Amor: Uma história de Equinócio
8 Capítulo VII - Perdão
Notas iniciais
— Meg? — chamei na esperança de que minha noiva respondesse.
Não havia som algum além do vento nas folhas e o chilrear dos pássaros. Esperei por mais dois minutos. Apenas os pássaros se aproximaram. O medo em meu ser se agravou, portanto corri. Eu precisava impedi-la de seguir acreditando que era imprópria para mim.
Corri para os estábulos porque imaginei que Meg gostaria de garantir uma montaria e encontrar a irmã em seu passeio com Lindon, mas ela poderia ter se dirigido para minha casa, despedir-se de minha mãe. Caso fosse essa a situação, estaria eu em tempo para pará-la? Ah, precisava de Bala com urgência!
A dúvida corroía meu corpo. Megára e eu tínhamos criado uma boa relação de companheirismo. Se esse não era um bom começo para um casamento, então o que seria? E minha noiva conseguia acender o desejo em mim. Eu já estava em idade de construir uma família para dar continuidade ao sobrenome e o legado dos Campbell. Se Meg se recusasse, via-me obrigado a procurar outra dama remotamente interessante. Contudo, meu peito se contraía apenas por imaginar uma vida sem Meg ao meu lado.
Nos estábulos, notei uma das baias vazias. Sim, minha linda menina garantira uma montaria. Selei minha égua com rapidez e quase levei coice por demonstrar afobação. Então, galopei rumo à cidade. Nunca me perdoaria se Megára decidisse desfazer nosso compromisso por minha falta de consideração.
Estava quase chegando na cidade, faltava apenas uma curva, quando escutei uma risada melodiosa e cristalina. Fiz Bala ir mais rápido para tentar interceptar Aristemis e o que lhe fazia rir. A última curva foi feita com desespero da minha parte, apenas para parar bruscamente com um choque de realidade.
Lindon esfregava o focinho de seu cavalo na panturrilha da morena e ela ria.
— Onde está Megára? — indaguei ofegante.
O casal franziu o cenho para mim.
— Deixei minha irmã sob seus cuidados, senhor Campbell.
Suspirei e desmontei ao lado da moça.
— Estávamos conversando e acabei por falar-lhe uma imprudência. Tentei desculpar-me, mas minha noiva apenas desapareceu.
Aris revirou os olhos.
— Tentaste voltar para casa? Meg gosta muito de tua mãe e não deixaria sua hospitalidade sem avisar-lhe seus motivos. A mim, ela não voltou, portanto deve fazê-lo em seguida. Gosto de tua cordialidade, senhor Campbell, mas se ousar magoar minha irmã, farei de tudo para que sejas apedrejado como a prostituta de Jerusalém.
— Senhorita Hilbert! — exclamou meu amigo espantado com as palavras da moça.
Sorri em respeito.
— Aprecio sua coragem, senhorita Aris. Garanto-lhe que não foi minha intenção injuriar sua bela irmã. Foi apenas um mal-entendido. Obrigado por ajudar-me.
Montei Bala e voltei apressado para casa, deixando para trás, duas pessoas que riam de minha face atormentada. Porém, quem estaria tranquilo com a possibilidade da pessoa, pela qual depende a vida, deixar-lhe? Impossível!
Não parei para deixar Bala nos estábulos, galopei até a porta de casa. Sei que corria o risco de levar bronca de mamãe, mas não havia tempo a perder. Desci com o coração acelerado e encarei a loira que gargalhava ao lado de Laura. Bala bufava ao meu lado pelo esforço enquanto as mulheres aglomeravam-se na porta.
— Todo príncipe tem, pelo menos, um cavalo branco? — indagou minha linda menina aproximando-se de mim.
Estendi-lhe a mão para que viesse ainda mais perto e sorri. A mão pequena e feminina esticou-se imediatamente para a crina.
— Não sei dos príncipes, mas eu o tenho — retruquei delicadamente.
— É manso? — Seus olhos brilharam.
— Não, mas é muito rápida — assegurei-lhe. — Rápida o suficiente para impedir um pequeno fantasma de fugir. Não é, senhorita? — Semicerrei os olhos.
Suas mãos pararam em sua cintura, os olhos verdes faiscaram e os lábios cheios franziram de raiva. Megára aproximou-se com determinação, sem se importar com o animal arisco ao meu lado. Contudo, Bala não gostou dessa proximidade e bufou em seu cabelo. A moça pulou para longe ofegando de susto. Ri da reação de minha noiva e afaguei a crina de Bala para acalmá-la.
— Além de agir como fantasma, tendes a fazer escândalos?
Todos que assistiam a nossa interação riram, mas a expressão de Meg foi além de pavor e constrangimento. Ela estava furiosa. Marchou em direção à porta, com as saias do vestido levantadas para não atrapalhar seus movimentos.
— Bárbaro, infantil e sem coração! — murmurou.
Outra vez, acabei por exceder-me. Maravilhoso, Xavier!
— Volte, Meg! — pedi-lhe arrependido. — Preciso desculpar-me, mas não posso abandonar Bala aqui — observei lançando um olhar de desculpas para minha mãe.
— Vá para o inferno, Xavier! Tu e tua égua! — gritou desaparecendo dentro de casa.
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