Amor X Preconceito

5 Capítulo quatro.


Notas iniciais
Eu ia postar esse capítulo antes, mas eu estava tentando escrever o capítulo cinco antes.
Cheguei a conclusão que não sei escrever hot, mas vou continuar tentando... Espero que gostem.

– Temo que sim. Se ela acordar teremos que refazer o mesmo procedimento, várias e várias vezes. A dor poderia ser insuportável para ela.

– Então acha melhor induzi-la ao coma?

– Sim. Nesse momento, infelizmente, essa é a melhor opção.


Os dias em um hospital eram uma eternidade para quem estava internado, mas para Isabella parecia que era ainda pior. Ela estava internada há quase dois meses, há duas semanas tinha saído do coma induzido. Seu corpo se recuperava de forma rápida, as ataduras que estavam cobrindo as partes queimadas iam sendo retiradas aos poucos.

A garota de cabelos negros e aparência sofrida iria passar por mais uma cirurgia dentro de dois dias e somente depois de todo o processo de recuperação poderia retomar, ou melhor, tentar voltar para a sua vida. Carlisle, o seu médico, era um dos melhores de toda a região e o único que conseguiu se comover com a história da garota, assim como os pais da mesma, também era de família alemã. O médico estudava minuciosamente o caso dela. Não era normal uma garota de apenas dezesseis anos suportar a dor de tamanhas queimaduras, ter sofrido uma tentativa de afogamento, ser estuprada e ainda sobreviver sem nenhuma sequela... Ou quase nenhuma.

Suportar tantas dores já era parte de sua rotina, mas conversar com Carlisle a animava.

Quando ouviu a notícia que seus pais haviam morrido e do que aconteceu consigo mesma, seu coração foi dominado e dividido. Dor e sofrimento dividiam espaço com o desejo de vingança.

Os olhos verdes penetrantes que pareciam com os de um anjo haviam se transformado na visão do próprio demônio. Ela tentava a todo custo eliminar de sua vida esses tipos de pensamentos, sabia que nada daquilo faria bem para ela. Mas o que fazer quando não há outra opção? Ela era praticamente obrigada a lembrar de tudo que passou diariamente. A cada coleta de sangue, a cada troca de soro ou até mesmo com um ultrassom, coisa que agora era essencial em sua vida, feita ela lembrava-se daquela noite.

Isabella só conseguiria descansar quando acabasse com cada uma das pessoas que ajudaram a acabar com a vida dos seus pais... Se um dia eles conseguiram pensar que ela que deveria fugir deles, estavam enganados. Apesar de jovem, Isabella viveu tempo suficiente nas ruas para saber e se adequar os padrões de vida daquela camada da sociedade. Se fosse preciso lutar, ela lutaria. Com todas as armas que estivessem ao seu alcance, principalmente agora.

A porta do quarto se abriu de forma lenta e nele adentrou o jovem médico de cabelos loiros, seus olhos eram de um verde penetrante, quase igual aos do... Isabella balançou a cabeça tentando eliminar as imagens.

– Olá Isabella. – A voz baixa, porém carrega de emoção do médico fez com que Isabella sorrisse.

As marcas em seus lábios haviam sido absorvidas, apenas pequenos arranhões restaram.

– Carlisle.

– Vim ver como estar... Meu plantão irá acabar em trinta minutos e terei que ir para casa. – Ele sentou-se ao lado da cama. – Amanhã é a formatura de Alice. É difícil acreditar que minha garotinha sairá de casa em um mês.

A garota riu baixo ignorando a dor que sentiu naquele momento.

– Está com medo de ficar sozinho Carlisle?

– Sozinho... – Sussurrou Carlisle. – Sabe que eu nunca quis descobrir o significado dessa palavra?

– Como assim? – perguntou Bella confusa.

– Bom, eu me casei muito cedo. Esme tinha dezenove anos e eu vinte e um. Assim que nos casamos saímos de Moscou e viemos para os Estados Unidos. Esme já estava grávida de Emmett. Foi algo estranho sabe? A gente não se amava...

– Mesmo assim se casaram? – Bella tentou se sentar, mas foi em vão, a dor era insuportável demais.

– Deixa que eu te ajudo. – Carlisle esticou a mão e pegou o pequeno controle da cama, o mesmo fez com que ela se erguesse um pouco fazendo com que Bella tivesse a impressão que estivesse deitada. – Nossa família ainda tinha um conceito antigo... Meus pais casaram assim, os pais dela também. Com o tempo aprendemos a gostar um do outro.

– Mas... O que aconteceu?

– Emmett nasceu, foi uma felicidade sem tamanho. Um ano depois veio Edward, bom, ele era um garoto digamos que... “problemático”. – Carlisle deu uma pequena pausa. – Confesso que ele se parece muito comigo.

– E Alice?

– Alice é nossa princesinha. Nasceu dois anos depois de Edward. Vive resmungando por ser a mais nova. – Ele deu um meio sorriso ao lembrar-se da filha.

– Onde está Esme? Você nunca me falou dela... Sempre tive essa curiosidade.

– Esme morreu no parto de Alice. – A voz de Carlisle abaixou-se em vários tons. – Eu já era formado há um bom tempo, então Esme implorou para que eu acompanhasse o parto. Por questões de ética eu mesmo não podia realiza-lo. Ele já era considerado de risco. Tente entender, na gravidez de Emmett ela ficou de cama por vários dias, quase ficou sem poder gravidar novamente. Na de Edward foi mais tranquilizante, mas na de Alice... – Ele respirou fundo tentando conseguir forças para continuar a falar. – Sua pressão caía e aumentava constantemente, não sei como ela não perdeu o bebê. Na hora do parto, ela teve uma parada cardíaca. Tentei de tudo para trazê-la de volta, mas foi impossível.

– Carlisle...

– Não precisa dizer nada. – Ele apressou-se a falar enquanto pegava uma foto que estava guardada em sua carteira. Ele a estendeu em direção a Bella. – Essa é a Esme.

Os olhos da mulher da foto eram de um azul claro, hipnotizante.

– Ela era linda. – sussurrou Isabella.

– Eu sei... Alice é tão linda quanto ela.

– Quando poderei conhecê-la? – Isabella soltou sem pensar.

– Assim que sair daqui você irá para a minha casa. – Ele deu um sorriso largo. – Só vou lembrar a você que não aceito não como resposta.

– Eu... Eu não sei o que dizer. – gaguejou Isabella.

– Eu não disse que não conheço o significado da palavra solidão? Bom, não quero conhecer nunca, muito menos agora que estou entrando na meia idade.

– Do que está falando Carlisle? – Isabella riu ignorando a dor. – Você é muito novo ainda.

– Você que é gentil demais Isabella. – mordeu o lábio enquanto acariciava o rosto de Bella.


Notas finais
Bom gente, quero agradecer pelo carinho de vocês... Estou adorando os comentários, adorando mesmo. Só não respondo todos porque não tenho muito tempo.
Algumas pessoas conseguiram descobrir o que Bella "tem".
Vocês estão indo pelo caminho certo pessoinhas. -q
Se gostaram muito da fic, não se esqueçam de recomentar *-*