Amor a Toda Prova
7 Capítulo 7 - Brigas
Notas iniciais
Lantis partiu acelerando o veiculo e quando um raio riscou o céu, negro daquela noite o anjo ainda pôde ver pelo retrovisor, Hinay se preparando para lutar.
Porque tudo tinha que dar tão errado como estava dando?Hegle morto e agora Hinay estava se entregando para a morte daquela maneira. Será que tudo o que ele estava passando valia mesmo a pena?Se tornar um guardião do rei valia mesmo à pena?Muitas coisas já não faziam mais sentido para ele. Tudo estava mudando, perdendo o sentindo. Ele mantinha uma ferrenha luta com seus pensamentos e seus sentimentos até que Nakina o tirou de seus devaneios.
- Vai deixá-la lá? – ela perguntou com o intuito de provocá-lo, era o que ela mais queria provocá-lo... chamar sua atenção e tirar o foco dos pensamentos do anjo de Hinay e direcioná-los para ela.
- O que disse? – ele perguntou sem seu sorriso habitual e sem olhá-la, continuava com o olhar fitando o asfalto negro e cheio de buracos que ele desviava.
- Você é um covarde sabia?
- Cala a boca. – ele falou simplesmente sem olhá-la com uma voz fria e triste.
- Deixá-la lá, para morrer. – Lantis tentava suportar a dor que aquelas palavras lhe causavam, não queria tê-la deixado lá. Não queria. Mais ao mesmo tempo resistia às provocações daquela menina sentada no banco de trás, também resistia à vontade de olhá-la, e nem sequer sabia por quê. Nakina que tentaria mais algumas palavras contra Lantis desistiu ao perceber o olhar interrogativo que ele tinha no rosto. Ficou quieta, pois achou que essa seria a melhor saída, não queria testar a paciência de um anjo.
Depois de um longo tempo em silencio o dia já começava a amanhecer Nakina havia cochilado por alguns instantes e nem percebeu quando Lantis parou na beira da estrada e saiu do carro... Ele esticou seus ombros largos e se pos a pensar, e ao mesmo tempo alguns filetes começaram a cair de seus olhos riscando sua face alva. Ele estava chorando, chorando por Hegle, chorando por Hinay e por seu futuro que para ele parecia incerto...
Tornar-se um guardião do rei seria mesmo sua vontade ou apenas um legado do pai?Apenas uma forma de deixá-lo feliz em seu descanso eterno?O que era aquele sentimento tão grande de insegurança que começava a se instalar em seu peito?!Nunca havia sentido aquilo antes, não por sua profissão.
Ser um guardião do rei significava deixar tudo para trás, deixar família, deixar amores e sonhos. Valeria a pena isso? Dar a vida pelo rei?
Nakina acordava aos poucos com o sol da manhã batendo em sua face alva e levemente avermelhada, ela se esticou preguiçosamente escutando sua coluna estralar pela noite mal dormida no banco de trás do carro.... Foi quando ela visualizou Lantis, o anjo que a prendera, e estranhamente ela não estava com raiva dele e o observava. Observava com olhos que jamais imaginaram observar um anjo, olhos de... Ternura?
O sol insidia perfeitamente sobre o corpo mediano do anjo, seus braços bem torneados e suas mãos firmes faziam o caminho para o rosto enquanto ele permanecia de cabeça levantada, como se não quisesse jamais abaixá-la. Era realmente uma linda visão, não do dia nascendo mais do anjo a sua frente. Ela se ajeitou no banco traseiro e saiu do carro indo em direção a Lantis que permanecia com a cabeça levantada olhando a imensidão do céu azul.
- Você está horrível — ela alfinetou tentando uma reação dele.
- Você também não me parece bem. – ele se virou a encarando sem seu sorriso habitual. – Com esse rosto todo marcado. – as palavras foram frias e o comentário ferino o que vez Nakina rir de canto.
- Nem parece um anjo.
- Não me importo com o que você acha ou deixa de achar sobre mim e minhas atitudes. – ele se virou para ela encarando o nada.
- Também não me importo com sua opinião sobre meu rosto o marcado. – ela sorriu e aproveitando a oportunidade lhe alfinetou novamente. – Sabia que não deveria dar as costas a um inimigo?
- Se eu realmente te achasse perigosa não teria lhe dado às costas. – Nakina serrou os punhos e chegou mais próximo ao ouvido dele e falou quase num sussurro.
- Sou mais perigosa do que você imagina. – sorriu cínica e touco-lhe os ombros com as mãos escorregando até o peitoral do anjo que sentiu se coração bater acelerado pelo ato daquela mulher, daquele demônio. Mais logo ele se recompôs não ia cair no seu joguinho de sedução. Ele se virou com tudo a segurando pelos pulsos e a encarando.
- Seu jogo não funciona comigo. – ele sorriu largamente como há algum tempo não fazia. Nakina o encarou por alguns instantes pensando o porquê se Sentia tão fraca a mercê daquele sorriso.
- Por quê? Não gosta que eu lhe toque. – ela tentou mais uma vez
- Conheço sua fama mulher! Sua beleza não me fará padecer. – ele agradeceu mentalmente por ter sido avisado antes das artimanhas da garota a sua frente.
- Há! Então você admite que me acha bela? – ela sorriu mordendo o lábio inferior.
- O que eu acho não lhe importa, mesmo porque você não faz o meu tipo, além de ser oferecida demais. – Lantis tentava se manter firme em sua decisão; não podia ser pego em suas armadilhas, mesmo que para ele fosse difícil resistir. Nakina fixou seus olhos escuros nos claros de Lantis e neles o anjo pode ver certa amargura talvez pelas palavras proferidas por ele. A morena nada falou se desvencilhou das mãos de Lantis e voltou para o carro batendo a porta.
Lantis depois de ficar mais um tempo observando o céu voltou para o carro.
- Está com fome? – pergunta olhando-a pelo retrovisor a vendo torcer um rosto um pouco.
- Hn – confirmou com um singelo aceno de cabeça.
- Vamos fazer uma parada ao primeiro restaurante. – ele sorriu e ligou o carro partindo depois de passar em um posto horrendo e sujo para abastecer o veiculo.
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O dia amanhecia, mas em certa estrada parecia que o sol não conseguia adentrar e nada além do uivo do vento era escutado.
Ao longe se se pôde ver uma silhueta feminina caída, com os cabelos, negros, desgrenhados espalhados por todo o chão; ela tentava se mover mas a cada movimento que tentava fazer seus músculos pulsavam trazendo-lhe uma dor sem igual. Lorde Canon não estava presente, mas naquele momento e naquelas condições ela não poderia fazer nada para ajudar Lantis a sobreviver; os dias do anjo na terra já estavam se extinguindo, ele tinha que voltar logo.
Hinay com o pouco de energia que lhe restava, coloca as mãos sobre o chão murmurando algo inaudível e depois desaparece...
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