Amor X Preconceito
1 Prólogo.
Notas iniciais
*Skinhead: Odeiam todos que são diferentes deles simplesmente por serem diferentes, seja na cor da pele, etnia em geral, classe social, religião, ou orientação sexual.*
22 de julho 1967 – Berlim, Alemanha.
O clima frio dominava Berlim há semanas.
Aquele inverno era sem sombra de dúvidas um dos piores desde muito tempo. Mais de quinhentas pessoas já haviam morrido, e o maior medo de Renné era que ela e seu marido fossem os próximos a serem acrescentados naquela lista.
A noite era escura, a chuva grossa caia sobre o rosto de Renné que estava ainda mais pálido por conta do frio. Seus cabelos estavam ainda mais escuros, ao seu lado estava Charlie, seu marido.
A mulher baixa apertou-se contra a pele fina do casaco de couro que vestia, mesmo assim o frio não cessou. Ele continuava a dominando, enquanto ela ficava se afundando cada vez mais em suas lembranças, se soubesse que sua vida seria assim nunca teria voltado da Inglaterra, talvez, hoje estivesse casada com algum milionário. Enfim, ela mordeu os lábios tentando fazer com que seus dentes parassem de se contrair.
– Você está bem? – a voz calma do homem que estava ao seu lado fez com que a mulher desse um meio sorriso. Ela tinha medo de abrir os lábios e deixar que a voz escapasse, caso isso acontecesse, sem sombra de dúvidas ela faria algo que magoasse o marido.
O casal andou mais um pouco em direção a um grupo de moradores de rua que se encontravam ao redor de uma pequena fogueira. Renné contraiu os olhos, os fechando com força. Seu corpo inteiro doía por conta do frio.
– Isso me assusta. – sussurrou Renné desesperada. – Eu quero voltar para minha casa.
Renné não sabia o quanto doeu para Charlie ouvir aquelas palavras, seus olhos se fecharam e ele soltou um pesado suspiro, puxou o corpo de sua mulher contra o seu e encostou seu queixo contra seus ombros.
– Vamos dar um jeito nisso. – prometeu Charlie puxando-a para seus braços, ele tentava de todas as formas fazer com que sua mulher se sentisse a vontade ao seu lado. Ele tentava entender o lado de sua esposa, mas não conseguia deixar de ficar magoado com as suas ações.
Charlie se aproximou do pequeno grupo deixando a mulher um pouco de lado, murmurou algumas palavras que Renné não conseguiu entender e depois voltou a se aproximar da esposa. Ambos sentaram-se em frente à fogueira. Charlie puxou o corpo da mulher contra o seu e a fez olhar para o seu.
– Está vendo Renné? – murmurou em seu ouvido. – A noite está bela somente para nós dois.
– Eu quero voltar para a casa dos meus pais. – voltou a falar em baixo tem.
O homem afastou-se de Renné, em seus olhos toda a sua dor era visível. Ele olhou nos olhos da mulher tentando esconder tudo o que sentia naquele momento.
– Tem certeza? – perguntou baixinho e ela apenas assentiu. – Te levarei amanhã, assim que o sol nascer esteja acordada. – murmurou em um tom frio, ele se levantou dali deixando Renné sozinha.
A mulher encolheu-se no chão deitando ali, a mesma caiu em sono profundo, mal sabia que em breve viveria um pesadelo.
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