Amor X Preconceito

43 Capítulo quarenta.


“Soda Cáustica”. – Dizia o rótulo com letras grandes e vermelhas.


Isabella sorriu largamente e encarou Emmett.

– Queria vê-lo sofrer tanto quanto eu sofri. – Ela cravou as suas unhas no braço dele. – Mas como não posso, me contentarei em queimá-lo por dentro.

Bella aproximou a seringa do vidro e sugou o máximo que conseguiu.

– Boa sorte. – Ela sorriu de lado ao cravar a ponta da seringa em uma das veias do braço do rapaz. – Você vai precisar.


“O homem é um ser frágil. Qualquer movimento inserto, por mínimo que seja, pode ser fatal. Corrompível. Qualquer dor pode mudar sua essência e sua visão do que é certo ou errado. Justo. Dependendo do ângulo que essa justiça seja vista.”



Bip... Bip... O barulho ensurdecedor ia se dissolvendo.



Biiiiiip....Ia desaparecendo.



Biipp... e enfim, estacionou, parou e o homem que se contorcia em dor na cama parou. Seu corpo descansou e sua mente também. Ele deu seu último suspiro.



A enfermeira morena passou por seu amado, cruzou a recepção e jogou o crachá no balcão, andou de forma apressada em direção ao carro de luxo e ao entrar no mesmo um sorriso brotou em seus lábios. Um sorriso largo, verdadeiro e para muitos doentio.



No hospital, em um quarto na cobertura, as pessoas andavam apressadamente. Edward estava colado contra a parede, em estado de choque.



– O que está acontecendo? – Quase gritou por informações, mas o medo não permitiu que cometesse tal ato. – Meu irmão... – Ele os viu desligando os aparelhos e aquilo lhe deixou desesperado. O médico olhou para ele. Sua expressão não era desesperada, pelo contrário, era branda e quase relaxada.



– Sinto muito. – O médico sussurrou. – Não posso fazer nada quanto a isso.



– Eu sei. – Cruzou os braços olhando mais uma vez para o corpo imóvel do irmão, e ao cruzar as portas mais uma vez o moleque inconsequente tomou conta de si.



Edward atravessou a rua sem olhar para os lados. Ele entrou em seu quarto e acelerou como nunca havia feito antes, só percebeu para onde ia quando avistou a rua de sua casa. Precisava ligar para Alice, preparar e avisar Rosalie para a notícia, mas só pensava em uma coisa e isso era o que ele não queria fazer.



Desde a morte de Jasper sabia que era questão de tempo para chegarem até ele e se quisessem atingi-lo, iriam pegar as pessoas com quem ele mais se importava e depois de Isabella essa pessoa era o Nath. Por egoísmo ele o manteve perto, mas agora era a hora, fingiria que não se importava nem mesmo com Nathaniel, se fosse para alguém mais morrer naquele dia, esse alguém seria ele, contudo, antes disso faria com que Carlisle pagasse por todos os males que fez a si, a seus irmãos e a principalmente Isabella.



O carro parou em frente a sua casa, ele também ficou parado pensando no que faria a seguir. Nunca mais veria Nathaniel ou Tânia, Alice ou até mesmo Rosalie. Ele respirou fundo e saiu do carro, entrou em casa e bateu a porta com força. Queria avisar para todos que havia chegado.



Lágrimas ameaçaram cair, ele tentou segurá-las e conseguiu.



– Edward? – A voz de Tânia surgiu juntamente com a imagem dela abraçada a seu filho. – Como Emmett está?



Edward sorriu de modo sínico.



– Do mesmo modo que você e Nathaniel estarão se não saírem daqui agora. – Seu coração se quebrou.



– Do que está falando Edward? – Tânia se aproximou e Edward deu dois passos para trás.



– Suma daqui. Pegue Nathaniel e vá para o mais longe possível dessa casa, dessa cidade, se possível vá até para outro país.



– Mas por quê?



– Não posso contar. Só suma com ele. – Edward foi até seu quarto, pegou dois envelopes e voltou para sala. – Tome. – ele estendeu os envelopes para ela. – Aqui tem identidades falsas e dinheiro. Vai dar para vocês terem uma boa vida por alguns anos.



– Você vai se encontrar comigo depois?



Edward respirou fundo, balançou a cabeça e se aproximou dela puxando-a com força pelo braço.



– Você vai levá-lo e sair com ele daqui. A-G-O-R-A! – ordenou. – Te darei uma hora para cruzar a fronteira da cidade e pegar um avião, se não fizer isso... – Edward respirou fundo. – Vou matar todos dois.



Tânia olhou mais uma vez para Edward.



– Vai se arrepender disso Edward. – Ela saiu da casa. – E quando fizer isso vai ser tarde demais.



Edward se esforçou para não correr atrás deles. Ele os observou enquanto passavam pela porta. Respirou fundo e deixou que a porta se fechasse. Tentou não pensar em como sua vida seria daqui para frente, não tinha nem ao menos a certeza se teria uma vida. Seus joelhos tremeram e seu corpo desmoronou no chão. Ele perdeu tudo. Sua mãe, Isabella, seu melhor amigo, seu irmão e agora seu filho e a mulher que considerava sua irmã e tudo isso por culpa de uma única pessoa, seu pai, que matou sua mãe e os moldou para serem assim, homens odiosos, verdadeiros monstros. Agora ele via tudo com clareza, tudo tinha haver com a criação que tiveram, com a ausência de seus pais. Suas ações o levaram até ali e ele iria pagar por elas, mas não agora.



O melhor para Nathaniel seria ser criado por Tânia, uma mulher justa., assim ele teria chances de ser um homem de bem. Depois que tudo acabasse, talvez Alice pudesse conviver com o sobrinho. Depois que Carlisle pagasse por tudo. Depois que ele morresse.



[...]



Rosalie mantinha um largo sorriso nos lábios enquanto a água quente caía sobre seu corpo. De longe ela ouvia o som de um telefone tocando, o que chamou sua atenção. Sem pensar duas vezes ela saiu do box, se enrolou na toalha. Talvez Emmett tivesse acordado e estivesse chamando por ela. Rose se enrolou na toalha e quando se aproximou do som viu Carlisle com o telefone próximo ao ouvido. Ela não teve tempo para preocupar com a vergonha. Emmett tomava conta de seus pensamentos. De todos eles.



Carlisle olhou para Rosalie e respirou fundo.



– Aconteceu algo? Emmett está bem?



Carlisle permaneceu calado, estava digerindo as informações. A expressão de espanto tomou conta do rosto de Rosalie, ele balançou a cabeça.



– Emmett está bem. – Carlisle sorriu. – Você precisa ir vê-lo. Ele te chamou.



– Me chamou? – O coração dela encheu-se de alegria.



– Sim Rose. Acho melhor você ir vê-lo. Pode ir em meu carro.



– E Alice? Preciso avisá-la, ver se ela quer ir comigo.



– Minha querida. – Carlisle falou com uma calma exagerada. – Alice irá depois comigo.



Rose sorriu.



– Obrigada Sr. Cullen – murmurou o abraçando. – Muito obrigada mesmo.



– Eu que lhe agradeço Rosalie. – ele sorriu. – Vá e faça meu filho feliz.



– Pode ter certeza que trabalharei nisso. – Sorriu novamente correndo até o quarto.



Carlisle encarou a parede em estado de choque. Havia perdido tudo que tinha construído em todos esses anos, agora não tinha mais nenhuma alternativa, Alice acabara com sua vida desde o dia que nasceu, pelo menos era naquilo que acreditava. Ele andou até a porta do quarto de Rosalie, a porta estava entreaberta, ele podia vê-la se trocando rapidamente. Carlisle sorriu de lado e trancou a porta do quarto da mesma, se certificaria dela depois. Ele andou pelo corredor, suspirou ao se aproximar da biblioteca, da porta ele avistou Alice com um álbum de fotos na mão.



– Mamãe era linda. – Alice sussurrou ao sentir a presença de Carlisle. – Queria tê-la conhecido. – ela passava as pontas dos dedos pela foto.



– Você parece muito com ela. – Carlisle se aproximou. – Mesmos cabelos, mesmo tom de pele, mesma boca, seria a cópia dela, exceto pelos olhos. – ele sorriu. – Eles são os mesmos de seu pai. Deve ser por isso que os odeio tanto.



– Por que está dizendo isso papai?- Alice encarou Carlisle, seu semblante estava estranho. Ele o olhava de uma forma que nunca havia olhado, tinha algo assustador em seus olhos.



– Papai? – Carlisle riu. – Sabe, sempre odiei quando me chamava assim. Sentia que você estiva falando com meu irmão... Com seu pai de verdade.



– O que está acontecendo? – Ela suspirou e se levantou aproximando-se de Carlisle. – Você está pálido papai. – ela tentou puxá-lo para a cadeira, mas ele a afastou com um tapa.



Alice ficou em estado de choque, o impacto havia sido forte, seu corpo foi de encontro ao chão, ela podia sentir o sangue escorrer do canto de seus lábios.



– Era para Esme estar aqui Alice, não você. – Ele a encarou com ódio nos olhos. – Se ela estivesse aqui nunca deixaria meu filho morrer, Emmett estaria conosco, Edward me amaria e nunca teria se relacionado com aquela... Vadia, mas não, ela preferiu ter você, o fruto do amor proibido.



– Por que está dizendo isso pai? – repetiu a mesma pergunta de antes, estava atordoada, não entendia o que estava acontecendo.



– NÃO ME CHAME DE PAI. – gritou. – NÃO SOU SEU PAI. NÃO SERIA PAI DE UMA PESSOA TÃO INÚTIL. – ele se aproximou e a chutou na barriga. – VOCÊ É FILHA DO MEU IRMÃO. O FILHO PERFEITO, O AMANTE PERFEITO E TALVEZ ELE TAMBÉM FOSSE O PAI PERFEITO. ESME ESCOLHEU ELE, MEUS PAIS O ESCOLHERAM, MAS EU NÃO DEIXEI VOCÊ ESCOLHE-LO.



Alice se contorceu de dor no chão e o encarou. Não estava conseguindo processar o que acontecia, deixou que ele continuasse falando, não sabia como pará-lo.



– ESME MORREU POR SUA CAUSA. ELA ME TRAIU COM MEU PRÓPRIO IRMÃO. ENGRAVIDOU DE VOCÊ NA PRIMEIRA NOITE E DISSE QUE ESCOLHERIA VOCÊ E ELE. NÃO PUDE DEIXÁ-LA VIVER. – Carlisle continuava gritando, estava descontrolado. Ele respirou fundo. – No parto, eu fiz de tudo para mantê-la longe dos outros técnicos, quando a tirei dela, matei Esme. Quando meu irmão descobriu tentou vir atrás de você, tomá-la de mim, mas você é minha Alice. Eu o matei também, sabotei seu carro e ele capotou. Foi muito trágico sabia? Seu pai e sua mãe morrendo na mesma noite, não tive tempo para ficar triste. – ele sorriu. – Cuidei de você por todos esses anos rezando para que tomasse escolhas erradas, que morresse. Thomas, foi algo meu e depois Jasper, mas ele não conseguiu fazer o serviço completo, coração mole demais. – Carlisle riu. – Agora que Emmett morreu posso fazer tudo o que eu quiser porque sei que Edward nunca irá me perdoar.



– Emmett morreu? – Alice sussurrou levando sua mão até a barriga, ela tentava esquecer a dor e digerir a perda



– Não se faça de santa. Sei que você que fez isso. Você fez com que eu matasse Esme, se não fosse por você ela estaria viva até hoje. – Carlisle se aproximou para ficar a altura de Alice. – Mas não se preocupe minha querida, você irá se encontrar com sua mãe, seu pai e Emmett... Não se esqueça de mandar lembrança para eles. – Carlisle segurou Alice pela nuca e se levantou a levando consigo. – Quero que morra lentamente. – Um sorriso brotou nos lábios dele. – Talvez e a forca seja uma boa opção.



– Por... que? – Alice conseguiu sussurrar.



– Ainda quer mais motivos? – Carlisle a jogou no chão. – Talvez apenas te enforcar seja rápido demais, você merece sofrer muito mais tanto quanto eu.



– Você sofreu porque quis Carlisle. – A voz vinda da porta chamou a atenção tanto de Alice quanto de Carlisle. – Suas escolhas te levaram a isso.



– Minhas escolhas? – Carlisle se virou para o filho e o encarou, Edward segurava uma arma com força, seu dedo estava no gatilho. – As mesmas escolhas que você fez? Edward, você é sangue do meu sangue é muito mais meu filho do que Emmett porque você está vivo... Ele pode ter sido o meu primogênito, mas você... Você é o que se parece comigo, um dia irá continuar meu legado, mas para isso, irá acabar antes com ela juntamente comigo. – Carlisle puxou Alice pelos cabelos e a mesma gritou de dor, lágrimas jorravam por seus olhos ao encarar o irmão com a arma na mão. Ele a jogou nos pés de Edward, que olhou para irmã com compaixão. – Vamos Edward, acabe com Alice da mesma forma que fez com Isabella, mas dessa vez não falhe.



Um rosnado escapou pelos lábios de Edward ao ouvir o nome de Isabella sair pelos lábios do pai. Ele olhou para as pernas do mesmo e não pensou duas vezes ao atirar em todas duas. Carlisle caiu no chão com o impacto da bala e riu entre um gemido de dor.



– Vejo que a experiência não lhe trouxe nada. Vamos, é isso que quer? Acabar comigo?



– Talvez. – Edward confessou. – Mas antes disso... – Ele se aproximou do pai. – Farei você sofrer da mesma forma que fez com minha mãe, comigo, com Emmett e pretendia fazer com Alice. Se acha que sou igual a você está enganado... Sou muito pior.



– Acha mesmo isso? – Carlisle riu alto. – Você não chega nem a metade do que sou.



Edward se aproximou do pai, o chutou fazendo com que ele se deitasse, com o pé direito pisou contra seu rosto.



– Talvez eu não seja tão frio como você. – ele olhou para Alice. – Alice, saia daqui.



Alice balançou a cabeça e encarou o irmão, ela se levantou do chão e caminhou até o lado do mesmo.



– Preciso vê-lo fazendo isso, preciso ajudá-lo. – ela sussurrou. – Esme também é minha mãe e o outro... – ela respirou fundo. – Era meu pai. – as palavras soaram estranhas ditas por si própria.



– Quer participar da tortura? – Carlisle sorriu. – Nunca imaginei que teria um estômago tão forte.



– Não tenho. – Alice sussurrou. – Mas ao contrário de você sou uma pessoa íntegra e por mais que você mereça uma morte dolorosa e lenta não vou deixar que Edward fazer isso. – ela se abaixou da mesma forma que Carlisle fez, ele tentou tocá-la, mas Edward rapidamente afastou as mãos dele de Alice. – Apesar de tudo, você é o único pai que conheci. – Ela respirou fundo. – E me dói muito saber que tem todo esse rancor por mim.



– Alice... – Edward a chamou.



– Sempre acreditei que você era o melhor homem do mundo e quando salvou a Bella achei que finalmente tinha encontrado alguém, não sabe como fiquei feliz pa... Carlisle, mas agora? Queria ter nojo de você, mas não consigo porque parece que você é uma pessoa doente. Precisa de tratamento. – ela olhou para Edward e ele balançou a cabeça.



– Isso não está aberto para negociação, ele vai morrer.



Alice se levantou e assentiu.



– Eu te amo pai, espero que Deus lhe perdoe por todos os males que fez. Ele não é vingativo e vai entender. – ela sorriu de lado. – Vou rezar por você.



– Vindo de você não preciso de nada. – rosnou Carlisle.



Edward encarou Carlisle e balançou a cabeça.



– Não deveria ter dito isso. – Sua mão subiu juntamente com a arma, seu dedo se apertou contra o gatilho e o barulho do tiro ecoou pelo local. O sangue jorrou pela sala, a arma que estava na mão de Edward caiu no chão. O soluço de Alice ecoou juntamente com o tiro pela sala. Edward abraçou-a e se permitiu chorar também. – Vai ficar tudo bem, eu prometo.



– Nosso pai acabou de morrer. Não vai ficar tudo bem.



– Alice, você ouviu tudo o que ele fez, não vale a pena sofrer por alguém como ele...



– Todos nós temos o direito do perdão.



– Eu sei disso Alice, mas ele, ele não tinha esse direito. Agora vamos, me ajude. Tenho que limpar minhas digitais da arma e sair daqui antes que a policia chegue.



Edward agiu rápido, limpou suas digitais da arma e em seguida arrumou a cena do crime para que ficasse parecendo com um suicídio, levou Alice até onde Rosalie estava e a trancou da mesma forma. Alice cuidaria de explicar tudo o que havia acontecido para Rosalie. Edward saiu de casa, entrou no carro e simplesmente sumiu.



Notas finais
Esse seria o último capítulo antes do Epílogo, fiz ele na última vez que postei e deixei para escrever a continuação do capítulo mais pra frente quando a inspiração voltasse, mas isso não aconteceu, então resolvi fazer um capítulo quarenta e um com o reencontro oficial de Edward e Bella e finalmente o "felizes para sempre". Espero que tenham gostado do capítulo, sei que o Carlisle deveria sofrer mais, mas não consegui achar um fim melhor do que esse para ele, tipo, a pessoa que mais ele fez sofrer, indiretamente, o perdoou.