Amor Submerso

42 Capítulo 42: Leviatã


Notas iniciais
Gente, eu acho que pode ficar confuso para algumas pessoas. Mas espero que realmente entendam as coisas porque foi uma cena de batalha difícil. Uma coisa é descrever um embate 1x1 ou 1x2, outro é uma guerra com direito a monstro fodástico.

Minha mãe estava mais séria do que nunca. Por vezes lançava olhares para o alto, como se tivesse esperança de ver a sombra do iate onde estavam as nossas mulheres e seu filho. Mesmo assim, ela não parava de nadar, me guiando por uma cidade mergulhada no oceano que agora se encontrava em um verdadeiro caos. O povo submerso tentava salvar tudo o que podia, ao mesmo tempo em que nadavam para abrigos cavernosos. Eu tinha de ter atenção redobrada, pois já tinha esbarrado em uma tartaruga marinha gigante e em uma sereia grande e desesperada, ela tinha ficado gritando que nós iriamos morrer em um verdadeiro surto.


“Para onde estamos indo?” – perguntei finalmente conseguindo nadar ao lado da sereia loira.


“Encontrar Rudy, ele é o melhor fabricante de armas, legais e ilegais” – Lynn respondeu quase distraída, concentrada apenas em seu caminho.


Eu já estava pronta para perguntar como ela conhecia um fabricante de armas ilegais quando tivemos de parar de nadar bruscamente. Não foi a toa, já que a minha recém-descoberta avó entrou a nossa frente, com um semblante tão ou mais sério que o de minha mãe. Ao seu lado estava Katreen e Aurora, as minhas tias que eram mais agradáveis.


“Sigam-me” – a rainha ordenou – “A campeã precisa de armas específicas. Vamos leva-la até o santuário”.


Lynn apenas acenou com a cabeça e passou a nadar perto de sua mãe. Mais uma vez eu tinha a sensação de que elas duas estavam tendo uma conversa particular em suas mentes, não podia evitar a curiosidade em saber que planos elas duas estavam fazendo. Ao meu lado ficou Kat e Aurora, minhas tias que mais pareciam ter minha idade e serem as modelos mais belas do mundo. Porque eu não puxei tanto a família de minha mãe?


“Então você nasceu como humana?” – Aurora indagou curiosa.


“Sim. Até pouco tempo atrás nem ao menos conhecia minha mãe” – respondi a olhando e sorri um pouco – “Eu surtei quando o rabo de sereia apareceu, Dianna ainda ri da minha reação”.


“Dianna é uma humana?” – Kat perguntou e eu a encarei um pouco surpresa.


“Porque não sereia, até onde eu sei ela é bem humana”.


“Ela parece ser mais forte do que aparenta, enfrentou papai fazendo um bonito discurso sobre o amor. E o rei tem uma aura assustadora até mesmo para nós, suas filhas” – Katreen explicou e sorriu – “E obviamente vocês duas estão vinculadas”.


“Mal de família se apaixonar por humanos” – Aurora falou e franziu o cenho – “Se bem que ela é bonita para uma humana”.


“Opa, cuidado com esses pensamentos ai, titia!” – foi instintivo defender o que era meu.


“Titia?!” – Aurora olhou-me indignada.


“Chegamos” – Lynn falou parando mais a frente.


Era como um grande altar em um salão circular, feito de materiais marinhos. No centro havia uma estátua que eu reconheci prontamente, a sereia grande e de olhar misterioso era sem dúvidas Anfritite. A mesma sereia morena que aparecia ocasionalmente em meus sonhos. Nadamos até lá e Katreen pediu para que eu ficasse a frente da estátua, na altura de seu olhar.


“Ok, da ultima vez que eu fiz algo assim ganhei uma cauda. Por favor, Anfritite, nada de guelras também!” – implorei sem nenhum tom de brincadeira ou ironia, estava mesmo pedindo para que isso não acontecesse.


“Apenas o Povo dos Rios tem guelras” – Aurora avisou divertida com minha reação.


“Ainda bem. Mas não viemos pegar armas? Ou vamos só rezar?” – olhei diretamente para minha mãe.


“Chegue mais perto dela” – Katreen pediu e uniu as mãos como em uma prece, fechou os olhos e começou a murmurar coisas em sua língua materna.


Fiz o que ela mandou, ficando a poucos centímetros da face petrificada daquela sereia. O que elas estavam fazendo? Não deveríamos enfrentar esse tal de leviatã? Tudo bem, eu não queria ver esse monstro tão cedo, mas se não fossemos batalhar aquele monstro poderia destruir a cidade de minha mãe, de parte de minha família. Apesar de não gostar muito daquele rei e de minha tia Irina... Parte de meu sangue provinha deles e essa era uma sensação que eu não poderia explicar. Os laços existiam, não importando se fossem próximos e calorosos, mas ainda assim, estavam ali criando um senso de responsabilidade que eu não sabia existir dentro de mim. Eu queria protege-los, eu queria dar tudo de mim para que tudo ficasse bem no final.


Distraída com meus pensamentos, só notei que algo acontecia quando minhas tatuagens lilases começaram a brilhar cada vez mais forte, refletindo exatamente as tatuagens que tinham na estátua. Os olhos de pedra começaram a ganhar cor e por instinto tentei me afastar, mas meu corpo estava paralisado! Comecei a arfar, uma reação natural quando se estava em uma situação daquela! Pequenos e finos filetes de luzes roxas, mas em grande quantidade, começaram a sair da palma da sereia e irem a minha direção, rondando meu corpo em uma velocidade circular cada vez mais rápido, como se um espiral arroxeado se formasse a minha volta. Fechei meus olhos com medo do que viria a seguir, isso me impediu de ver que depois de poucos segundos, todas as luzes desapareceram e minha tatuagem voltou ao normal. O silencio se prolongou e eu finalmente criei coragem de abrir os olhos.


“Ok, o que há de novo?” – questionei temerosa.


“Olhe para seu corpo” – Lynn ordenou com um sorriso orgulhoso.


Obedeci e abaixei meu olhar, quase no mesmo instante meus olhos se abriram e meu queixo caiu. Sobre meu peitoral estava uma espécie de armadura prata e dourada, completamente feminina em seus traços e exibindo a minha barriga, cobrindo meus seios e afinando na cintura, as costas estavam totalmente revestidas e ela parecia se ligar ao inicio de minhas escamas. Cobrindo todo o meu antebraço estavam luvas de guerra, nada pesadas ou incomodas, mas com um brilho mágico que variava do azul mais claro ao roxo mais escuro, não era feito de metal, mas como se fosse um tecido revestido e que não deixava dúvidas de que era poderoso. E foi olhando para meus braços que eu vi em minha mão um bastão com cerca de cinquenta centímetros, não muito fino e que parecia ter o peso perfeito, não muito leve para escapar de minhas mãos, não muito pesado para que eu não pudesse manuseá-lo.


“Ah que ótimo, vou derrotar o tal monstro com isso?” – ironizei sem querer.


“O segure mais firme e pense em uma arma como uma forma de ordem” – a rainha pediu com um principio de sorriso.


Arqueei uma sobrancelha e minha mãe fez um gesto com as mãos me incentivando a obedecê-la. Dei de ombros, segurei forte o bastão e pensei em uma lança. As pontas do bastão se desdobraram rapidamente, como se fosse feito de nanorobôs que se multiplicavam até se formar uma lança curta perfeita. Meus olhos tornaram a se abrir surpresos. Ordenei que se transformasse em uma espada, e novamente aquele material se desdobrou rapidamente e formou uma espada longa.


“Retiro tudo o que eu disse!” – exclamei ainda brincando com a arma, dessa vez ordenando um chicote, e assim aconteceu.


“Temos de ir” – lembrou a rainha, com um pensamento sério.


Voltei àquela minha nova arma para a sua forma original e dessa vez nos separamos sem dizer muitas palavras. Apenas um cuide-se, ou tome cuidado. A sensação que embrulhava meu estomago deixava-me ainda mais nervosa. Eu não tinha ideia do que fazer, se era capaz ou até mesmo digna. Lynn a todo o tempo me guiava pela cidade para sair dela e ir em direção à batalha. O que eu poderia ter feito sozinha, já que uma grande onda de pessoas meio peixe seguiam em direção a Fenda do Dragão.


“Fique do meu lado, vamos dar suporte uma a outra, entendeu?” – Lynn pediu mal olhando-me.


“Mãe... Isso não é mais um treino, eu sei disso” – tentei parecer confiante, mas meu estomago mais uma vez se contraiu.


“Fernanda” – Lynn parou bruscamente e me fitou de forma intensa, segurando em meu braço – “Não importa o que acontecer ou as decisões que tomar daqui pra frente, eu tenho muito orgulho de ser sua mãe, de tudo o que fez até aqui, mesmo quando era impulsiva. Eu te amo filha, e vamos sair dessa juntas, ok?”


Eu tive vontade de chorar. De alguma forma essas eram as palavras que eu precisava escutar. Balancei a cabeça de forma positiva e reunir toda a coragem que eu não tinha. Dessa vez saímos da barreira de proteção da cidade e nadamos a todo “vapor” em direção do inimigo. Apenas para descobrir que ele estava mais próximo do que prevíamos. Ou talvez ele apenas fosse gigante e intimidador o suficiente para fazer tudo ao seu redor encolher.


Entendam. Era como um dragão do mar gigante, ao invés de asas barbatanas, mas em sua boca havia dentes sujos de sangue que demonstrava que ele havia se alimentado dos bravos guerreiros. Não vou mentir que tive vontade de dar meia volta e nadar para o mais longe possível, eu poderia morrer ali e o pior, ver pessoas morrerem! Era uma batalha diferente, pois antes era sempre apenas eu e mais alguns. Mas dessa vez... Dessa vez erra como uma guerra! E eu era uma escolhida, uma pessoa completamente desastrada com a função de salvar o mundo. Ou quase isso.


“Calma, Fernanda!” – minha mãe notou meu choque, eu mal notei que tinha ficado estática ao ver o Leviatã tão de perto. – “Você não está sozinha, você é forte!”.


Fechei os olhos tentando lutar contra aquela vontade insana de fugir. Mas então ao levantar minhas pálpebras novamente, o que eu vi foi ainda mais assustador do que antes. Peixes monstruosos, grandes e pretos, passavam rapidamente devorando a todos que estavam na frente. Centenas seriam mortos... Se eu não tivesse lá, esses números apenas cresceriam! Naquele momento algo mudou dentro de mim, pensava que se fosse morrer, que fosse com honra e com orgulho de proteger algo. Nem ao menos falei com minha mãe, apenas nadei de forma determinada em direção ao peixe negro maior mais próximo. Segurei firmemente o bastão em minha mão e desejei uma espada de lâmina reforçada e afiada. Segundos depois meu desejo estava realizado e eu estava a poucos metros daquele monstro peixe. Estiquei minha mão livre e gritei em pensamento um encanto de tornado de água. As correntes prontamente se agitaram e seguiram em ataque ao peixe, o jogando para o alto. Nadei sem hesitar ficando de costas, quase que como deitada, rapidamente esticando minha espada para cortar a barriga do peixe preto enquanto passava em alta velocidade. Porém quando girei meu corpo novamente, uma espécie de lula demoníaca lançava seus tentáculos nojentos e grotescos em minha direção. Por puro instinto ergui meu braço o pondo em defesa de meu corpo. Fechei meus olhos ao mesmo tempo em que esperava ser “abraçada”. Mas isso não aconteceu! Afinal da luva em meu braço um campo protetor foi projetado, como a um escudo feito de energia pura que se esticava para os lados impedindo o avanço dos tentáculos. O povo foi atingindo por raios de energia azuis poderosos que o partiu em pedacinhos. Não me surpreendi ao ver minha mãe se aproximando.


“Quando você ativa o escudo, não pode usar o bastão, entendido?!” – ela explicou rapidamente – “Lembro-me disso da aula de História Submersa, nunca pensei que fosse ser tão útil”.


Era difícil imaginá-la em uma sala de aula, seja ela como fosse. Quando abaixei meu braço o escudo se desfez. Começamos a nadar juntas novamente, sempre indo de encontro ao inimigo mais próximo. Combinávamos magias, ajudávamos aos outros que com a nossa chegada pareciam ter seu espírito renovado. Só naquele momento eu pude perceber o quanto realmente era forte. Afinal, eu sempre tive como parâmetro pessoas fortes ao meu redor, mas ao estar ali, misturada ao meio a batalha, via que eu realmente podia fazer a diferença e salvar um ou outro, mas que esse um ou outro se tornava especial e importante.


Estava terminando de gladiar com um peixe espada, sim, acredite nisso! As coisas ali já estavam bastante confusas. Quando ousei lançar um olhar para o Leviatã. Muitos tentavam acertá-lo, principalmente os melhores guerreiros e magos, mas nenhum machucado parecia ser efetivo ou machuca-lo demais. A carapaça de escamas parecia como uma derme blindada. Porém não era isso que me fez parar e quase ser espetada mortalmente no coração. Recebi o golpe em minha cintura finquei uma lança no peixe-espada, o jogando para longe. Quando tornei a olhar novamente para o Leviatã a situação em nada mudara. Aquela besta marinha estava quase devorando o Rei! E ele estava tão machucado!


Dessa vez eu realmente não pensei duas vezes. Nadei rapidamente naquela direção e quando o rei tritão estava para ser literalmente abocanhado, desfiz minha barbatana para poder me jogar dentro da boca do monstro e usar de minhas pernas para poder apoiar naquela língua escorregadia enquanto minhas mãos seguravam o céu da boca. Tive de usar de toda a minha força para que a boca não se fechasse.


“Sai daqui!” – gritei para o rei que ainda estava na linha dos dentes.


“Mas...”


“Eu não vou suportar por tanto tempo seu idiota, saí daqui!”


Ele obedeceu e eu poderia estar aliviada... Se não fizesse ideia de como iria sair dali também! Talvez uma magia? Entretanto antes que eu pudesse pensar em algo, aquela boca abriu-se mais ainda me fazendo flutuar na água e ter um único pensamento.


“Fodeu”.


A boca se fechou e a língua do monstro me jogou para a sua garganta. Eu havia sido engolida! Escorreguei por um líquido muito nojento e viscoso. O lugar escuro era apenas iluminado por minhas tatuagens. Gritei, ah como gritei! Experimente ser engolido para ter a mesma sensação que eu tive. No fim, cai no que parecia ser uma poça mucosa. Assustada, nadava de um lado para o outro tentando encontrar uma saída. Eu não poderia morrer assim não? Devorada por um monstro, eu tinha feito quase nada do que era realmente capaz! E em meio ao meu desespero esbarrei em algo que me assustou o suficiente para quase ter um ataque cardíaco, realmente pensei que poderia ter outros monstros dentro da barriga do Leviatã. Mas então minhas tatuagens iluminaram aquele “algo” me fazendo preferir que fossem monstros. Era um corpo, devorado, mutilado, morto. Olhei ao redor finalmente prestando atenção onde eu estava e tudo o que eu vi foi um verdadeiro cemitério do povo submerso e alguns outros seres marinhos. Todos mortos, todos devorados e alguns muito bem mastigados.


Meu desespero não poderia ter ficado pior. Nadei para trás até bater em algo que lembrava uma parede, mas era escorregadia e macia ao mesmo tempo. Um músculo afinal de contas. Mas foi assim que eu pude finalmente escutar as batidas ritmadas e duplas que me lembrava... Um coração! Virei meu corpo deparando-me com um musculo mais fino do que o dos outros. Olhei para minhas mãos e amaldiçoei o momento em que perdi o meu bastão mágico. Quando isso aconteceu? Provavelmente quando estava sendo devorada! Porém ao meu lado havia uma espada de lâmina levemente curvada, a peguei e sem pensar demais comecei a cortar aquela parede muscular. Não foi difícil e eu podia sentir um movimento brusco vindo do Leviatã. O que era obvio, ele poderia ter uma verdadeira blindagem do lado de fora, mas por dentro não era o mesmo.


Levei alguns minutos para fazer uma abertura suficiente para que eu passasse. Quando adentrei senti como se estivesse em um daqueles tubos infantis que você tem de atravessar para cair em uma piscina de bolinhas. Porém menor, nojento e que me obrigava a me arrastar sem querer nem imaginar as coisas estranhas que passavam por meu corpo. Não sei quanto tempo levou para que eu finalmente encontrasse o fim daquilo, mas quando meu corpo saiu e caiu em um novo músculo, este pulsava e batia em ritmo e frequência própria. Deuses e Deus, eu estava certa! Eu estava bem encima do coração do monstro. Ou melhor, dos dois corações. Pus-me de pé sendo obrigada a segurar em algo que seria similar a uma enorme artéria, da grossura de um pilar. Era essa a minha grande chance! Rezei para Anfritite para que ela me desse forças e um pouco de sorte para não errar.


“Enérgeia pou proérchetai apó mésa mou , na vgei kai na katastrépsoun!” – proferi de olhos fechados.


Meu corpo brilhou mais do que nunca. Uma energia começou a se acumular ao meu redor como vários chicotes de cor lilás. Abri meus olhos determinada e canalizando a minha energia toda naquele ataque. Com a mente guiei os chicotes que eram extremamente afiados em direção ao coração, fazendo vários e profundos cortes, perfurando e despedaçando cada ligação com artéria e veias que ele tinha. Isso consumia tanta energia que costumavam dizer que poderia cansar até mesmo a arma. Era como um ataque supremo, feito apenas uma vez e quando não se tinha mais nenhuma escolha. Eu não via, mas meus olhos estavam roxos e meu cabelo flutuando devido ao poder que eu liberava. Quando os corações finalmente se desfizeram e caíram, alguns segundos se passaram até que eles parassem. Em um ultimo ataque, fiz com que aqueles chicotes rodassem meu corpo até formarem um círculo radial. Fechei os olhos sentindo a minha consciência falhar levemente, por alguns segundos pensei que poderia apenas apagar e tudo estaria bem. Mas precisava sair dali de dentro ou morreria junto com os monstros. Eu ainda não poderia morrer, não ainda! Então expandi aquele círculo fazendo aumentar seu diâmetro exponencialmente e em segundos eu havia cortado o corpo do Leviatã de dentro para fora, o partindo em dois.


Nadei um pouco para cima saindo finalmente daquele lugar escroto. Mas a água ao meu redor estava suja, infectada com o sangue do leviatã que se mesclava aos dos aliados e inimigos. Pude ver Lynn aproximando-se preocupada e machucada em minha direção.


“Vamos fazer a ligação da morte” – falei decidida.


“Você está bem? Está tão...”


“Isso não é hora, eu acumulei toda a minha energia e se não gastá-la toda vou ficar inconsciente agora mesmo. Tenho de fazer algo enquanto isso!”


Lynn olhou-me indecifravelmente, mas logo estava ao meu lado. Erguemos nossas mãos para o alto enquanto eu focalizava todos os meus inimigos restantes. Seres marinhos possuídos ou malignos por natureza.


“Grammí̱ grammí̱ sýndesi̱s pou skotó̱nei” – eu e minha mãe recitamos como se fossemos uma só.


De nossas mãos um singelo fio de energia saiu e atingiu nossos inimigos. Minhas linhas eram roxas, enquanto as dela eram azuis. Alguns tritões e sereias que tinham derrotado a alguém nos olhavam surpresos e eu não os culpava. Essa era uma das magias mais complexas e que energia tanta energia e concentração que era simplesmente impossível realiza-la no meio de uma batalha. Mas eu e minha mãe temos a mesma determinação circulando por nosso sangue, um vínculo tão forte que superava qualquer dúvida de que éramos mãe e filha.


“Na akolouthí̱sei tis diatagés mou!” – terminamos o encanto novamente como uma só voz.


Os fios se tornaram mais densos e por eles passou uma energia que se assemelhava a raios. Cada inimigo nosso marcado foi atingindo e eletrocutado, de dentro para fora, impiedosa e rapidamente. Assim que a magia desfez eu perdi o controle de meu corpo, começando a afundar e a quase desmaiar. Eu havia gasto tanta energia que sabia que estava respirando apenas porque era um ato involuntário. Alguém me segurou e por um momento pensei ser minha mãe, mas logo a vi a minha frente sendo apoiada pelo Rei.


“Você foi incrível” – a rainha murmurou entre orgulhosa e encantada.


“Obrigada, vovó” – respondi cansada até mesmo em pensamento.


Ela sorriu carinhosa e eu escutei o rei falar algo na língua deles, mas imaginei ser algo parecido com uma declaração de vitória. Escutei urros de pensamentos e uma energia tão positiva e feliz que me fez desmaiar com um sorriso no rosto. Afinal de contas, havia conseguido!

Notas finais
Mim amem eternamente, nunca mais tinha postado tão rápido assim não é?

Ah, o capítulo foi pouco revisado! ><'