Amor, Um Sentimento Confuso
49 Amor, Um Sentimento Menos Confuso
Notas iniciais
Devo ter dormido por muito tempo, pois quando acordei e olhei pela janela percebi que era noite. Sentia um grande vazio no meu estômago, eu precisava comer logo, desci correndo as escadas e parei na cozinha, de onde o cheiro maravilhoso de comida caseira se espalhava, minha mãe cozinhava tranquila quando cheguei à cozinha.
–Ah Bella, que bom ver você acordada, achei que iria hibernar.
–Desculpa mãe, fazia tempo que eu não dormia tão bem.
–Imagino minha filha, me sinto mal só de imaginar você em um lugar horrível sozinha e sem comida.
–Não pense nisso mãe! Só apronte a comida rápido, pois estou com uma fome!
–Está quase pronta, vá chamar seu pai!
Sorri e corri escada acima, até o escritório de meu pai, onde ele terminava um relatório.
–Mamãe pediu para você descer, o jantar está pronto.
–Ok, já vou, mas primeiro venha até aqui!
Entrei no seu escritório pequeno mas confortável e me aproximei de sua mesa, de onde ele retirou algumas fotos antigas minha.
–Eu fiquei durante semanas olhando para essas fotos quando você estava perdida, imaginava que nunca mais a veria, e chorava longe de sua mãe, para ela não perceber minha aflição, foram tempos difíceis aqui em casa, eu não sabia lidar com minha tristeza e nem ela com a dela, nos afastamos muito, então você voltou, ascendendo nosso amor, mas não conseguimos nem matar a saudade e você foge de nossos braços novamente, eu pensei que você morreria por minha culpa filha! – Disse ele com os olhos cheios de lágrimas me puxando para um abraço carinhoso.
–Não pense que foi sua culpa pai, são consequências de bons atos, você colocou um homem mau na prisão, não fez nada de errado.
–Você sabia que o verdadeiro R7 morreu na prisão? Acho que um inimigo deve ter o matado, ou ele não aguentou ficar lá.
–Pai, não é sua culpa, você tem que se sentir feliz por todas as coisas boas que já fez.
–Obrigada meu anjo, mas preciso anunciar uma coisa para você e sua mãe.
–O que? – perguntei curiosa vendo ele levantar-se.
–Depois do jantar!
Assenti e descemos juntos as escadas, minha mãe nos esperava com a comida na mesa e jantamos todos sentindo a família completa.
Depois de todos acabarem a sobremesa, meu pai se espreguiçou e sorriu alegre.
–Vou me aposentar – Anunciou ele como se estivesse contando que acabara de comer sorvete.
–O que? – perguntou minha mãe confusa.
–Isso mesmo, já tenho um bom dinheiro para nos manter, acho que já trabalhei o suficiente para uma vida, vou ficar mais tempo com minha família! – ele parecia orgulhoso de si mesmo com essa atitude.
Meu pai sempre foi um homem focado em trabalho, muitas noites ele ficava em seu escritório trabalhando e nos deixava de lado, ver sua mudança de conduta me deixou perplexa.
–Tem certeza pai? Mas esse foi sempre o seu sonho, ser um advogado conhecido, sócio de uma empresa.
–Não deixarei a sociedade, apenas não pegarei mais casos, posso ser sócio em casa mesmo! Preciso ter minha família mais perto Isabella, não aguentarei perder você novamente.
–Ah querido! – minha mãe levantou-se e foi até ele, o abraçou e beijou-o na minha frente, coisa que ela nunca havia feito antes – Fico tão feliz com isso, prometo que não vai se arrepender!
Ao ver a felicidade estampada no rosto dos dois eu tive certeza que ele estava fazendo a coisa certa, e quando subi para meu quarto fui tão feliz que o sorriso não cabia em meu rosto.
Depois de um tempo, quando estava tomando banho ouvi meu celular tremer, pois ele estava carregando em cima da bancada da pia do banheiro, fazia tempo que eu não o carregava e imaginei que fossem mensagens de meus pais no dia do sequestro.
Quando sai do banho enrolada em uma toalha e comecei a ver, percebi que não era só uma, eram várias, umas de meu pai, outras chamadas, umas ligações de Alaric e mais de dez chamadas não atendidas do Cullen, a maioria era da noite da festa, mas uma mensagem em particular era de meia hora atrás.
¨Oi, como você está? Gostaria de conversar com você. Posso passar aí amanhã as nove? Preciso te levar em um lugar, se você quiser... Beijos, Edward!¨
Sorri e respondi confirmando nosso compromisso, eu precisava ouvir o que ele tinha a dizer, talvez isso não nos levasse a nada, mas eu precisava tentar uma última vez.
Demorei a dormir, fiquei pensando em tudo que acontecera comigo em um pequeno período de tempo, era impressionante, como se o destino não quisesse me ver bem, mas agora aprecia estar mudando, o destino começara a planejar a meu favor, talvez ele tenha notado minha existência pela primeira vez.
Logo que peguei no sono sonhei com meu primeiro dia de aula em Forks, sonhei com a cara de bravo que Edward fizera quando me viu pela primeira vez e de como me senti mal, então o sonho tomou um rumo diferente, e ao fim da aula Edward se aproximou, confessou sua paixão e me beijou na frente de Tania Denali. Foi o sonho mais estranho que eu já tivera, uma mistura do real, de uma lembrança, com um desejo antigo, mas será que era tão antigo assim? Eu não sentia nada por Edward? Então por que estava de encontro marcado com ele?
Acordei aflita. Com medo do rumo que nossa conversa pudesse tomar, mas quando ele estacionou o carro em frente à minha casa, um pouco antes das nove, meu coração acelerou e andei de pernas bambas até o andar de baixo.
–Mãe, acho que não vou almoçar em casa, mas volto antes da noite!
–Certo Bella, juízo filha e tome muito cuidado.
–Pode deixar, cuide bem de papai viu! – Falei rindo de sua expressão de quem estava planejando algo.
Sai e Edward veio a meu encontro, ele me cumprimentou de longo, com os olhos brilhando e abriu a porta do carona para mim. Edward Cullen sendo cavalheiro? Temos mudanças por aí?
–Vou te levar para um lugar fora da cidade, descobri o dia que estava perto da floresta, a procura de você, na verdade foi Alaric que descobriu, e você precisa conhecer, sei que talvez esteja um pouco cansada de ver verde ou florestas, mas acho que vai gostar.
–Está tudo bem Edward, eu nunca me cansaria do verde, eu moro em Forks! – Ele falava muito rápido, aparentando estar nervoso.
–Realmente não sei como você gosta daqui conhecendo outras cidades.
–Acho que talvez seja a tranquilidade que essa cidade me passa.
–Tranquilidade? Pode ser!
Alguns minutos andando pela estrada costeira a floresta ele parou o caro em frente a uma entrada antes de onde eu estava presa a alguns dias atrás e o estacionou ali mesmo.
–Você se importa de andar um pouco? – perguntou olhando para meus tênis aliviado.
–Claro que não, vamos! – o convidei adentrando na floresta.
Ele veio para o meu lado e começamos a andar em silêncio, não foi um silêncio constrangedor, pois cada qual estava conversando com si mesmo, imaginando o que aconteceria a seguir.
Chegamos a parte final de árvores, e atrás de um monte de relva alta, onde Edward passou abrindo caminho para mim, pude ter a visão mais linda de minha vida.
Bem no meio de um monte de árvores, havia um espaço arredondado e vazio, onde vivia um gramado verdinho claro, coberto de flores brancas e amarelas, era tão lindo olhar o sol batendo nas folhas e flores e iluminando o lugar que eu não sairia dali nunca mais se não precisasse.
–O que você achou? – questionou-me ele entrando na clareira e soltando uma sexta grande daquelas de piquenique no chão.
–É tão lindo Edward! – Exclamei andando mais para dentro do lugar e abaixando-me para tocar as flores – Como você sabia que eu gostaria desse lugar?
–Há um tempo atrás, quando estávamos perdidos naquela floresta, eu vi você se distanciar de todos da turma e andar pelas árvores sozinha, fiquei maluco, com medo que você se perdesse e andei atrás, sem que me visse, vi quando você sentou na raiz de uma enorme árvore e ficou ali, olhando para o verde, com uma expressão tão magnifica, como se você amasse tudo aquilo, você começou a falar sozinha, criticando a beleza daquele lugar, e disse assim: Como pode ser tão lindo e trazer tanta tristeza?
Ouvi ele contar sobre aquele dia atentamente, eu nunca imaginaria que alguém soubesse que eu falava sozinha, e não sabia dizer se ele entendera que eu falava tanto da beleza das árvores e flores como da beleza dele.
–Por que você está fazendo isso? – perguntei sentando-me ao seu lado em cima da toalha cor de rosa toda decorada, aquilo só podia ser coisa de Alice.
–Eu fiz de tudo para evitar um relacionamento sério por anos, eu sempre quis curtir a vida, aproveitar as meninas dando em cima de mim e se entregando sem pensar duas vezes, sempre foi fácil para mim ter alguém, então você chegou na cidade, me deixando confuso, eu queria estar perto de você e isso me deixou muito irritado, você fazia de tudo para me provocar, ou parecia ser, cada vez que você falava eu sentia uma inquietude, e isso me deixava aflito, pensei que te odiasse, até você ficar em perigo, e não foi apenas uma vez. Quando você dançou em minha frente naquela balada, há meses atrás, eu quase enlouqueci, eu precisava te beijar e você não deixou. Quando você sentou do meu lado no ônibus eu fiquei bravo e mais ainda quando colocou meus fones de ouvido dentro do vaso sanitário, mas hoje eu acho graça nisso, e lembro perfeitamente das vezes que sua cabeça tombava em meu ombro no meio da noite no ônibus, eu me sentia te protegendo, sentia-me gente pela primeira vez. Então ficamos pedidos naquele lugar horrível eu fui traído e descontei tudo em você, tentei me vingar de Tania com você, me percebi usando-a e gostando disso, e você tão inocente.
Eu nada falei, apenas engoli em seco e ouvi quando ele prosseguiu.
–Eu fui horrível com você Isabella, não me preocupei com seu prazer em sua primeira vez, me sinto horrível por isso, e quando percebi Alaric se aproximando de você, ou até mesmo Jacob, me sentia ruim, não queria nenhum homem por perto, mas também não podia me aproximar.
–Fui a pessoa mais egoísta do mundo até que fizemos amor, eu fiquei por dias sentindo seu corpo no meu, sentindo você tremer de medo e desejo, lembro de nossas brigas e de como me sentia bem depois, quando ficávamos bem um com o outro. E no dia da festa, quando vi você dançando com Alaric, eu sabia que você estava sentindo algo, eu vi nos seus olhos e nos dele que estava rolando algo ali, fiquei possesso e agi mais uma vez sem pensar, usei mais uma vez uma garota, então você sumiu.
–Ninguém sabia onde você estava, Alaric e Emmett me olhavam com ódio, acusavam-me e com toda razão, eu era culpado por sua tristeza. Eu não sei exatamente em que momento comecei a me apaixonar, talvez tenha sido no primeiro dia que te vi ou quando nos beijamos dentro da água, mas eu só queria te dizer como me sinto, e que quero uma chance sua para me redimir – Fiquei em silêncio por mais um tempo e ele continuou.
–Enquanto eu te procurava eu conversei muito com Alaric, e descobri muitas coisas importantes, sei que ele vai lutar por você, mas ele deixou bem claro, que isso não é uma guerra.
–Edward, eu esperei tanto por esse momento, quando você se desse por conta de tudo que estava passando despercebido, tentei evitar por tanto tempo o sentimento que me assolava, e agora, não sei o que te dizer. Tenho medo de ser decepcionada mais uma vez, você nunca me prometeu nada, mas seus atos diziam tanto, eu esperava que uma hora você aparecesse e dissesse que me amava, mas isso nunca aconteceu, eu pensei que fosse morrer nas mãos daquele homem horrível e que nunca poderia dizer o que sentia, bater em você, brigar até ficar rouca e depois abraça-lo.
As lágrimas corriam por meu rosto sem permissão e ele se aproximou pegando em minhas mãos.
–Sinto muito Isabella! Queria que tivesse sido diferente...
–Se fosse diferente não estaríamos aqui agora.
–Talvez! Então... Será que eu mereço uma segunda chance? Um perdão?
–Ouvi falar que todos merecemos um perdão pelo menos, acho que é minha vez de concedê-lo a alguém.
–Obrigado Bella! – Disse ele sorrindo e retirando algumas frutas e sanduiches de dentro da sexta.
–Piquenique? – perguntei rindo e ajudando-o com a comida.
–Nem preciso dizer de quem foi ideia né!
–Alice! – Ri alto enquanto mordia um pedaço de morango mergulhado em chocolate.
–Tenho uma coisa para você! – disse ele quase deitando e tirando do bolço da calça jeans uma corrente — Ganhei isso daquele índio, ele me disse para dar para uma pessoa quando eu não soubesse expressar o amor que sentia, achei besteira na hora, mas hoje tem muita importância para mim, e quero dar a você!
Sorri bestificada pegando a corrente de couro com um pingente de madeira e ferro, era decorado de forma simples mas bela.
–Obrigada Edward! – O abracei agradecendo mais uma vez ao tal de destino que resolvera lembrar de mim mais uma vez na semana.
Comemos rindo e lembrando de coisas engraçadas em nosso tempo perdidos, qual não teve só coisas ruins, mas trouxe muita coisa boa em nossa vida, incluindo Edward ser titio e eu madrinha de uma menininha que nasceria dali cinco meses.
Quando voltávamos para o carro, quase chegando à estrada, um carro parou em frente ao de Edward e Alaric desceu com o rosto vermelho e assombrado.
–Alaric? – perguntamos Edward e eu ao mesmo tempo.
Ele sorriu.
–Você não devia estar em outra cidade agora? Atrás do seu filho? – perguntou Edward confuso.
–Pois eu estou olhando para ele agora mesmo! – disse ele sem tirar os olhos de Edward.
–Como assim? — perguntei confusa, sem entender nada do que estava acontecendo.
–Por que você não me contou que era adotado Edward? – perguntou ele rindo de forma nervosa.
–Eu nunca pensei que fosse necessário, eu...
–Você é meu filho Edward!
Edward? Filho de Alaric? Por que eu não estava entendendo nada?
Edward soltou minha mão receoso e se aproximou de Alaric, qual abriu os braços e o abraçou, ali eu senti pela primeira vez um novo amor nascendo. Não importa o que tenha separa os dois, eles haviam se reencontrado e nada os separaria, assim como eu e minha família e Edward e eu, enfrentaríamos juntos todos os desafios do confuso destino que nos perseguia.
Destino devia ser sinônimo de amor, pois os dois andam lado a lado, confundido o coração de todos nós, mas nos mantendo bem para sempre. Era assim que eu me sentia naquele momento, com um sentimento confuso chamado amor, que pela primeira vez deixava de ser tão confuso.
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