Amor Virtual
25 Desespero
Notas iniciais
Após 2 semanas indo a psiquiatra todos os dias nos tornamos grandes amigos, ela realmente é uma pessoa maravilhosa, ela acredita em mim e sabe muito bem do que Toddy é capaz, hoje é minha última consulta, confesso que terei saudades, desde o primeiro dia ela soube que eu não era doido e passamos a maios parte do tempo falando de nossas vidas, livros, música.
– Está feliz? – Rachel pergunta.
– Mais ou menos – Digo segurando a mão de Rachel no momento em que entramos no hospital.
– Hoje é sua última consulta – Ela diz.
– Eu sei – Falo me sentando em uma das cadeiras da recepção do hospital, esperando minha vez – Você sabe, passei a gostar da doutora Emily.
– Sério – Ela me olha com ciúmes.
– Claro – Digo – Mas não é desse jeito que você está pensando.
– Eu sei – Ela diz e sorri – Fico feliz por seus pais terem esquecido dessa sua loucura que não existe.
– É – Digo suspirando – Depois que aceitei a fazer essas consultas diárias, eles pararam de me chamar de louco e outras coisas.
A porta se abre e a mulher vem em minha direção, ela me olha e sorri, um sorriso incrível. Ela está com uma blusa azul turquesa e uma calça preta, seus cabelos loiros estão presos em um coque e seus olhos castanhos se encontram com os meus.
– Ethan Leif – Ela diz parando na minha frente – Meu paciente preferido.
– Preferido — Digo a abraçando — Dessa parte eu ainda não sabia.
– Saiba que é — Ela diz indo ao meu lado até a sala dela.
Rachel entra e se senta em uma cadeira ao meu lado.
– Sua namorada? — Ela pergunta apontando para Rachel.
– Sou sim — Rachel responde e estende a mão para Emily — Rachel Campbell, Prazer em conhecê-la.
– O prazer é todo meu — Ela diz cumprimentando Rachel — Não precisa sentir ciúmes de mim e Ethan Ok?
– Ok — Rachel diz sorrindo.
– Sou casada — Ela diz — Quer dizer, sou muito bem casada.
– Que bom — Rachel diz sem querer.
– Rachel — Digo baixinho a olhando.
– Deixe sua namorada — Emily diz se sentando atrás de uma mesa de escritório branca cheia de papéis arrumados por ordem alfabética.- Eu entendo, por mais que não pareça eu também tenho alguns ataques de ciúmes.
– Toddy te mandou alguma mensagem ou alguma coisa assim — Pergunto curioso.
– Toddy — Rachel me olha sem entender nada.
– Sim — Emily olha para Rachel — Ele anda me mandando mensagens.
– Que tipo de mensagem? — Ela pergunta alternando os olhares entre mim e Emily.
– Ele quer que ela fale para meus pais me internarem em uma clínica, um hospício ou algo do tipo — Digo.
– Por que não me contou isso antes? — Ela pergunta.
– Por que não queria te preocupar com meus problemas — Digo e ela me olha.
– Não posso negar que estou um pouco chateada, quer saber, já passou — Ela diz me beijando — impossível eu ficar chateada com você.
– Vocês formam um casal Perfeito — Emily nos olha sorrindo.
– E a consulta? — Pergunto.
– Não irá ter nenhuma consulta — Emily diz sorrindo — Só queria me despedir do meu paciente favorito — Ela diz — Vou sentir falta de suas brincadeiras e piadas bobas, do seu sorriso contagiante, de você cantando na maior altura pelos corredores do hospital — Nessa altura Emily já estava chorando, ela se levanta e me abraça — Você com esse seu jeito despreocupado me ensinou o verdadeiro sentido de viver e como ainda tem pessoas boas nesse mundo, me ensinou que independente de nossa idade, é e eu já estou quase nos 40, não podemos perder a criança que vive dentro de nós, você é jovem, mas tão sábio, você é sincero, honesto, divertido, te ter essas semanas aqui foi sensacional, acho que ri nessas semanas mais do que já ri em toda minha vida.
Rachel me olha e sorri, ela está meio confusa no meio da despedida.
– E você — Emily diz se sentando ao lado de Rachel — Tirou a sorte grande, ter um garoto desse ao lado deve ser incrível.
– É sim — Rachel diz me olhando e sorrindo.
O telefone de Emily toca e ela vai até a mesa para atendê-lo, ela atende e me entrega o telefone.
– É para você — Ela diz — É Toddy.
– Alô
– E aí irmãozinho.
– O que quer comigo? — pergunto irritado
– Eu acho que você deveria voltar para casa o mais rápido o possível — Ele diz dando uma risada e no fundo consigo escutar a voz de Adam gritando alguma coisa, mais não consigo entender.
– O que fez com Adam? — Grito ao telefone.
– Espere que vou passar o telefone para Adam.
– Ethan — Adam diz, a voz está baixa e ele respira freneticamente, como alguém que acabou de correr um maratona — Ele quer ... — Adam começa a dizer e escuto um barulho alto como se alguém houvesse sido derrubado.
– Desculpe — Toddy diz sorrindo — Mas tive que apagá-lo, ele iria contar meu plano.
– O que você ... — Começo a dizer mais a ligação cai.
Seguro a mão de Rachel e a puxo para fora da sala, ela me olha assustada, seus olhos azuis estão me encarando sem parar enquanto corremos até o carro.
– O que aconteceu? — Rachel pergunta com medo.
– Toddy — Digo passando em um sinal vermelho e quase somos atingidos por um ônibus.
Rachel grita e me olha.
– O que Toddy fez? — Ela pergunta me olhando.
– Ele disse que teve que apagar Adam — Digo e Rachel me olha — Ele está fazendo alguma coisa e tenho que impedir, nunca vou me perdoar se Adam morrer.
Acelero mais ainda o carro passando dos 100 quilômetros por hora e chegamos a casa em 5 minutos, um caminho que demora uns 35 minutos. A casa está completamente silenciosa, nenhum sinal de que tenha alguém lá.
– O que vamos fazer? — Rachel pergunta indo na direção da porta, a puxo para o lado quando vejo uma sombra pela janela, olho e vejo Toddy com uma arma na mão.
– Meu Deus — Digo apavorado — Toddy está com uma arma.
– O que vamos fazer? — Rachel pergunta novamente.
– Vamos entrar e pegar uma arma que meu pai tem no quarto dele — Digo — Depois vamos voltar e entrar na casa pela porta da frente — Digo colocando a escada que vai até a minha janela — Liga para a polícia Ok?
Rachel e eu subimos a escada rapidamente, andamos pelo andar de cima todo e não vimos ninguém, fomos ao quarto de meus pais, pegamos a arma e um cartucho e descemos pela escada. Nos preparamos e entramos pela porta da frente, mas antes arranjo um jeito de esconder a arma. Rachel desliga o telefone segundos antes de entrar na casa, a essa hora a polícia já deve estar a caminho.
– Que bom que vocês chegaram — Toddy sorri e aponta a arma na direção de minha cabeça, Rachel se esconde atrás de mim — Quero que vocês se juntem a eles — Toddy diz apontando para o canto da sala de estar, perto de uma pequena lareira. Olho para o local e vejo meus pais amarrados, Sophia está chorando e Adam está desacordados deitado no colo dela, vou até lá e fico em pé.
– O que você quer com a gente? — Pergunto.
– Desculpa por nunca ter acreditado em você — Meu pai diz me olhando, um olhar triste e piedoso, o olhar dele me machuca.
– Cala a Boca — Toddy grita — Acho melhor todos ficarem calados, aí posso acabar com isso mais rápido.
– Você é um cafajeste — Minha mãe grita com Toddy — Esse tempo todo enganou a gente, mas você não terá coragem de matar alguém.
Toddy dá um tiro que acerta a perna do meu pai, ele grita desesperado, me abaixo para ver a ferida, o sangue começa a escorrer pela perna de meu pai e entrego um pano a minha mão para impedir um pouco a saída do sangue, tiro a arma do bolso da calça e aponto para Toddy.
– Agora vai dar uma de herói — Toddy diz sorrindo ironicamente e nem se importa com a arma apontada para ele.
– Vá se fuder — Digo atirando na direção dele, mas ele saiu minutos antes e o tiro atingiu a televisão.
Toddy se levanta novamente e aponta a arma para minha cabeça.
– Como foi fácil enganar vocês dois — Toddy aponta o dedo para minha mãe e meu pai e sorri — Vocês são dois patetas, vocês acham que eu não sabia que era filho de vocês, eu sabia sim e quando soube que vocês eram ricos vi uma oportunidade imensa de ter o dinheiro só para mim, fui até o acampamento e tentei matar os seus filhos, mas esses dois idiotas tem sorte, principalmente o dos olhos azuis. Enganei vocês e vou matar um por um para ter a herança só para mim.
– Por favor — Grito — Solta essa arma, eu não quero te matar.
– Mas eu quero te matar — Ele diz, quando ele vai apertar o gatilho uma pessoa aparece na porta, é Emily.
– Agora você está em desvantagem Toddy — Emily grita — Desista!
– Nunca — Toddy diz atirando em Emily que desaba no chão — Menos uma pessoa — Ele diz sorrindo.
Aponto a arma para a direção do coração de Toddy.
– Seu Desgraçado — Grito e atiro, mas ele corre e o tiro acerta novamente a televisão. Ele atira em minha direção e a bala passa a pouco centímetros da minha cabeça.
– Adeus Ethan — Ele diz apertando o gatilho, mas a arma falha e ele me olha assustado.
– Adeus irmãozinho — Digo apertando o gatilho e o tiro acerta o peito de Toddy que cai em cima da mesinha de centro da sala quebrando-a em vários pedaços, ele fica lá sangrando e cheio de cortes, vejo ele morrendo aos poucos , até que seus olhos fecham e percebo que meus problemas estão acabados para sempre.
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