Amor X Desejo
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Sobre essa fic ela é inspirada na obra de Emilie Rose Coração Devastador depois de ler não pude deixar passar até porque ultimamente tem havido fics fichel demais pro meu gosto.
Espero que vcs gostem dessa como gostam da outra.
OBS: se tiver um bom numero de reviews amanhã mesmo posto o segundo cap.
– Por acaso está me seguindo, Quinn Fabray? Você é advogada, deveria saber que posso processá-la por isso. – disse Rachel Berry, franzindo as sobrancelhas para aquela linda mulher ao lado das caixas de correio do meu prédio.
Quinn fingiu inocência de maneira nada convincente. Seus olhos cor de âmbar brilhavam, cheios de malícia, irradiando minúsculas centelhas de suas íris, provocando a explosão de outras tantas no ventre de Rachel. Ela tentou conter aquela reação indesejada.
– Estou aqui para pegar a correspondência de Britty. – disse Quinn, agitando uma chave diante dela. – Nem todas as cartas foram reencaminhadas para o apartamento de Santana, e como eu vinha para estes lados, me ofereci para pegar as restantes.
Essa era uma desculpa razoável. Brittany, a amiga com quem Rachel dividia o apartamento, tinha se casado com a melhor amiga de Quinn há pouco mais de três meses. Mas Rachel já conhecia Quinn muito bem para acreditar que aquele fosse o único motivo de ela ter ido ao seu apartamento, numa noite de sábado, bem na hora em que ela estava voltando para casa.
Pequenos flocos de neve brilhavam sobre o cabelo loiro de Quinn, que estava tão próxima dela a ponto de ela sentir o cheiro forte do perfume daquela mulher escultural.
Pare com isso. Você agora é uma mulher que só pensa em negócios, lembra-se?
Nada de mulheres que desviem a sua atenção do foco principal. Ainda mais “esta”.
– Eu cuidarei da correspondência de Britty, já que ainda moro aqui – insistiu ela. – Além do mais, tenho mais cartas dela lá em cima.
– Subirei então para pegá-las e as entregarei a Brittany quando encontrar com ela e com Santana para jantar.
Você caiu como uma patinha nessa, não foi Rachel?
Irritada, ela se virou e segui em direção ao elevador. Henry, o porteiro, estava no centro do saguão, atrás de sua grande mesa de mogno, com o fone pressionado á orelha. Ela lhe acenou ao passar e os seus olhos astutos a seguiram.
Quinn acertou seu passo com o dela.
– Por que não nos faz companhia esta noite?
– Não obrigada. Estou muito ocupada.
Isso não era exatamente verdade. Tudo o que ela havia planejado fazer era passar a noite rastreando as suas finanças, tentando encontrar um modo de cobrir as contas mais urgentes, mas não tinha a menor intenção de incentivar Quinn aceitando o convite. Não que uma aventureira como ela parecesse precisar realmente de algum incentivo. Ela não havia lhe dado nenhum, e, no entanto, lá estava ela, outra vez.
– Quando é que você vai parar de bancar a difícil e sair comigo, Rachel?
– Nunca. E eu não estou bancando, eu sou difícil. Impossível, aliás, de modo que é melhor você preservar um pouco o seu amor-próprio e parar de me convidar para sair.
Ela apertou o botão do elevador com força e flagrou o olhar de Quinn avaliando-a no reflexo do espelho dourado sobre a parede azul.
– Eu nunca desisto quando realmente quero alguma coisa. Ou alguém.
Ela atribuiu o tremor que percorreu a sua espinha ao frio recorde daquele mês de novembro. A voz profunda de Quinn e o interesse estampado em seus olhos não tinham nada a ver com aquilo.
– Especialmente quando este alguém está tão interessado quanto eu.
Rachel perdeu o fôlego com a audácia e a perspicácia dela.
– Para alguém supostamente brilhante, você errou feio dessa vez.
A diversão se misturou á descrença nos olhos dela.
– É mesmo?
Por que ela se dava ao trabalho de mentir? Quinn não acreditava nela mesmo. Ela enterrou o queixo na gola do seu casaco e mudou de posição, a fim de não ver nem a ela, nem ao seu reflexo.
Tinha que admitir que achava a perseguição de Quinn incrivelmente lisonjeira, mas era suficientemente esperta para reconhecer um relacionamento desastroso em potencial quando via um. Quinn era conhecida por partir o coração das mulheres com quem se relacionava. Ela decididamente não precisava acrescentar mais aquele desastre á sua lista de relacionamentos infames.
– Por que é que a moça festeira...
– Promotora de eventos – corrigiuela imediatamente.
Ops! Ela havia sido um pouco rude e defensiva demais, mas ela a havia provocado. Seus pais, excessivamente críticos como sempre, já haviam reclamado longa e duramente de sua carreira desde que decidiu da ideia de se tornar uma estrela da Broadway. Segundo eles inaceitável o que se tornou.
–... festeja com todo mundo, menos comigo? – prosseguiu ela, como se não tivesse sido interrompida.
Ela se enfiou no elevador antes mesmo de as portas terminarem de se abrir. Quinn a seguiu, obrigando Rachel ir até a parede ao fundo. Ela manteve o máximo de espaço possível entre elas, o que significou que Quinn literalmente a encurralou nu canto. Essa não era exatamente a sua ideia de diversão.
– As pessoas pagam pelos meus serviços.
– Quer dizer que eu tenho que contrata-la?
– Sim.
– Bom saber.
Tentando ignora-la, ela folheou as suas correspondências e fez uma careta. Contas, contas e mais contas. Nenhuma surpresa. Sua empresa, a Affairs by Rachel, continuava a crescer, mas infelizmente não a tempo de cobrir o empréstimo bancário que estava prestes a vencer.
Se não conseguisse logo um contrato bastante lucrativo que lhe desse bastante visibilidade, ela teria que considerar a possibilidade de fechar as portas, ou, um destino pior do que a própria morte implorar por um empréstimo a seus pais. Em qualquer um dos casos, seu pai acabaria precisando de um transplante de laringe, pois acabaria com a sua voz de tanto lhe passar sermões.
O elevador se abriu. Ela sentiu o ombro de Quinn bater no seu ao sair. O contato pareceu acionar um sinal de alarme em todas as partículas do seu ser. Rachel odiava a capacidade que Quinn tinha de mexer com ela daquele jeito.
Essa mulher não tinha nada a seu favor... a não ser o fato de ser rica, inteligente e deslumbrante. Diziam até que ela tinha senso de humor. Mas Rachel podia e continuaria resistindo ás sua investidas.
Tirou as chaves da bolsa e a enfiou na fechadura da porta do apartamento 9B, girando-a com facilidade. O edifício podia datar do período pré-guerra, mas o sistema de segurança era moderno. Se não fosse por sua amiga Brittany, Rachel jamais poderia ter se mudado para um endereço de tamanho prestígio. A pergunta que não queria calar era por quanto tempo mais ela ainda conseguiria arcar com os custos daquele apartamento sem um incremento significativo em sua renda.
– Espera aq...
– Eu adoraria entrar, obrigada.
O peito de Quinn bateu no ombro de Rachel ao passar por ela para abrir a porta, provocando mais uma vez aquele indesejável frisson.
Por que justo Quinn Fabray tinha que mexer com ela daquele jeito?
Rachel a olhou por uns cinco segundos, pensando se seria realmente sensato deixa-lo entrar, e então decidiu que não valeria a pena discutir. Quinn iria embora em poucos minutos. Ela a deixou para trás e cruzou a sala de estar em direção á cesta onde havia guardado as revistas e cartas de Brittany. Ao se virar com o maço em suas mãos, ela encontrou Quinn logo atrás de si e perdeu o fôlego com a sua proximidade. Ela estendeu as correspondências, empurrando a sua barriga plana e firme, numa tentativa de fazê-la recuar.
– Aqui está. Muito obrigada por vir pegá-la. Eu a acompanharei até a porta.
Quinn permaneceu imóvel, bloqueando a passagem dela com seu corpo, e manteve o olhar fixo no dela enquanto pegava a pilha de cartas. Seus dedos roçaram nos delas. Aquele contato fugaz atingiu Rachel como o impacto de um trem de metrô em excessiva velocidade, acelerando o seu pulso, encurtando sua respiração e deixando-a ridiculamente louca de desejo.
Logo em seguida, Quinn piscou seus longos cílios, libertando-a do seu feitiço. Avaliou a decoração high-tech toda em rosa e branco da sala dela. Rachel podia jurar que ela estava checando cada uma de suas novas aquisições.
– Você mudou bastante coisa por aqui desde que Brittany foi embora.
– Algumas – Ela já havia estado dezenas de vezes naquele apartamento, porém não recentemente, e nunca se Santana ou Brittany como um anteparo. – Você não vai querer se atrasar para o jantar.
– Estou com tempo.
Rachel rangeu os dentes, frustrada.
– Eu quero mais de você do que apenas a correspondência de Brittany, Rachel.
Como se ela já não soubesse. Mesmo assim, essas palavras mexeram com Rachel. Também já havia pensado em ter algo mais com Quinn uma vez ou outra, em seus momentos de fraqueza. Ter algo a mais com ela provável mente seria bom, considerando toda a prática que ela supostamente tinha, mas aquela mulher e aquele momento eram completamente errados. Rachel precisava se concentrar em organizar a sua vida antes de permitir que outra pessoa entrasse nela.
Rachel cruzou os braços e se virou na direção dela.
– Mas que surpresa! Só que existe uma pequena palavrinha: Não, n-a-o-til. Tenho certeza de que você já a conhece, uma vez que eu falo pra você tão frequentemente.
Os cantos da boca de Quinn se contraíram como se ela estivesse tentando conter um sorriso. Rachel seria capaz de apostar que Quinn gostava daqueles pequenos duelos verbais. Por que outro motivo ela a provocaria daquele modo cada vez que se encontravam?
– Você vai mudar de ideia assim que ouvir a minha proposta.
Mais uma vez, nenhuma surpresa. Mesmo assim, Rachel sentiu a sua boca secar, pois certamente teria de lhe dizer não mais uma vez e estava ficando cada vez mais difícil pronunciar aquela única palavra.
– Duvido.
Quinn tirou o casaco e o colocou sobre o seu braço, revelando um vestido frente único preto que marcava suas curvas, fazendo que Rachel salivasse.
– Eu preciso da Affairs by Rachel.
Ela havia proferido a única frase que lhe garantiria a atenção de Rachel, em vez de sua imediata expulsão.
– Para quê?
–A Fabray & Associates acaba de fechar um contrato muito lucrativo e eu gostaria de recompensar a equipe pelo empenho.
Quinn definitivamente sabia como atiçar o interesse de uma garota. Uma festa para e empresa dela poderia ser algo muito bom para os negócios, tanto os de Rachel quanto os de Quinn.
– Que tipo de evento?
– Algo para uns duzentos convidados, incluindo amigos, clientes e algumas celebridades para tornar a coisa mais interessante. A escolha do local é sua, mas eu preferiria algo luxuoso como o Metrapolitan Club.
Tamanho e visibilidade. Classe e influência. VIPs que poderiam ser persuadidos a vir a usar os seus serviços em futuros negócios. Aquilo não significava exatamente dinheiro no banco, coisa de que ela necessitava desesperadamente, mas poderia lhe propiciar o incremento de que o seu negocio tanto precisava.
Como grande advogada de finanças e milionária que era Quinn tinha o tipo de contatos que lhe poderiam ser uteis em seu trabalho.
Rachel sabia que haveria algumas condições. Uma negociante astuta como Quinn não deixaria de impô-las.
– Quero detalhes.
Ela lhe deu um orçamento que a fez salivar.
– A questão é que eu gostaria de fazer isto dentro de um mês. Quanto mais cedo, melhor.
– Isso pode ser um problema.
Mas uma ajuda e tanto para suas finanças.
– Se não puder fazê-lo, eu posso procurar outra pessoa.
Quinn estava jogando com ela e sabia exatamente o que fazer. Rachel não havia deixado de perceber a expressão de desafio nos olhos dela, nem o ângulo do seu queixo.
– O que a faz pensar que eu estaria disponível com tão pouca antecedência?
– Brittany mencionou que você teve um cancelamento inesperado.
Ela sabia que não devia aceitar a oferta de Quinn. Ela era exigente, impaciente e obcecada pelo trabalho como o seu pai. Seria um inferno trabalhar para ela, a menos que Quinn permanecesse fora do seu caminho, e ela duvidava que o fizesse.
Mas não tinha como recusar.
– Se eu aceitar estarei me comprometendo apenas a cuidar da festa, e nada mais, certo?
Ela arqueou a sobrancelha e sua deliciosa boca se curvou maliciosamente.
– Rachel...
– Nada de “Rachel”. Eu não tenho a menor intenção de me transformar no seu mais novo acessório.
O sorriso lento e confiante dela a atingiu no mesmo momento em que seus olhos verdes pousaram em suas pernas.
– Mas nós seríamos muito boas juntas.
Era exatamente isso que ela temia. Quinn provavelmente seria incrível, até o momento que decidisse dispensa-la. E ela ficaria com mais um relacionamento fracassado em sua lista.
– Mas como você mesma salientou eu sou uma advogada. Sei que não devo forçar a situação quando não sou bem-vinda. Encontre-se comigo amanhã para discutirmos os detalhes da festa. Park café, ás 16h.
– Mais isso é daqui a menos de 24 horas.
– Tempo suficiente para você decidir se pode dar conta disso ou não. – respondeu Quinn, seguindo em direção á porta e fechando-a silenciosamente atrás de si ao sair.
Ela se mataria de trabalhar, mas não deixaria de aceitar o desafio que Quinn lhe propusera.
Não tinha escolha.
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