Amor Submerso

28 Capítulo 28: Primeiro dia (Parte 1)


Notas iniciais
Uma rápida explicação, o carnaval será retratado em dois dias. O primeiro será totalmente da Sky e Lynn. Um pov de cada e vai ter orange! O segundo vai ser do casal principal lá em Natal xD

Desculpa a demora para postar, mas no próximo eu vou tentar postar amanhã ou depois porque eu to animada demais pra não escrever isso logo -q

MARY MELLO eu te amo sabia mozi? Obrigada pela recomendação sua linda sz

Primeiro Dia

Pov Lynn

-Tem certeza de que não quer ficar conosco? – perguntei mais uma vez a minha menina.

Fernanda revirou os olhos e apenas abraçou-me com força, daquele jeito de jogar-se em meus braços e me apertar forte contra si. Ela era espontânea e isso era uma das coisas que eu mais gostava em minha filha. Estava ali, no porto com Nathan ao meu lado para nos despedimos de Dianna e Fernanda que iriam passar um dia inteiro em Natal. Tentava esconder a todo custo a minha preocupação de vê-la longe, ainda mais sabendo dos perigos que agora nos cercava.

-Está tudo bem mãe, tenho muitos amigos em Natal, vamos encher a cara e voltar para minha casa lá, eu prometo – Fernanda falou pela terceira vez quase a mesma frase.

-Ok, ok – aceitei sem nenhuma alternativa, suspirei e olhei para Dianna que esperava um pouco afastada, deixando ter aquele momento mãe e filha – Tome conta dela ok?

-Pode deixar – Dianna sorriu confiante.

Nanda ficou na ponta dos pés, depositou um beijo estalado em meu rosto e praticamente saiu saltitando até Dianna. Pegou em sua mão como se fosse a coisa mais natural do mundo e partiu em direção a lancha que pediu emprestado de Scarlet. Respirei fundo pela milésima vez, ficando no porto até que a lancha se afastasse. Aquelas duas garotas estavam predestinadas, nem mesmo eu poderia negar isso. Fernanda não se apaixonaria por alguém tão forte como Dianna que mesmo sendo uma humana possuía um poderoso espírito. Porém recuso-me veementemente a acreditar que o destino tenha me colocado no caminho daquela ruiva impertinente. Ao pensar nisso tive de conter uma careta de repúdio, olhei para Nathan ao meu lado e o flagrei me observando.

-Elas vão ficar bem – ele disse e sorriu triste – Não sei se nós vamos, perdi minha base de apoio para aguentar as brigas.

-Desculpe filho, eu... eu só perco o controle! Ela me insulta com aquela cara de pau e eu me sinto na obrigação de revidar – tentei me explicar, mas era complicado por em palavras aquele sentimento forte que me dominava quando as coisas se tratavam de Scarlet – Mas vamos para casa, se é época de festa e temos uma folga, também temos direito de aproveitar.

Ele apenas concordou, mas lançou-me um olhar significativo para mim como se dissesse que sabia algo e eu não. Por hora iria deixar aquilo de lado, precisava mesmo distrair a mente e parar de pensar em problemas tão catastróficos quanto os que assolavam a nossa retaguarda. Segui ao lado de Nathan ignorando os olhares que nos eram lançados, por vezes indagava-me o que os humanos pensavam quando nos viam. Achariam que éramos turistas? Outros poucos poderiam me reconhecer, afinal quando vivia um romance com Pedro por muitas vezes vim em terra, umas duas vezes cheguei a visitar as vilas de Noronha. Ao pensar em Pedro meu coração vacilou uma batida. Ele tinha de estar morto, por qual outro motivo nosso vínculo estaria quebrado? Só havia uma forma de isso acontecer e era com o beijo da morte. Porém Scarlet não mentiria sobre isso, mesmo sendo uma pirata prepotente, ela não usaria de uma blasfêmia desse porte para me atingir.

Balancei a cabeça de um lado para o outro apagando de minha mente qualquer resquício de preocupação. Entrei em casa e prontamente eu e meu filho praticamente corremos para os banheiros da residência para tomar um verdadeiro e longo banho. Permiti que a água lavasse meu espírito e renovasse meu ânimo, já havia decidido e agora estava convicta. Nesse dia eu iria me divertir, mesmo que com os humanos. Assim sai do banho cantarolando uma música popular de meu povo, deixei minha toalha cair e andando completamente nua fui até o meu guarda-roupa para escolher meus trajes de festa. Não iria mentir e dizer que o conforto de possuir dinheiro humano sempre facilitou muito as coisas quando tinha de vir a terra. Escolhi um bonito e caro vestido azul claro, com as mangas caídas nos ombros e com a saia chegando a um palmo acima de meu joelho. O tecido era leve, então a qualquer movimento a saia se movia graciosamente. Nos pés uma sandália rasteira com poucas pedras coloridas. Maquiagem? Não precisava, apenas brincos e uma fina pulseira prateada. Meus longos cabelos loiros foram parcialmente presos, as mechas da frente foram puxadas e presas atrás por uma bela presilha de borboleta azul.

-Vamos? – Nathan entrou no meu quarto sem bater na porta, afinal não era o nosso costume já que no fundo do mar não existiam esse obstáculo – Soube que haverá um almoço festivo, com comidas típicas e um show de uma banda local para animar os turistas.

-Ótimo, estou com fome! – respondi com um belo sorriso.

Estava quase flutuando tamanha era a minha paz interior naquele momento. Permitindo-me ficar despreocupada, segui para o lugar junto ao meu filho e soube apreciar a culinária brasileira que tanto gostava. A música não era ao todo boa, mas a animação contagiava qualquer um. Era uma mistura com samba e MPB que mesmo os que não gostavam desse ritmo acabava entrando na brincadeira por simplesmente ser divertido naquele momento. Um rapaz simpático e com sorriso com outras intenções até me ensinou a dançar um pouco. Debaixo do mar não dançávamos daquela forma, afinal não tínhamos pernas, então ter uma coordenação a ponto de fazer passos desse tipo foi um desafio que eu levei quase meia hora para conseguir. E quando o fiz, comemoraram com uma rodada de bebida.

Décadas atrás eu não estaria assim, permitindo tanto contato humano, dançando e rindo de algumas besteiras, deixando que eles me admirassem. O Povo Submerso era orgulhoso o suficiente para não ver a beleza que a díade do ser humano apresentava. Um deles podia ser um mentiroso, o outro um aproveitador e tantos outros defeitos que se podia aplicar. Mas naquele momento eram apenas festeiros curtindo uma data festiva. Os humanos tinham essa capacidade fascinante de vibrar no mesmo ritmo quando motivados e quando em grande quantidade.

Depois do restaurante eu e Nathan fomos passear pela praça, ficamos vendo e rindo de certas manias humanas. De como eles se permitiam fazer tolices só porque estavam no carnaval, sem contar os que estavam fantasiados. Foi ali que descobrimos um lual e fomos rumo a mais uma festa. Dessa vez era uma coisa maior, havia turistas e nativos misturados, dançando, bebendo, falando alto. Mas no centro todos estavam dançando. Nathan avisou que iria beber um pouco e eu prontamente fui dançar. Era finalzinho de tarde, o céu estava naquele belo tom mesclado de laranja e azul, o mar calmo produzia sons baixos. Eu dancei só, acompanhada e com um pequeno grupo. Chamava a atenção, até porque quando girava nas danças minha saia do vestido subia consideravelmente. Mas não me importava, desde sempre havia chamado a atenção, seja no meu povo por ser uma princesa, seja no mundo humano por minha beleza singular. Mas em meio a esse festejo, enquanto era guiada por um senhor de idade simpático que pediu uma dança, meus olhos a encontraram.

Scarlet estava encostada a uma bancada de quitutes, com uma garrafa vermelha de bebida na mão bebendo diretamente do gargalo. Seus olhos não estavam apenas cravados em mim, estavam intensos e observadores. O senhor me girou e por poucos segundos ela fugiu de minha visão, sorri e segui a sequencia de passos que ele estava dando, mas assim que pude voltei a olhá-la. E como imaginei, ela ainda fitava-me daquele jeito perturbador. Mas nada mais perturbador do que o jeito que ela estava vestida. Uma calça muito colada marcava as pernas bem trabalhadas por causa do treino constante que ela tinha e por cima uma blusa justa que demarcava sua cintura e valorizava os seios. O cabelo ruivo estava solto, sendo balançados pelo vento moldando a cada movimento uma parte de seu corpo. Desviei o olhar irritada comigo mesma por estar prestando tanta atenção na humana, ignorando o meu coração que insistia em bater mais forte. Continuei a dançar um pouco com o senhor, até que a esposa dele se aproximou e pediu a vez. Sorri de um jeito simpático e me afastei um pouco. Olhei pelo canto dos olhos e ela ainda acompanhava cada movimento meu, mas dessa vez seus olhos estavam... Expressando algo diferente. Admiração? Interesse?

Não sabia, mas saber que eu era a causa disso me fez agir sem pensar. Comecei a dançar sozinha, movimentos levemente sensuais e que eram guiados completamente pelo ritmo da música agitada. Deveria ser axé? Ou samba? Não sabia, estava apenas dançando e sentindo o momento. Por vezes meus olhos captavam Scarlet devorando-me com o olhar, bebericando de sua bebida. Quando a música teve fim ri sozinha, meu corpo estava relaxado, extasiado por extravasar qualquer estresse que outrora me dominava. Mas quando procurei por Scarlet ela estava com Dante, parecia zangada, falou poucas palavras, entregou-lhe a bebida e partiu a passos largos. Para onde estava indo? O que tinha acontecido? Franzi o cenho perguntando-me de que isso me valia saber. Teimosa, dancei mais uma música com um jovem turista, mas logo o afastei quando tentou passar a mão onde não devia. Avistei Dante comendo alguns quitutes, mordi o lábio inferior e bufei para mim mesma. A curiosidade havia vencido o meu orgulho, obrigando-me a aproximar de Dante.

-O que aconteceu com a Scarlet? – perguntei de forma direta.

-Ah é você – Dante olhou-me por poucos segundos e então deu de ombros – Quando eu me aproximei ela disse algo parecido como que estava ferrada e depois deu um de seus tradicionais resmungos. Então disse que estava passando mal e que iria para casa tomar algum remédio.

-Obrigada – disse afastando-me sem esquecer-me de ser educada.

Ela estava passando mal? Bem, não me surpreenderia, estava sempre comendo besteiras ou bebendo escondida. Tentei voltar à festa, estava caminhando a para a massa de foliões... Mas em minha mente só vinha que Scarlet poderia estar mal. Mais uma vez ralhei mentalmente comigo e dei meia volta indo em direção à casa de Dianna. A cada passo que dava era uma briga interna, recusava-me a dizer que estava preocupada com a pirata. A desculpa que dei para mim mesma? De que não era um crápula para deixar alguém doente quando poderia fazer algo. Parei a porta, respirei fundo e a abri.

-Scarlet? – chamei hesitando um pouco em minha voz, estava tudo escuro, franzi o cenho e tentei novamente – Sky?

Fechei a porta atrás de mim e caminhei para a parede com o intuito de acender as luzes. Tudo aconteceu de repente, algo segurou meu pulso, puxou-me bruscamente e envolveu algum tipo de metal em meu pulso. Por puro instinto fechei meu punho e tentei golpeá-lo, mas como se previsse o que iria fazer o ser abaixou desviando do ataque. De supetão as luzes foram ligadas revelando que o meu agressor era Scarlet.

-O que pensa que está fazendo?! – gritei com ela ainda um pouco assustada pelo que tinha acontecido.

-Você não devia estar aqui – Scarlet disse em um tom baixo, mas completamente sério.

Só então notei que ela havia tirado a calça restando apenas uma calcinha vermelha rendada no lugar. Mas meus olhos tinham sido pegos pelo olhar extremamente intenso que ela me lançava, mais que isso, era tão evidente o desejo que ela tinha que eu podia sentir em minha pele o clima que vinha dela. Não! Como isso era possível?

-Dante disse que você estava passando mal, só vim ajuda-la – argumentei firmemente, não querendo vacilar naquele momento – Mas parece que me enganei, continua a mesma coisa irritante de sempre, então está no seu estado normal.

Virei as costas, andei alguns passos e algo puxou meu pulso bruscamente. Só então olhei para baixo e não pude acreditar no que estava acontecendo. Eu estava algemada! Não eram algemas comuns, era uma pequena corrente dourada que possuía uma liga fina e do metal mais forte que ligava a outra algema... Que estava no pulso de Scarlet! A minha raiva prontamente tomou conta de meu ser.

-SCARLET! – gritei em fúria – Solte-me agora!

-Você não vai sair daqui – ela disse ainda daquele jeito sério, mas deu um sorriso extremamente sexy – Você definiu a nossa noite assim que cruzou por aquela porta. Sabia que eu sou dura na queda e mesmo assim veio me procurar.

-Você está delirando? Scarlet solte-me agora ou eu irei matar você!

Ela sorriu perversa, segurou o fio que nos conectava e puxou de supetão. Despreparada, meu corpo seguiu a força e foi diretamente de encontro ao dela, mas Scarlet não parou por ai. Segurou em minha cintura, girou habilmente e me fez sentar em uma cadeira e tão ágil sentou em meu colo de frente para mim. Dessa vez não pude ignorar o meu tolo coração disparado ou o arrepio que percorreu meu corpo.

-O que pensa que esta fazendo? Sua insana! – tentei ainda lutar, pousando minhas mãos na cintura dela para empurrá-la.

Como resposta Scarlet pressionou o corpo no meu, segurou meu cabelo e o puxou levemente para trás para forçar minha cabeça para trás. Assim ela me obrigou a fita-la e o jeito que ela estava era enlouquecedor. Aquele olhar pesado de desejo sobre mim estava tirando a minha capacidade cognitiva.

-Disse que iria me matar – ela falou provocadora, passando a língua nos próprios lábios de uma forma sensual – Tente se puder. Mate-me Lynn, tão longa e deliciosamente que conseguir ou irei fazer isso com você.

Meus olhos se arregalaram e meu coração foi parar na garganta. Eu não podia acreditar! Mas ali estava Scarlet, sua boca carnuda e ao mesmo tempo muito bem desenhada sobre a minha. Minhas mãos a empurraram devido a surpresa, eu me debati na cadeira tentando escapar disso. Porém quanto mais eu lutava, mais ela me beijava e pressionava seu corpo no meu. Fechei minha mão em punho e a ergui para socar aquele rosto bonitinho que ela tinha... Mas no meio de caminho minha mão desviou para a sua nuca e a agarrou. Scarlet tinha conseguido passagem e mesmo sem delicadeza nenhuma a sua língua transpassou meus lábios e adentrou minha boca fazendo meu corpo inteiro ascender. Estava completamente perdida e derrotada na luta contra a razão.

O que fiz? A agarrei e puxei mais contra mim ao mesmo tempo em que pressionava o meu tentando deixa-los o mais junto possível. Dei vasão a todo o desejo que eu sentia por ela tão arduamente reprimido e camuflado por uma impaciência e brigas. Retribui ao que estava sendo o beijo mais voraz e intenso de minha vida.

Notas finais
Sacanagi terminar ai né? hauahuahau mas o próximo vai ser orange com certeza. O cap ta com pouca revisão, então perdoem os erros =/