Amor X Preconceito

36 Capítulo trinta e quatro.


Notas iniciais
Se vocês quiserem dar opinião para o nome dele - bebê - ele é um menino.

Forcei meus olhos a se abrirem e foquei meu olhar na escuridão. Fechei meus olhos novamente, desespera, e os abri. Agora a realidade tomou conta dos meus olhos. De onde avistei Edward sentado em uma cadeira. Ele estava preso. Olhei para os meus braços. Ele estava tão preso quanto eu.

Frutos caem, o amor morre e o tempo passa;
Tu és alimentada com fôlego eterno,
E ainda viva após uma infinita mudança,
E renovada após os beijos da morte;
De abatimentos reacendeu e recuperou-se,
De prazeres inférteis e impuros,
Coisas monstruosas e infrutíferas, uma lívida
E venenosa rainha.

- Algernon Charles Swinburne, “Dolores”

- Bella? – A voz de Edward estava tão desesperada quanto estaria a minha caso eu falasse. De longe vi sua bochecha ensanguentada, seus olhos roxos e os seus braços cobertos de hematomas. – Me desculpe Bella. – repetia diversas vezes, mas eu não entendia o porquê, ou talvez eu não quisesse entender. Gostaria de me levantar e abraçá-lo, dizer que estava tudo bem, mas a verdade é que não estava. Nada estava bem. Eu estava morrendo de medo de tudo, de todos, talvez até dele.

- Onde estamos? – A minha voz foi abafada por um grito cujo após alguns segundos descobri que eram meus.

Olhei com dificuldade para baixo, percebi que minha respiração estava ofegante, me desesperei. Meus bebês. Outra pontada forte, outro grito. Eu estava tendo contrações, era isso! Os meus bebês estão nascendo. Respirei fundo tentando conter meu desespero. O ar entrou cortante em meus pulmões. Um, dois, três. Respirei fundo novamente. Outra contração e meu coração foi parar em minha boca. Um gemido escapou por meus lábios. Não podia me dar o luxo de perder o controle.

- Bella. Bella, você está bem? – Edward tentou se levantar da cadeira, mas não conseguiu. – Droga! – vociferou.

- Os bebês Edward. Os bebês. – choraminguei voltando a contar.

- Os bebês Edward. Os bebês. – Ouvi a voz de James transformada em um tom irônico que fez o ódio correr por minhas veias. Ele entrou no depósito com um sorriso assustador nos lábios. – O que tem os bebês minha querida Bella?

- James, deixe-a em paz. – Edward praticamente gritou.

- Deixá-la em paz Edward? Em que essa garota lhe transformou?

- Em homem. – vi Edward sorrir. – Deveria experimentar.

Edward olhou para mim e eu logo entendi, ele estava tentando distraí-lo.

- E eu vou experimentar... Depois que seus filhos e essa vadia estiverem a sete palmos na terra.

Os bebês? Meus bebês... Mortos? Involuntariamente as lágrimas começaram a cair por meu rosto. Uma contração um pouco mais forte do que as últimas fez com que eu gritasse, em seguida, elas ficaram constantes. Cravei minhas unhas no colchão.

James se aproximou de mim com um sorriso. Parecia se fortalecer com a minha fraqueza.

- Minha querida Bella, lembre-se disso quando chegar ao inferno: Tudo que lhe acontecer hoje é culpa daquela pessoa ali. – ele apontou para Edward. – Afinal, se não fosse por ele seus pais não estariam mortos, você nem sequer estaria grávida, quem sabe não tivesse arrumado outro cara para dar um golpe? Seria mais prático. Um que não tivesse filhos, de preferência. – deu de ombros.

Meu coração acelerou. Eu não posso ter meus filhos aqui. Carlisle. Carlisle tinha que me ajudar.

- Não vai acontecer nada com você Isabella. – Edward me prometeu com a voz carregada de culpa e... Dor? Céus, como queria acreditar nele.

- Cale a boca imbecil! – James gritou puxando-me pelos cabelos. Meu couro cabeludo queimou. – Não faça promessas que não poderá cumprir.

- Edward. – sussurrei. Eu não queria demonstrar fraqueza, mas nessa altura do campeonato era impossível. Lágrimas e mais lágrimas caiam. Outra contração. – Por favor...

- Por favor? – James riu de modo nervoso. – Seu noivo não teve pena quando me fez sair daqui. Da MINHA casa.

- Isso é entre mim e você James. Deixe Bella fora disso.

James puxou meus cabelos novamente, mas dessa vez a força foi duplicada. Eu conseguia sentir o suor descendo por minha testa. Gemi alto de dor.

- SEU MONSTRO! – gritei.

- Monstro. Meu nome do meio. – Ele colocou as mãos na bermuda e dali retirou uma faca quase que completamente enferrujada. – Sabe o que é bom? Um beijo. – James sorriu com os lábios próximos aos meus. – Muito teatral, não acha Edward? A última visão que você vai ter é de nós dois nos beijando. — Eu tinha vontade de cuspir na cara dele, contudo o medo de que ele transmitisse a raiva em meus bebês não deixava. – O último toque que vai sentir é o dos lábios de seu assassino.

James colou seus lábios nos meus, mas a sensação repugnante foi afastada ao sentir uma forte dor em minha barriga, desci o olhar até o local onde senti a dor e perdi o ar ao ver a faca enferrujada sendo arrastada por minha barriga, o sangue escorria por minha pele, eu podia sentir como se os meus filhos estivessem se contorcendo em uma tola tentativa de se salvar. Aos poucos eu ia chegando ao desespero.

Meus bebês. Seriam mortos por culpa dele, por culpa de Edward, o cara que um dia cogitei a possibilidade de amar.

POV EDWARD

- NÃO! – gritei tão alto que senti minha garganta arder.

A dor que eu senti naquele momento era muito mais do que qualquer dor física que eu já tivesse sentido. Eu não poderia perder Isabella, não poderia perder mais uma pessoa nesse momento.

De forma inexplicável consegui me soltar das cordas que me prendiam na cadeira. Avancei contra James e o afastei de Bella o mais rápido que consegui. Minhas mãos iam com todas as forças contra seu rosto repetidas vezes, senti o osso de seu nariz se quebrando contra minha mão e sorri.

- Edward. – sussurrou Bella atraindo minha atenção. Seu rosto estava ficando sem cor, ao seu redor uma possa de sangue se formava. Eu estava a perdendo, mas não podia perdê-la.

Senti meu corpo cair contra o chão e a faca atravessou meu braço direito, algo parecido com um rosnado escapou por meus lábios. Rodamos no chão até que eu finalmente consegui pegar a faca de sua mão. Quando a segurei meu coração vacilou por alguns segundos. A segurei com força em minhas mãos e a pressionei contra a nuca de James.

- Você vai se arrepender de ter nascido.

O empurrei e o prendi em uma pilastra.

- Só para você ter certeza de que cuidarei de você. – passei a faca por seu dedo arrancando-o de sua mão. – Está sentindo essa dor? É apenas o principio do que te aguarda hoje.

Corri em direção a Bella e respirei fundo ao avaliar o estrago.

- Bella! – a voz de Carlisle ecoou por meus ouvidos, atrás dele estava Matt que correu até Bella.

- Carlisle, preciso de sua ajuda! Ela está com hemorragia.

- A salvem. – sussurrei.

- Temos que fazer o parto primeiro ou os bebês não irão sobreviver. – Carlisle disse decidido e eu senti vontade de socá-lo. Como pode dizer isso? Bella estava morrendo! – É o que ela iria querer. – completou como se adivinhasse o que eu dizia.

- Mas não é o que EU quero! – sei que estava sendo egoísta, mas agora eu sabia o significado de ter alguém ao meu lado, não podia simplesmente deixá-la ir. Se ela quer ter filhos, ela terá muitos, todos eles produzidos por nosso amor.

- Edward, se ela não tiver esses filhos, não terá mais nenhum.

- O que quer dizer com isso?

Carlisle começava a fazer o parto apressadamente, não tentava em nenhuma de suas ações tentar conter o sangramento de Bella apenas puxava o bebê. Um de cada vez. Meu coração estava acelerado, olhei suplicante para Matt que retribuiu o olhar e sussurrou um simples Farei o possível. Um choro baixo atraiu minha atenção ao ecoar pelo local. Eu podia jurar que havia visto os olhos de Bella se abrirem. Matt pressionou a barriga de Bella para estancar o sangue. Eu fitava o bebê no colo de meu pai, seus olhos de um tom igual aos de Bella abertos clementes por luz. O meu coração acelerou e voltei a olhar para ela. Carlisle retirou o segundo bebê. Ele estava igualmente perfeito, praticamente igual ao primeiro, seus olhos estavam fechados e o cordão umbilical ao redor de seu pescoço. Sua pequena boca estava roxa. Ele estava morto. Minhas pernas tremeram e eu tive que me apoiar para não desabar.

- Carlisle, a pulsação dela está diminuindo.

- O que isso quer dizer? – perguntei novamente, mesmo sabendo a resposta.

- Que ela está morta. – dessa vez meu pai respondeu.

O bebê morto caiu de suas mãos ao lado de Bella, só então percebi que era uma garotinha, minha menina.

Senti meus joelhos tremendo, cai no chão me permitindo chorar, mas logo em seguida levantei e avancei em direção ao James.

- SAIAM DAQUI!

- Filho... – Carlisle tentou se aproximar de mim, mas o empurrei.

- Eu. Mandei. Saírem. Daqui.

- Vamos. – ouvi Matt sussurrar para Carlisle, meu filho estava enrolado em seu colo.

Eu estava cego pelo ódio, não me importava com isso, não me importava com mais nada. Eu a perdi.

- Acho bom começar a rezar por seus pecados.

- Não preciso rezar por nada. – cuspiu aquelas palavras. – Você que precisa, sua mulher morreu por sua causa e sua filha também.

- Bella talvez, mas minha filha não. – pressionei a faca que estava em minhas mãos contra sua barriga descendo e subindo em zingue zangue pelo seu corpo.

- Acha mesmo que sua filha estava doente? – James riu, parecia tentar esconder a dor. – Foi tudo um plano. Sua filha era perfeita. Pergunte a seu pai. Carlisle sabe de tudo.

Carlisle?

- Você está blefando! Está tentando me distrair. – Puxei a faca com tudo de seu corpo e a segurei contra sua garganta.

- Pergunte ao seu pai. – murmurou cuspindo o sangue que estava saindo por sua boca. Ele perdeu a consciência e se foi.

Cai mais uma vez no chão, mas agora estava sozinho. Me rastejei até o corpo de Bella, mas então o choque tomou conta de mim. Seu corpo não estava mais ali.

Notas finais
Antes que tentem me matar ou abandonem a fic peço que não façam isso. Iria dar spoiler para vocês, mas o próximo capítulo ainda não está pronto. Só digo que tudo vai acabar bem para os TRÊS - lê-se: Bella, Edward e o Neném. Se vocês quiserem dar opinião para o nome dele, ele é um menino. Acho que posto na segunda, se minha depressão pós-amanhecer passar.
ps.: Para quem não assistiu, o filme está divino.
Capítulo sem revisão, por favor, ignorem os erros. Quem quiser recomendar a fanfic, ficarei feliz. kkkk
A vingança está chegando hehe'