurança era clara. Contudo, aqueles desentendimentos faziam parte da rotina do jovem casal que se conhecia com a convivência. Era aprender com os erros e tentar melhorar um para o outro!
Milo voltou a puxar Camus para si, o encostando ao carro para beijá-lo. Tinha planos maravilhosos para aquela noite e até arrumara o balcão das ferramentas no intuito de deixá-lo livre para deitar o corpo nu do seu ruivo ali. Então precisava livrar o marido daquelas roupas e foi o que começou a fazer.
— Você desligou as câmeras de vigilância Milo? Se a gente parar no Xvideos eu te mato!
— Desliguei tudo! – o ruivo já tinha a blusa levantada e o grego provou com a língua um mamilo, fazendo Camus tremer levemente ao sentir o contato da língua com a carne sensível. Milo o havia encostado de costas no carro, o francês observava a forma voraz com que as mãos do marido percorriam seu corpo, marcando e apertando trazendo pontadas de excitação para ele – Deixa agora eu dar um trato em você patrão! Vai querer serviço completo ou só uma revisão no motor?
— Serviço completo. – a fala do francês saiu entrecortada pela respiração sôfrega, a ereção começava a tomar forma se avolumando sob o zíper, a pele arrepiada ao sentir as mãos de Milo procurarem a carne túrgida sob a cueca. Empurrou o loiro trocando suas posições, com beijos e lambidas Camus descendo pelo tórax musculoso de Milo, enquanto explorava aquela região livrou-se do restante do macacão, e ajoelhando-se tomou para si o pênis do outro o deixando a sua mercê.
Sorriu ao ver a excitação nos olhos azuis, afastou seus lábios, deixando sua língua tocar delicadamente a glande, fazendo com que o loiro suspirasse ao sentir seu membro deslizar para dentro da boca de Camus, sentindo-o pulsar.
— Aah caralho! – Milo jogou a cabeça para trás ao sentir a boca de Camus envolver seu pênis como um estojo aveludado. Era divino sentir o aperto dos lábios, a sucção da boca carnuda. O ruivo pressionou a língua à medida que apertava os lábios ao redor do falo pulsante, se deliciando também com o gosto e a sensação de dar prazer à Milo. Sentia-se exultante nesses momentos, por ter esse poder.
— Você tem certeza Camie que não quer fazer um vídeo? – Milo segurou os cabelos rubros se afundando mais na boca do marido até sentir o aperto da garganta do outro em si, a voz mais grave e pastosa por conta do prazer crescente, uma camada fina de suor começava a deixar a pele bronzeada lustrosa e Milo sentia-se ficar ainda mais duro dentro da boca do francês. Queria ir fundo, afogar-se naquela ânsia de prazer que estava há dias por conta da irritação de Camus – Com esse oral no Pornhub a gente enriquece e podia esquecer até a oficina.
Camus se desvencilhou do agarre em seus cabelos e subiu de novo, tomando os lábios de Milo num beijo enquanto tirava o resto das roupas, com Milo ajudando-o.
— Eu posso começar a pensar em fazer uns filmes. – Milo resmungou um palavrão e então, jogou Camus de frente sobre o capô do carro, mais para apoiá-lo lá porque agora era a vez dele provar o seu ruivo.
Posicionando-se atrás do francês, Milo roçou sua generosa ereção no vão entre as nádegas de Camus, simulando os movimentos da penetração enquanto deixava os dentes rasparem o pescoço do ruivo, havia sempre nele aquela vontade de marcar, provar a carne firme como um felino selvagem. O francês arranhava o capô e arquejava, excitado demais e louco por Milo torturá-lo daquele jeito.
— Vai pagar pelo serviço de funilaria depois. – o grego murmurou junto à orelha de Camus em meio a um riso sacana, em seguida se ajoelhou para com a língua, provar a entrada estreita fazendo o outro gemer alto.
Milo continuou a provar Camus daquela maneira tão íntima e devastadora deixando que as mãos abarcassem as nádegas redondas e firmes, enquanto a língua penetrava a entrada estreita sentindo o corpo do ruivo se retesar a expectativa do que viria a seguir. Seu! Aquele francês arrogante e birrento era seu de todas as formas e assim ele o queria, provocaria com a língua e todo o seu corpo todo o desatino a que era capaz de chegar Camus Chevalier.
— Milo! Aaaahh, diabos!
Pressionando as costas de Camus com uma das mãos contra o capô do carro pode observar melhor a sua entrada, ajeitou seu membro, penetrando-o lentamente, grunhindo ao sentir a pressão que o outro fazia sobre si, forçou mais o ouvindo gemer dolorido. Mas, isto não o impediria de parar, pois aquela dor era passageira. Segurou com ambas as mãos no quadril do ruivo, iniciando uma cadência leve. Camus mordia os lábios para abafar os gemidos.
Fazer amor entre eles era assim, como se os cinco sentidos fossem exclusivamente para aquele prazer a dois. Era o cheiro da pele de alabastro que enlouquecia Milo, o gosto da pele bronzeada que Camus adorava! A visão da expressão de prazer de Camus quando Milo tocava naquele ponto dentro de si que o fazia ver estrelas, as palavras despudoradas ditas por Milo que atiçavam o prazer. O sentir do corpo um do outro pelo tato.
— Aah mais Milo! Mais forte! – Camus retesava os nós dos dedos, tamanha era a excitação, a dor estava arrefecendo e logo ela seria apenas uma leve lembrança perto do prazer crescente em que ele se encontrava!
— Mais? Você quer mais?! – disse Milo entre dentes saindo de dentro de Camus e voltando-o para si, foi enquanto se beijavam que ele trouxe o francês até uma pilastra próxima e ergueu uma das pernas de Camus colocando-a sobre um dos braços. Dobrou os joelhos um pouco para voltar a penetrá-lo de uma vez e Camus jogou a cabeça para trás os olhos fechados e os lábios entre abertos por um gemido alto, sentindo Milo atingir sua próstata.
— Inferno! – grunhiu o francês enredando os dedos nos cachos dourados da nuca de Milo e puxando o rosto do mecânico para beijá-lo, o outro ia e vinha dentro dele com força sacudindo o corpo do francês com as investidas firmes!
Apoiou as costas do francês na pilastra e o francês o enlaçou pela cintura com as pernas, usando as costas para dosar o peso do corpo na pilastra. Milo continuava a arremeter forte e fundo, Camus mordendo o queixo do grego que mantinha erguido pela puxada firme dos cabelos. As mãos grandes do loiro trazendo Camus pelas nádegas, para se enfiar dentro dele com ímpeto!
Um beijo abafou o grito de ambos quando o orgasmo chegou Camus se derramando em seu próprio abdômen e cravando as unhas nos ombros de Milo, que gozou dentro do francês em jatos. Antes que fossem ao chão o francês apoiou-se no chão com as pernas, mas sem largar Milo que puxava o ar com sofreguidão.
— Então eu estou perdoado? – o grego deslizou o nariz pela lateral do rosto afilado.
— Por enquanto. – Milo sorriu à fala do ruivo que tinha um brilho divertido no olhar agora enevoado pelo orgasmo – Você vive fazendo besteiras. Então aguardaremos a próxima. Sabia que nós ainda não testamos aquele sofá lá em cima, que tal?
— Dois minutos Camie, assim que eu estabilizar as pernas.
— Eu disse que você devia começar os treinos de spinning, fiz uma série exclusiva pra você! – Camus deslizou as mãos alvas pela pele bronzeada agora levemente lustrosa pelo suor – Eu vou te foder agora, em pé sem ajuda nenhuma e você vai ver os benefícios que uma boa série de exercícios para as pernas podem fazer.
— Fala de novo. – ronronou Milo junto ao pescoço de Camus.
— Sobre a série de exer...
— Sobre foder! – Milo levantou o rosto para olhar o outro, no rosto do grego a pura malícia estampada! – Repete exatamente o que você disse antes agora olhando pra mim.
— Eu vou te foder. – sussurrou Camus junto aos lábios carnudos de forma tão sexy que Milo já começava a se animar de novo – Em pé, levantando você e me enterrando de novo cada vez mais fundo.
O sorriso de Milo mesclava triunfo e excitação, mesmo Camus falando aquelas coisas havia um rubor bonito porque apesar de falar e pensar todas aquelas coisas picantes, o francês era muito contido. Só com Mil ele se deixava levar daquela maneira, pois sabia e sentia que o grego o desejava e o amava como ninguém!
***
Agora a santa paz reinava em sua vida e Hyoga acreditava que tudo estava bem, sua família feliz e ele mesmo muito feliz. A decisão definitiva de Krest saíra e agora ele era definitivamente seu irmão, perante a lei porque desde que colocou os olhos no garotinho ele acreditava nisso.
Então tudo estava bem certo?
Hyoga achava que era procurar cabelo em ovo, ser ingrato mesmo por esperar sempre pelo pior. No entanto, ele sentia que "havia algo no ar". Talvez fosse porque Ikki estava distante, o namoro havia esfriado e ele esperava que fosse por conta das provas de fim de semestre do curso de Ikki, da sua preparação para prestar os testes para a universidade. Depois que todo esse estresse passasse tudo voltaria a ser como antes.
Esses eram seus pensamentos e quando Ikki o chamou para conversar uma noite, uma semana antes do seu aniversário, ele viu que talvez não fossem os planos do moreno. Já era bem tarde e aquele dia tinha sido quase como uma viagem a Sibéria de tão estranho e frio que Ikki estava, o japonês quase não o tocara e boa parte da tarde e noite ele passou discutindo planos sobre a oficina com Camus e Milo.
— Hyoga a gente precisa conversar.
— Eu estava esperando esse momento DR em algum momento dessa noite. – gracejou o russo apenas para esconder o nervosismo de ver o outro tão sério. Sentou na cama enquanto Ikki fechava a porta atrás de si.
O moreno se encostou a porta e cruzou os braços sem saber como começar aquilo, Hyoga o olhava ressabiado sentado na cama em posição de lótus.
— Eu... – Ikki lambeu os lábios. Tinha que fazer, sabia que seria pior se continuasse a enganar Hyoga daquela maneira. Ainda gostava muito do ex-patinador, tinha um carinho enorme por ele! O loiro não merecia que ele estivesse confuso — Nós precisamos conversar sobre a gente.
— Sobre a gente? – ecoou o loiro num fio de voz, Hyoga sentia uma garra apertar seu coração.
— Hyoga eu quero terminar. – disse de uma vez. Não havia outro modo menos indolor do que aquele, talvez pior, mas não havia como abrandar o golpe. Estava doendo nele também, ver a face surpresa e magoada do pequeno russo o estava devastando. Conheciam-se desde criança, sentia algo ímpar por Hyoga e esperava que eles tivessem dado certo! Que Esmeralda não tivesse aparecido e bagunçado seu coração e seus anseios.
— Por quê? Ikki não faz isso... A gente só tá precisando de tempo livre! O que tá acontecendo?
— Tá acontecendo que eu tô confuso e eu não posso enganar você, eu não posso deixar você esperando eu ver se é isso mesmo que eu quero! – Ikki veio para perto do loiro que já levantara da cama e vinha se aproximando do moreno – Loiro, eu gosto muito de você, nós crescemos juntos e caramba! O Milo é quase um pai pra mim, eu nunca trairia vocês, a confiança e todo amor que vocês têm comigo e por isso eu tenho que ser sincero com você.
— Não! Pára de falar que gosta de mim, que meu pai é incrível e bla bla bla. EU TE AMO PORRA! Eu pensei... Você não me ama é isso? – Hyoga estava sentindo uma dor física, estava difícil até respirar ante a possibilidade de Ikki não o amar – Não faz isso comigo.
— Eu não tenho escolha, vai ser pior continuar do jeito que está. – pegou Hyoga pelos ombros, tinha vontade de voltar atrás e dizer que iam tentar, que ele aguentaria mais. Porém, tinha Esmeralda e o sentimento insano e intenso que sentia por ela, era diferente do que sentia por Hyoga. Precisava dar vazão aquele sentimento!
Talvez fosse uma paixão ardente e passageira que sentisse por Esmeralda, trocar Hyoga por ela talvez fosse um erro terrível! Mas precisava viver aquilo e pensaria nas consequências depois.
— Tem outra pessoa não é? Você só se deu conta que não quer mais nada comigo porque se apaixonou por outra pessoa.
O silêncio de Ikki foi o suficiente e mesmo que desse uma justificativa para aquilo, seria irrelevante para Hyoga. O russo se desvencilhou de Ikki, abraçando a si mesmo porque ele tinha a sensação de estar se despedaçando. Não acreditava no que estava acontecendo!
— Você... Não me ama! – o olhar celeste estava afogado em lágrimas e Hyoga sentia a garganta apertar, mas não ia chorar na frente de Ikki. Rejeição! Era todo esse sentimento que sentia agora, rejeição e raiva – Vá embora daqui!
— Eu sinto muito Hyoga, de verdade.
— MENTIRA! VOCÊ NÃO SENTE NADA, VÁ SEJA FELIZ! – gritou o russo cuspindo as palavras – VAI ANTES QUE EU... Argh!
Ikki tentou chegar mais perto de Hyoga, mas o russo o empurrou com força o fazendo bater com o corpo na porta causando um barulho alto. Em um minuto Milo e Camus já abriam a porta pensando que os dois estavam aos socos, mas apenas encontraram Ikki ofegante e meio surpreso pelo súbito ataque de fúria e a espera de mais. Hyoga crispava os punhos, a essa altura as lágrimas escorriam livremente pelo rosto do rapaz.
— Vá embora eu quero ficar sozinho! – Hyoga limpou o rosto dando as costas para todos e saindo para a varanda. Camus pediu com um gesto de cabeça que Milo se fosse dali com Ikki, ele iria falar com o russo.
O grego e Ikki foram para a sala, o moreno parecia derrotado e evitava olhar para Milo. Não estava sendo fácil, será que estava tomando a decisão certa?
— Não se preocupe Ikki, vai passar e ele vai encontrar alguém que o ame de verdade. Foi melhor assim do que ele ver você e a Esmeralda por aí ou saber por outras pessoas, sei que ver a traição é pior do que tudo. – Milo cruzou os braços e respirou fundo – Mas eu entendo você, já tive a sua idade e sei que tudo é muito "de repente" nessa fase da vida. Eu mesmo passei por algo parecido recentemente. Só que nesse caso você não tem direito de se arrepender Amamiya, porque agora sou eu que não quero você perto do meu filho.
— Acho que eu vou embora... Pra longe! Eu... – Ikki passou a mão nos cabelos repicados – Se for demais pra você me manter na oficina, eu vou entender.
— Eu não misturo as coisas Ikki, nosso trabalho não tem nada a ver com o seu namoro com o Hyoga. O que mudou foi nosso relacionamento fora da oficina, eu ainda vou cuidar de vocês porque prometi a Agatha e também porque gosto muito de você e Shun. Considero os dois meus filhos também, apesar de querer muito te matar agora Ikki.
— Também não estou feliz comigo mesmo hoje Milo. – Ikki deu um sorriso triste – Eu não merecia o Hyoga.
Ikki foi embora e Milo foi olhar Krest, mesmo que quisesse ir ao quarto ver Hyoga, mas deixaria Camus conversar com ele um pouco porque não sabia o que dizer para o filho. Estava furioso com Ikki, mas podia entendê-lo se deixasse seu sentimento de pai um pouco de lado. Ikki Amamiya tinha dezoito anos ainda, aprendia a ver a vida em todas as suas cores e nuances. Desconfiava que Ikki não fosse totalmente gay ou hetero, Milo mesmo na adolescência se descobria bissexual até desistir dos rótulos e crer que na verdade ele amava, independente do sexo! Ele procurava companhia e amor fosse um homem ou uma mulher, por dentro ou por fora, que lhe dessem isso.
Ele conheceu Natássia e se apaixonou pela pessoa generosa e cheia de vida que ela era, pela mulher forte que sabia o que queria com tão pouca idade. Assim como agora em que seu amor era aquele ruivo íntegro e leal, ardente na intimidade e contido fora dela. Que amava seu filho como o seu próprio, isso era mais do que pedira aos deuses.
Então que Ikki trilhasse o caminho dele, que vivesse a paixão dele por Esmeralda e já que os destinos dele e de Hyoga tinham de seguir separados agora que fossem.
Escutou os soluços do filho ao passar pelo quarto de Hyoga e não se conteve em entrar para vê-lo, seu coração doía em ver as lágrimas do seu anjinho.
— Era mais fácil quando você estava machucado por cair por causa dos patins. – disse sentando ao lado dele e de Camus na cama do russo, que estava sentado com as pernas junto ao corpo, os braços em volta dela enquanto Camus acariciava seus cabelos. Ao sentir o pai ao seu lado, Hyoga chorou mais forte com o rosto enterrado nos joelhos sentindo-se idiota por não conseguir controlar-se.
— Vai passar petit, chore tudo que tiver de chorar. Coloque para fora. – Camus afagou suas costas e trocou um olhar com Milo que parecia prestes a chorar também.
Hyoga não conseguia evitar sentir-se rejeitado, ferido por não ter sequer despertado algum sentimento além da amizade fraternal que Ikki sentia. Pelo menos era assim ele pensava, pois se Ikki o amasse mesmo tendo conhecido outra pessoa, eles poderiam tentar de novo. Contudo, para Hyoga, Ikki sequer cogitou a possibilidade de terem mais uma chance porque na verdade não sentia nada! Nem a amizade deles era suficiente.
Sentia-se humilhado por ter dito que o amava e agora Ikki o havia deixado. Por quê? Não era atraente nem bom o bastante para fazer com que alguém o amasse além de Tenma que era doente? Nunca teria um relacionamento saudável! Pensava enquanto deixava o choro sair e prometendo a si mesmo na sua grande angústia adolescente que ficaria a partir daquele momento sozinho, não queria sofrer aquilo novamente.
Fale com o autor