Amor Submerso

2 Capítulo 2: Hotel Estrela do Mar


Notas iniciais
Só um pequeno aviso... eu acho (apenas acho) que a fic vai ser um pouco grande, então paciência que as coisas vão acontecer - ao menos para mim - no tempo certo.

O hotel Estrela do Mar era o mais elegante de toda a ilha, o que significava que os turistas eram riquinhos e metidos. E os mais estranhos também, talvez por causa do pensamento que aqui no Brasil era festa e alegria o tempo todo. Duvidava que qualquer um deles entrasse em qualquer morro e passasse alguns dias e continuassem com a mesma impressão. Não era fácil o contraste em que viviam os brasileiros, mesmo depois de tanta evolução e briga por mudanças. Algo que às vezes me fazia pensar na sorte que eu tinha em ter vindo parar em uma família tão boa quanto a Fontaine.

O caminho para o hotel foi mais longo do que das outras vezes, o meu incomodo me fazia perder um pouco da conversa animada que rolava entre meus amigos e Eric. Felizmente Dianna havia apenas observado e comentado pouco, a presença dela estava me causando coisas que eu não estava gostando. Assim, quando o jeep finalmente parou na garagem do hotel eu fui a primeira a saltar para fora do carro e gritar que estava indo ver meus tios. O que estava fazendo na verdade era fugindo. Corri garagem a fora, passando pela área das piscinas, entrando pelo hall de serviço e indo diretamente para a sala perto do pavilhão das refeições. Assim como esperava, Saulo estava sentado lendo o jornal.

-Você está cada vez mais velho tio!

O senhor de cabelos grisalhos e olhos azuis iguais aos de Eric jogou o jornal para o lado abrindo um sorriso acolhedor. Saulo levantou e abriu os braços para que eu me jogasse nele como fazia desde pequena. Eu nunca pude descrever ao certo como o abraço daquele homem me confortava e acalmava. Ele me apertou e bagunçou meu cabelo, fiz uma careta e meu tio riu voltando a me abraçar com mais carinho.

-Eu senti a sua falta, Nanda – ele disse saudoso – Onde estão seus amigos?

-Abandonei eles lá embaixo e vim correndo para cá – expliquei com um sorriso sapeca.

-Ou está fugindo da Dianna? – ele perguntou e eu desviei o olhar, novamente aquela risada pesada e gostosa – Eu sabia que você iria ficar sem jeito quando visse a garota.

-Custava terem avisado? – reclamei finalmente me afastando.

-Eu disse que ela era bonita. Você que não acreditou muito.

Dei de ombros ainda irritada com esse assunto. Ela não era simplesmente bonita, era completamente e sem sombra de dúvidas uma mulher linda. Não, eu não estava exagerando, era um fato que me deixava com um incomodo que eu não poderia dizer a origem ou o motivo. Menos de um minuto depois Eric e o pessoal chegaram ao mesmo tempo em que tia Rita saia da sala de jantar e vinha me abraçar apertado.

-Não faça mais isso, não veio nem mesmo um fim de semana para cá! – ela brigou na primeira oportunidade.

-Final de semestre tia – choraminguei – Eu estava quase morrendo lá!

Ela me deu aquele olhar materno e fez carinho em minha cabeça para só então cumprimentar Lorena e conhecer Rodrigo. Dianna estava ao lado de Eric, com o braço intercalado ao dele e com aqueles olhos verdes intensos me encarando com... Curiosidade? Sim, talvez fosse isso, qual outro motivo ela estaria me fitando daquela forma? Dei de ombros e finalmente decidi ignorar, não seria ela a ficar ocupando meus dias ali na ilha de Noronha.

-Crianças, vão tomar um banho e peguem suas roupas de banho, nada melhor do que relaxar um pouco na piscina com um dos meus coquetéis do lado – Rita aconselhou com um leve toque de ordem.

Bati uma ligeira continência, peguei a minha mala e segui direto para o meu quarto no hotel. Era sempre o mesmo, o ultimo do segundo andar, o que tinha a melhor vista para a praia. O hotel era enorme em termos de largura, era uma lei que tinha na ilha que impedia que qualquer construção tivesse mais que dois andares. Sabia que Lorena e Rodrigo estariam no quarto logo ao lado, o que ficava reservado para as visitas da família. Logicamente não iria dividir meu quarto com um casal, não queria sair traumatizada ao flagrar algum momento intimo dos dois, já bastavam às coisas que pegava sem querer na república. Não tardei para ir até o banheiro e me esbaldar em um banho de banheira morno e com sais de banho. Afinal de contas aquele era o melhor hotel da região!

Apesar de saber que iria cair na piscina logo depois aproveitei aquele momento para relaxar um pouco. A água sempre teve um efeito especial sobre meu corpo e mente, era engraçado como conseguia entrar em ressonância com o movimento da água, se ela estivesse parada bastava eu fechar os olhos para que minha mente também começasse a parar e ficar tão tranquila quanto à água. Mas se entrava no mar e as ondas estivessem altas não tardaria para que eu ficasse animada e agitada com uma energia que não parecia ter fim. Eu adorava essa minha conexão apesar de nunca saber como explicar direito. Depois de minha sessão terapia banho relaxante sai e fui enrolada em uma toalha azul para o quarto... Mas assim que eu vi aquele ser moreno sentado em minha cama soltei um grito de susto, tendo meu coração disparado pela surpresa e só por saber que estava apenas de toalha! Meus pés ainda um pouco molhados quase me fizeram escorregar para trás em meu jeito naturalmente atrapalhado. Meu cabelo ainda pingava água e por puro instinto segurei bem firme o tecido que envolvia o meu corpo depois da ameaça de queda.

-Desculpa! – Dianna pediu ficando de pé depois de meu grito – Eric mandou eu vim aqui ver se você estava viva!

-Vire agora! Ai meu Deus – eu sabia que estava completamente vermelha – Custava esperar do lado de fora?

-Calma, não é para tanto! Somos garotas, qual o problema? – ela perguntou confusa.

-Ah pra mim tem muita importância, não quero e pronto. Vire ou saia! – a agitação dentro de mim fazia-me ficar quase agressiva, apontando em direção à porta.

Dianna ergueu as mãos como em sinal de paz e virou o corpo, não saiu. Mas eu pude ver em seus olhos verdes um brilho divertido. Ótimo, agora ela estava achando graça de minha situação? Resmungando e a passos pesados, corri para a minha mala e a arrastei para dentro do banheiro, quase tropeçando em meus próprios pés por causa da pressa de sair dali. Claro que tinha problema ela me ver daquele jeito! Era uma desconhecida, era uma garota linda e... Deus, eu estava terrível. Meu cabelo nunca ficava legal depois do banho e a toalha era mais curta do que eu gostaria que fosse naquele momento. Respirei fundo e fechei os olhos tentando controlar minha mente e as batidas de meu coração. Abri a mala ainda com as mãos levemente tremulas, entrando em conflito comigo mesma em qual roupa e biquíni deveria usar. Droga! Se Dianna não tivesse aparecido isso nunca seria um problema, afinal eu pegaria qualquer coisa e correria feliz para a piscina. Pus a mão em minha testa perguntando o que estava acontecendo comigo, por que estava deixando aquela garota me afetar tanto? E não fazia nem uma hora que eu a conhecia!

-Está tudo bem? – ela perguntou do outro lado da porta – Está mesmo zangada?

O tom de voz dela estava hesitante. Eu havia exagerado? Apenas tinha reagido por puro instinto, ela tinha me pegado desprevenida... Novamente. Deixei um suspiro escapar por meus lábios e finalmente peguei um biquíni preto e um shortinho curto vermelho e preto.

-Só não reajo muito bem a surpresas – respondi depois de um tempo, começando a me vestir – E para mim é diferente uma garota me ver nua.

-Ah, desculpe mesmo, eu só pensei...

-Esqueça – a interrompi e terminei de me vestir.

-Mas você não me parece do tipo tímida para se importar com essas coisas de...

-Não sou tímida – abri a porta a interrompendo, ela estava bem próxima, encostada pelo ombro na parede ao lado da porta. Consegui abrir um sorriso sem jeito – Minha relação com as garotas é mais íntima, entende? Gosto delas muito mais do que dos homens.

Os olhos verdes se abriram em surpresa e por dentro senti uma pontada de vitória. Não seria a única a levar sustos naquele dia! Eu não tinha medo de me expor, como disse não era tímida, apenas atrapalhada e impulsiva. Passei minha adolescência inteira lutando contra até aceitar e quando finalmente entendi que não era apenas uma escolha, mas sim que algo de minha natureza e que eu era simplesmente assim eu me aceitei e pude ter forças para ir de encontro com o preconceito.

-Você se incomoda? – a desafiei com a pergunta.

-Claro que não, mas dessa vez eu que fiquei surpresa – Dianna deu de ombros e sorriu – Vamos? Já estão todos na piscina.

Fiz que sim com a cabeça e seguimos em silêncio, eu andava alguns passos mais a frente, não queria correr o risco de olhá-la e ter um efeito hipnótico que fosse me embaraçar. Estávamos em um corredor já chegando ao hall de serviços quando escutei a voz dela atrás de mim, mais próxima do que eu desejava, capaz de causar um leve arrepio em meu corpo. O timbre dela era diferente, mais pesado do que o que costumavam ter as mulheres, mas isso era extremamente... Sexy. Ah Deus, proteja-me de meus pensamentos!

-Então, você faz biologia. Está gostando do curso? – ela questionou.

Logo Dianna estava ao meu lado, com o rosto virado para mim. Como uma coisa magnética eu não resisti a também olhar para aqueles olhos verdes tão vívidos e curiosos. Minha barriga contraiu, eu não gostava nada dessa sensação, mas não podia simplesmente fugir dela naquele momento.

-Sim, estou no quarto semestre – contei e finalmente consegui desviar o olhar – Rodrigo é meu companheiro de turma, Lorena faz medicina veterinária.

-Já está fazendo estágios? – ela continuou com o assunto.

-Ainda não, geralmente se consegue apenas no quinto ou sexto semestre se tiver bons contatos. O Q.I nessas horas é fundamental.

-Q.I? – Dianna franziu o cenho confusa.

-É. Quem Indique – expliquei sorrindo naturalmente.

Ela riu e fez que sim com a cabeça. A risada dela era muito gostosa de ouvir, cristalina e sincera. Eu poderia a fazer rir mais vezes só para escutar esse som. Fiquei surpresa com meu próprio pensamento e adiantei o passo novamente e quando estive longe o suficiente me dei um tapa na testa, o que eu estava fazendo? Delirando? Ela era namorada de meu primo-quase-irmão! Felizmente chegamos a área da piscina. Já havia alguns turistas ali, muito brancos e curiosos, provavelmente estrangeiros de algum país do norte. Os ignorei completamente, fui até uma mesa às margens da piscina, retirei meu short ficando apenas de biquíni, corri e saltei para dentro da água em um elegante pulo.

Assim que meu corpo submergiu eu senti aquele efeito mágico. Ainda com o impulso do mergulho fui até o extremo da piscina, girei meu corpo e ainda no mesmo fôlego fui até o outro lado extremo. A piscina era em forma de L, sendo a sua ponta a parte mais rasa, portanto estava apenas no lado fundo. Quando emergi busquei ar e minha mente estava revigorada, sem nenhum pensamento confuso sobre aquela morena.

-Eu não sei por que me preocupo com você tanto tempo embaixo da água – Lorena nadou para perto de mim.

Não tinha notado, mas estava todos dentro da piscina, inclusive Saulo. Rita apareceu prontamente com um copo com coquetel de frutas para mim. Sentei na beirada para poder beber sem deixar que o líquido caísse dentro da água com cloro. Porém, quando estava bebericando foi no exato momento em que meus olhos flagraram Dianna tirando a roupa lentamente e ficando apenas com um biquíni vermelho. E o que fiz? Engasguei com o coquetel e quase morri sufocada se não fosse Lorena a me acudir batendo em minhas costas. Quando voltei a olhá-la ela estava abraçada a Eric, mas com um sorriso misterioso nos lábios enquanto fitava-me com aqueles olhos verdes de gato. Deus, eu estava terrivelmente encrencada!

Notas finais
PS: A fic vai ser contada, ao menos até onde eu sei, apenas por Fernanda xD