Amor apocalíptico
4 Sem rumo.
Notas iniciais
Eles se levantaram bem cedo naquela dia. Não podiam mesmo arriscar ficar naquela casa, não era nada seguro depois daquele ocorrido.
Já havia dois dias que eles saíram da casa, eles não encontravam absolutamente nada pelo caminho, as vezes trombavam com um dois zumbis, nada demais. Os dois não trocavam muitas palavras de novo, mas as vezes eles se pegavam trocando olhares, principalmente vindos de Daryl. Os dois estavam sentados embaixo de uma arvore grande. Não estavam muito próximos mas com o silencio do lugar eles podiam ouvir a leve respiração um do outro.
Beth ainda estava um pouco frustrada com o que teve de fazer com aquele homem, ela ficou feliz por ter sido corajosa o suficiente mas não se orgulhava de ter que matar alguém. Ela sempre tinha a proteção de todos lá na prisão, nunca fez o “trabalho sujo”, ela apenas cuidava das crianças, especialmente de Judith, oh como a loira sentia falta da bravinha.
– Sabe, Daryl, eu sei que você não acredita que nosso pessoal está vivo, mas eu não vou perder as esperanças nunca. – ela quebrou o silencio de uma péssima forma – Eu sinto falta deles, e eu sei que vamos nos reencontrar, e quando isso acontecer você vai assumir que eu tinha razão, sabe fazer isso não sabe? Assumir que estava errado...eu acho que não sabe – por algum motivo ela falava num tom de raiva.
– Você não sabe nada sobre mim, e eles estão mortos, Beth. – ele bufou e revirou os olhos.
– Daryl, as vezes você torna insuportável um momento, por que você tem que ser assim? – ela começou a aumentar o tom da voz – Droga, Daryl, eles não estão mortos. – dessa vez ela gritou.
Ela estava perto de gritar outra coisa quando o caipira tapou a boca dela com a mão.
– Ainda estamos em um apocalipse zumbi, estamos no meio do nada, não é hora para suas crises de adolescente. – ok, ele usou as palavras erradas.
Ele retirou a mão da boca da menina quando sentiu lagrimas dela escorrendo em sua mão.
– Você é patético. – ela falou sem acreditar no que ele disse.
Ela se levantou bateu seu ombro no dele e foi andando sem saber exatamente o que ia fazer, ela só queria ficar longe dele, longe desse cretino, como ele podia falar isso dela? Crise de adolescente???? Meu Deus ela acabou de perder seu pai, estava longe de sua irmã, ele não podia ser um pouco mais sensível?
– Onde vai Beth? Não vai sair andando por ai sozinha.
Ela fingiu que não ouviu ele e continuou andando e agora com passos mais rápidos.
– Droga Beth – ele falou para si mesmo, colocou sua besta nas costas e foi atrás da menina.
Claro que ele não deixaria ela andando por ai sozinha, ainda mais que ela não está nem olhando para onde vai de tanta raiva que sentia naquele momento. Ela estava chorando tanto que nem conseguia enxergar direito o caminho que ia.
Ela era assim, ela gostava de chorar quando estava mal. Fazia ela tirar todo o peso que carregava consigo. Ela segurou o choro o máximo de dias que pode, mas aquilo tudo estava na sua garganta, ela estava prestes a explodir, sabia que Daryl odeia qualquer um chorando, mas aquele nó que estava nela não podia mais continuar lá.
Tinha tantos pensamentos rondando sua pobre mente, vinha imagens de seu pai sendo morto, imagens de toda a batalha, e agora as imagens daqueles canalhas que invadiram a casa em que eles estavam. Por que tudo é tão difícil? Ela queria passar o resto do dia na cama chorando como uma criança, ela estava completamente sem chão, sem rumo.
– Beth – a voz distante de Daryl gritou – BETH, do seu lado – ele começou a correr até ela.
Ela estava em um transe, pensando em toda a merda que aconteceu e nem percebeu que em sua direção estavam vindo três Walkers.
Daryl pegou sua besta e atirou uma flecha no que estava mais próximo da garota. Beth apenas ficou parada meio perdida.
– Merda, isso não é hora de ficar em choque – ele finalmente chegou perto dela e a empurrou para trás dele atirando nos dois zumbis que faltavam.
Beth esfregou os olhos, olhou para o chão e viu os zumbis caídos, sentiu um certo alivio, ainda bem que Daryl estava ali.
Ela em um movimento rápido se aproximou de Daryl e o abraçou o mais forte que pode, e ficou ali com a cabeça em seu peito por um tempo. Ele sabia que ela precisava daquilo então não se afastou dela, passou um de seus braços em volta da garota. Depois de um tempo ela finalmente o soltou.
– Obrigada, Sr. Dixon. – ela deu um leve sorriso para ele.
Droga esse sorriso dela é tão delicado, os lábios dela tem um formato lindo e.... chega, não seja um pervertido merda, pare com isso.
– Olha, só não fique longe demais Beth. – ele disse com um sorriso no canto dos lábios.
Ela assentiu com a cabeça concordando. Por algum motivo ela não queria nunca mais ficar longe dele.
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