Amor Vizinho
4 O Inacreditável
Notas iniciais
– Então, Lucas: você aceita dormir esses dois dias aqui em casa com o Ben?
– Sim, Dona Helena. Aceito — que comece um conflito na cabeça do Benjamin ...
Com o coração na boca, respiração aflita e mãos soando frio, o Ben escuto aquela resposta. E ele percebe que não pode fazer nada para impedir isso. Mas, porque ele quer impedir isso?
– Então, quando você quiser você pode trazer suas coisas pra cá, viu Lucas?
– Sim, dona Helena. Daqui a pouco eu venho pra cá. Preparado, Ben? — ainda sem acreditar nesse acontecimento e meio atordoado, o Benjamin responde.
– Sim, Lucas. Estou.
Dona Helena agradece o Lucas por ter aceito e entra para casa. O Lucas também sai para ir buscar suas coisas. Logo depois o Benjamin acompanha sua mãe.
– A senhora está louca? Como que a senhora chama nosso vizinho para dormir aqui? A senhora nem conhece ele direito ... Fora que me fez passar vergonha.
– Mas, meu filho, sem querer falar mal de ti, mas olha teu porte e o olha o do Lucas — o Lucas é maior e mais forte que o Benj, tem um corpo de academia. Já o Benjamin é bastante magro — E com os acontecimentos recentes não da pra vacilar, meu amor. E eu to fazendo isso porque te amo.
– Recuso esse amor que me faz passar vergonha.
– Por nada, meu filho.
O pai do Ben pega as malas e as coloca no carro. Seu irmão, sua mãe e seu pai se despedem dele e entram no carro para viajar. Logo depois o Benjamin entra para casa e ainda não conseguiu acreditar nisso que aconteceu/ vai acontecer.
Ele se senta no sofá para tentar digerir isso. Ele divide isso em duas partes: A boa e a ruim. A boa é que ele terá uma aproximação maior com o Lucas, e, talvez, aconteça algo. E a ruim é que ele ainda, sem saber o porque, sente vergonha por o Lucas saber sobre seu gostar, e também essa aproximação pode abalar ainda mais teus sentimentos. Mas ele acredita que a parte ruim irá reinar mais que a Madonna no mundo Pop.
Logo depois de dividir as opções ele escuta o Lucas chamando.
– Ben? Posso entrar?
– Oi. Pode sim — com um grito o Benjamin deixa o Lucas entrar mais em sua vida.
– E ai. Beleza? — com um jeito meio vergonhoso, o Lucas cumprimenta o Benjamin e o encara, em pé, na porta.
– Beleza. Entra ai. Fica a vontade.
– Com licença — o Lucas se senta ao lado dele.
– Nem preciso colocar a senha no teu celular, né? — o Ben solta uma leve risada, raciocina e percebe que falou merda.
O Lucas também da um leve risada e confirma.
Um silêncio toma conta do ambiente e nenhum dos dois sabem como fazer isso acabar. Na verdade, o Benjamin sabe, mas o Lucas não quer acabar com o silêncio dessa forma.
– Vou procurar um filme. Tem que estar passando um legal — parece uma ótima ideia. Mas só parece — Você gosta de que tipo de filme? Terror, ação, romance ou humor?
– Gosto muito de ação. Que tenha tiros e mortes.
– Mas hétero sempre gosta de filmes de ação — Vamos começar a contar quantas merdas o Benjamin vai falar na noite — Gays sempre preferem romances ou terror — com essa são três merdas ditas.
O Lucas da uma risada e encara o Benjamin. Mas não o encara normal. Tem algo de diferente nesse olhar.
– Pronto, achei. Gigantes de Aço. É ótimo esse filme.
***
O tempo se passa, quase uma hora do filme também se passa, o Lucas parece mais interessado no celular e o Benjamin ... Bom, ele está lá, fazendo presença, mesmo parecendo um morto.
Para a sua sorte, ele começa a sentir sono e não quer perder essa oportunidade.
– Bom, eu já to com sono, porque eu to um pouco cansado. Vou deitar, ok?
– Sim. Eu também estou com sono. Onde eu vou dormir?
– No meu quarto — o olhar de "no seu quarto?" do Lucas é mais nítido que uma TV em HD — Na cama do meu irmão. A gente dorme no mesmo quarto.
O Benjamin pergunta a ele se ele gostaria de comer algo e ele recusa. Eles escovam os dentes e vão deitar.
O quarto, que é pequeno, tem duas camas e uma cômoda. Ao abrir a porta do quarto o Lucas fica de frente pra cama onde ele vai dormir. Ao seu lado esquerdo está a cama do Benjamin, que não fica muito distante da cama do seu irmão e da porta. À direita está a cômoda, quase atrás da porta.
Os dois se deitam, se enrolam e tentam começar a dormir logo.
– Eu imaginei que você iria tentar algo comigo hoje — o Lucas quebra o silêncio da noite com uma dúvida.
– Eu tenho vergonha na cara. Não sou essas menininhas piranhas que você fica, não — o tom é de calma e humor mas o recado foi recebido com sucesso.
– Ah, desculpa se ofendi — o Benjamin da uma leve risadinha, para descontrair.
Os dois fecham os olhos ao mesmo tempo. O Ben abre os seus logo depois, para poder admirar seu monstro emocional que está bem pertinho. Para o seu azar, o Lucas também abre os olhos. O Benjamin fecha rápido o seu, mas o Lucas percebe que ele tava encarando.
– O que foi? — pergunta o Lucas, com um leve sorriso no rosto.
– Nada — responde o Benjamin.
Os dois fecham os olhos por definido. Passa alguns segundos e o Benjamin percebe que o Lucas se sentou na cama e o ficou encarando. Em um ato totalmente inconsciente o Lucas se levanta, vai até a cama do Benjamin, sobe na mesma e deita ao lado dele, com a barriga pra cima. O Benjamin está totalmente nervoso. Não sabe o que pode acontecer ou o que vai acontecer. O Benjamin está deitado pro lado direito da cama e o Lucas está deitado ao seu lado, de barriga para cima.
Em mais um ato inconsciente, o Lucas também deita para o lado direito e abraça o Benjamin, por trás, ficando os dois deitados de conchinha.
Nesse momento, com o Lucas abraçado a ti, o Benjamin já não sabe o que sentir, o que pensar ou o que fazer. Ele, simplesmente, deixa acontecer.
– Vamos dormir? — pergunta o Lucas, que está nervoso com o que acabou de fazer, mas que também não sabe o que pensar ou sentir, apenas deixa acontecer.
– Sim, vamos.
– Ok. Boa noite, Ben.
– Boa noite, Lu.
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