Amor Verdadeiro
14 A Fuga
Notas iniciais
– Me solta — Grito — Por favor, não me mate.
Acordo todo suado, ótimo, acabo de ter mais um dos pesadelos. O local claro é irreconhecível, minhas mãos estão soltas, me levanto da cama e corro até uma das janelas, mas há grades, tento achar uma saída, mas todos as saídas da casa estão trancadas e com grades grossas, impossível de arrancá-las. Pela porta da frente grito mas o homem parado a alguns metros dali parece não me escutar.
Escuto um barulho de carro, e vejo quando o homem de olhos pretos sai do carro, ele usa calça e uma camisa branca o que deixa o preto de seus olhos ainda mais escuro. Corro para a cozinha e pego uma faca.
– Filho — O homem grita ao destrancar a porta, mas não respondo.
O homem vai até a cozinha e me vê.
– Sai de perto de mim!! — Grito apontando a faca para o homem — Seu psicopata desgraçado.
– Eu te trouxe comida — O homem diz colocando a comida em cima da mesa.
– Eu não quero nada — Digo derrubando as coisas da mesa — Só quero ver meu pai.
– Você está olhando para ele — O homem chega perto de mim, meus joelhos falham e tenho que me sentar a mesa.
– Você não é o meu pai!! — Grito e o homem me dá um soco na cara.
A dor insuportável atinge meu rosto, parece que tudo a minha volta começou a rodar, vejo o homem andando de um lado para o outro.
– O que foi que eu fiz — O homem diz, parece que está brigando com ele mesmo, ele não parava de dizer as mesmas coisas.
De repente tento me levantar, as dores no corpo se tornaram piores e sem os remédios a tendência é piorar, tento andar até o quarto mais caio na escada e apago ali mesmo.
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– Lauren — Martin acorda, o rosto está um pouco inchado — Meu amor.
– Martin — A mulher sorri para o homem — Que bom que está bem?
– Como está tudo? — O homem pergunta e se lembrando do que ocorreu muda de pergunta — Onde está Josh?
– Harold o levou — Lauren diz — O FBI está atrás dele.
– Isso só pode ser um pesadelo — Martin diz com raiva — Parece que a vida sempre arranja um jeito de tirar Josh de nós.
– Fica calmo — A mulher diz olhando para o marido — O FBI disse que ele vai ficar bem, diz eles que Harold vai cuidar de Josh como se fosse filho dele.
– E os remédios — Martin diz preocupado.
– Ai Meu Deus — Lauren diz nervosa.
– Agora você se dá conta de que isso é pior do que se imagina — Martin diz tentando se levantar — Aquele médico disse que se Josh não suporta dois dias sem remédios, os pulmões dele estão fracos, ele mal respira e sem contar as dores no corpo.
– Temos que ser rápidos — Lauren diz.
– Josh está morrendo aos poucos — Martin diz.
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– Senhor — Consigo enxergar um homem branco ao lado do homem de olhos pretos — Temos que levar ele para o hospital, ele está frio, ele não consegue respirar.
– George — O homem olha para mim e volta para o homem branco — Se levarmos ele, eu corro o risco de ser preso.
– Mas Harold — O homem diz — Ele não vai sobreviver assim, você vai matar seu filho.
– Eu não vou deixar ele morrer — Sinto o homem passando as mãos em meus cabelos — Esperei tanto tempo para achar ele.
– Você matou muitas pessoas — O homem diz — Parece mesmo que vai fazer de tudo par ficar com ele.
– Já estão te procurando por Long Beach — George diz sorrindo, os olhos deles param em mim — Mas nunca nos acharão aqui.
– Preciso de ir a cidade comprar alguns remédios — Harold diz olhando para o homem na sua frente — Você vigia ele para mim.
– Claro — O homem diz sorrindo.
Harold sai do quarto e o homem vai logo atrás. Me levanto quando escuto o carro sendo ligado e George indo em direção a um curral. A casa é envolta por arvores, por todos os lados, impossibilitando a vista, não consigo ver se por perto há alguma outra propriedade. Desço as escadas lentamente, não consigo correr, as pernas doem e a falta de ar me apavora. Vejo meu celular em uma mesinha ali e corro até ele, tento ligar, mas quando o abro, vejo que está sem bateria.
– Caramba!! — Resmungo e tento achar algum lugar por ali, por onde eu possa fugir e pedir ajuda.
Ando pela casa toda até que chego a sala de estar, um tapete grande ocupa a metade do cômodo e a luz do sol entra pelas janelas, vejo um pedaço de metal brilhando. Puxa uma pequena tranca e abro.
– Um porão — Falo comigo mesmo sorrindo.
Me esforço para passar pela pequena entrada e as dores aumentam conforme eu ando. Procuro pelo porão algum tipo de janela que possa me levar para o lado de fora, um barulho alto me desconcentra e caio no chão, consigo enxergar a pequena janela em um dos cantos escuros do porão, ao luz do sol que entra por ela está fraca. Escuto novamente o mesmo barulho, ligo um pequena lanterna azul e ilumino o local, o barulho vem de uma porta. Vou até lá, abro e a porta e um garoto sai correndo quando me vê, ele deve ter no , máximo uns 12 anos.
– Ei — Digo me apoiando em uma pequena mesa para levantar — Pode sair daí, eu não vou te machucar.
O menino moreno sai de trás de um prateleira, e me olha.
– Como chama? — Pergunto ao menino que me ajuda a levantar.
– Josh — O menino pequeno diz, ilumino seu rosto, está cheio de hematomas roxos — E você?
– Também me chamo Josh — Digo sorrindo e consigo ver o sorriso do menino, como se eu fosse sua única salvação — Você está aqui a quanto tempo?
– Faz alguns meses — O menino diz me olhando — Eu soube quando você chegou, escutei Harold e George falando alguma coisa.
– O que falaram? — Pergunto curioso.
– Que agora acharam o garoto certo — O menino diz — Parece que estão matando famílias a procura de um menino, parece que acharam, e eles agora pretendem me matar.
– Tem mais alguém aqui? — Pergunto.
– Tem um garoto que com o nosso nome — O menino diz — Eles levaram ele para um pequeno celeiro — Ele é mudo, eu não conseguia entender nada do que o garoto falava.
– Ele ficou aqui com você? — Pergunto sentindo uma pontada na cabeça.
– Levaram ele para lá hoje cedo — O menino diz me olhando — Parece que vão matar ele
– Quando? — Pergunto.
– Daqui a pouco — O menino diz apontando para o céu escurecendo.
– Nós temos que sair daqui — Digo e o menino me olha.
– Como? — O menino pergunta.
– Tem alguma ferramenta? — Pergunto e o menino me entrega um martelo, suas mãos estão cheias de cortes e sangue.
Vou até a janela e a quebro, o menino me olha assustado, tiro todos os cacos de vidro e ajudo o menino a sair, ele estende a mão e passo pela pequena janela, quando passo o ar me falta, mas o vento que vem da mata me ajuda.
– Vamos — Digo andando, o menino está na minha frente, o puxo para trás da casa rápido antes que George o veja, quando ele entra dentro da casa aproveitamos para correr até o celeiro.
– Temos que correr — O menino me puxa — Quando soube que não estamos lá, ele vai vim aqui nos procurar.
Entramos no celeiro, Josh me olha com seus olhos castanhos, ligo a lanterna novamente e vejo o menino de olhos verdes a nossa frente, tampo a boca de Josh quando vejo que ele vai gritar.
– Não grita — Digo olhando para os olhos castanhos do menino — Me ajude a desamarrar ele.
Desamarramos o garoto que nos olha desesperado. O menino faz alguns sinais e por sorte consigo entender, pois já fiz algumas aulas Libras.
– Nós vamos te ajudar — Digo e o menino lê meus lábios — Temos que ir.
Saímos do celeiro rapidamente.
– Caramba!! — Josh me olha com seus olhos castanhos e aponta para George na porta da casa, um arma grande em suas mãos.
– Corre — Grito ajudando menino mudo, ele me olha assustado, suas mãos apertam as minhas, ele deve ter no máximo 9 anos.
Um tiro acerta o celeiro e corremos para dentro da mata, o lugar está frio, minha respiração está horrível, mas a única coisa que penso é em ajudar esses dois e fugir desse lugar, apresso os passos e escuto George xingando.
– Deve que o despistamos — Josh me olha com seus olhos castanhos, sento nas folhas ao chão e me encosto na árvore grande.
– Vocês dois tem que ir — Digo sorrindo — Estão vendo aquela estrada, vocês vão e pedem ajuda — Olho para os lados procurando alguma referência, vejo o nome de uma fazenda em uma das placas, Fazenda Stanford High — Falem aquele nome e digam que estou aqui.
– Não vamos sem você — O menino faz alguns sinais com a mão.
– Vocês precisam ir — Digo lentamente para que ele consiga ler meus lábios — Só vou atrasar vocês, não consigo respirar e estou com muitas dores.
– Não faz isso — O menino de cabelos e olhos castanhos escuros me olham — Por favor, você vem com a gente, nós não conseguiremos sem você.
– Claro que vocês conseguem — Digo — Você precisa guiar ele — Digo olhando para Josh — Muitos não entendem esses sinais, você vai proteger ele, ele é pequeno.
– Tudo bem — O menino diz puxando o garotinho que continua ali.
– Eu vou ficar bem — Digo olhando para a luz da lanterna ao longe — Agora corram!!
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