Amor X Preconceito

45 Capítulo Quarenta e Um - Versão alternativa


Notas iniciais
Depois de muita demora voltei, mas não com o epílogo. Desde o início formulei um final para essa fanfic, devo admitir que me prolonguei mais do que deveria nela e acabou que ela se desviou da linha de raciocínio que eu queria. Em momento algum quis dar um final feliz para ela, mas no capítulo passado eu dei. Tentei fazer um epílogo a partir daquele final, mas simplesmente não consegui, então fiz esse. Um capítulo alternativo. O meu capítulo e a versão que eu escolheria. Não ficou do modo que eu esperava, estou com sérios bloqueios criativos e meu notebook não ajuda. O word não abre e estou digitando tudo com o WordPad, uma espécie de bloco de notas que não ajuda em nada até porque não vê os erros de gramáticas, mas enfim... Espero que gostem e voltarei com o Epílogo.

Sempre gostei de imaginar que eu era inabalável e desprovido de emoções.

Há duas semanas percebi que eu estava completamente enganado. Enterrei meu pai e meu irmão no mesmo dia. Em momento algum consegui imaginar que um dia iria presenciar aquela situação, sempre preferi acreditar que minha vida era fixa, que eu seria feliz para sempre. Eu sou rico, não sou? Eu acreditava que dinheiro era sinônimo de felicidade. Uma doce ilusão até porque a felicidade nada está ligada com dinheiro. Agora sei disso. Eu queria poder viver em um estado vegetativo, com sorte, em um ou dois anos eu estaria morto. Motivo? Causas naturais. Contudo Alice não deixaria que o único membro de sua família que realmente se importava com ela morresse, mais uma vez meu azar foi comprovado.

Todos os finais de semana eu ia visitar Alice. Claro que não era por escolha minha. Ela exigia que eu a visse pelo menos duas vezes por semana, perdi a conta das vezes em que ela pediu para que eu mudasse para a casa em que vivemos com nosso pai, a casa em que o matei. Isso não era uma alternativa aceitável. Eu seria hipócrita se fizesse isso.

O problema é que, por mais que eu negasse, eu havia descoberto um sentimento novo. O remorso. Infelizmente descobri o poder desse sentimento tarde demais e com a pessoa errada. Em alguns dias eu tentava me convencer que havia feito à coisa certa. Meu pai merecia o que aconteceu. Ele a causa da morte de Isabella, a causa da morte de Emmett e o motivo por eu ter me transformado em um monstro, mas todas as vezes que eu encarava Alice via que minhas desculpas estavam sem fundamento.

Isabella foi morta por minha causa. Eu havia escolhido a família Swan. Eu havia torturado e matado os pais de Bella. Eu havia a torturado e feito com que ela engravidasse. Emmett foi influenciado por mim, por minhas escolhas, por minha causa. Quantas vezes ele se recusou a participar de nossas barbaridades e eu o chamei de frouxo sentimentalista? Eu era um monstro. Eu era o monstro. Fiz minhas escolhas erradas. Quis acreditar nos pensamentos preconceituosos de uma sociedade que não via as qualidades das pessoas apenas o quanto ela tem no bolso. Fiz a escolha de “limpar” o mundo de pessoas pobres, contudo agora eu via que precisávamos limpar o mundo de pessoas como eu. Carlisle não era tão culpado assim. Carlisle não me obrigou a seguir aquele caminho, pelo contrário, eu tinha poder da escolha e escolhi fazer a coisa errada.

- Edward. – A voz sussurrada de Alice seguida por suas batidas frenéticas em meu carro fez com que eu me despertasse de meus devaneios e a encarasse. Seu rosto estava marcado por oleiras e eu, mais uma vez, não pude deixar de me culpar por isso.

Não me demorei. Desliguei o carro, forcei um sorriso e em seguida sai do carro. Minha irmã sorriu calorosamente para mim. Um sorriso mais do que verdadeiro. Eu puxei para um abraço. Um abraço carregado de força e carinho, pelo menos da minha parte, eu me sentia “bem” ao lado dela. Quando eu estava com Alice via que havia uma possibilidade de existir pessoas boas.

- Pensei que estava dormindo aí. – O sorriso dela aumentou. Eu a invejei por poder fazer isso. – Já estava pensando em como acordá-lo. – confessou.

- Eu não dormiria no carro Alih. – resmunguei.

- Ultimamente, acho que você poderia dormir em qualquer lugar. – A garota suspirou. – Vem, vamos entrar. – suas mãos agarraram a minha mão. Sua mão era quente e aconchegante.

Ao entrar pela porta mais uma vez senti aquela sensação ruim. Era como se tudo o que eu vivi fosse em vão.

- Gosto de aproveitar meu tempo com coisas úteis.

- Não sabia que havia algo mais útil do que procurar seu filho. – Meu rosto parecia ter se contorcido, Alice pareceu perceber, automaticamente ela parou de falar daquela forma tão fria e me olhou com algo que parecia ser compaixão. Eu odiava aquilo. – Me desculpe. – Ela apressou-se para voltar a falar, mas eu lhe pedi que parasse.

- Você tem razão. – suspirei olhando ao meu redor. Por incrível que pareça Alice conseguiu mudar todos os móveis da sala em menos de uma semana. – Não tenho notícias da Tânia ou de meu filho. Parece que ela simplesmente evaporou do mapa.

- Eu juro que não consigo entender – ela falou devagar, devagar demais, na minha opinião. – por que que a mandou para longe com Nate?

Eu estava em uma situação complicada, por mais eu quisesse esconder os motivos para estar assim eu não poderia fazer isso com Alice. Ela precisava entender meus motivos, por mais que me doesse ela não poderia ser enganada para sempre. Eu sou um monstro. Ela precisava saber e entender isso, talvez assim conseguisse me deixar em paz, ou não. Ela perdoou Carlisle. Talvez me perdoasse também.

- Alice, eu transformei a vida de Isabella em um inferno e eu nunca vou conseguir me redimir por isso. Não acho justo que eu seja feliz ao lado do meu filho sem ela e eu não podia simplesmente segurá-lo ao meu lado para dar para ele uma vida igual a que o Carlisle deu para a gente. Meu filho é uma criança Alice. Merece uma vida de verdade e eu sei que não conseguiria proporcionar isso para ele.

- Mas ele não teria uma vida infeliz Edward. Eu estou aqui, posso te ajudar a criar do meu sobrinho. Acho que tenho esse direito.

- Estar comigo é algo perigoso Alice. Você sabe o que aconteceu com Jasper, você viu o que aconteceu com Emmett e isso aconteceria comigo também. Eu tenho certeza disso. Não poderia correr o risco de ver algo acontecendo com meu filho. Eu não suportaria. – confessei pela primeira vez.

- Nem tudo que acontece no mundo é culpa sua Edward. – rebateu Alice. – Tem que parar com isso, você não é o centro do universo.

- Mas Bella morreu por minha culpa. Você não pode negar isso. – Senti algo escorrer por meu rosto. – Meu filho poderia morrer por minha culpa e eu não iria aguentar. Já lhe disse isso.

Alice nada me disse, apenas me abraçou de uma maneira tão calorosa que me senti confortável o suficiente para chorar em seus braços. Se eu não conhecesse Alice tão bem a veria como uma figura materna, ela sabia como consolar alguém, sussurrava em meu ouvido palavras que eu não conseguia identificar, não fiz muita questão de fazer isso também, ela estava me acalmando, isso bastava. Alice era minha irmã mais nova, eu não poderia colocar tanta responsabilidade em suas costas como estava fazendo. Isso não era justo para ela.

- Sei que não adianta eu lhe pedir isso, mas por favor, tente ficar bem. – ela deu um sorriso infantil e após um barulho na porta ela se afastou de mim. – Me espere na sala de jantar. – E então ela correu em direção à porta.

Pensei em questionar o pedido de Alice, mas para que? Ao invés disso a obedeci. Caminhei lentamente até a sala de jantar como ela havia mandando. Ao passar pela porta a raiva me tomou. Rosalie estava ali, Cristian também. Ele havia se aproximado de Alice após os últimos acontecimentos, apesar de ele ser uma boa companhia para ela, a presença dele sempre me incomodava.

- Boa tarde. – resmunguei puxando uma cadeira e me sentando com eles contra a minha vontade.

Não pude deixar de reparar em Rosalie. Sua barriga já havia certo volume, pelo os meus cálculos ela deveria estar com no mínimo dois meses. Emmett iria adorar ver aquilo. O modo como meu irmão conseguia ser amável ao lado dela me fez sorrir, infelizmente meu sorriso se dissolveu ao ver minha irmã entrar com um homem que não me era estranho...

- Acredito que todos aqui saibam o motivo para a presença do Sr. Ramirez aqui. – Sr. Ramirez? Tinha uma vaga lembrança de minha infância com ele. Alguns encontros não muito demorados. Era um amigo de Carlisle.

- Eu não sei. – murmurei com rispidez.

- Não me admira que você não saiba. – Cristian resmungou.

- Edward, contratei Ramirez com a esperança de que ele conseguisse nos trazer informações de Tania e, realmente, ele obteve resultados.

Ele obteve resultados.

Não havia como negar que aquelas poucas palavras encheram meu coração de esperança.

- Mesmo depois de tudo que eu lhe disse você ainda quer encontrar Nathaniel?

- Se você não quiser cuidar de seu filho e mantê-lo perto, por mim tudo bem, juro que tentarei entender, mas eu gostaria de cuidar do meu sobrinho. – A voz de Alice era firme e decidida o suficiente para fazer com que eu não contestasse. – Além de Nathaniel ser seu filho ele é filho de Isabella, a melhor amiga que eu poderia ter. É mais do que meu dever cuidar dele. – Por um momento consegui imaginar Alice como mãe. Seria muito agradável vê-la cuidando do meu filho e eu não conseguia encontrar uma razão para não participar da criação dele. Eu poderia vê-lo, nem que fosse duas vezes por semana.

Olhei para Ramirez, ele aparentava ter um pouco mais de cinquenta anos, mas eu conseguia encontrar os traços do jovem homem amigo de meu pai. Apenas pelo fato de ser amigo de Carlisle eu conseguia ter certeza da competência dele.

- O que você sabe sobre o paradeiro da minha mulher e de meu filho?

Ramirez olhou para Alice como se estivesse pedindo permissão para falar. Ela parecia estar tão apreensiva quanto eu, na verdade, todos ali presentes estavam com a mesma fisionomia.

- As notícias que trago infelizmente não são muito boas. – Confessou. Ninguém se atreveu a se pronuncia, portanto ele continuou. – Encontramos um carro na estrada que leva até o estado do Texas. As características batem com o carro de Tania e havia um corpo de uma mulher no banco do motorista.

Olhei em busca de apoio para Alice, mas a mesma já havia desabado em uma cadeira, mantinha as mãos no rosto, fazia questão de tentar segurar o choro.

- E meu filho?

- Não havia nenhum vestígio de nenhuma criança.

- Ótimo. – Minha voz era carregada de frieza, mas isso era algo bom, não era? Apesar de Tania possivelmente estar morta meu filho deveria estar em algum lugar. Salvo.

Alice ergueu a cabeça e me encarou. Parecia estar surpresa com a minha reação, mas em momento algum eu lhe disse que era bom.

- Preciso que o senhor vá até lá para reconhecer os corpos, assim, se você quiser, vai poder continuar com a busca pelo seu filho.

- Tudo bem. Quando quer que eu vá?

- O mais rápido possível.

Nada disse, apenas levantei de minha cadeira e caminhei até a porta.

- O que está esperando? – Olhei para trás ao perceber que Ramirez não havia saído do lugar.

Dias Antes

POV Isabella

Eu sempre assisti em novelas, filmes, li em revistas, jornais e livros que o amor entre mãe e filho era algo tão grande que chegava a ser indescritível. Eu almejei desde o momento em que coloquei meu filho no mundo a oportunidade de tê-lo em meus braços, mas agora que ele estava ali, apertado contra meu peito, eu não conseguia entender o sentimento que me invadia. Não conseguia aproveitar o momento.

Segurava meu filho com todas as forças perto do meu peito. Seu corpo era quente, sua pele era branca e seu rosto era uma combinação perfeita de traços meus e de Edward. Eu mantinha um sorriso bobo nos lábios, sorriso que se transformou em uma expressão de raiva ao seguir o olhar de meu pequeno. Ele encarava o corpo sem vida de Tania no carro. A mulher estava quase que completamente irreconhecível.

- Mamãe... – ele balbuciou aquelas palavras com tanta certeza que meu coração se apertou. Sua mãe era eu. Não Tania. Disso eu tinha certeza. Isso ele teria que aceitar.

- Não, não. – sussurrei com um pequeno sorriso nos lábios. – Eu sou a mamãe.

A boca de Nathaniel se contraiu e o barulho que saiu em seguida de seus lábios era um princípio de um choro agudo e infantil. Eu não tinha a mínima ideia de como lidar com aquilo e a qualquer momento alguém poderia aparecer e me perguntar sobre o acidente sofrido pela mulher ou pelo bebê que estava em meus braços. Não pensei duas vezes. Coloquei Nathaniel no banco de trás do meu carro e rumei de volta para a minha cidade. Finalmente minha vingança estava quase completa. Finalmente eu teria minha chance de ser verdadeiramente feliz ao lado de meu filho.

Ao pisar no acelerador olhei pelo retrovisor e deixei para trás tudo. Consegui um pequeno vislumbre do banco de trás, meu filho me olhava assustada. Eu não queria isso. Em momento algum eu quis isso.

- Vai ficar tudo bem. – eu sussurrei.

Atualmente

POV Observador

O rapaz freou o carro com brutalidade em frente à porta de sua casa. Seu coração estava acelerado, ele podia sentir alguns pingos de suor escorrerem por seu rosto.

A probabilidade de ter seu filho novamente em seus braços era grande. Não podia esconder o vestígio de felicidade que se fixou em seu rosto. Estava em completo estado de êxtase, ao mesmo tempo, sentia-se culpado por não conseguir ficar triste o suficiente pela morte Tania. Ela esteve ao seu lado em um momento difícil e foi, principalmente, uma ótima mãe para seu filho, mesmo que por pouco tempo. Tinha consciência de que Nathaniel sentiria falta daquela figura materna, mas pedia forças para que ele pudesse superar.

Ao descer de seu carro o rapaz fitou a fachada vazia de sua casa. Tudo parecia tão frio e sem vida. Ele pode notar que as luzes estavam ligadas, talvez ele tivesse esquecido-se de apagá-las, entretanto não tinha tempo para pensar nisso. Ramirez tinha sido bem rígido quanto ao tempo. Deveria voltar até a casa de sua irmã em no máximo uma hora e meia. A viagem era longa e cansativa.

Em momento algum, infelizmente, ele pensou na probabilidade de que sua vida poderia acabar ali. Estava tão animado que se esqueceu de que aos poucos todas as pessoas próximas a si iam se machucando e morrendo. Acreditava que Deus estava sendo bom demais para ele, por mais que ele não merecesse, estava ganhando uma nova chance para abraçar a felicidade. Achava estranho acreditar desde o início do dia que sua vida não teria mais jeito e de uma hora para outra ter uma oportunidade dessa. A chave da felicidade estava em sua mão.

Ele se aproximou da porta de madeira, sem pensar duas vezes rodou a chave que estava em sua mão na maçaneta. Ao abrir a porta deparou-se com um misto de sensações. Lembranças suas com Tania. Ele sentiria falta dela. Seu olhar percorreu por toda a sala, de certa forma aquela seria uma despedida. Edward resolveu abandonar aquela casa. Não se via mais morando ali.

Com passos firmes Edward caminhou até o andar de cima de sua casa. Conforme caminhava pelos corredores vizualizava as lâmpadas ligadas, sem pensar duas vezes as desligava. Mais uma vez a ideia de vender aquela casa pareceu-lhe tentadora. Poderia se mudar com seu filho para outra cidade. Morariam em um apartamento confortável e deixariam para trás os fantásmas do passado.

Edward adentrou em seu quarto e sem pensar duas vezes abriu seu guarda-roupa, pegou algumas roupas jogando-as de um modo desarrumado na mala. Assim que acabou coloco-a no chão e virou-se sorrindo para porta. Estava dando "Olá" para uma nova vida.

POV ISABELLA

Meu coração batia em desespero dentro do meu peito. Parecia que a qualquer momento ele saltaria dali pela minha boca. Eu estava na casa de Edward, mas algo dizia que eu deveria sair dali e voltar para casa, cuidar de meu filho que até então estava aos cuidados do meu amigo, aquele que havia salvo a minha vida.

Depois de muito discutir comigo mesma caminhei pela casa ligando as luzes. Edward era esperto e veria que havia algo errado. Não entraria em casa. Era esse meu maior desejo, mas caso ele entrasse eu estaria pronta. Apertaria o gatilho.

Meus dedos estavam firmes ao redor da arma. Eu estava escondida no banheiro que ficava em frente ao quarto dele.

O cheiro de Edward invadia meu corpo de tal forma que fazia com que eu não conseguisse raciocinar direito.

Não pude deixar de agradecer quando vi seu carro parando na garagem. Pela pequena janela que havia no banheiro o vi parar em frente a porta e demorar alguns minutos para decidir se entraria ou não.

- Não entre... — sussurrei, mas de nada adiantou.

Vi Edward se abaixar e pegar a chave no local onde sempre a deixava. Edward girou a chava na porta e eu suspirei. Ele entraria. Me aproximei da porta do banheiro e me forcei a ouvir seus movimentos. Conforme Edward andava em minha direção minhas mãos antes firmas ao redor da arma agora ficavam trêmulas.

Consegui avistá-lo enquanto arrumava as malas. O vi terminar de arrumá-las e então abri a porta do banheiro e fiquei atrás dele. Meu olhar estava fixo em seu rosto.

- Você... — ele sussurrou e eu assenti. Apenas assenti.

Ao ficar frente a frente com ele nada consegui falar. Com um pequeno sorriso nos meus lábios eu puxei o gatilho da arma e atirei. Fiquei ali vendo o corpo de Edward cair no chão e jorrar por onde a bala havia passado. Senti minhas pernas tremularem, me ajoelhei ao seu lado e me permiti chorar.

Eu havia me vingado de todos que me fizeram sofrer, mas será que valerá a pena?