Amor Submerso

5 Capítulo 5: Pesadelo


Notas iniciais
Gente, eu to cheia de trabalhos pra fazer e só to postando porque já tenho os capítulos bem adiantados. Não consegui responder os reviews mas assim que der responderei a todos sz

Esquecê-la nos primeiros dias de volta a Natal foi uma missão quase impossível. Mesmo em Natal, principalmente à noite, eu me lembrava dos sorrisos e jeitinho especial que Dianna tinha. Mas foi na noite de quarta-feira que eu decidi dar um basta nisso. De que adiantaria sofrer sem lutar contra? Eu sabia que não estava me esforçando da forma certa, do jeito que tinha planejado com Lorena. Então estava na hora de por em ação. Dianna iria ser minha amiga e apenas isso, mas antes precisava distrair e tirar essa necessidade de meu corpo.


Foi assim que eu liguei para as gêmeas mineiras e marquei de nos encontrarmos em Vogue, uma das boates da capital que gostávamos de frequentar. Havia finalmente me permitido começar a esquecer daquela morena de cabelos cacheados. Levei quase uma hora para me arrumar, trabalhando bem em meu visual. Deixei meu cabelo mais enrolado nas pontas dando mais atenção aos fios azuis e deixando meu corte mais destacado. Elegi um vestido preto tomara-que-caia e um tanto curto, para completar um scarpim vermelho com um salto realmente alto, batom rubro e uma maquiagem forte. Como o único carro na casa pertencia a Rodrigo combinei com as gêmeas de me buscarem em casa às dez da noite.


Pontualmente às dez escutei uma buzina do lado de fora da casa. Sorri de lado deixando que meu espírito festeiro tomasse conta de mim. Ainda mais ao ver que aquelas mineiras de cabelos castanhos e pele bronzeada estavam terrivelmente sedutoras, uma de vestido vermelho e a outra com um conjunto de saia e blusa super decotada. Brenda fazia jornalismo, enquanto que Bianca fazia direito, eram muito idênticas tirando por pequenos detalhes. Ambas eram bissexuais e muito divertidas quando em festa ou conversa com os amigos.


–Nossa Fê, você está muito gata – Brenda elogiou depois de assoviar.


–Eu diria que deliciosa, estou com ciúmes das garotas da Vogue desde já – Bianca abriu a porta do carro sedan para mim.


–Do jeito que vocês duas estão eu me contentaria só com vocês, se eu tivesse chance – não pude deixar de falar com um olhar malicioso.


Elas sorriram idênticas e Brenda que estava na direção não tardou a dar a partida no carro. Ao fundo tocava uma música baixinha da rádio local e eu tentei me distrair nela, mas fui interrompida por Brenda que virou o corpo para mim do banco da frente.


–Sério que daria conta de nós duas? Não está se achando demais não? – ela provocou arqueando uma sobrancelha em desafio.


–Não faço propaganda enganosa – respondi confiante, inclinando meu corpo deixando meu rosto próximo do dela – Mas tenho medo que acabem gostando demais e viciando, não estou aberta a relações sérias.


–Não somos uma Gabrielle da vida – riu Bianca, todos os meus amigos sabiam dessa minha desventura.


–Então me prove, me dê um beijo que me faça acreditar – Brenda continuou jogando todo o seu charme.


Sorri de lado entrando em sua onda de sedução. Levei minha mão a nuca dela e a puxei mais entre o vão entre um banco e outro dos acentos da frente e encaixei minha boca a dela sem hesitar. O beijo desde o inicio foi intenso, invadi com minha língua e a dominei por completo, fazendo com que a língua e os lábios dela seguissem meu ritmo exigente. Minha mão subiu da nuca para o cabelo dela, deixei que meus dedos se perdessem naqueles fios castanhos ao mesmo tempo em que mudava o beijo o deixando extremamente sensual e ousado.


–Opa, que isso?! Não respiram não? Droga, eu estou perdendo a concentração na estrada! – Bianca reclamou quando o beijo se prolongou por alguns minutos.


Mordi o lábio inferior dela e o suguei de uma forma gostosa para só então me afastar. Brenda parecia ainda enervada pela sensação do beijo, sorrindo de um jeito malicioso quando voltou a sentar no banco.


–Mana... Vamos para nossa casa, teremos uma festa particular – Brenda anunciou sem pudores.


–Foi tão bom assim? – Bianca duvidou.


–Eu estou molhada só com o beijo dela – Brenda confirmou.


Bianca olhou rapidamente para mim e eu apenas ergui uma sobrancelha em desafio, apenas para provoca-la passei a língua por meus lábios.


–Estava deliciosa – disse completamente maliciosa.


Depois disso Bianca mudou completamente o rumo de sua direção. Naquele momento só passava em minha mente que eu iria ficar com duas garotas, gêmeas, lindas e safadas... Ao mesmo tempo. Obviamente que meu lado pervertido entrou em frenesi. Qual melhor remédio pra esquecer alguém do que um presente divino desses? Nunca disse que era santa, na verdade sabia aproveitar cada chance que a vida me dava, mulheres se encaixavam nisso. Então quando cheguei a casa delas eu não me fiz de rogada, agarrei uma e depois a outra, tirando nossas roupas pelo caminho até o quarto de uma delas.


Eu me entreguei ao momento... Mais que isso. Lutava com o pensamento que insistia em vim dizendo que eu deveria fazer isso com Dianna. Sempre que algo assim acontecia eu me dedicava ainda mais a uma ou outra, devorando e dando tanto prazer quanto possível, ou exigindo isso, deixando que elas fizessem o que quisessem com meu corpo. Eu estava intensa, pelo momento e pelo desespero de esquecer a única garota que eu não poderia ter. Mas o resultado disso foi em uma noite longa e cheia de pecado, submerso em uma luxúria que parecia não ter fim. Usei de todas as minhas energias para então apagar no inicio da manhã em um sono profundo.


E cheios de pesadelos.


De repente meu sono que estava pesado transformou-se em imagens confusas e sensações que eram completamente reais. Eu estava debaixo da água, nas profundezas do glorioso oceano... Mas sem conseguir nadar para cima! Eu tentava, balançava meus braços e pernas em uma tentativa desesperada e sem resultados de sair do lugar. Eu apenas afundava e afundava, sentindo cada vez mais meus pulmões ardendo pela falta de ar. Minha visão começava a embaçar assim como minhas forças se esvaiam de meu corpo. Estava morrendo afogada e com uma dor interna que beirava à mais profunda dor. Porém enquanto minhas vistas escureciam uma imagem apareceu a minha frente. Era sem uma forma certa e eu não conseguia ver direito as cores, apenas que era como um peixe grande, pois sua cauda era gloriosa. Mas sua parte superior lembrava a um humano de cabelos longos e loiros como o meu. Os braços foram esticados em minha direção como se tentassem me pegar, em meu ultimo instinto de sobrevivência estiquei minha mão para tentar pegar a dela... Mas quando nossos dedos se tocaram suavemente meu corpo pareceu ser invadido por uma energia absurda e explosiva.


Acordei em um sobressalto, caindo no chão fazendo um pequeno som surdo. Busquei ar desesperadamente, ainda com a sensação de que meus pulmões estavam cheios de água salgada queimando tudo por dentro. Passei a mão em meus olhos assustada, tentando avisar ao meu cérebro que aquilo foi apenas um sonho ruim. Levantei um pouco tremula e vi as gêmeas deitadas nuas na cama, malmente enroladas pelo lençol. Nem mesmo o pensamento de que havia dormido com elas pareceu acalmar-me. Busquei minhas roupas e me vesti da forma mais silenciosa possível, foi assim que descobri que estava com febre.


–Hey, Bianca – cutuquei o ombro da garota com delicadeza – Bianca, acorda.


–Hum? Fernanda, descanse, não é possível que ainda tenha fogo – Bianca murmurou ainda de olhos fechados.


–Não é isso, eu estou indo e não queria ir sem dizer tchau, não sou desse tipo – tentei explicar, ela finalmente abriu os olhos – Estou com febre, vou para casa.


–Está bem? – ela começou a sentar, mas eu a segurei.


–Melhor impossível, por culpa de vocês – respondi tentando sorrir de lado.


–Sou culpada, me condene – Bianca brincou ainda em tom baixo para não acordar a irmã – Tome cuidado ok? Eu explico para Brenda, vamos te ligar no seu aniversário.


–Obrigada, linda. Foi uma noite que nunca vou esquecer – disse e dei um selinho demorado na garota – A gente se fala.


Ela fez que sim com a cabeça e voltou a deitar direito na cama. Suspirei e tentei por minha mente em ordem. Primeiro pegar um táxi, voltar para casa, tomar remédio e dormir de verdade, foi apenas um pesadelo...


Um pesadelo que me perseguiu todas as noites. Sempre o mesmo, começando com o afogamento e depois aquele ser estranho que tentava me pegar. A cada noite se tornava mais real, atormentando-me a tal ponto de não querer mais dormir. Lorena ligou-me na sexta à noite para saber como eu estava e contar como estava sendo com o sogro, mas logo percebeu minha voz vacilante. Menti dizendo que estava tudo bem e contei minha aventura com as gêmeas, assegurando não ter pensado em nenhum momento em Dianna... Só não revelei que o verdadeiro motivo era por estar com medo de meus sonhos, de dormir e me afogar novamente.

Notas finais
PS: HOJE TEM DOBRADINHA sz só pq eu achei esse capítulo pequeno u.u