Notas iniciais
Mil desculpas pela demora, mas vou recompensar vocês com flashbacks e hot no próximo capítulo ok?

— Você deve ser a Doutora Aldrin. — ele se apresentou. Tinha cabelos claros e olhos negros, era bastante atraente.

— É, sou eu. — falei, confiante.

— Vou ajudá-la durante o procedimento. Já decidiu os exames da paciente?

Respirei fundo para não entrar em pânico. Eu tinha recebido treinamento para isso, mas naquele momento me deu um branco. Convulções, febre... O que eu devia fazer sendo uma neurologista?

— Uma tomografia do crânio e um hemograma completo. — pela certeza na minha voz, Derek nem questionou.

...

— Isso aqui vai doer? — Libby perguntou quando estava prestes a começar a tomografia.

— Não, quer dizer, talvez só um pouquinho. Você deve sentir-se claustrofóbica lá dentro, mas rapidinho passa. — ela assentiu hesitante.

Eu nunca tinha feito uma tomografia, mas a ideia de ficar presa num tubo com aqueles barulhos sinistros me dava calafrios. E Libby não estava muito melhor. Havia algo muito errado com ela, eu sentia isso, mas Derek não parecia ter notado.

— Ela está bem? — perguntei.

— Deve estar só claustrofóbica. — ele afirmou.

— Você já vai sair daí, senhorita Clark. — eu avisei no microfone, e tive certeza de ouví-la engasgando.

Derek pareceu ouvir também, porque se assustou. Mas então eu entendi que não era por isso que ele estava assustado, a imagem do crânio dela estava... Inacreditável. Metade de seu cérebro estava inchado, muito inchado.

— Meu Deus! — exclamei.

— Ela está sufocando!

Tiramo-na de lá imediatamente, ela estava azulada, não respirava. Chequei seu pulso, ainda havia batimentos cardíacos.

— Parada respiratória.

Derek começou a fazer uma respiração boca a boca nela, mas não estava funcionando.

— Parece que ela está com as vias respiratórias superiores bloqueadas. Podemos tentar uma traqueostomia.

Ele concordou, apressado. Então entendi que eu devia fazer o procedimento. Minhas mãos começaram a suar, mas eu não podia deixá-la morrer e acabar com meu disfarce. Cortei com o maior cuidado possível, com medo de perfurar muito fundo e causar uma hemorragia, mas no final deu tudo certo, e ela voltou a respirar graças a minha traqueostomia.

— Bom trabalho, doutora.

— Obrigada.

Ao levá-la de volta para o quarto, enquanto eu checava seus batimentos e tudo mais, Derek me perguntou:

— O que acha que pode estar causando esse inchaço no cérebro?

— Eu... Não sei. Mas ela deve precisar de cirurgia. Assim que descorbrirmos a origem do problema, trataremos com agilidade. — ele aquiesceu.

Tirei um pouco do sangue dela para o hemograma e fui entregar para o laboratório, mas quando estava voltando para o quarto da paciente, dei de cara com um rosto conhecido em sua porta.

— Jane?

Quase deixei as pastas cairem.

— Bonnie?!

Bonnie costumava ser minha colega de quarto no orfanato. Éramos muito amigas, dividíamos tudo uma com a outra. Mas depois que virei agente, nunca mais nos falamos.

— Eu não sabia que tinha se tornado médica.

Nem eu, pensei comigo mesma. Eu dei um sorriso amarelo.

— O que você faz aqui?

— É a Libby. Ela trabalha no orfanato, é nova lá... De repente não conseguia andar, a coitadinha...

— Não conseguia andar?

— É, ela não contou sobre isso?

— Acho que ela esqueceu de mencionar. — eu olhei de soslaio para a jovem deitada ali, semi-morta. Por que ela esqueceria um detalhe tão importante?

— Bom... Foi bem ver você, e saber que Libby está em boas mãos. Podemos tomar um café um dia desses?

— Claro! Você ainda está no orfanato, Bonnie?

— Ah, sim... É lá que eu pertenço sabe? Ajudando aquelas crianças... Pobrezinhas.

— É... Pobrezinhas.

Naquele momento a menina antes tranquila jazindo na maca começou a colapsar violentamente, arrebentando os fios que entravam em suas veias e a deixavam serena. Eu entrei as pressas e administrei os remédios. Bonnie ficou parada, olhando horrorizada para aquela cena.

— Você devia sair agora. — eu falei, mais como médica do que como amiga, e ela concordou, com lágrimas nos olhos.

Alguma coisa em Libby me lembrava a mim mesma, quando mais nova. Ela tinha um fogo nos olhos de uma guerreira. Eu não a deixaria morrer, não assim.

Pov John

Com Jane em missão, eu e Thalia tínhamos mais tempo a sós, e eu tinha certeza de que ela gostava disso. Às vezes Jane era muito estressada, já comigo, Thalia podia brincar de qualquer coisa. Eu gostava de jogá-la para cima e pegar de novo, até que ela vomitou em mim e tivemos que cortar essa brincadeira.

Quando Jane chegou me deu um beijo e foi brincar com Thalia, mas havia algo errado com ela.

— Está tudo bem, querida?

— Encontrei uma velha amiga hoje. É como se meu passado estivesse me perseguindo, desde que decidi revelá-lo.

— Se era sua amiga, não devia estar feliz?

— Não, John! É coisa do passado. Eu não sou mais uma órfã perdida, eu sou Jane Smith, uma agente bem sucedida e...

— Jane, ninguém simplesmente apaga o passado. Faz parte de quem nós somos.

— Está bem, quer me falar um pouco do seu passado então?

Eu travei. Tudo bem, meu passado não era trágico como o de Jane, mas havia muito tempo eu não falava sobre ele, ou via pessoas que participaram dele. Mas se eu dissesse não, Jane viraria uma fera.

— Está bem, falaremos então.

— Ótimo.

— Ótimo.