Amor Vizinho
3 Seria Uma Chance?
Conversa no WhatsApp
– Ben? Sou eu, o Lucas.
– E ai, Lucas. O que mandas?
– Eu queria saber se é possível você liberar teu WIFI pra mim? Se não poder tudo bem, sem problemas ...
– Okay, posso sim. Quando eu chegar do estágio eu coloco pra ti.
Fim da conversa no WhatsApp
Toda a esperança do Benjamin foi por água abaixo depois desse pedido. Ele até conseguiu achar graça da situação, já que não foi por causa de menina ou algo do tipo. Mas ele percebeu uma coisa importante, mas nada legal: As pessoas podem usar teu amor para que você possa fazer algum favor para elas, sem que elas tenham que te recompensar. E o amor não é só esse lado bonitinho que a maioria vê.
Mais tarde, o Ben chega do estágio e encontra o Lucas na porta de casa, que fica de frente para a sua casa. Eles se cumprimentam com um sinal de sim com a cabeça e o Benjamin entra para casa. Só por esse simples cumprimento o Ben já fica nervoso, um pouco fora de si. Ah, o amor ...
Benjamin vai para a porta, para poder colocar a senha do WIFI para o Lucas. O Lucas, que ainda estava na porta, vai até ele.
– E ai, Ben. Tudo bem?
– Tudo sim, Lucas. E contigo?
– Tudo ótimo — o Lucas entrega o celular para o Benjamin poder colocar a senha. O Lucas parece um pouco desconfortável com a situação, mas nada que o abale. E algumas pessoas tendem a sentir vergonha de pedir a senha do WIFI. É como se estivesse pedindo uma nude.
Logo depois de colocar a senha, para a sua total e extrema surpresa, o Lucas toca em um assunto nada agradável:
– Ei, a Adriana Garcia, se não me engano, é tua amiga, num é?
– Aham, é sim. Porque?
– É que ela me chamou no Whats hoje cedo, falando que tinha conseguido meu número no insta, mas eu retirei meu número de lá.
– Oxe. Que estranho — não, não era nada estranho para o Benjamin. Foi ele quem passou o WhatsApp do Lucas para a Adriana, para ver se ela conseguia alguma coisa do Lucas, uma foto sem camisa, uma foto nú ou qualquer outra coisa que lhe interesse.
– Pois é. A nega parece doida. Ela me disse que é do sul, mas nem parece, por causa da forma de escrever.
– Mas ela é. É de Porto Alegre — bastante sem graça e sem conseguir disfarçar que está mentindo, o Benj solta um leve sorriso.
– Pois é. Valeu aí, Ben.
– Por nada, Lucas — logo depois de terminar de falar, a mãe do Benjamin surge por trás dele falando algo, quem sabe, interessante para o ele.
– Ei, Lucas. Tudo bem, meu querido? Deixa eu lhe falar uma coisa. Na verdade, é pedir um favor — o Benjamin começa a se apavorar porque não tem a mínima ideia do que a mãe quer — Será que você poderia dormir aqui em casa com o Benj hoje e amanhã a noite? — Benjamin nunca viu tantos "o que?" surgirem por sua mente. Sua cara de "A SENHORA ESTÁ LOUCA, QUERIDA?" é tão clara que o Lucas olha para ele e ri — É porque a gente vai viajar pra Vitória da Conquista, para o Fernando, irmão do Ben, fazer um exame, e o Ele não vai conosco ... — em um ato imprudente, ou não, o Benjamin interrompe sua mãe.
– Mãe, a senhora ta louca? Não tem necessidade disso. Olha minha idade. Pelo amor de Deus.
– Mas, meu filho. Já mataram quatro nas ruas próximas daqui, está muito perigoso. Não quero que você fique sozinho aqui.
– Foram 3, mãe. E não precisa ninguém dormir aqui comigo.
– Precisa sim. Então, você aceita, Lucas? — nesse momento surgem dois partidos políticos na cabeça do Benj: O PAL (Partido do Amor ao Lucas) e o PCV (Partido Contra a Vergonha).
– Sim, Dona Helena. Aceito.
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