Amor Virtual
18 Último dia no Acampamento
Notas iniciais
Acordo com uma dor de cabeça imensa, não reconheço o lugar que estou pois não estou conseguindo enxergar.
– O que aconteceu comigo? — Pergunto tentando me levantar, a falta de visão me apavorava cada vez mais.
– Fique calmo — Escuto a voz doce e suave de Rachel, ela aperta minha mão.
– Te encontraram jogada em uma das trilhas — Rachel diz.
– Por que não estou enxergando? — Pergunto desesperado.
– Sua visão vai voltar ao normal daqui a pouco — Ela diz — Você tem ideia de quem possa ter feito isso.
– Sim — Digo — Foi Toddy.
– Aquele garoto ficou louco — Ela diz nervosa, a visão começa a voltar, abro os olhos devagar tentando me acostumar com a luz do sol que entra por uma pequena janela de madeira em um dos cantos da sala, o local parece uma enfermaria improvisada.
– Temos que contar isso para o senhor Craig — Digo me levantando e uma sinto uma pontada na barriga, levanto a camisa e vejo uma grande marca roxa, vou até o espelho e vejo meu rosto, meu olho está um pouco inchado, minha boca está cortada, deve ser o dente que cortou ela quando levei o chute de Toddy.
– Vamos com calma — Rachel diz parando ao meu lado e me ajudando a andar, a cada passo que dou sinto pontadas e dores horríveis pelo corpo — A sala do senhor Craig é aqui ao lado.
– Não sabia que existia uma enfermaria improvisada aqui — Digo tentando sorrir.
– Nem eu — Ela diz sorrindo.
Entramos na sala do Senhor Craig e nos sentamos em umas cadeiras paradas no canto da sala, explico tudo ao senhor Craig, mas ele não acredita em mim.
– Isso é impossível — Ele diz e sorri irônico — Toddy nunca faria isso.
– Ele deve ter ficado nervoso pois ganhei aquele concurso idiota — Digo aumentando o tom de voz — E aquela frase que escutei antes de morrer.
– Sinto Muito Ethan — Ele diz — Mas não temos provas, então não acredito no que está dizendo.
– Mas que Merda — Grito e minha garganta dói — Parece que ninguém nunca acredita em mim.
Saio da sala bravo e até me esqueço que estou mal andando, Rachel chega ao meu lado e me ajuda.
– Estou pensando em um programa para nosso dia? — Rachel diz.
– O que acha de passarmos o dia todo em nosso cantinho particular? — Ela pergunta.
– Acho uma ótima ideia — Digo.
Depois de passarmos no acampamento e pegarmos comida, fomos direto para o lago.
– Irei sentir saudades daqui — Rachel diz se sentando ao meu lado na grama.
– Eu também — Digo — E pensar que eu estava odiando a ideia de vim para cá.
– Irei sentir sua falta — Ela diz se deitando no meu colo, fico em silêncio e mexendo no cabelo de Rachel por um tempo.
– Eu também sentirei — Digo sorrindo — Muita saudade.
– Nunca pensei que eu ia ficar tão grudada em você ´- Ela diz — Você se tornou uma parte de mim, não consigo parar de pensar em você.
– Eu também não paro de pensar em você — Digo a olhando — Por mais que eu odeie, eu vou sentir falta de você me chamando de bebê.
– É tão estranho — Ela diz — Você não poder estar ao lado da pessoa que você ama todos os dias.
–Sempre darei um jeitinho de ir te visitar — Digo.
Passamos a maior parte da tarde ali e resolvemos arrumar tudo antes de sair, escrevemos nossos nomes em uma arvore, para sempre ficar gravado que estivemos naquele lugar.
A noite se chegou rápido, depois de tomarmos banho Rachel e eu ficamos abraçados em um dos bancos improvisados do acampamento, ao saber que amanhã vou acordar e não ter ela ao meu lado dói.
Então é chegada a hora, os ônibus estão todos esperando na entrada do acampamento, vamos todos para lá, as pessoas começam a entrar no ônibus, o lugar parece um formigueiro, cheio de pessoas, muitas se esbarrando uma nas outras, outras tropeçando e levando tombos hilários.
Olho para Rachel e percebo que ela está chorando.
– Não fica assim pequena — Digo a abraçando.
Ela me abraça mais forte, não queria me soltar daquele abraço, era tão reconfortante, tão caloroso, ela me beija e olha em meus olhos.
– Promete que vai me ligar quando chegar lá — Ela diz.
– Prometo — Digo e a beijo novamente, ela me abraça forte, ela começa a chorar.
– Rachel, temos que ir — O senhor Craig a chama — Todos já entraram no ônibus.
– Eu te amo Ethan — Ela me dá um beijo rápido, vai na direção do ônibus e entra.
– Foi um prazer imenso te conhecer — Senhor Craig fala e estende a mão.
– Uma pena que não posso dizer o mesmo — Saio do local e deixo ele sozinho com a mão estendida.
Entro no ônibus e me sento em uma cadeira sem ninguém ao lado no final do ônibus. Fico pensando em quando verei Rachel de novo e se algum dia estaremos juntos de verdade, sem ninguém para nos atrapalhar, me pergunto se algum dia terei a chance de tê-la só pra mim.
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