Amor apocalíptico
6 Deixar o passado no passado.
Notas iniciais
Eles estavam sentados nos degraus da escada que davam para a entrada daquela cabana de madeira. Depois de tudo, do desabafo de Daryl, as lagrimas e a bebedeira eles só queriam ficar um tempo tranquilos para colocar tudo no lugar novamente.
–Daryl, acho que deveríamos queimar esse lugar, como se queimássemos todo nossa passado, tudo antes mesmo de nos conhecermos, deixar o passado no passado entende? – ela o encarou como se esperasse uma resposta grosseira.
O caipira se levantou puxando Beth consigo, segurou seu rosto e depositou um beijo em sua testa.
– Ótima ideia, querida. – ele deu um leve sorriso.
Ok... o que foi isso? Talvez não seja só coisas da cabeça de uma adolescente e talvez também não seja o efeito do álcool...
Eles espalharam toda a bebida que restava ali pela casa, depois do trabalho pegaram um bolo de dinheiro e juntos jogaram o mesmo queimando em direção a casa. Caminharam para uma distância segura dali, e ficaram lá, observando tudo queimar, as lembranças ruins de ambos.
– Acho que agora será só você e eu Sr. Dixon. – ela segurou a mão dele.
– Sim, senhorita Greene. – e num ato espontâneo ele mostrou o dedo do meio para aquela cabana queimando, e Beth o acompanhou.
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Já estava completamente escuro, e eles caminhavam tranquilamente no meio da floresta ainda de mãos dadas.
– Tem ideia para onde vamos? – ela indaga curiosa.
– Precisamos saber onde vamos? Pensei que isso não importaria mais. – ele continuou olhando para frente.
– Não importa, mas eu gostaria de saber onde vamos passar as noites, sabe, ficar na floresta é horrível e muito perigoso Daryl.
– Eu sei. Estamos procurando alguma casa ok? – com aquele ar de seriedade de sempre.
Preciso admitir, essa garota me traz um sentimento de tranquilidade, um ponto de paz para mim, uma coisa que nunca encontrei nesses anos todos.
– Você quer descansar? A gente pode parar em alguma arvore, eu fico de guarda, a noite toda...
– Eu não estou cansada Sr. Dixon, acho que deveríamos andar, encontrar um lugar e assim descansamos juntos.
– Você que manda. – encarou ela – sabe Beth, eu sou idiota quando bebo, desculpa por ter sido mais estupido que o normal com você.
– Bem mais que o normal – ela riu, e parou de andar e se posicionou na frente dele – tudo bem Daryl. Bom, pelo menos eu sou uma bêbada alegre.
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Já havia clareado a meia hora, eles não conversaram muito durante a madrugada, não podiam fazer barulho demais, afinal ainda estavam em um apocalipse zumbi, e discrição era uma coisa essencial principalmente durante a noite.
Eles saíram da floresta e resolveram andar pela rua, avistando assim uma casa, a uns 3 km dali. Eles se entreolharam e nem precisavam falar nada, já estavam indo em direção daquele lugar.
No “quintal” daquela casa havia vários túmulos espalhados, foi meio estranho no começo, mas logo se acostumaram em estar andando no meio daquilo.
– é uma casa funerária não é? – ela falou parando em frente a um tumulo escrito “pai e marido querido”.
– é, é sim. – ele parou ao lado dela e colheu umas flores que estavam logo a seu lado colocando-as no chão na frente do tumulo. – vamos.
Eles caminharam até a porta da casa, fizeram aquele ritual de sempre, ele bateu, esperou algum barulho, e entraram. Estava vazia. Sem comida e nem nada. Tinham com eles comida o suficiente para 2 dias, então logo o caipira iria sair para caçar.
– Acha que podemos ficar aqui por alguns dias? – ela o encarou esperançosa.
– Veremos. Agora vamos comer, e depois sair para caçar, você vem comigo para aprender.
– Sério? – disse super animada.
– Sério – entregou uma sopa enlatada para ela.
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Como prometido ele a levou para caçar. Pegou sua besta e colocou nas mãos da menina.
– Já sabe como usar?
– Vi você fazendo. – ela ergueu a besta mirando em qualquer lugar.
Ele ficou atrás dela e passou suas mãos nos braços da menina endireitando o jeito que ela segurava e equilibrava a besta. O corpo deles estavam extremamente perto, ela sentia a respiração dele em sua nuca fazendo seus pelos se arrepiarem.
– Está vendo aquele esquilo subindo na arvore ali? Ele é seu alvo.
– Ok – ela mirou a besta nele. – é só disparar?
– Isso.
Ela disparou e pegou exatamente no esquilo.
– Quem diria, senhorita Greene. De primeira. – ele pegou o esquilo e armou a besta de novo.
– Ai meu deus eu consegui – ela deu um pulinho e ficou sorrindo – é claro que eu consegui – falou com uma voz mais confiante para disfarçar o quão estava surpresa consigo mesma.
– é claro que conseguiu, você é esperta Beth – ele acariciou o topo da cabeça da menina bagunçando seu cabelo. – Agora você vai rastrear. – apontou para o chão em direção a umas folhas espalhadas.
– Rastrear o que? São só folhas caídas – da primeira olhada claro que ela não iria notar nada.
– olha direito Beth. – ele deu um empurrãozinho na menina fazendo ela andar em direção as folhas.
– Ok – ela posicionou a besta e foi caminhando pelo caminho. – são pegadas?
– São sim. – ele estava exatamente atrás dela. – continue.
– É uma pessoa? – ela parou de andar e o encarou, mas logo ouviu um ruído – é um walker!!
– Isso mesmo. – ele apertou de leve o ombro dela.
A garota mirou a besta em direção ao zumbi atirando em sua cabeça.
– Estou ficando boa nisso, admita – ela riu.
Ele retirou a flecha do morto e pegou a besta da mão dela e riu de volta, e começou a andar para fora da floresta.
– Vamos Sr. Dixon, admita. – ela parou na frente dele com os braços cruzados com um sorriso bobo no rosto esperando uma resposta.
– Você é boa em tudo Beth. - Ele pois sua mão no queixo da garota levantando um pouco o rosto dela,– principalmente é boa em me fazer ficar tão bem no meio dessa merda toda.
Ele soltou ela e continuou andando, deixando Beth boquiaberta, e nem ele mesmo acreditou no que acabou de fazer.
O que está acontecendo comigo, merda. Se eu não soltasse ela logo eu teria beijado ela, e isso seria errado? Ela tem seus 17 anos, e eu sou um velho para ela, e com certeza sentiria nojo de mim por isso. É melhor as coisas não irem mais longe.
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