Notas iniciais
Gente, é o seguinte. Eu posso estar brava, posso estar triste, posso estar doente e de mau humor e de TPM, mas tem uma pessoa que sempre está lá comigo e é o meu namorado Gabriel.
E eu sempre achei interessante o modo como as coisas funcionaram entre nós, digo, dá uma história engraçada se olhar para trás.
E logo, logo vamos completar um ano de namoro, e eu queria colocar no papel essa história que se tornou tão importante para mim. E eu, quem lê minhas outras fics sabe disso, gosto de compartilhar tudo com vocês. Porque é um jeito de eu conversar e desabafar. E essa história em especial, eu só gostaria que fosse pública. Mesmo que ninguém a leia, para eu poder dizer que contei a nossa história, com todos os altos e baixos, todas as minhas mancadas e como ele é maravilhoso. É mais uma homenagem ao garoto que salvou a minha vida, literalmente. E ao garoto que continua fazendo isso, mesmo que não perceba.
Espero que gostem.

Eu nunca admiti para ninguém. Mas sou uma das pessoas mais romanticamente influenciáveis que eu já conheci. De livros a filmes, de palavras a ações, tudo tem um significado. E tudo pode ser visto de um ponto de vista romântico.

Quando digo "romântico" me refiro tanto às coisas doces e mágicas do amor, quanto à intensidade explorada no período romântico no século XVIII. E por muito tempo, essas influências me motivavam a sempre seguir em frente, sempre buscar coisas novas, sempre querer mais de tudo e de todos.

Mas isso só quando eu era mais jovem. Quando eu era mais inocente, mais adaptativa às situações ao meu redor. E então, acontece o que sempre acaba acontecendo, não é? A gente conhece alguém, vira amigo daquela pessoa, se apaixona mesmo sabendo que ela não sente o mesmo... Coisas cotidianas, mesmo. Mas o meu primeiro coração partido, definitivamente alterou o modo como eu via o mundo.

Talvez porque eu estava perdendo a criança que havia dentro de mim, talvez porque eu não conseguia mais processar a ideia de um relacionamento verdadeiro com alguém. Digo, foi uma idade meio conturbada para mim. Perdi contato com a minha melhor amiga – e estávamos juntas por 11 anos – e a nova amiga que eu fiz saiu da escola, o garoto – ou garotos – que eu acabei gostando, não sentiam o mesmo por mim.

E eu só tinha, o quê? Treze? Quatorze anos de idade? A época em que estamos com os nervos à flor da pele, experimentando as mudanças de nossos corpos e mentes, enquanto entramos na fase da adolescência. E nada mais é como antes. Eu comecei a agir diferente, porque era o que as pessoas esperavam de mim.

“Você já é uma mocinha agora, tem que se comportar como uma”, eles disseram. E por quê? Por que eu tenho que me comportar como uma mocinha, se eu ainda não me sinto tão crescida? Mas, como sempre, concordei e segui o fluxo. Deixei o vento me levar para onde ele quisesse, porque se há algo que eu não posso impedir, é o meu crescimento. E realmente não pude impedir.

Sempre me senti como um quebra-cabeça com algumas peças faltando. As pessoas simplesmente não conseguiam me compreender por completo e eu estava me cansando de explicar minhas ações, meus pensamentos, minhas concepções de vida. Eu diria que adorava a segunda guerra mundial, e Elvis e Crepúsculo. Queriam me rotular, mas nunca acharam um que se encaixasse. E, hoje em dia, isso é bom para a maioria dos hipsters, mas antigamente as coisas eram diferentes. Você tinha que se encaixar em algum lugar. Tinha que escolher uma “tribo urbana”, como dizíamos. E nem foi há tanto tempo assim. Isso foi em 2011, quatro anos atrás.

Então foi isso o que eu fiz. Assumi um papel nesse teatro que chamamos de vida. Eu era a nerd. A orgulhosa garota que adorava livros, história, boas notas, boas redações e um gosto mais antiquado em música. A garota que jogava videogames, jogos de computador, assistia Pokémon e sabia citar o nome de vinte personagens do Naruto.

Mas eu fazia mesmo todas essas coisas? Não. Eu nem gostava de todas essas coisas. Eu não podia admitir que eu gostava de romances melosos e estórias sem nexo – como Crepúsculo, que eu simplesmente amo – ou que eu ouvia pagode e não sabia jogar Grand Chase muito bem. Mas eu me encaixei. As pessoas conseguiram me rotular. E, talvez para me senti r um pouco melhor, eu comecei a agir como elas esperavam que eu agisse.

Nunca tive um namorado. Nunca tinha ido a uma balada de verdade. Nunca tinha feito nada de errado. Era a filha perfeita, “sim, pai. Sim, mãe”. Nunca fui para a diretoria, nunca roubei um beijo do garoto que eu gostava – e tive tantas chances, vocês não iriam acreditar.

E então, um dia, eu estava trabalhando em uma feira de Anime que aconteceu ali na estação Belém, em São Paulo. Pertinho de casa, mais perto ainda do trabalho da minha mãe. E surgiu minha primeira proposta de “emprego”. Eu fiquei, durante todo o evento, vendendo colares e outras bijuterias geeks com outras duas garotas, de Itaquera, e os donos cariocas da barraca.

Mas por que eu estou contando tudo isso? Porque eu conheci um garoto. Ele é dois anos mais velho do que eu, olhos grandes castanhos, boca rosada e perfeitamente desenhada, cabelos escuros, escondidos por seu boné, usando uma camisa sobre uma camiseta, calça jeans e tênis. Que me desculpem os garotos do “swag” de hoje em dia, mas era daquele jeito que você tinha que se vestir para chamar a atenção de alguém. Simples, clean, e, Deus, funcionou.

Eu estava no meu intervalo com as duas garotas que trabalhavam lá comigo e, nesses eventos, é comum você comprar uma plaquinha e escrever algo nela para interagir com as outras pessoas no local. Eu tinha uma e ele também.

Pra ser bem sincera, o que mais me chamou atenção nele – além do sotaque, que também era do Rio – foi sua atitude. Eu tinha quinze anos, tinha acabado de me conformar que não ia dar para esquecer aquele outro que eu gostava, mas ele apareceu e eu pensei: “Lucas, quem?”. Ele conseguiu assunto para conversar comigo por um bom tempo, enquanto saíamos do evento e ainda depois quando estávamos no metrô. E eu sei que no quesito “romance”, o metrô não está no topo da lista dos melhores lugares para um primeiro beijo. Mas até hoje eu adoro aquela estação.

Encostados em um pilar, um cano verde e um vermelho presos na estrutura, e uma caixinha com um telefone vermelho para emergências. E aquela portinha que simplesmente não queria fechar... Eu me lembro de tudo como se estivesse acontecendo aqui e agora comigo. Porque naquela noite, eu fui beijada de verdade pela primeira vez.

Claro que já tinha beijado antes, mas nenhum me chamou a atenção. Na verdade, eu nem gostava de beijar. Achava estranho e nojento e molhado. Com língua demais, sempre. Mas, como se ele lesse a minha mente, me beijou como eu sempre imaginei que um beijo deveria ser. O toque dos lábios, a mão dele no meu pescoço, sua língua só aparecendo um pouquinho e quando se fazia necessária.

Eu juro que fiquei tão desconcertada com o beijo, que eu fiquei parada, deixando ele me beijar. Não movi minhas mãos, ou meu corpo, só minha boca para ajudá-lo na tarefa. Eu dou risada agora, mas eu estava tão nervosa. Meu sorriso tremia no caminho para casa.

O evento durou duas semanas. Ele comprou ingressos para quase todos os dias, só para me ver. Ele me encontrava na barraca dos colares e saíamos para fazer alguma coisa juntos. Depois, no caminho para casa, lá estávamos nós. E eu, ainda por falta de experiência, sem me mover enquanto nos beijávamos. Eu fico repetindo isso, porque quando eu olho para trás, eu vejo que foi algo muito ridículo. Eu não sei como ele aguentou ficar comigo.

Mas eu ainda tinha a mesma mentalidade dos meus quatorze anos. Eu estava no papel de nerd e geek, então assim o mantive. Conversamos depois por um tempo por skype e facebook, eu dizendo as coisas que eu estava acostumada a dizer para me sentir aceita, para me sentir desejada. Em outras palavras, se analisarmos bem a situação... Eu era uma falsa.

E eu não consegui mais ser assim com ele. Era fácil na escola, com os amigos que faziam a mesma coisa, mas ele era diferente e merecia mais. Sem falar, que mesmo pensando nele e nos momentos que passamos juntos, eu ainda olhava para o meu colega de classe, meu melhor amigo e a pessoa por quem eu me “apaixonei” e percebia que ainda gostava dele.

Então, uma noite, na verdade eu nem sei muito bem como aconteceu. Mas eu virei a namorada dele. E ele o meu namorado. Eu não podia continuar com aquilo. Claro que gostava dele e ele era o garoto mais fofo, doce, gentil, carinhoso e engraçado que eu já conheci, em toda a minha curta existência, mas não era a mesma coisa. Ele merecia mais. Mais do que eu estava disposta a dar. Sem falar que eu não acreditava em uma só palavra quando ele dizia que eu era bonita, ou inteligente, ou engraçada, porque eu pensava: “Tá, se eu sou tudo isso, porque o menino que eu ‘amo’ não quer nada comigo?”.

É, era assim que eu pensava. Idiotice, não é? Para vocês terem uma ideia, eu tinha tantos pensamentos assim sobre aquele garoto, que eu cheguei a imaginar nós dois vivendo até nossos trinta anos, juntos, mas com ele apaixonado por outra garota e eu como madrinha dele e... Olha, é até triste de olhar para trás. Enfim, sobre o menino do evento: nem sempre vemos e apreciamos algo maravilhoso que está bem na nossa frente, porque estamos olhando muito longe, procurando outra pessoa. Então, eu “terminei” com ele. Usei as aspas, porque eu não sabia ao certo se estávamos juntos ou não.

Um tempo depois, eu larguei a minha paixonite por aquele menino e comecei a questionar meus sentimentos por outra pessoa. Mas então, eu saí com ele. Fomos ao cinema, eu, ele e um amigo dele – que também estava no dia do Anime Friends – e assistimos ao filme e nos beijamos quando estávamos indo embora. Foi uma noite muito estranha para mim, porque ao mesmo tempo em que eu queria pular no pescoço dele e fugir para Las Vegas para casarmos, eu estava muito relutante ao que aquela noite significava. Estávamos juntos de novo?

Ele me pediu em namoro, sabia? Me segurou em seus braços, me deu um beijo, brigou comigo por não parar de rir e não conseguir ficar séria e me pediu em namoro. Em outra estação do metrô, ironicamente. E eu disse não. Eu nem pensei, eu disse não. Porque era loucura, não era? Uma noite juntos, uma ótima e maravilhosa noite juntos, mas eu levava a palavra namoro muito a sério. Então eu disse que não, pelo menos não agora e eu sugeri algo tão brega, que sinto vergonha até hoje.

- Por que não fazemos assim: Vamos sair mais um pouco. Que tal os três encontros? E aí a gente vê no que dá.

Socorro. Eu não acredito que dei um fora na melhor pessoa que eu já conheci e ainda falei das minhas idealizações românticas — que só se vê em filmes e novelas e livros – e sugeri os três encontros. Eu não me lembro do rosto dele naquele dia, porque quando eu cheguei em casa, eu quis apagar tudo daquela noite da memória para poder conseguir dormir direito. Mas enfim, o que foi feito, foi feito.

Como da última vez, conversamos por skype e facebook por mais um tempo, mas eu novamente encerrei tudo. Eu estava gostando de mais uma pessoa que não me queria. Se eu fosse escrever um livro sobre a minha vida teria o título “Como se apaixonar por alguém que não sente o mesmo por você, uma autobiografia”. Ao mesmo tempo em que um garoto, um maravilhoso garoto, que gostava de mim... Vocês já sabem como funciona. É um ciclo.

Eu gosto dele, que gosta de outra, que gosta de outro e por aí vai.

Então imagine a minha surpresa quando eu consegui um beijo da pessoa que eu gostava. Um beijo leve, um “selinho”, como chamam, no canto direito da minha boca. Eu era só sorrisos por semanas. Porém, essa pessoa não gostava de mim. Na verdade, uma das minhas melhores amigas também acabou ficando com essa pessoa. E aí os sentimentos comuns de raiva, traição, tristeza e tudo. Voltei à estaca zero.

Eu não queria mais saber de me apaixonar. Não queria gostar de ninguém, porque para a minha mente dramática e romanticamente influenciável tudo era o fim do mundo. Não vou negar que ainda tenho pensamentos assim, menos anos depois. Isso aconteceu quando eu tinha dezesseis anos.

Ah, e o meu aniversário de dezesseis, eu passei com ele. Na Paulista. E foi um dos melhores dias daquele ano. Só algo que eu me esqueci de mencionar.

Ok, eu disse isso tudo, mas os anos que realmente importam são 2013 e 2014. Porque mais ou menos em agosto ou setembro do ano de 2013, nós estávamos juntos. Saímos, ficamos, e aconteceu de novo. Mas dessa vez era pra valer. Contei para os meus pais, para os meus amigos, não conseguia tirar o nome dele da minha boca. Eu me sentia nas nuvens. Juro pela minha vida que eu me apaixonei por aquele garoto. Depois de tanto tempo, eu finalmente consegui ver o que eu tinha na minha frente. Uma pedra preciosa que precisava de cuidado, carinho e atenção e tudo de bom que a vida pudesse lhe dar.

E isso me incomodou um pouco.

Vou explicar: Eu nunca me senti boa o suficiente. Talvez pelo modo como fui criada, no qual os resultados era extremamente importantes. Boas notas, bom comportamento, boa garota. E eu achava que nunca atingia as expectativas, porque não era boa o suficiente. Para nada, para ninguém.

Então, aparece esse menino. Dezoito anos de idade, lindo, engraçado, amoroso, tudo o que uma garota poderia querer. E eu me senti meio bosta – desculpem pela expressão – não vou mentir. Eu tinha inveja do meu namorado – “ficante”, na verdade – porque eu não era como ele. Porque eu não me achava tão boa quanto ele. E lembra aquela história de ele merecer mais? Me atingiu de novo. Mas de uma forma diferente, como se fosse uma verdade absoluta, sem dúvidas ou contradições... Ele. Merecia. Mais.

E o que o meu cérebro fez? Transformou a frase “ele merece mais” para “ele merece mais do você. Ele merece alguém melhor do que você”. Maldito cérebro. Mas é, foi o que aconteceu.

Mas como esse pensamento chegou até mim?

Estávamos num parque com meus amigos da nova escola. Era um domingo, se não me engano e eu estava cansada da semana de trabalho. Então fomos ao Ibirapuera e ele foi cantando com meus amigos no ônibus, segurava minha mão, me elogiava, me abraçava – isso é muito importante, porque eu adoro abraços – e foi perfeito comigo.

Então, lá estava eu, deitada na grama verde do parque, o céu azul acima de nós – sim, vou romantizar essa história – e eu estava olhando para um homem bom, com certeza o cara certo. Ele tem aquele tipo de coração pelo qual qualquer garota morreria e me trata como uma princesa. Deixa as coisas serem do meu jeito, no meu ritmo. E era óbvio para qualquer um que olhasse para ele que ele estava prestando atenção em cada palavra que eu dizia. E eu senti vontade de chorar, porque eu sabia que nunca iria conseguir fazer ele se sentir da forma como eu me sentia.

E o que ele fez no final daquele dia? Me pediu em namoro.

Meu mundo desabou. Eu queria dizer sim. Eu queria gritar “SIM!” para todos me ouvirem. Mas novamente a palavra me aterrorizou. E eu disse não. Primeiro, porque eu não conseguia me sentir segura com aquela palavra. Segundo, porque eu ainda estava pensando que ele merecia alguém muito melhor do que eu.

Eu consigo me lembrar do seu rosto naquele dia. Como ele tentou fingir que estava tudo bem e continuou sendo maravilhoso comigo. Bem, dessa vez o caso durou mais. E eu realmente não consigo lembrar se o que aconteceu em seguida foi em dezembro daquele ano, ou no começo de 2014. Mas eu estava no trabalho, no meu horário de almoço e o chamei no whatsapp. Sim, já sabem onde isso vai dar. E por mensagem eu terminei com ele.

Eu disse um monte de baboseiras, dizendo que eu era egoísta demais para estar em um relacionamento e que eu estava fazendo aquilo porque seria o melhor para ele.

O melhor para ele.

Percebem o que eu fiz? Assumi que eu sabia o que era o melhor para ele, sem realmente perguntar o que ele queria. E então tudo estava acabado. Eu me lembro de ter chorado tanto naquele dia, que nem consegui comer a minha comida. Passei a minha 1 hora de almoço chorando na sala de reuniões. Patético.

Eu me arrependi no mesmo segundo em que ele me respondeu a mensagem. Eu queria correr até o apartamento dele e pular nos braços dele, dizer que eu sentia muito e que aquela mensagem não passava de mentiras. Mas eu não fiz isso. Nós paramos de nos falar. E um mês depois eu decidi que eu não aguentava mais. Eu o queria de volta.

Como ele sempre disse que gostava muito de mim, assumi que seria simples e fácil para voltar com ele. Mas, gente, eu não consegui acreditar no que meus olhos leram. Mandei uma mensagem para minha amiga, que se tornou muito nossa amiga, Gabriela, e contei que eu decidi ter ele de volta.

“Ele tá namorando”.

A vida só podia estar de brincadeira comigo. Claro que foi tudo culpa minha e dessa mente estragada que eu tenho, mas eu fiquei furiosa. Tão brava que eu comecei a chorar de raiva, cheguei até a dar socos no meu travesseiro para extravasar.

“Com quem?”, eu perguntei.

“Uma tal de Amanda”.

Pronto. Só precisei disso. Eu não sei o que aconteceu comigo naquele momento. Eu não era mais eu. Aquela garota calma, paciente, nem um pouco ciumenta que todos conheciam, se foi. Eu entrei no facebook do menino e fui nas suas amizades. Eu achei três possíveis Amandas. Uma delas tinha estudado no mesmo colégio que ele... Mas tinha namorado. Então risquei da lista.

A outra era loira, baixinha e não tinha muito cara de ser o tipo dele, mas mesmo assim fui atrás de saber mais sobre ela. Felizmente, descobri que ela morava bem longe dele, então, mesmo mantendo ela na lista, já suavizei meus pensamentos sobre ela.

Então sobrou só uma Amanda, tecnicamente. Ela era morena e baixinha, magra com cabelos longos e negros e um sorriso peculiar. Eu sempre neguei que um dia eu tenha dito isso, mas a primeira palavra que saiu da minha boca quando eu conclui que era ela foi “vaca”.

Adivinhem o que eu fiz... Eu continuei com a minha postura de “quero ele de volta” e o chamei no whatsapp. Eu comecei a puxar conversa com ele, mas como tinha aquele clima estranho de fim de namoro, eu fiquei sem muitas opções. Até que a minha amiga, Gabriela, começou a jogar o mesmo jogo que ele.

Um jogo online, RPG, famoso e tudo mais. E eu decidi tentar e pedir para ele me ensinar a jogar. Brilhante, não é? Não. Eu era péssima, mas pelo menos conseguia ouvir a voz dele pelo skype. Várias pessoas que não nos conheciam, mas estavam na conferência conosco achavam que estávamos namorando e eu não respondia nada. Deixava-o dizer que não era o caso.

Eu estava com pensamento de vadia. Pronto, falei. Eu o queria pra mim, não como um prêmio, mas como um objetivo muito difícil de alcançar. Era a minha felicidade em jogo naquele momento e eu precisava dele. Então eu comecei a “atacar”.

Chamava ele para ir na minha casa jogar videogame. E ele ia. Nunca me joguei em cima dele, mesmo eu querendo, e Deus sabe o quanto eu quis. Foram ótimos dias que passei ao lado dele. E chegou o meu aniversário. O que eu fiz? Fomos eu e ele para a Paulista, na tentativa de relembrar algo bom que fizemos juntos e parece que funcionou.

Por motivos pessoais dele e da tal Amanda, que não revelarei aqui, eles terminaram. Eu chorei de alegria. Claro que eu estava preocupada se ele estava triste com o fim do relacionamento, e ele estava. Mas não tanto assim.

E em um dia de junho de 2014, ele me chamou para assistir alguns amigos dele tocando em uma banda no dia 6. No dia, saí do trabalho – era um sábado – e fui para um cabeleireiro que ficava lá perto. Cortei o cabelo, fiz a sobrancelha, me maquiei – bem pouco, porque nunca fui boa nisso – e fui para o nosso ponto de encontro.

Deu TUDO errado naquele dia. Mas no final valeu a pena.

O ônibus que eu peguei, quebrou e o metrô só estava funcionando parcialmente. Então tive que descer em um lugar desconhecido e ir andando até o lugar que marquei de encontrar com ele na Vila Mariana. Ele estava lindo, mais bonito por algum motivo e entramos. Nos beijamos, assistimos aos shows, e conversamos. Naquela noite eu soube que tinha feito a escolha certa.

No dia 17 de junho de 2014, eu tive uma dúvida. Estávamos namorando, ou não? Uma pergunta simples que poderia ser feita de forma direta, mas eu sempre gostei de complicar as coisas, não é? Então, na madrugada do dia 18, uma quarta-feira, eu estava no skype com ele.

- Vieram me perguntar se estamos namorando – Eu comentei com ele.

- Estamos?

- Não sei, estamos?

- Eu não vou mais te pedir em namoro. Já pedi três vezes e você me rejeitou – Ele falou brincando, com um fundo de verdade.

- Quer namorar comigo? – Eu pedi, esperançosa.

- Não.

Eu fiquei em silêncio, sentindo as lágrimas se acumulando nos meus olhos.

- Estou brincando, claro que quero namorar com você – Ele riu.

- Eu te odeio.

- Odeia nada – Ele disse simplesmente, e era a verdade.

E desde então estamos juntos. Falta um mês para o nosso aniversário de um ano de namoro e eu não poderia estar mais feliz.

Meu namorado, Gabriel – sim, como o arcanjo – é a luz dos meus dias. Estudamos na mesma faculdade juntos, cursos diferentes, mas nos encontramos no intervalo e na saída. E vamos até o metrô juntos, onde nos separamos, cada um para um lado da linha... Só para chegar em casa e conversarmos mais pelo skype.

Gabriel, ou Amor, como eu o chamo, passa os finais de semana lá em casa. Desde sexta-feira quando saímos da faculdade, até os domingos, ou manhãs de segundas-feiras. Eu não consigo colocar em palavras o quanto eu sou grata por ele me aceitar de volta. Por não desistir de mim, mesmo tendo milhões de motivos para simplesmente me largar.

Ele é brilhante. Consegue fazer piada com qualquer coisa, se interessa por física e ciências e fatos, e Deus sabe como eu adoro escutar ele falar sobre essas coisas. Ele se fascina tanto pelas descobertas... E ele adora mágica. Por mais que ele goste de saber a verdade sobre tudo, quando vê uma mágica, parece uma criança; “Você viu o que ele fez? Como ele fez isso?!”. E é a coisa mais adorável do mundo.

Ele continua me tratando como uma princesa. Mesmo que eu não esteja nem perto de ser algo assim. Eu desenvolvi uma intimidade com ele, tão grande, tão inexplicavelmente grande, que é como se fossemos casados.

Isso é bom por vários motivos, mas também me preocupa, sabia? Porque nos apaixonamos demais, sendo novos demais. E quem sabe o que o futuro vai nos trazer, não é? Bom, eu não sei o futuro. Mas sei que quero o meu Amor nele.

E o que eu tirei de tudo isso? Se você quer algo, faça por merecer. Vá atrás, tente. Porque eu conheci esse garoto. E ele mudou tudo. E de certa forma foi como em um filme, sabe? Quando os personagens ficam se encontrando por aí e acabam ficando juntos? Então. Só que eu acho a nossa história mais romântica. Porque ela é uma história real.

Fim? Espero que não tenha um...

Notas finais
Espero que tenham gostado. Fiz de coração.
Até a próxima!
Beijackles e Padakisses ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!