Amor a prova de fogo
7 Velhos amigos
Notas iniciais
Mil desculpas pela demora, mas vou recompensar vocês com flashbacks e hot no próximo capítulo ok?
— Você deve ser a Doutora Aldrin. — ele se apresentou. Tinha cabelos claros e olhos negros, era bastante atraente.
— É, sou eu. — falei, confiante. — Vou ajudá-la durante o procedimento. Já decidiu os exames da paciente? Respirei fundo para não entrar em pânico. Eu tinha recebido treinamento para isso, mas naquele momento me deu um branco. Convulções, febre... O que eu devia fazer sendo uma neurologista? — Uma tomografia do crânio e um hemograma completo. — pela certeza na minha voz, Derek nem questionou.... — Isso aqui vai doer? — Libby perguntou quando estava prestes a começar a tomografia. — Não, quer dizer, talvez só um pouquinho. Você deve sentir-se claustrofóbica lá dentro, mas rapidinho passa. — ela assentiu hesitante. Eu nunca tinha feito uma tomografia, mas a ideia de ficar presa num tubo com aqueles barulhos sinistros me dava calafrios. E Libby não estava muito melhor. Havia algo muito errado com ela, eu sentia isso, mas Derek não parecia ter notado. — Ela está bem? — perguntei. — Deve estar só claustrofóbica. — ele afirmou. — Você já vai sair daí, senhorita Clark. — eu avisei no microfone, e tive certeza de ouví-la engasgando. Derek pareceu ouvir também, porque se assustou. Mas então eu entendi que não era por isso que ele estava assustado, a imagem do crânio dela estava... Inacreditável. Metade de seu cérebro estava inchado, muito inchado. — Meu Deus! — exclamei. — Ela está sufocando! Tiramo-na de lá imediatamente, ela estava azulada, não respirava. Chequei seu pulso, ainda havia batimentos cardíacos. — Parada respiratória. Derek começou a fazer uma respiração boca a boca nela, mas não estava funcionando. — Parece que ela está com as vias respiratórias superiores bloqueadas. Podemos tentar uma traqueostomia. Ele concordou, apressado. Então entendi que eu devia fazer o procedimento. Minhas mãos começaram a suar, mas eu não podia deixá-la morrer e acabar com meu disfarce. Cortei com o maior cuidado possível, com medo de perfurar muito fundo e causar uma hemorragia, mas no final deu tudo certo, e ela voltou a respirar graças a minha traqueostomia. — Bom trabalho, doutora. — Obrigada. Ao levá-la de volta para o quarto, enquanto eu checava seus batimentos e tudo mais, Derek me perguntou: — O que acha que pode estar causando esse inchaço no cérebro? — Eu... Não sei. Mas ela deve precisar de cirurgia. Assim que descorbrirmos a origem do problema, trataremos com agilidade. — ele aquiesceu. Tirei um pouco do sangue dela para o hemograma e fui entregar para o laboratório, mas quando estava voltando para o quarto da paciente, dei de cara com um rosto conhecido em sua porta. — Jane? Quase deixei as pastas cairem. — Bonnie?! Bonnie costumava ser minha colega de quarto no orfanato. Éramos muito amigas, dividíamos tudo uma com a outra. Mas depois que virei agente, nunca mais nos falamos. — Eu não sabia que tinha se tornado médica. Nem eu, pensei comigo mesma. Eu dei um sorriso amarelo. — O que você faz aqui? — É a Libby. Ela trabalha no orfanato, é nova lá... De repente não conseguia andar, a coitadinha... — Não conseguia andar? — É, ela não contou sobre isso? — Acho que ela esqueceu de mencionar. — eu olhei de soslaio para a jovem deitada ali, semi-morta. Por que ela esqueceria um detalhe tão importante? — Bom... Foi bem ver você, e saber que Libby está em boas mãos. Podemos tomar um café um dia desses? — Claro! Você ainda está no orfanato, Bonnie? — Ah, sim... É lá que eu pertenço sabe? Ajudando aquelas crianças... Pobrezinhas. — É... Pobrezinhas. Naquele momento a menina antes tranquila jazindo na maca começou a colapsar violentamente, arrebentando os fios que entravam em suas veias e a deixavam serena. Eu entrei as pressas e administrei os remédios. Bonnie ficou parada, olhando horrorizada para aquela cena. — Você devia sair agora. — eu falei, mais como médica do que como amiga, e ela concordou, com lágrimas nos olhos. Alguma coisa em Libby me lembrava a mim mesma, quando mais nova. Ela tinha um fogo nos olhos de uma guerreira. Eu não a deixaria morrer, não assim.Pov John Com Jane em missão, eu e Thalia tínhamos mais tempo a sós, e eu tinha certeza de que ela gostava disso. Às vezes Jane era muito estressada, já comigo, Thalia podia brincar de qualquer coisa. Eu gostava de jogá-la para cima e pegar de novo, até que ela vomitou em mim e tivemos que cortar essa brincadeira. Quando Jane chegou me deu um beijo e foi brincar com Thalia, mas havia algo errado com ela. — Está tudo bem, querida? — Encontrei uma velha amiga hoje. É como se meu passado estivesse me perseguindo, desde que decidi revelá-lo. — Se era sua amiga, não devia estar feliz? — Não, John! É coisa do passado. Eu não sou mais uma órfã perdida, eu sou Jane Smith, uma agente bem sucedida e... — Jane, ninguém simplesmente apaga o passado. Faz parte de quem nós somos. — Está bem, quer me falar um pouco do seu passado então?
Eu travei. Tudo bem, meu passado não era trágico como o de Jane, mas havia muito tempo eu não falava sobre ele, ou via pessoas que participaram dele. Mas se eu dissesse não, Jane viraria uma fera. — Está bem, falaremos então. — Ótimo. — Ótimo.
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