Regina desperta e observa o cômodo onde estava. Seu quarto e ao seu lado, Vasco ainda dormia suavemente. Desesperada, ela o abraça e o desperta com beijos famintos e saudosos. Explora toda a estatura daquele corpo despido e quente, porque queria ter a certeza de que ambos estavam vivos.

— Você está bem, meu amor? – ela o beija e é correspondida com tamanha paixão, que a sufoca.

Vasco toca o corpo da esposa, como se tentasse encontrar alguma ferida ou algum vestígio de sangue. Não entendia por qual motivo estava fazendo aquilo, mas tinha de fazer.

— Estou bem, minha vida! E você, como se sente? – ele também desliza a mão pelo corpo de Regina, roubando seu calor e buscando algo que sequer sabia o que era.

Eles se abraçam muito forte e não se soltam nem quando percebem a presença de Solomon naquele quarto, olhando-os amorosamente.

— Solon?

— Você é impossível, Regina Mills. Que mulher incrível é você! Eu gostaria de ter sido amado por minha Sarah, assim como Vasco é amado por você. É uma inveja que carregarei por todos os dias do resto de minha vida. – ele leva os olhos para Vasco e sorri. – O que o mantém ligado a esta mulher? O que há de tão especial nela que o cega para os encantos de outras mulheres? Nem quando estava no corpo de um menino, você deixou de amá-la!

Vasco abraça Regina com mais força e encosta seu rosto ao rosto dela. Olha para Solomon com aqueles olhos imensos, de criança assustada, temerosa de que lhe roubem o seu tesouro. Torna-se ainda mais belo!

Agarrada ao corpo do marido, Regina observa o reverendo como se ele fosse cometer alguma violência descomedida contra o seu amor. Em seu rosto, um misto de força e pavor conseguia produzir um escudo invisível que iria impedir qualquer avanço do inimigo.

Parado, sentado numa poltrona num dos cantos daquele quarto, Solomon observa aquela imagem que levaria por muitas luas, dentro de sua mente e de sua alma. Dois belos amantes, buscando força e poder nos braços um do outro; protegendo-se um ao outro e exibindo a qualquer olhar, a magnitude de um sentimento: o amor.

Belos, quentes e desprovidos de pudores na defesa um do outro, como estavam desprovidos lindamente de suas vestes. O amor que emanavam deles, falava pelas células, por seus olhos e pelos seus corações. E pura e simplesmente os blindava, tornando-os sublimes, arrebatando admiração em quem pudesse olhá-los naquele exato momento.

— Eu morrerei carregando a inveja pelo que sentem um pelo outro. – o reverendo murmura. Levanta-se da poltrona e cobre sua cabeça com o capuz de seu longo casaco. – Serei severamente castigado por este sentimento maligno, que me consumirá em todos os dias que conseguir acordar. Olharei a céu noturno, e a memória dos olhos de Regina, será impiedosamente evocada. Olharei o céu matutino, e a memória dos olhos de Vasco, voltará a controlar minhas lembranças.

— Vá embora, Solon. Deixe o nosso caminho livre para possamos seguir em paz...- sussurra Regina. – Eu lhe peço que se esqueça daquele encontro fugaz que nos condenou a todos...

— O amor que sinto por vocês é intenso e tão grande que não caberá em um coração apenas. – o reverendo sorri. – Carregarei muitos corações para acomodar o sentimento que tenho e que é rejeitado por vocês. Eu os amarei à distância, mas quando eu me cansar da solidão, retornarei para buscá-los definitivamente. Então, ficaremos atados como os vermes à podridão!

Gesticulando suavemente, Solomon parte em meio à fumaça escura, deixando um suave aroma almiscarado por todo o quarto.

— Ele voltará?

— Provavelmente sim, Vasco. Eu abri brechas imensas e convidei pessoas perigosas para nossas vidas. – Regina se volta pra o marido e segura seu rosto entre as mãos. – Você me perdoa?

— Você lutou por mim, quando perdi minha memória. Depois invadiu outra dimensão, quando fui levado por Zelena. Eu lutei com muitos exércitos apenas para ter minha rainha em meus braços outra vez...penso que já provamos que somos um só. Você é minha alma e eu sou a sua...não há como separar.

— Você me perdoa por sempre empurrá-lo para longe de mim?

— Não sei fazer outra coisa a não ser amar você, Regina. Não aprendi a fazer outra coisa. Tudo o que sei sobre o amor, aprendi em seus braços e em seu corpo. Não posso perdoá-la de algo, porque você não consegue me magoar ou ofender.

Abraçando novamente o marido, Regina consegue respirar aliviada. Tinha o seu tesouro em suas mãos outra vez e destruiria o mapa de sua localização. Muitos viriam atrás, mas não encontrariam o X marcado na ilha.

Na manhã seguinte, Regina observa as filhas sentadas no chão da sala principal, brincando e admirando seu amigo Cesar. Talvez não se lembrassem da aventura com ele, mas sentiam tanta confiança no chimpanzé falante, que tudo se tornava tão normal e simples.

Ela sorri ao sentir a força com que Vasco a abraça por trás. Era delicioso sentir os arrepios causados pela barba dele em sua pele e identificar os desejos que ele transmitia com seus toques. O homem era um pedinte em potencial, quando o assunto era carinho e momentos íntimos. Ele não se cansava de buscar prazer em seu corpo e sempre sorria feliz quando se entregavam aos momentos de descanso depois do amor.

— Elas são lindas! – Vasco cochicha ao ouvido de Regina. – Conseguiremos fazê-las entender de que Cesar precisa retornar ao reino dele?

— Penso que Cesar poderá partir sem despedidas. Doerá bem menos para todos nós. Um dia, elas acordarão e ele terá partido, deixando apenas alguma carta de despedida e maravilhosas lembranças.

— Já lhe disse que a amo, Rainha?

— Desde que acordamos, você me disse isso novecentos e cinquenta e seis vezes.

Vasco sorri e apoia o queixo no ombro da esposa amada. Por ser muito tátil, precisava constantemente sentir a esposa sob seus dedos e sob seus lábios. Queria sempre ter a certeza de que ela estava ali, que era real e que não despertaria sozinho em sua cama.

Tudo era fantástico em sua vida, desde sua criação ao nascimento de suas filhas. Como alguém surgido como fruto de uma imaginação triste e solitária, poderia produzir duas lindas e extraordinárias filhas? Talvez por ter sido criado em um momento de total abandono de Regina Mills? Ele se sentia um privilegiado por ser o Primeiro Cavalheiro da cidade, como dizia Henry. Um privilégio nunca dado a outro homem. Um privilégio coroado com a aliança que Regina havia colocado em seu dedo, naquela tarde do casamento.

— Quer se casar comigo de novo, Regina? – ele pergunta.

— Sim, eu o aceito como meu marido. Quero amá-lo, respeitá-lo e estar junto de você, enquanto eu viver. Eu, Regina Mills recebo Vasco Agilulfo como meu legítimo, único e amado marido. E prometo defendê-lo e matar quem ousar aproximar-se, para tentar tirá-lo de mim!

Os dois riem e percebem que as filhas e Cesar riam também. As meninas haviam achado graça e Cesar sorria sentindo alivio, por mais uma vez ter a honra de servir seu valoroso rei e sua poderosa rainha.

E mais um dia segue seu curso, naquela pequena cidade misteriosa e dentro da vida daquela família nada comum.

Com o silêncio da noite, Regina consegue sorrir aliviada por ser vitoriosa mais uma vez, na luta para manter vivo o amor que unia o seu pequeno clã. Adormecidos, embalados pelos braços de Morfeu, todos estariam protegidos e fortalecidos para uma provável luta contra os que viriam com o desejo de ter o que pertencia somente a ela. Eram seus amores, seus tesouros e sua força vital.

Estaria preparada, pronta para qualquer batalha e não permitiria que pilhador algum surgisse para retirar de suas mãos, o que o destino havia lhe presenteado, quando ela decidiu escrever seu próprio final feliz. Venceria a todos e a tudo.

Afinal, ela merecia ser feliz.

Afinal, não era uma plebeia camponesa, era uma rainha duas vezes. Rainha pelo título e pelo nome.

Afinal, ela era a poderosa Rainha Regina Mills!

Notas finais
Obrigado a quem se dedicou a acompanhar a história. E meus agradecimentos a quem quiser ler no futuro. abraços
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!