Notas iniciais
Como prometido eis o caps 8 Queria agradecer do fundo do meu pequeno heart a srta Washu que me deu um avc desenhando o Milo mecânico. Keep Calm que em alguns caps, acredito que no 10, vai rolar alguma coisa Xvideos para alegria do Camus e nossa rsrsrs Queria agradecer a todos que deixaram reviews nos caps, que estão divulgando e amando essa fic que me dá uma alegria imensa de escrever Só queria pedir para vocês segurarem as pedras e aguardarem que no mais tardar, no fds estarei postando outro capítulo para vocês me odiarem... Menos rsrsrsr Ah eu tô sem beta outra vez, então a revisão ficou por minha conta. Espero não ter deixado passar nada. Mas desde já i sorry

Três meses depois.

Camus trouxe a última caixa para o quarto e sentou no chão limpando o suor da testa, olhando em volta com satisfação. Passou o fim de semana inteiro arrumando o apartamento para ter aquele quarto livre, era o quarto mais próximo ao seu e de frente para a pequena biblioteca, assim poderia ver o bebê se estivesse trabalhando lá.

Agora era oficial. Depois da conversa com os pais de Garbena e Ulisses ficou acertado que Camus acompanharia de perto a gravidez e quando o bebê nascesse, talvez em alguns dias poderia ficar com o ruivo. Tudo estava sendo acompanhado pela equipe jurídica e médica da Fundação Kido, além de conselheiros tutelares do Governo por conta do processo da adoção. Era uma modalidade de adoção ainda recente na Grécia, mas comum na América do Norte e com saldos positivos para muitas famílias.

Havia certo animo em Camus, boa parte dele provinha do fato de que ele já se sentia pai, a outra parte era descobrir todas aquelas novas sensações com os amigos e principalmente os Savalas. Ele acompanhava de perto todas as novidades do bebê e Garbena era sempre muito franca e acessível, acabou encontrando em Camus o apoio que esperava em Ulisses, apesar da gravidez ela era ainda muito jovem e inexperiente. Seus planos ficavam ainda mais nítidos depois de conversar com o francês, de ver como Camus parecia estar se preparando e já amando aquele serzinho que gerava. Talvez mais do que ela própria.

Naquela semana, depois do ultrassom Garbena foi até o ginásio de patinação artística toda feliz procurar Camus que sabia estar treinando àquela hora. A adolescente de longos cabelos castanhos e lindos olhos amendoados se apoiou na amurada vendo técnico e atleta terminarem a sequência de acrobacias para falar com eles. Assim que aterrissou, depois de um salto triplo Camus deslizou em patins até a menina sendo acompanhado por Hyoga.

­­­­­— Bom dia Garbena, algum problema? – tocou na barriga já saliente da jovem enquanto trocavam um abraço amigável.

— Acabei de vir do ultrassom! Eu precisava trazer isso aqui para você, não aguentei. – Garbena lhe estendeu alguns papéis – Vão liberar as imagens num CD, mas só semana que vem então eu pedi ao médico para fazer uma cópia das imagens pra você. Pode ficar! Veja Camus o seu filho!

O ruivo pegou os papéis em que estavam impressas as imagens do ultrassom onde se podiam ver várias posições do bebê, perfil, mãos e perninhas... Camus sentiu o coração bater acelerado e os olhos marejarem ao ver pela primeira vez o bebê que em breve teria nos braços, faltava pouco agora.

— É o seu filho Camus! – Hyoga também olhava as fotos, Garbena também sorria ao ver a emoção na expressão encantada de Camus. Nunca imaginou ver o educado e um tanto frio professor de educação física daquela maneira, talvez estivesse mesmo salvando a vida de várias pessoas com aquele gesto. A sua, do bebê e de Camus...

Depois da visita de Garbena, Camus começou a comprar as coisas para o quarto do bebê, ainda não havia pensado em um nome. Decidiu escolher junto com Garbena quando o vissem, não excluía a possibilidade de ela querer em algum momento ter contato com o filho, era seu direito. Ulisses também, embora o nadador quase não participasse das atividades que envolviam a gravidez ou mesmo estivesse por perto.

Mas ele estava e sendo assim precisava se preparar, pensou olhando o quarto ainda por arrumar.

— Esqueci o papel de parede! – murmurou para o quarto vazio pensando que ainda precisava comprar muita coisa.

O interfone o tirou do seu descanso fazendo-o correr para atendê-lo, era o porteiro avisando que havia um grupo aguardando sua autorização para subir. Pelo Whatsapp recebeu uma foto da frente do seu prédio com seus amigos, Aiolos e Shura, Aiolia e Marin com Milo e Hyoga. Autorizou a entrada e foi abrir a porta, balançando a cabeça imaginando se aquilo não era obra de Milo. Pela cara do grego ao vê-lo abrir a porta, apostava seu apartamento que sim. Milo ultimamente parecia estar sempre ali, era impressionante levando em consideração que tinha um namorado e Saga parecia um grude ambulante.

— Viemos ajudar a arrumar o quarto do bebê. Hyoga nos contou que você descobriu que é menino. – Marin disse animada, entrando no apartamento do ruivo com os outros. Ela também esperava o primeiro filho dela e de Aiolia – Nós trouxemos presentes!

Foi uma festa porque gregos juntos era sempre uma festa! Aiolia e Milo trouxeram tintas e adesivos para as paredes, Aiolos e Marin trouxeram bichinhos e algumas roupinhas. Camus já havia comprado à mobília e esperava arrumar assim que decidisse se pintava a parede ou comprava um papel de parede colorido, Shura comprara algumas coisas também e trouxera os presentes de Shina que não pudera vir.

— Como está se sentindo Camus? Falta tão pouco agora, em breve você o terá nos braços! Eu quase não consigo controlar a ansiedade, fico imaginando você como está.

— Estou bem nervoso também Marin, e um tanto assustado devo confessar, mas acho que vai ficar tudo bem. Estou cheio de conselhos! – todos riram. Milo que estava com Aiolia pintando as paredes e riu de lado muito convencido. Convencera o francês a ir ao curso de pais e mães que a Clínica da Fundação ministrava, era uma ajuda e tanto para pais de primeira viagem como ele.

— Você vai precisar de toda ajuda que puder Camus, seria bom que não ficasse sozinho nesse primeiro momento. – Aiolos interveio e os murmúrios de concordância pipocaram em volta – Como vai ser quando ele nascer?

— Eu já estou vendo uma babá, tenho tudo planejado. Eu vou ter que me virar porque estou sozinho nessa. Vocês são meus amigos e são intrometidos, mas cada um tem sua própria vida para cuidar.

— Pensei que Shaka fosse reconsiderar. – Hyoga ousou, ele talvez fosse o único ali que tivesse coragem de confrontar Camus sobre o relacionamento rápido e um tanto intrigante dele com o indiano.

— Shaka e eu estávamos vivendo uma utopia Hyoga. Ninguém pode ter um relacionamento baseado apenas em respeito e amizade, tem que haver outras coisas... Nós não nos amávamos, – o ruivo deixou que os dedos longos acariciassem os fios dourados do adolescente em um gesto singelo – em um relacionamento tem que haver amor.

Milo sentiu os olhares queimando sobre a sua pessoa, Aiolia estava ali ao seu lado prestes a dizer algo como “está vendo?”. Todos ali esperavam que Milo largasse Saga assim que soubesse que Camus estava livre outra vez, era nítido que havia muito entre o francês e Milo. Ninguém entendia porque o namoro do mecânico com Saga Laskaris estava durando tanto.

Ninguém a não ser Camus. O francês sabia e resignou-se que assim o fosse, mesmo que lhe doesse. Milo e ele conversavam muito sobre tudo inclusive sobre eles, a aproximação foi se tornando tão natural e aquela amizade repleta de amor abnegado era tudo que tinham. Tornaram-se amigos que às vezes podiam vislumbrar um no outro o sentimento visceral que os unia, todavia nunca foram além daquele beijo na oficina da casa de Milo. O grego ainda não tivera coragem de se separar de Saga e o advogado parecia cada dia mais apaixonado e neurótico pelo medo de que Milo o deixasse então o mecânico não tinha coragem de fazê-lo.

Milo sempre lembrava que fora ele a exigir um compromisso de Saga, de permanecer ali almejando que um homem como Saga Laskaris se apaixonasse por ele e tivesse aos seus pés. Agora que o tinha descobrira que na verdade não era isso que queria.

Quanto a Camus e Shaka, depois de passado o período de mágoa, a amizade retornou e aos poucos voltavam à velha camaradagem. O indiano tinha ido a Londres para visitar os pais naquele período de férias dos alunos, todos os professores estavam em calmaria com as férias escolares. Apesar de ainda não estar certo sobre aquela adoção, Shaka gostava de saber sobre os planos de Camus e o bebê. Talvez no fundo ele mesmo não estivesse pronto para ser pai e ainda havia Saga Laskaris. O indiano nunca se sentira tão perdido.

— Camus as classificatórias serão daqui a dois meses, como vai fazer para estar comigo? É na Rússia!

— Henry Cristal vai estar lá com você até que eu possa viajar, o bebê pode nascer a qualquer momento não posso arriscar. Nas olimpíadas eu estarei lá, não se preocupe.

— Mas é a minha primeira competição oficial! Eu queria você lá para me apoiar, já não sei se gosto da ideia desse bebê não...

— Não seja ciumento, estarei torcendo por você. O bebê não pode viajar nos primeiros meses. – Camus puxou Hyoga pelos ombros para abraçá-lo.

— Não ligue para ele Camus. – Aiolia comentou de passagem – Hyoga não é mais o centro das atenções por isso está assim.

— Naah! — chiou Hyoga contrariado e todo mundo riu.

***

Naquele mesmo dia, mas a noite, Hyoga se reunia com os amigos no fliperama. Era um encontro quase tradição entre os veteranos da Fundação Kido e mesmo durante as férias, eles não deixavam de ir. A conversa geral era sobre o bebê de Garbena e o professor Camus, além do término do relacionamento dele com Shaka Evrad.

— Será que eles transavam? – Shun remexeu no seu milk-shake com o canudo, o lábio inferior preso nos dentes demonstrando estar pensando nessa possibilidade.

— Claro que transavam Shun! Olha aquela pele do Evrad... E do Camus então? Quem tem uma pele incrível daquelas é alguém muito bem tratado na cama. – Pandora comentou enérgica – E o Shaka é indiano certo? Não foi lá esse povo que inventou o Kama sutra?

— Imagina as coisas que aquele homem faz na cama gente!

— Não preciso imaginar isso não! – Seiya fez uma cara de horror – Sério que eu preciso ter essa visão do nosso professor transando? Argh!

— Realmente não é uma boa coisa a se pensar. – Hilda fez uma careta – Eu sempre achei que seu pai e o Camus iam ter alguma coisa Hyoga. Não entendi o que aconteceu! O Milo inunda o ginásio de baba sempre que vê o ruivo, o Camus parece não ser tão imune assim ao Milo.

— Eu tinha esperanças dos dois ficarem juntos, confesso que não sei o que falta. Eles parecem se gostar, mas vai saber por que não ficam juntos? Eu já imaginava que depois do bebê eles fossem sei lá se resolver, é quase como se eu estivesse prestes a ganhar um irmãozinho – o russo acariciou a barriga de Garbena – Veja ele está se mexendo!

Os jovens convergiram para a adolescente grávida, todos tentando tocar no ventre avantajado sentindo os movimentos do bebê. Todos estavam empolgados e ao que parecia a criança na barriga da jovem grega também.

— Ele adora uma atenção! Precisam ver quando o Camus toca minha barriga, ele fica eufórico e o ruivo quase para morrer... É muito lindo o entusiasmo do Camus sabe.

— Você não vai mudar de ideia Gab? – Hyoga voltou para os braços de Ikki, todos estavam em casais. Até Seiya estava com uma jovem aluna do terceiro ano. Ela se chamava Atena – Acho que se algo acontecesse agora o Camus morreria! Ele só fala no filho, em quando nascer e tudo mais.

— Jamais mudaria. Acho que essa foi a melhor decisão que tomei na vida! –Garbena puxou o rabo de cavalo para o ombro, alisando as madeixas castanhas distraidamente – Eu ‘tava bem assustada com tudo e ia fazer uma besteira! Toda vez que eu vejo o quanto o Camus já ama essa criança eu entendo que não ‘tô preparada pra ser mãe, às vezes nem parece que eu ‘tô esperando um filho.

— Ah parece sim! Você tá enorme Gabs. – observou June rindo e os outros fizeram o mesmo.

— Ok. Tirando a parte das roupas maiores e a fome insaciável. – Garbena revirou os olhos – Mas parece que ele não é meu! É como se ele fosse do Camus desde sempre, não sei se vou pensar diferente quando vê-lo... Mas às vezes eu fico "o Camus vai adorar saber disso, o Camus precisa saber que o bebê vai e bla bla bla", essas coisas! Ele ficou tão empolgado com o ultrassom naquele dia que eu me senti até mal de não ter chamado o Camus pra ver. Eu estava lá por rotina, não fiquei tão empolgada para saber sobre o sexo do bebê e foi o médico que disse que eu poderia levar as fotos para o pai ver! Eu pensei logo no Camus.

— O Ulisses sumiu mesmo? – Shun perguntou com cuidado. Era de conhecimento geral que o nadador tinha se mudado para os Estados Unidos para treinar lá, desde então ele e Garbena não se falavam.

— Ele nem deve saber mais que eu existo.

Garbena estava triste pelo que vinha acontecendo entre ela e Ulisses. No início depois da decisão de colocar o bebê na adoção eles ficaram bem, parecia que nada tinha mudado. Então começaram os exames e as mudanças em Garbena, Ulisses se afastou e tudo começou a esfriar até que o garoto lhe disse que seus pais decidiram se mudar para os EUA. Garbena esperava que eles continuassem de algum jeito, mas a viagem só fez sacramentar o fim do namoro. ´

Garbena só queria que os próximos três meses passassem voando. Queria voltar a treinar com seu cavalo, voltar a viver e esperava que o nascimento do bebê lhe ajudasse a retomar a vida. Só queria que ele nascesse logo!

Talvez fosse o desejo dela ou apenas o destino lhe dando mais uma prova de superação. Aqueles momentos em que num dia está tudo bem e de repente tudo é caos!

Aconteceu quando voltava da Fundação. Ainda frequentava as aulas até quando pudesse para que depois do parto não ficasse tão para trás! Naquele dia iria a sua consulta rotineira com o ginecologista e por isso precisava atravessar o quarteirão para pegar o metrô para ir ao centro, seus planos incluíam comprar cordas novas para o seu violão também.

Estava na esquina quando viu o carro ultrapassar o ônibus, as pessoas na rua já corriam aflitas ao verem aquele carro em alta velocidade cortando o trânsito. O sinal ficou amarelo e todos se afastaram das beiradas a espera que ele conseguisse parar. Ninguém contou que um motoqueiro irritado tentaria passar o carro desgovernado na esperança de passar antes do sinal fechar.

O resultado é que para desviar da moto o motorista jogou o carro para o lado e com a velocidade, ele subiu a calçada atropelando várias pessoas que aguardavam a espera do sinal fechar para atravessar. Foi tudo tão rápido que Garbena só teve tempo de fechar os olhos.

***

— Nós precisamos de uma decisão agora. O parto precisa ser feito porque a garota está com uma hemorragia interna, ela precisa ser operada e o bebê retirado do útero o quanto antes. Quanto mais demorarmos a retirar o bebê pode ser prejudicial à garota.

— Mas ele só tem 25 semanas. – murmurou Camus sentindo um peso enorme sobre os ombros.

Os pais de Garbena olharam para o ruivo, mas era claro em suas expressões que pediam pela filha. Uma parte pequena e egoísta do francês lhe gritava que eles podiam viver sem ela, que tinham outros cinco filhos. Aquele bebê era tudo que ele tinha! O olhar do professor foi para a médica e voltou para a pequena e atarracada mãe de Garbena que segurava um terço entre os dedos, pedindo a deus pela filha.

— Façam tudo para salvar os dois, mas a prioridade é a menina. – disse Camus em voz neutra, mas sentia a dor lhe dilacerar por dentro. O médico assentiu avisando que iriam operar imediatamente. À Camus e os pais de Garbena, só restava esperar.

Foram horas de cirurgia, mas os médicos conseguiram conter a hemorragia e salvar o útero de Garbena. O bebê estava vivo, mas o prognóstico não era bom e as próximas 48 horas na UTI neonatal seriam cruciais. Com aproximadamente um quilo e com os pulmões não fortes o bastante para ajudá-lo a respirar, ele tinha uma batalha pela frente.

Camus teve autorização para visitar o recém-nascido, uma licença especial concedida pelos médicos como um alento ao pai. Depois de se higienizar e colocar a roupa sintética Camus pode entrar na UTI e ir até a incubadora onde o pequenino estava envolto em faixas e com tubos, tão imóvel quanto podia.

— Se for demais para você, está livre para partir mon ange. Eu amo você. – sussurrou o francês com voz partida.

Demorou algum tempo até os médicos confirmarem o falecimento do bebê, a essa altura à medida que a notícia corria, as pessoas começavam a chegar ao hospital. Alguns amigos próximos de Garbena vieram, dentre eles Hyoga e Shun com Marin e Aiolia. Aiolos chegou depois com Shura, os dois para ajudar Camus que estava no hospital e cuidava de todas as providências. Os pais de Garbena estavam aliviados, porém a mãe da jovem tivera um abalo e precisou de atendimento. Era noite fechada quando Shura enfim convenceu Camus de que precisava ir para casa e descansar isso depois que ele também conseguir ver Garbena mesmo ela estando na UTI.

— Vamos para o meu apartamento? É perto daqui e você pode estar aqui a qualquer hora se precisar. – Shura não queria que o amigo voltasse para o apartamento sozinho, temia que Camus se afogasse em tristeza.

— Vou para o meu próprio apartamento, não se preocupe. Vou com o meu carro.

— Eu vou com você pra lá. – adiantou-se Hyoga recebendo um olhar de assentimento dos tios – Não adianta dizer que não precisa.

— Mas não precisa, seu pai não vai gostar.

Hyoga apenas deu de ombros e o puxou para saírem dali, queria que Camus se alimentasse, saísse daquele hospital para gritar com alguém ou xingar o destino. Até que aparentemente Camus estava bem, só muito cansado e com o olhar vazio. O que era terrível para Hyoga, porque na mente do garoto colocar pra fora era melhor. Olhava de vez em quando para o técnico o vendo dirigir em silêncio e com uma expressão aparentemente calma. No entanto Hyoga podia ver nos olhos daquele castanho incomum que havia muita tristeza.

Subiram para a cobertura do ruivo em silêncio, embora Camus percebesse o nervosismo e os olhares analíticos do pequeno russo sobre si, não tinha animo para travar qualquer conversa, era do seu temperamento se fechar mediante a dor. Queria ficar sozinho apenas, mas não seria indelicado com Hyoga e era por isso que os Argenkland haviam mandado o garoto. Por saber que ele era o único, talvez além de Milo, que ele não rechaçaria.

— Está com fome? Quer água ou chocolate? Camus fala alguma coisa!

— Vou tomar um banho. Sabe onde fica tudo então esteja à vontade. Vou ligar para Milo vir buscar você.

— Eu já liguei pra ele e está vindo pra cá. – disse Hyoga indo à cozinha enquanto Camus ganhava o corredor dos quartos.

Parou em frente ao quarto do bebê que terminara de mobilhar no dia anterior, estava fechado. Respirou fundo e seguiu em frente para o seu quarto indo tomar um banho para tentar se livrar daquela sensação de peso morto com a água gelada. Não tinha forças para nada, só queria cair na cama e dormir.

Vestiu uma cueca e uma roupa leve, calça de sarja e uma camiseta querendo saber o que Hyoga fazia. Pensou que o notebook distrairia o garoto até que Milo chegasse e levasse o filho, precisava apenas tentar dormir e superar aquele pesadelo para estar um pouco inteiro para o dia seguinte. Precisavam enterrar o bebê ainda.

— O notebook está aqui. – constatou parando à porta do quarto do bebê, estava lá porque passou o dia anterior pesquisando sobre a melhor forma de arrumar a mobília.

Hyoga dobrou o corredor e encontrou Camus indeciso se entrava no quarto ou não, segurando a maçaneta da porta. O patinador havia estranhado a demora dele em voltar para a sala e foi ver o que ele estava fazendo.

— Camus não entra aí! – o russinho pediu angustiado – Vamos comer! Você não comeu nada o dia inteiro.

— Eu preciso do notebook, está aí dentro.

— Não precisa! – Hyoga segurou a mão de Camus na maçaneta – Vem comigo, você não precisa entrar aí. Não precisa fazer isso com você! – a voz do garoto era quase chorosa, Hyoga era muito emotivo a ponto de se deixar comover pela dor do amigo e técnico, mesmo que o próprio Camus não o fizesse.

Camus se deixou levar pelo adolescente até a cozinha, onde o interfone tocava para avisar que Milo estava lá embaixo. Depois de autorizar a entrada do grego, Camus sentou à mesa em que Hyoga servira um prato com comida. O loirinho havia ido abrir a porta para o pai, quando voltaram para junto do ruivo o encontraram ali fitando o prato intocado. Camus não sentia fome, só um cansaço enorme.

Não era apenas uma ideia que morria, era uma parte de Camus que se esvaía como há treze anos quando recebeu a notícia que não ia mais patinar. O ruivo já se sentia pai como já se sentia campeão antes do acidente, amava aquela criança e a vida que levaria com ela. Ter aquilo tirado de si de maneira tão brusca era tão devastador como da primeira vez, e por isso não tinha certeza se conseguiria superar novamente. Talvez fosse por isso que se sentia tão cansado!

Milo viu o ruivo ali parecendo perdido e mandou o filho para a sala, sentando-se ao lado do francês, arrastando a cadeira para ficar bem próximo a Camus. Em seguida o trouxe para si em um abraço apertado. O francês se deixou ficar ali porque naquele momento queria ser egoísta pelo menos um pouco, ter Milo ali naquela noite era o máximo que desejava em meio a toda aquela dor.

— Alguém lá em cima deve me odiar. – disse o ruivo com um sorriso triste.

— Não é verdade. – Milo apertou os lábios, acariciando de leve o rosto macilento do ruivo que olhava para qualquer lugar menos para ele – Foi uma fatalidade.

— Destino. Assim como o estádio desabar, nós dois... – Camus se afastou de Milo – Eu estou muito cansado. Talvez seja melhor apenas dormir e você devia levar o Hyoga embora para comer e descansar.

— Vem eu vou te levar pra descansar. O Hyoga está bem e ele tem esse mundo de comida na sua geladeira para comer, é você que precisa de cuidado agora. – Milo se ergueu também – Mas você devia comer também.

— Não estou com fome... Melhor eu ir sozinho para o quarto Milo, você dentro dele hoje não ia dar muito certo!

A tentativa de gracejo levou um remendo de riso ao ruivo, mas Milo permaneceu sério e segurou Camus pelos cotovelos fazendo-o olhar fundo nas safiras que eram os olhos do grego. Não havia vestígio de divertimento em seu semblante, havia apenas pesar.

— Pare!

— Vá embora Milo, por favor.

— Com os diabos que vou! Vem comigo, você vai descansar agora enquanto eu vejo algo melhor que essa salada horrorosa pra você comer.

Saíram em direção ao quarto do ruivo. Da sala o Savalas mais jovem viu o pai e Camus passarem no corredor e sentiu-se aliviado por Milo estar ali para lidar com Camus, não sabia muito bem como agir nessas horas, então ficava sem ter muito que fazer. Era a segunda vez que via o ruivo tão fragilizado assim, a primeira foi na pista de gelo quando Camus enfrentou seu trauma para lhe ajudar e naquele momento seu instinto o ajudou, mas agora era algo que não sabia lidar. Queria que Ikki estivesse ali com ele, talvez o moreno fosse se pedisse então resolveu mandar uma mensagem para ele.

“Ikki vem aqui no apartamento do Camus”, tinha esperanças de ter o namorado ali para lhe apoiar caso visse Camus tendo uma crise.

“Não posso, minha avó piorou e estamos indo para o hospital!” respondeu o moreno fazendo Hyoga praguejar e começar a procurar seus sapatos e o casaco.

— Hyoga eu preciso que você ligue para o Saga e dê uma desculpa qualquer sobre eu não puder vê-lo hoje! – Milo voltou à sala, tinha deixado Camus no quarto deitado e viera atrás de algo para o ruivo comer – Não diga nada do Camus, ele vai querer vir aqui! Se eu ligar ele vai dizer que é mentira e vai tentar vir de qualquer jeito, melhor você ligar.

— Eu vou ter que ir ao hospital que a Agatha está pai, parece que ela piorou e eu vou lá dar uma força para o Ikki e o Shun! Deixa que eu cuido daquele doido do seu namorado. Não tira os olhos do Camus, pai! Não o deixe sozinho por muito tempo nem entrar naquele quarto do bebê.

— A Agatha piorou?! Puta que pariu, mais essa agora! – Milo passou a mão no rosto xingando mais um pouco sobre aquele dia horrível. Hyoga apenas assentiu já na porta e saindo depois às pressas.

***

Camus abriu os olhos para se deparar com Milo dormindo na outra ponta da cama larga, o mais longe de si possível. A cabeça estava apoiada sobre um dos braços e seu rosto voltado para o ruivo, este ficou observando o sono de Milo imaginando como ele devia estar esgotado também de ter trabalhado o dia inteiro e ainda estar ali cuidando dele. Devia deixá-lo dormir e foi o que fez saindo da cama com cuidado para não despertá-lo.

Abriu a porta vendo o notebook sobre a cômoda, confirmando que o deixara ali no dia anterior, mas não tocou no objeto e apenas foi sentar-se na poltrona ao lado da janela, olhando em volta para o quarto pronto e arrumado como se Dégel fosse chegar ali a qualquer momento. É, tinha escolhido o nome do bebê naquela manhã depois de uma lembrança com o irmão menor, Dégel era um cavaleiro dos vários contos que o irmão contava na infância. Achava um bom nome, imaginara letras coloridas com as letras do nome dele na parede verde clara...

Colocou o rosto nas mãos quando os soluços começaram, apoiando o cotovelo nos joelhos enquanto o corpo era sacudido pelo choro convulso. Só agora, sozinho naquele quarto dava vazão à tristeza que o consumia porque não tinha coragem de derramá-la na frente de ninguém. Sentia-se desesperado, mais ainda do que quando acordou e descobriu-se sem os movimentos, tanto quanto sentira a morte dos pais e do irmão. De novo toda sua alegria lhe fora tirada de forma abrupta!

Sentiu mais do que viu as mãos de Milo envolverem seus ombros e o grego apertá-lo junto ao corpo largo, sem falar nada ele apenas envolveu Camus com seu calor lhe dando conforto naquele momento tão doloroso.

— Isso ruivo, coloca pra fora tudo isso que vai te fazer muito bem. – afagou os cabelos rubros com carinho, também dilacerado com o sofrimento do amigo e grande amor. Milo sabia que já amava Camus de um modo que não dava para negar – Eu fico preocupado com você, é terrível vê-lo sofrer Camus! Você se fecha dentro de si e não demonstra nada, não chora e nem amaldiçoa deus e o mundo. Espero que o Hyoga não fique assim quando crescer já que são tão parecidos, porque às vezes é bom extravasar e não trancar tudo.

— Ele tem a veia dramática dos Savalas, fique descansado sobre isso. – Camus retrucou sem encarar Milo, deixou-se ficar ali com o rosto na curva do pescoço do grego aspirando o cheiro da colônia amadeirada e do cheiro natural do grego.

— O que você tá fazendo aqui? De que adianta entrar aqui e perceber que não há mais bebê, que você vai ter que recomeçar?

— Não sei... Só vim.

— O Hyoga me mata se descobre que eu dormi e deixei você entrar aqui. – Milo se ergueu trazendo consigo o ruivo – Você vai sair daqui agora e vai trancar esse quarto, para entrar aqui só quando estiver disposto a tentar de novo.

— Ser pai? – Camus sorriu incrédulo, mas havia dor em seu sorriso.

— Lógico Camus! Você não pode desistir ainda, há outras oportunidades. Tá doendo eu sei, mas vai passar e deve tentar de novo porque qualquer criança merece um pai como você. Não desista de nada que você queria Camus, não é assim que as coisas funcionam. Tá com fome?

— Não.

— Mas eu estou faminto! Por isso nós vamos lá revirar aquela geladeira e comer tudo que está nela, porque eu odeio comer sozinho e você vai ter que comer comigo. Vem.

Camus fez o que Milo disse, trancou o quarto assim que saíram dali e em seguida foi para a cozinha com o grego lhe acompanhando falando sem parar. Passaram boa parte da madrugada comendo e conversando sobre várias coisas, Milo contou sobre como a morte de Natássia o devastou e como foi difícil cuidar de um filho pequeno e trabalhar. Foram tempos difíceis para ambos.

Quando voltaram ao quarto do ruivo, que parecia melhor depois de comer e então Milo sugeriu que fossem dormir, Milo parou na porta a espera que Camus se acomodasse na cama, ao invés disso o ruivo parou em frente a ele com um olhar diferente sobre si. Houve um momento de silêncio antes de Camus enlaçar Milo pelo pescoço e deixar seu rosto muito próximo ao do grego.

— Você disse que eu não devia desistir de nada que eu quisesse.

Camus moldou os lábios de Milo com os seus e Milo sentiu o coração ribombar no peito, as mãos apertaram as costas do francês sobre o roupão trazendo-o para mais perto. Milo vasculhou a boca do francês com uma voragem premente, não se governava quando tinha Camus em seus braços assim, aquele desespero pelo outro era a prova cabal de que seu corpo e coração ansiavam por Camus.

Milo levou o ruivo para a cama sem parar de beijar o outro, abrindo o roupão que Camus usava para ter acesso ao corpo e a pele firme de alabastro. Sob o corpo de Milo, Camus arqueou o pescoço quando o grego abandonou sua boca para beijar-lhe a linha do queixo, prendendo o lábio inferior nos dentes enquanto os dedos enveredavam pelos anéis dourados do mecânico. Aproveitaria aquele momento em que sua razão estava suplantada pelo desespero para dar a si um único momento de alento para o corpo e o coração, pensaria nas consequências depois.

Ajudou o grego a tirar a roupa e cada peça fora, sua boca provava a pele bronzeada como se tivesse faminto e era aterrador saber que estava. O sabor de Milo era-lhe inebriante! Sugou o mamilo ao seu alcance enquanto as mãos moldavam as costelas que se abriam pelo trabalho dos pulmões em busca de ar, Milo tinha a boca aberta e a cabeça para trás sentindo seu membro enrijecer sob as mãos do francês e a pele arder pelo prazer crescente. O grego puxou o cabelo vermelho de Camus pela nuca com firmeza, erguendo o rosto dele para tomar-lhe os lábios de novo e trocar as posições moldando seu corpo sobre o do outro. Não tinham planos para chegar ali, mas agora era impossível recuar com o desejo explodindo por todos os poros.

— Eu sou louco por você ruivo. – Milo deslizava o nariz, fazendo uma trilha do umbigo até o falo de Camus que lambeu devagar toda a extensão para em seguida, abocanhar as bolas e sugar uma de cada vez, voltando para abocanhar a glande e sugar forte. O ruivo soltou algo em francês crispando os dedos nos ombros largos do amante, seu gemido ecoando pelo quarto enquanto Milo continuava a sugá-lo de forma voraz.

Camus estava se perdendo no prazer que era estar nos braços de Milo, que tinha total controle sobre ele. Estava entregue e nunca isso olhe parecera tão maravilhoso. Podia ser que no dia seguinte Milo voltasse para Saga, mas naquele momento o grego estava ali com ele comungando daquela voragem desenfreada que um sentia pelo outro. Foi olhando nos olhos semicerrados de desejo de Camus que Milo se encaixou entre as pernas do francês, esfregando-se nele aumentando o desejo enquanto Camus deixava as mãos moldarem os músculos dos braços e dos ombros de Milo.

— Na... Na gaveta, – Camus sussurrou adivinhando que a demora de Milo fosse porque ele ponderava sobre como ia ser. Prático, o francês só queria se unir a Milo, não importava de que maneira – há camisinhas e o lubrificante.

— Está com pressa Camus? – Milo riu de lado para depois lamber os lábios e então se esticar para pegar o que o ruivo dissera na gaveta da cômoda, intimamente surpreso pelo fato de Camus aceitar ser o passivo. Acreditava que ele nunca se doasse dessa maneira, tal era a altivez dele – De bruços ruivo.

Camus fez o que Milo pedira e antes de começar a preparação, o grego ergueu um pouco o quadril do amante empinando as nádegas para em seguida separá-las antes de provar com a língua a entrada do francês fazendo-o gemer com o rosto enterrado no colchão. Os gemidos de Camus eram os maiores afrodisíacos de Milo.

— Puta que pariu! – Camus arqueou o corpo ao sentir os dedos de Milo, lambuzados de lubrificante dentro de si. Exultava! O prazer sobrepunha o incomodo e Camus movia os quadris conforme os movimentos dos dedos do grego, Milo não tinha ideia do quanto aquele ruivo era quente. Ao mesmo tempo em que ia e vinha com os dedos dentro do amante, Milo lubrificava o próprio falo masturbando-se antevendo o prazer que teria ao penetrar Camus.

— Chega Milo... Ah eu...

Em um movimento fluído Camus se desvencilhou de Milo e jogou o grego na cama, sentando sobre os quadris do outro o fitando com uma expressão enigmática. Era a visão do paraíso para Milo ter Camus sobre si com as faces afogueadas e os lábios de coração trêmulos e inchados dos seus beijos. Inclinando-se sobre o corpo de Milo, Camus o beijou mais uma vez antes de encaixar-se sobre o falo rijo do outro, empalando-se lentamente.

— Je at' ame Milo. – Camus deixou que transbordasse em palavras tudo o que sentia naquele momento, dizendo aquilo olhando bem fundo nas safiras que eram os olhos de Milo.

Milo acariciou as coxas vigorosas do homem sobre si e tentou responder, mas Camus tomou sua boca num beijo duro começando os movimentos de cavalgada. As palavras de Camus reverberavam dentro de Milo aquecendo o sangue e o coração do mecânico. Savalas estava a ponto de chorar tamanha era a emoção crua e devastadora que sentia naquele momento! Amava Camus, sabia que o que tinha com Saga era apenas um remendo do que teria com Camus. Estavam destinados e nada que Saga fizesse apagaria o ruivo da sua vida e do seu coração.

Camus se apoiou na cama com os braços e os joelhos, erguendo um pouco o quadril porque Milo o segurava pelas nádegas e o penetrava com vigor. Os gemidos de ambos eram uma sinfonia de prazer que ecoava pelo quarto.

Quase aos gritos os dois atingiram o orgasmo e com ele veio também os primeiros raios de sol que traziam um novo dia. Pela parede inteira de vidro, os raios solares alcançaram os corpos que brilhavam com a camada fina de suor, além de ofegantes e aéreos como se o ápice os tivesse levado dali. Entrelaçados ainda trocaram beijos até que o cansaço os venceu e adormeceram, se preocupariam em lavar-se depois, Milo apenas saiu de dentro de Camus e jogou a camisinha no lixeiro próximo a cama. Não se afastou muito, apenas o necessário e ao voltar-se para Camus viu que este já dormia. A face parecia suavizada agora apesar das olheiras do choro, mas ele ainda era irremediavelmente lindo para o grego. "Deuses e agora?" Foi seu último pensamento antes de entregar-se ao sono também.