Amor Submerso

44 Capítulo 44: Reunião Completa


Notas iniciais
A falta de sono me rendeu mais um capítulo! E realmente gente, a PRIMEIRA parte de AS ta chegando no fim. Mas é só a primeira, afinal Dante e nem "Pedro" foram capturados ainda! Isso vai ficar com a ideia de fazer uma segunda parte mais focada em Lynn e Scarlet.

No dia seguinte as coisas pareciam voltar para o seu devido lugar, mesmo que lentamente. Obviamente passei a maior parte do tempo com Dianna, fazendo questão de provar das maneiras mais deliciosas que não estava sonhando. Pior do que eu apenas Nathan, ele estava completamente caído aos pés da meio-celestial. Alexia não era boba, nem uma garotinha tola que estava namorando pela primeira vez. Provocava meu irmão, o deixava tímido, o abraçava de surpresa e depois ria dizendo que adorava o jeito dele. Mas eu via, e qualquer um também, que ela realmente gostava.

Mas tão logo havia aprendido, nada que é bom durava tanto quanto eu gostaria. Minha mãe havia telefonado uma hora atrás pedindo, ou melhor, exigindo, um jantar em minha casa. Seu tom era sério e deixava claro que o momento de folga já havia passado. Tínhamos coisas a discutir, pensar e planejar. Porém, quando a companhia tocou, eu desci apressadamente na genuína esperança de que fosse Dianna. Então imaginem que tipo de expressão eu fiz quando ao abrir a porta eu deparava-me com a família real do Povo Submerso.

-Boa tarde, Fernanda! – Katreen foi a primeira a se manifestar.

A pequena estava linda com um vestido fofo rosado cheio de babados. Ela saltou em meu pescoço, quase fazendo-me cair já que eu estava completamente paralisada na porta. Isso abriu espaço para que o rei, a rainha e Aurora entrassem na casa, mesmo sem um convite! Todos eles na forma humana, muito bem vestidos e sem dúvida nenhuma com roupas caras. Por um momento pensei o que o povo de Noronha devia estar pensando ao ver tantos “humanos” estupidamente belos entrando em minha casa.

-O que fazem aqui?! – perguntei sem conseguir esconder a surpresa.

-Ah, já chegaram! – Lynn apareceu da cozinha, limpava as mãos com uma toalha de prato, seu sorriso era enorme – Fico feliz de terem aceitado o convite.

-Você os chamou?! – olhei para minha mãe incrédula.

-Algum problema, Fernanda? – a rainha olhou-me, eu não poderia dizer que tipo de olhar era aquele.

-Fora o fato de não saber nem seu nome e nem do velho ai, nenhuma, imagina! – respondi completamente irônica – E não posso esquecer que vocês não gostam de minha mãe e nem dos humanos.

Vi o rei ficar tenso. Realmente, eu nem ao menos sabia o nome deles! Tudo bem que as circunstancias em que nos conhecemos não foi nada favorável a apresentações. Lynn largou a toalha sobre o balcão e aproximou de mim, segurando meus ombros e com um olhar que parecia querer dizer que estava tudo bem.

-Precisamos de todas as partes importantes para discutir sobre o futuro filha – Lynn disse e suspirou – A guerra já começou. Não podemos ficar sem unir todas as peças do tabuleiro, ou iremos perder feio.

-Alias! – Aurora exclamou e abriu um sorriso – Acho que isso é seu.

Ela abriu a palma da mão e um líquido começou a se formar e alongar para os lados. Pouco a pouco a água foi mudando de estado para o sólido e do sólido se transformou em meu bastão! Prontamente o peguei, sentindo um certo alívio por tê-lo novamente, afinal era a minha arma!

-Obrigada – falei sincera e suspirei – É bom que tenha feito comida para todo mundo.

-Hum – o rei pigarreou chamando a atenção – Você está recuperada?

-Se essa é sua forma de perguntar se eu estou bem, velho... Estou sim, obrigada por ter permitido que me curassem – lhe sorri de forma verdadeira, até que ele não era tão ruim assim.

-Aeron – ele fitou-me severamente – Meu nome é Aeron, o segundo do meu nome, quarto rei da Cidade Submersa. E está é minha esposa e rainha, Layla.

-Fernanda, muito prazer em conhecê-lo vô – o cumprimentei me divertindo um pouco com a situação, oferecendo minha mão.

Ele encarou-me confuso, minha avó sussurrou algo no ouvido dele e Aeron abriu os olhos fazendo um pequeno “oh” expressivo antes de finalmente segurar a minha palma. Seu aperto era firme, mas parecia significar mil e uma coisas. Uma promessa de aliança, além de uma conciliação familiar. Pouco depois disso, a companhia foi tocada novamente e todo o resto apareceu para o jantar. A mesa de jantar tornou-se pequena, o que nos fez providenciar a junção de várias mesas no quintal. Felizmente a noite não poderia ser mais serena, com uma lua cheia a completar o ambiente. A conversa rolou livremente, Katreen tagarelava mais que tudo, Scarlet sempre fazendo algum infeliz comentário sarcástico. Alexia chamou atenção por causa de sua condição, provavelmente sendo a última de sua espécie. Aurora era extremamente curiosa, era uma verdadeira estudiosa, fazia perguntas para saciar sua fome de lógica a todos nós. Dianna ficou tensa a princípio, afinal o meu nada delicado avô havia ordenado sua execução alguns dias atrás. Mas ele fez um pedido de desculpas tão contrariado e educado ao mesmo tempo em que foi impossível manter um clima negativo.

Ao final do jantar, que se prolongou por quase duas horas, seguimos para a sala. Os humanos e reles mortais como eu, Alexia, Dianna e Scarlet sentamos no tapete, enquanto os outros ajeitavam-se em meus sofás confortáveis. Que os deuses abençoassem o cartão de crédito que Nathan arranjou a um tempo atrás. O silencio se fez por alguns segundos, até Aeron pigarrear e começar a falar:

-Sei que não se trata de uma reunião oficial ou com os membros das raças mais corretos. Porém vocês parecem ter mais informações. Poderiam contar, mais detalhadamente, o que aconteceu até aqui?

Foi então que a narrativa começou, cada um contando a sua versão e acrescentando alguns detalhes esquecidos ou ignorados. Aquilo foi bom, rever o que nós fizemos em tão pouco tempo parecia fazer aquilo mais... Real. Porque até ano passado eu não passava de uma estudante de biologia mulherenga. Agora era uma meio-sereia completamente apaixonada por uma humana incrível, havia conhecido a minha família de verdade que por acaso eram da realeza. Não parecia tão simples de digerir quanto pensei que fosse, afinal era uma verdadeira loucura. Sem contar nas coisas que aprendi, descobri e sofri nesse meio tempo. Já não me senti dona de minha idade, como se tivesse vivido mil vidas para chegar até onde estava.

-Também descobrimos algo importante – Lynn começou a falar e levantou de onde estava, seu corpo ficou tão tenso que eu sabia já do que se tratava antes mesmo dela começar a explicar – Dianna foi capturada por Dante, mas conseguiu escapar. Nesse meio tempo ela descobriu quem está por trás disso tudo.

-Porque não disse isso antes?! – Scarlet virou para Dianna com um olhar surpreso.

-É delicado – Dianna defendeu-se encolhendo no lugar – Muito delicado.

-O suficiente para deixar as coisas frágeis e nos enfraquecer – Lynn admitiu abaixando o olhar – Eu ainda não consigo aceitar isso, mas é o que estamos para enfrentar.

-Poderiam parar de enrolar e contar de uma vez? – Alexia pediu um tanto incomodada com o suspense.

-Um demônio possuiu um corpo humano. Era forte demais para o seu receptáculo, o que o obrigou a “hibernar” por um tempo – Lynn explicou começando a andar de um lado para o outro – Ele está no comando do Povo das Sombras, ele que é o mestre de Dante.

-E quem infernos é ele? – Scarlet estava tão agitada que levantou do tapete.

-Não sabemos quem é o demônio, mas sabemos quem é o receptáculo – Lynn respondeu e retrocedeu, estava evidentemente transpirando e arfante – Ele... Ele...

-É o meu pai – respondi por ela em um tom tão neutro que poderia ser considerado frio – O receptáculo do demônio é Pedro Fontaine.

Fez-se um segundo, dois, três de silêncio. Todos ficaram paralisados, menos Dianna e Lynn. A surpresa os fez empalidecer e o olhar triste de minha mãe apenas confirmava que tudo isso era verdade.

-Isso só pode ser mentira! – Scarlet explodiu no lugar, de pálida ficando vermelha de raiva – Que palhaçada é essa Rowell? Diga que é tudo uma farsa!

-Não é, sinto muito – Dianna levantou e dessa vez praticamente todos a imitamos, o clima estava completamente tenso novamente – Eu vi muitas fotos e descrições do Pedro, seu irmão Saulo fazia questão disso.

-Nós vimos as imagens da memória dela – Lynn explicou em um tom cansado – Não há erro.

-Mas, espera um pouco! – Alexia se manifestou – Até onde eu sei e escutei aqui, Pedro foi possuído, é o pai da Fernanda, então isso quer dizer que ele está vivo?

-Provavelmente não – foi Katreen quem respondeu sua pergunta – Para a necessidade de hibernar por tantos anos, o demônio precisaria expulsar completamente a alma do corpo humano.

-Pedro está morto – completei desconcertada por falar aquilo, por mais que eu quisesse me fazer de forte, era de meu pai quem estávamos falando! — Ele pode ter o mesmo corpo, a mesma voz, o mesmo olhar. Mas não é ele, Sky, mãe.

-Isso é insano! – Scarlet gritou parecendo perder o controle.

Ela virou o corpo e saiu a passos pesados da casa, batendo a porta com força. Lynn fez menção de segui-la, mas Alexia a segurou pelo braço.

-É melhor deixa-la processar isso tudo, Lynn – Alexia sugeriu e respirou fundo – Isso não deve ser fácil para nenhuma das duas, mas se for agora tudo o que irão fazer é brigar e se machucar.

-Ela está certa – Nathan concordou e foi apoiar nossa mãe – Você também precisa de um tempo mãe.

-Sinto interromper, mas não temos tempo para lágrimas – Aeron, o rei, falou de um jeito firme, como a um comandante faria – Temos nosso inimigo, temos a guerra. Alexia, você teria como ordenar uma reunião com os líderes dos povos restantes? Precisamos nos unir e serei eu a mediar essa aliança.

-Sério papai?! – Aurora e Katreen perguntaram ao mesmo tempo.

-Em tempos sombrios nada é mais forte do que guerreiros lutando pelo mesmo propósito. Não irei perder tempo e vidas mantendo um orgulho que pode nos destruir. O Leviatã está como prova disso – o rei decidiu firmemente.

-Eu não sei se consigo falar com todos, Scarlet seria a mais indicada, ela conhece praticamente todo mundo – Alexia ponderou e cruzou os braços – Mas vossa Majestade está sendo correto e sábio.

-Ainda mantenho contato com o Povo dos Rios – a rainha pousou uma mão no ombro do marido – Talvez seja hora de cobrar aquele favor do General do Povo do Fogo.

-Não temos tempo a perder – Aeron decidiu e tão prontamente disse isso já estava saindo da casa.

-O perdoe pela falta de despedida, quando ele coloca algo na cabeça não pensa em outra coisa – Layla pediu e fez uma pequena reverência – Agradeço pelo jantar, minha filha. Espero que fique bem e... Sabe que agora a Cidade Submersa estará esperando por você, assim como a Fernanda.

Eu fiquei tão feliz em saber que minha mãe não era mais exilada que soltei um gritinho feliz e dei um abraço surpresa em Layla. Ela ficou completamente desconcertada, demorando a me envolver com seus braços e soltar um suspiro.

-Obrigada vovó! Você é mesmo incrível! – exclamei ainda animada – Mamãe precisa de uma mãe também.

Lynn acabou rindo e Layla me fez um carinho sutil na cabeça. Despedi-me de minhas tias, as mais legais pelo menos, e vi pouco a pouco aquela sala cheia ir se esvaziando. Novas providências teriam de ser tomadas. Entrar em contato com os povos e seres místicos, tentar formar alianças e o mais importante: tentar sobreviver a tudo isso.

-Eu vou ir atrás da Sky – Alexia falou depois de um tempo – Só para ter certeza que ela não vai fazer nenhuma besteira.

-Eu vou com você – Nathan logo se prontificou.

-Nada disso, é coisa de garotas – Alexia logo negou – Fique com sua família, logo volto.

-Leve seu celular – Nathan disse ainda preocupado.

-Tudo bem peixinho – Alexia ficou nas pontas dos pés e sem nenhum pingo de vergonha deu um beijo forte e rápido nele – Vou tentar não ser morta por uma pirata, ok?

Nathan ia falar mais alguma coisa, mas ela deu um selinho e praticamente fugiu. Era um alívio saber que alguém um pouco mais sóbrio estaria velando por Scarlet em um momento tão delicado e confuso. E por falar em confusão, assim que tudo se acalmou Lynn desabou em um sofá e pareceu lutar contra as lágrimas.

-Hey mãezona, ela vai voltar bem – falei logo sentando ao lado dela e a abraçando.

-Porque o destino tem de ser tão sádico? – ela questionou e quase soluçou – As vezes penso que não nasci para ter um vínculo tranquilo com alguém. Eu a amo, com todas as minhas forças. Mas agora com isso de Pedro...

-Calma mãe. Aquela coisa não é o papai. Não o conheci mas tenho certeza que ele não tentaria nos matar – tentei tranquiliza-la, logo Nathan estava sentado do outro lado dela segurando uma de suas mãos – Quer dizer, se ele tivesse me conhecido quando eu tinha treze anos, talvez até pensasse uma vez ou outra. Eu não fui uma garota fácil.

-E quando deixou de ser? – Dianna provocou tentando amenizar o clima.

-Você me ama assim, então pronto – dei de ombros fingindo não dar importância.

-Da mesma forma você ama Scarlet e ela te ama, com defeitos assim também – Nathan falou para minha mãe.

-EI! Defeitos assim também? O que quer dizer com isso, mano? – o fitei de forma ameaçadora.

Antes que ele respondesse Lynn começou a rir de nós dois. Ela nos abraçou com força, deu um beijo no topo de nossas cabeças e disse que iria para o quarto. Mas quando estava no meio de caminho retornou.

-Agora que temos de esperar um pouco paro para pensar no tempo – ela comentou um tanto pensativa – Filha, você não tem faculdade?

-Oh meu Deus! Eu esqueci que tinha uma vida normal também! – exclamei, mas não foi em brincadeira, foi em puro desespero mesmo. Peguei meu celular e busquei pelo aplicativo do calendário – Ah fala sério! As aulas começam daqui a três dias!

-Então acho que vamos nos mudar para Natal – Dianna comentou com um sorriso de lado – De preferência uma enorme casa para caber todo mundo.

-Podemos partir amanhã e procurar uma moradia – Nathan sorriu – Ao menos teríamos algo para fazer.

-Eu vou morrer! – exclamei quase parando de respirar – Há um número infinito de chamadas de Lorena, outro de Sarah e alguns de Amanda!

-Amanda ainda liga para você? – Dianna prontamente perguntou.

-Ah, tem mensagem também. Licença que eu vou ali ler – levantei e comecei a ir para o meu quarto.

Não havia mensagem nenhuma, eu sabia que Dianna era ciumenta o suficiente para me seguir e tentar descobrir o que havia em meu celular. Dito e feito, ela praticamente correu para poder entrar comigo no quarto e logo estava roubando meu celular com uma maestria de pirata. Ri alto e a abracei por trás, apoiando meu queixo em seu ombro.

-Não tem nada ai boba – contei e dei-lhe um beijo no pescoço – Foi só uma desculpa.

-Hum, sei – ela virou para mim, mexeu um pouco no meu celular e sorriu – Porque não tiramos uma foto? Assim eu coloco na tela de seu celular para que qualquer uma que for pegar seu celular lembre que você tem uma namorada.

-Uma namorada linda, gostosa, cheirosa, perfeita, ciumenta – comecei a falar, mas não pude terminar a minha lista.

Dianna me beijou e eu pude ver o flash denunciando que ela tinha tirado uma foto. Depois ela me deu outro beijo, mais uma foto, acabei rindo e foi mais uma foto. Tentei roubar-lhe o celular reclamando que o flash estava me deixando cega, mas ela afastou e começou a tirar fotos minhas. Tentei pegá-la, mas isso apenas iniciou uma brincadeira nada infantil, pois ela usava de todos os seus atributos de velocidade e agilidade aprendidos nos treinos para escapar de mim. Consegui “vencer” apenas quando me joguei nela derrubando a nós duas na cama. Vinguei-me fazendo inúmeras cócegas na morena, adorando ouvir sua risada e sentir o clima tão suave em uma noite tão complicada. Apenas quando ela começou a implorar eu parei e deitei ao seu lado.

-Fer – Dianna me chamou mantendo o olhar no teto – Você consegue imaginar nosso futuro?

-Nosso futuro? – repeti virando o rosto para olhá-la de perfil.

-Sim, daqui... Dez anos, vinte, trinta, por ai vai – por ela explicou enquanto deitava o corpo de lado, ficando assim virada para mim.

-Com tudo acontecendo eu não parava para pensar muito nessas coisas, mas agora... Agora eu consigo ver muito bem, e é algo lindo – respondi sorrindo de forma extremamente boba.

-O que você ver?

-Nós duas nos formando, conseguindo emprego, trabalhando juntas... Nos casando a beira mar, com todo mundo presente, inclusive tia Rita, Saulo, até mesmo o Eric – comecei a contar e fechei meus olhos – Consigo nos imaginar em uma casa, um pouco grande para suportar tantas visitas e também porque teremos muitos filhos.

-Quantos? – escutei a voz dela vindo rouca e bem próxima.

-Cinco – respondi prontamente.

-Isso tudo?! – ela riu e começou a fazer carinho em meu rosto, finalmente abri meus olhos e vi que o rosto dela estava a centímetros do meu – Também estaríamos sempre juntas, tanto nesse mundo normal quanto nas caçadas.

-Claro meu amor, você é minha força, lembra?

-Eu nunca pensei que fosse possível amar tanto assim alguém, desse jeito tão entregue, intenso e... Conectado.

Ela sorriu para mim e foi impossível não sorrir de volta, em igual sentimento de amor, paixão e algo mais que pertencia apenas a nós duas. O momento estava lindo, até sentir mais uma vez o flash da câmera fazendo minha vista doer. Resmunguei alto e Dianna riu, estava para brigar quando ela finalmente me beijou. Um longo e incrível beijo, um desses que não parecia ter fim e rivalizar com a necessidade de respirar. Um tipo de beijo que me fazia ter certeza que dali para frente eu enfrentaria tudo e qualquer coisa por aquela garota.