Regina se senta ao lado de Vasco, no banco daquele parque. Os dois mantêm sua atenção nas filhas dele, brincando com a babá. Num momento, Regina segura a mão do homem e não é repudiada.

— Você tem a minha resposta?

— Meu cunhado conversou muito comigo, faz duas noites. Ele apenas disse o que eu já sabia, já sentia e já queria. Talvez, ele tenha percebido a minha solidão e a minha falta de ânimo para continuar a jornada, estando sozinho.

— E somente depois de ter conversado com Solon, você decidiu procurar-me?

Os olhos celestes de Vasco se voltam para Regina. Ele pisca de maneira lenta e cansada. Sua timidez não o deixava perceber o que a sua beleza causava nas pessoas.

— Eu pensei que não amaria de novo, depois da morte de Cosima. Mas percebi o contrário, no exato dia em que você me entrevistou para o emprego. Desde aquele dia, tenho sonhado em tocar em você, sentir seus beijos e o calor do seu corpo. E quando isso aconteceu, deixou-me tão entristecido que quase perdi a fé no amor.

Regina beija o dorso da mão dele.

— Quer se casar comigo, Vasco?

Neste momento, Yasemine a Alda chegam correndo a debruçam-se nas pernas de Regina. Estavam sorridentes, coradas pelo sol e ofegantes pela corrida.

— Meu tio Solon me disse que meu papai precisa se casar com você, porque está encalhado na areia molhada.

Os adultos começam a rir.

— Você vai se casar com meu papai? – Alda pergunta e sua mãozinha toca o seio de Regina. – Você vai ser nossa mamãe?

Os olhos de Regina se arregalam e ela olha rapidamente para Vasco, que permanece impassível. Ela volta sua atenção para as garotas.

— Meu tio Solon me disse que você tem que se casar com ele, senão a tia Emma se casa.

— Emma tem procurado você?

— Ela sempre vai em casa para brincar com minhas filhas. Mas ela não vem me procurar.

— Está tentado? Por isso resolveu pedir que eu viesse aqui?

— Não me ofenda, Regina. – ele se levanta calmamente e começa a afastar-se dali.

Regina observa seus movimentos e o deseja ainda mais.

— Você vai ser nossa nova mamãe? Eu quero ter mãe, porque todos os garotos de minha classe têm. – Yasemine estende o lábio inferior na direção de Regina, que acha lindo o gesto.

— Seu papai é quem tem que permitir. Caso ele queira se casar comigo, iremos casar...

As meninas se viram rapidamente saem em desabalada carreira.

— Papai! Você vai se casar com Regina?

— Ela quer se casar com você!

As pessoas que estavam nas proximidades acham graça no comportamento das garotas. Vasco apenas olha por cima do ombro e seu olhar diz o que Regina queria ouvir de seus lábios. Ele sempre dizia muitas coisas com aqueles olhos grandes e expressivos. Era sua arma.

Naquela mesma noite, Regina chega ao quarto de Emma e a encontra organizando uma gaveta em seu armário de roupas.

— Alguma novidade?

A loira sorri amplamente e para sua tarefa.

— Killian e eu resolvemos dar uma chance para nós dois.

— Isso significa...

— Conversei com Solon quando fui visitas as filhas de Vasco. Contei a ele sobre Killian e recebi conselhos. Então, fui procurar Killian e decidimos tentar algo mais profundo.

— Lembre-me de dar um beijo na boca de Solon. Ele está sendo bastante alcoviteiro.

Emma sorri.

— Ele gosta de formar pares. Quer que todos encontrem parceiros.

— Killian está magoado?

— Não, Regina. Ele ficou triste, mas depois que conversamos e decidimos ter uma chance, percebi que ele se sentiu melhor.

Regina se senta na cama da prima.

— Desistiu de Vasco?

— Ele ama você e faz questão de não esconder isso. Fala abertamente para Solon, para as filhas e até para Ruby. A tia dele quer você como parte integrante da família, mesmo sabendo que você pagou por aquela noite.

Rapidamente, Regina levanta as sobrancelhas e espreme os lábios, contorcendo um dos cantos da boca.

— Vasco se sentiu ofendido, mas abriu o coração dele para você. Ele a ama, Regina. Apenas não desperdice essa chance, porque se o fizer, eu o tirarei de seus braços.

— É uma ameaça?

— Não. É uma promessa! – Emma se mostra cínica. – Vou tentar com Killian, mas estarei atenta a qualquer forma de sofrimento que você impingir a Vasco. E tenho aliados dentro daquela família, certo?

As semanas vão passando. E mais dias são deixados para trás e riscados o calendário invisível do tempo.

Sem tanta pompa, sendo apenas insistentemente noticiado por algumas revistas e jornais, o casamento no civil de Regina e Vasco acontece. Reunindo apenas amigos mais próximos e familiares, a cerimônia acontece no rancho da mãe de Regina.

Linda e discreta com noiva, Regina se deleita com a festa, dançando e divertindo-se com seus convidados, celebrando o momento mais feliz de sua vida adulta. Tímido como sempre, Vasco dança poucas vezes e permanece entretido com conversas com Killian, seus familiares e alguns tios de sua esposa.

Embarcam naquela mesma noite para uma cidade do interior do Estado e ficariam hospedados em um hotel fazenda, como presente de Solon. Todas as despesas pagas para aquele período de descanso e paz.

O local era tranquilo e por ser um recanto bucólico, consegue despertar a tranquilidade no casal, que se aproveita dos primeiros dias para longas caminhadas, descidas de barcos por corredeiras, fotos submarinas, passeios de barco, cavalgadas e participação na feira anual de culinária local. As noites eram usadas para o amor. Amor em forma de intimidade, conhecimento mútuo e conquista da confiança entre o casal.

NOVIDADES CAUSAM ESPANTO

A lua de mel termina mais cedo e o casal retorna para seu cotidiano. Ambos iriam morar próximos a Solomon, numa casa presenteada por ele, facilitando o contato de toda a família. Sua primeira sugestão era que o casal morasse com ele, mantendo as meninas sempre juntas ao tio. Refutando a ideia, Regina aceita o presente, porém, eles retornam antes do prazo da organização da casa e teriam de ficar hospedados com Solomon, sob o mesmo teto.

Naquela manhã, tudo parecia tranquilo, até que momentos antes de sair para o almoço, Regina recebe um telefonema de alguém conhecido.

“Regina, minha querida! Estou com saudades de você!”

— O que você quer, Arouka? Já não ficou claro de que não estamos abertos a negociações?

“Mas talvez para esse tipo de negociação, você me abrirá os seus ouvidos.”

— O que você quer?

“Não sou eu quem quer algo. Somos nós dois que queremos algo. Você tem algo que eu quero e eu tenho algo que você aprecia e ama.”

Regina fica em silêncio e seu coração se torna acelerado.

“Você infiltrou um sujeito em minha empresa e ele conseguiu um lote de documentos que não lhe dizem respeito. Eu quero o lote de volta.”

— Não sei do que está falando, Arouka.

“Vou ser direto com você, minha querida. Você tem informações valiosas em seu poder, enquanto que eu tenho uma criatura linda e com belos olhos celestes assustados, amarrada em meu porão. Que tal se negociássemos?”

Regina não responde de imediato.

— O que você fez a Vasco?

“Ainda não fiz nada. Mas caso você não me entregue o lote de documentos, eu venderei seu lindo marido, ao mercado negro. Eles me pagariam muito bem pelo seu belo exemplar.”

— Quando e onde iremos nos encontrar?

“Voltarei a ligar, minha doce Regina.”

Momentos depois, Regina invade o escritório de Solomon em sua fábrica de roupas e espalma as mãos sobre a mesa dele, tomando-o de assalto.

— Sequestraram Vasco!

— Como é?

— Arouka mandou sequestrar Vasco! Ele quer negociar comigo!

— E o que ele quer? – Solomon fica em pé.

— Emma e eu infiltramos um espião na empresa dele, depois que Arouka mandou atirar em Vasco. Descobrimos uma série de irregularidades nos contratos dele. Em represália, ele mandou sequestrar Vasco. Preciso de sua ajuda!

O homem se inclina para frente e franze o nariz, como se rosnasse.

— Não vou ajudar você, Regina! Vou estipular vinte e quatro horas para que você resolva isso, senão eu usarei meus métodos pouco ortodoxos, para tirar Vasco das mãos desse cara! Eu vou usar meus conhecimentos singulares e vou transformar aquele verme, num verme literal! E tenha certeza de que se eu salvar Vasco, você jamais voltará a vê-lo, tampouco as meninas!

Regina precisava agir.