Amor assassino

1 Amor assassino


Notas iniciais
Uma pequena One Shot bonitinha e bem dramática pra quem se interessar *--*

Eu a matei, matei o meu amor, Arashi repetia em sua cabeça sem largar o cadáver de sua amada, balançando-se pra frente e pra trás enquanto assentado no chão em que a mulher que pedira em casamento deu seu último suspiro. Recordava-se com riqueza de detalhes do momento que a esfaqueou no coração, o inimigo a havia tornado invisível e a usado como escudo para aparar o seu ataque.

Hizashi fez com Arashi a coisa mais cruel imaginável. Se existe dor pior, ele, que viu os próprios pais morrerem e que fracassou em proteger os irmãos, quer morrer antes de conhecer.

Pode ver o rosto dela toda vez que fecha os olhos. O seu olhar sem vida, o sangue dela jorrar peito a baixo e manchar-lhe as mãos. Pode ver a sua espada atravessando o coração dela. Coragem pra contar isso ao mais discreto dos seus amigos está em falta. Pra contar que a matou.

Sua mente o estava punindo. Uma semana se passou desde que Shiori morreu, mas ainda consegue sentir o calor do sangue dela em suas mãos. Consegue se ouvir chamar o nome dela, a frieza do silêncio. Sempre que tenta dormir ele revive aquela cena.

É muito cedo, a ferida ainda está exposta. E dói. Deus, como dói. Já lutou com Santsuki, enfrentou um monstro no espaço sideral, mas é capaz de dizer com certeza que nada se compara ao que está sentindo.

Todas as noites tem o mesmo pesadelo. Nele, ele a empurra do topo de um penhasco para a morte certa no rio abaixo, onde ela se afoga. Só a assiste morrer. Hizashi está ao seu lado sorrindo, em seguida o cumprimenta, só aí ele acorda.

Acorda com o coração a mil por hora, golpeando o seu peito como se dele tentasse fugir. Mal consegue respirar ou mesmo enxergar, as lágrimas embaçavam seus olhos. Em pânico. Desorientado. Perdido. Completamente confuso.

Quem o ouve pode pensar que ele não sai de casa pra nada ou que não fala com ninguém, mas se equivoca quem pensa assim, porque ele não pode parar, não pode cair. Tem gente que depende dele, afinal. Áries depende dele.

Precisa se fazer de forte. Precisa não surtar. Cumprir o seu dever, independente de tudo. Como uma máquina. Pois é isso que o retalhador é, oras. Uma máquina que funciona sempre que a ordem precisa.

Porque se pararem por um segundo, tudo o que seus antepassados lutaram para ter vai se perder. O arianismo é como um corpo: se uma unha se partir, todos os membros sentem.

Erga a cabeça e olhe para frente, Retalhador de Áries, você tem coisas a fazer, leis a obedecer e a fazer valer, tem malfeitores a deter, uma paz para manter. Sabe a dor que está sentindo? O tempo, um dia, vai levá-la embora.

No entanto, jamais a esquecerá. Shiori foi especial e vai, até o último de seus dias, habitar em seu coração. Mas como disse, ainda é muito cedo, a ferida está exposta. Vai chorar o quanto tiver que chorar e sentir o que precisar, só que seguirá em frente apesar disso.

Forte não é quem põe a carga nos ombros dos outros, mas quem carrega e continua caminhando.

Eu vou sentir sua falta. — Pensou ele, observando o sol nascer. Foi numa manhã igual a essa que ela partiu.

Fora derrubado pelo golpe do adversário contra o qual lutava e, ao ver que um novo dia estava aparecendo, caiu num poço de pensamentos. A porrada que levou na barriga foi o de menos.

Kin, que estava com ele, estendeu a mão.

— Vamos indo? Eu já dei um jeito nele. — Disse ela.

Ele sorriu, pegou na mão dela e se reergueu. Depois, a loira saiu andando na frente. Hora de olhar pra frente. O futuro está adiante, Arashi.

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