Amor Submerso

3 Capítulo 3: Trilha


Notas iniciais
O Nyah ta de brincadeira comigo, faz duas horas que não aparece as opções de edição de texto. Mas vou postar assim mesmo >_< Como não deu para testar pela primeira vez o hiperlink, eu aconselho que pesquisem no google imagens os locais para terem ideia dos lugares lindos que elas estão indo xD

Depois do desastre do primeiro dia, eu evitei a namorada de meu primo a todo custo. Ela provocava coisas em mim que eu não compreendia e não sabia lidar. Não queria admitir para mim mesma aquela atração absurda, aquela vontade de estar perto e fazê-la rir novamente ou ficar apenas olhando-a em sua beleza de deusa. Mas era errado, terrivelmente errado. Porém aquele dia não tinha escolha, era quinta feira e tínhamos decidido ir fazer a trilha mais complicada de Noronha, finalizando com um mergulho na Baía do Sancho. Para tanto acordamos cedo, algo que Rodrigo odiava fazer e por isso tinha em sua cara alemã uma carranca tão evidente que precisou de muitos mimos de Lorena para aceitar continuar a pequena aventura.

Às sete horas estávamos na frente do Hotel Estrela do Mar esperando pelo guia credenciado liberado pelo IBAMA. A trilha da Baía do Sancho estava dentro do Parque Nacional Marinho, conhecido como Parnamar. Qualquer trilha que pertença ao Parque era necessário alguém credenciado para acompanhar e guiar, as chances de se perder ou de algo ruim acontecer em uma aventura sozinha eram muito grandes. E lá estava eu, olhando para a estrada usando um short de caminhada curto e preto, com uma regata também preta com bordado vermelho, usando um boné da NY branco e litros de protetor solar por todo o meu corpo. Nas costas uma mochila básica com alguns produtos, água e itens de primeiro socorros. Eric usava uma bermuda com estampa do exercito e uma camiseta verde, estava abraçado como sempre — a Dianna. Ela também usava um short para caminhada, só que azul e com uma blusa de mangas curtas. O cabelo cacheado cor de chocolate estava preso em um rabo de cavalo que evidentemente iria se soltar a qualquer momento.

-Que ótimo, vou ficar de vela! reclamei quando vi os casaizinhos abraçados e sonolentos.

-Eu disse que era para ficar um pouco mais com a Gabrielle Rodrigo falou quase rindo Tudo bem que ela era uma louca paranoica, mas pelo menos você não ficaria só.

-Não me lembre dessa criatura! exclamei irritada, tendo um arrepio de medo só de lembrar.

-O que aconteceu? Dianna questionou curiosa.

-Não vale a pena contar, já passou e está bem enterrada essa história a cortei seca.

-Gabrielle era uma louca. Não dava para saber de inicio Eric como todo ser irritante fez exatamente o que eu não queria Começou a ficar com a Fê logo quando ela entrou na UFRN.

-Mas ai bastou alguns dias e já se achava dona da Nanda Lorena continuou Cara, eu me lembro dos dias que ela ficava na porta de fora de casa exigindo falar com a Fernanda dizendo que era o amor da vida dela e tinham de ficar juntas.

-Sem contar que era ciumenta Rodrigo riu Ela tinha ciúme até da sombra da Fê!

-Parecia que ela fazia macumba Eric comentou também rindo.

-Ah ela fazia contei e suspirei derrotada Descobriram alguns meses depois, ela fazia todo aquele lance de galinha e pipoca. Juro que fiquei uns meses indo à igreja com medo disso.

Foi então que todos começaram a rir. Dei de ombros, aquele foi um período que eu queria a todo custo esquecer. Ser perseguida por uma ex-ficante era um trauma que ninguém merecia. Felizmente nesse momento o Jeep que nos levaria até a Praia da Cacimba do Padre onde seria o inicio da trilha se aproximava e estacionava a nossa frente. Mais abençoado ainda foi quando vi que quem nos guiaria era Amanda. Meu sorriso logo se abriu e todo o momento de desgosto de outrora sumiu como vapor.

-Amandinha! exclamei toda feliz.

A mulher saltou do carro com um sorriso torto para mim. Amanda foi dona de meu primeiro beijo. Mesmo ela sendo mais velha, em um dos festivais da ilha, fomos até a Praia do Cachorro escondidas e nos beijamos. Ela tinha cabelos negros e olhos levemente repuxados, sua pele morena avermelhada denunciava a sua origem indígena. Ela era muito sedutora, apesar de ter uma beleza fora dos padrões, aquela boca carnuda poderia levar qualquer um a loucura. Eu bem sabia disso.

-Claro que quando me disseram que era para os filhos de Saulo eu me voluntariei Amanda contou se aproximando de mim a passos largos.

Ela me deu um grande abraço de urso e um selinho amigável, mas com um sorriso lindo e feliz nos lábios. Mesmo que toda a nossa paixão tenha sumido, o carinho ainda continuava. Amanda cumprimentou os outros sem sair de muito perto de mim, claro que eu gostei do olhar desconfiado que Dianna lançou, apesar de não saber muito bem o seu significado. O dia que eu pensei que iria ser tenso de repente se transformou em uma aventura que eu ansiava. Fui a primeira a entrar no Jeep e mantive o caminho toda uma conversa animada com Amanda. Ela era parecida comigo, aventureira, curiosa, só não tinha a falta de coordenação motora como eu. Falei muito de minhas aventuras no Rio de Janeiro, principalmente das garotas que fiquei ou quis ficar. Apesar de tudo Amanda tinha uma vida inteira dedicada a Fernando de Noronha, sempre achei que fora dali ela iria crescer muito mais, porém como uma verdadeira nativa apaixonada por sua terra, ela nunca gostava de passar mais que um mês fora da ilha.

-Chegamos Amanda anunciou estacionando o carro e de forma prática desceu A partir de agora prestem bem atenção nas instruções. Sei que a maioria já está cansada de ouvir, mas os novatos não. Fiquem sempre perto, caso queiram parar para observar algo avisem que todo o grupo irá parar também. Será uma longa caminhada então teremos o dia todo para fazer isso. Não comam nada da mata ou toquem em coisas estranhas, qualquer problema gritem e ajudem um ao outro.

-Sim senhora eu e Eric falamos ao mesmo tempo.

Ela revirou seus olhos negros e logo passou a conferir os conteúdos dentro das mochilas. Basicamente cada um estava levando algo como água, barra de cerais e pequenas marmitas para o almoço. O meu bom humor estava de volta e eu segui a frente junto com Amanda, o melhor? Tinha gente suficiente para que eu pudesse evitar contato com Dianna. Aquela morena me deixava nervosa, sem jeito e na flor da pele. Não entendia e muito menos queria entender isso, o mais fácil seria evita-la.

Passamos pela baía dos Porcos, uma das paisagens mais famosas de Fernando de Noronha. Mas nosso destino do dia não era esse, mas sim a baía que ficava logo ao lado e para chegar lá tivemos de fazer duas escaladas pelas rochas que isolavam a Baía dos Porcos. O mais engraçado de todos era o Rodrigo, ele estava acostumado com o esforço físico da academia e também não conseguia ficar quieto. Fazia pergunta de tudo, começava a cantar bregas e grande como era ou tinha mais facilidade em subir ou se atrapalhava todo nos locais onde se exigia maior precisão. Lorena ficava sempre ao lado dele, sendo ajudada e mais para pirraça-lo toda vez que fazia algo de errado. O nosso passo foi lento, eu amava olhar para a natureza e descobrir seus segredos, era sempre uma deliciosa surpresa quando algum animal curioso se aproximava. Foi assim que quando paramos para descansar, peguei uma barra de cereal e um macaquinho pulou direto em meu colo.

-Oi mocinho! o cumprimentei com um sorriso.

Ele tombou a cabeça para o lado. Era do tipo mico, do normal mesmo e parecia extremamente curioso comigo. O macaquinho saltou pelo meu ombro, mexeu em meu cabelo e escorregou em meu ombro novamente caindo em meu colo.

-Eu sempre admirei essa sua empatia com os animais Amanda comentou.

Só nesse momento tinha notado que todos estavam olhando para mim e o animal em meu colo. Dei de ombros e fiz um carinho na cabeça do animal. Ela tinha razão, por vezes era mais fácil eu me dar bem com um animal do que com um humano. Eles geralmente ficavam dóceis comigo ou mantinham uma distância segura se fossem do tipo perigosos. Mas o pequeno companheiro não ficou por muito tempo, quando Rodrigo tentou se aproximar o assustou e ele saiu correndo. Ri da cara de frustração dele e logo voltamos para a trilha.

Tempo depois finalmente atingimos o ápice do nosso trajeto. A Baía do Sancho. Era como todo o lugar na ilha extraordinariamente linda. A areia branca e a água muito limpa e límpida de cor verde-esmeralda, não era a toa que essa era considerada uma das praias mais lindas do Brasil. Ali encontramos com um estande com a equipe de mergulho. Fomos nos trocar e quase uma hora depois, contando com a explicação de mergulho, pegamos uma lancha e fomos para a melhor área para se observar a vida marinha.

-Viemos no inicio de janeiro, as tartarugas marinhas estão chegando para fazer a desova na praia Amanda comentou fazendo seu papel de guia.

-Nesse tempo o Santuário libera algumas tartarugas para cá Dianna acrescentou e sorriu Apesar de estar aqui há pouco tempo ainda não mergulhei por aqui.

-Você vai gostar, bonequinha Eric comentou todo bobo.

Bonequinha? Ela deixava que o chamasse assim? Ri baixo e recebi um olhar de Dianna, um daqueles que eu em nada poderia dizer o que significava. Virei o corpo para poder olhar as ondas que se formavam com o avanço da lancha e tentei me distrair dela. Alguns minutos depois paramos, Rodrigo ajudou Amanda a descer a ancora e não demoramos a pular para dentro da água, depois de ter todo o equipamento a postos. Iriamos respirar por um tubo de oxigênio preso as costas, o que iria permitir cerca de uma hora debaixo da água.

Ali para mim era o verdadeiro paraíso. Nadei ao lado de meus amigos, mostrando os corais e alguns peixes curiosos e engraçados. Eu tinha muita facilidade em nadar e mergulho devido a minha vida praticamente inteira dentro do mar. Tia Rita costumava brincar dizendo que o mar era a minha segunda casa de tanto tempo que eu passava quando criança na praia. Passei os próximos minutos brincando ali embaixo, indo de um lado para o outro, sendo presenteada com a beleza natural do mundo submerso. Mas no fim, a coisa que ficaria cravada em minha mente foi quando vi Dianna brincando com uma tartaruga. Era do tipo casco, uma das maiores que existiam. Ela segurava nas laterais e deixava que a tartaruga marinha a puxasse de um lado para o outro. O cabelo castanho flutuava ao seu redor, o corpo parecia dançar em um ritmo próprio enquanto deslizava no mergulho. Apesar do respirador na boca e o tanque nas costas, ela continuava deslumbrante. Senti uma mão pesada em meu ombro e tomei um belo de um susto debaixo da água, bolhas saíram de todos os lados por causa de meus movimentos bruscos com o braço. Eu podia ver que Lorena estava rindo, apesar do equipamento na boca a atrapalhar.

Revirei os olhos e vi o sinal de Amanda que era para voltarmos. Quando chegamos à praia fizemos o nosso almoço com a ajuda da cozinha que tinha no estande de mergulho. Eu estava bem, com um prato de plástico equilibrado em minhas coxas e comendo feliz o meu tradicional feijão com arroz até que vi Dianna sentar ao meu lado com seu próprio prato equilibrado na mão. Pelo menos dessa vez eu não engasguei, apesar de vê-la apenas de biquíni e shortinho.

-Você parece amar isso aqui ela comentou olhando para mim com a cabeça levemente inclinada Sei que passou boa parte de sua vida perto do mar, mas ainda assim o jeito que você se envolve e se entrega na natureza é bonito de se ver.

Meu rosto esquentou e eu soube que estava vermelha. Ela estava me olhando nadar? Estava tão preocupada em não observá-la que não pude perceber o que ela realmente fazia. Meu coração disparou só de imaginar que Dianna estava me observando esse tempo inteiro. Porém eu não podia demonstrar isso, contive um suspiro, dei de ombros e continuei a comer.

-Gosto da natureza desde pequena, ainda mais do mar tentei explicar o obvio Mas e você? Se formou em Biologia Marinha e virou treinadora de parque temático.

-Também tenho certa paixão por essa vida debaixo do mar. É como se tivesse um mundo inteiro e desconhecido, apenas esperando para ser descoberto.

Não consegui evitar um sorriso. Eu entendia muito bem que sentimento era esse, a vontade de sempre querer descobrir mais coisas do mar e se sentir bem perto dele. Dianna retribuiu meu sorriso de um jeito lindo que me fez por um momento esquecer que a estava evitando e assim comecei a conversar com ela. Estava curiosa, extremamente curiosa, queria saber coisas sobre ela, sobre o período em Miami, como era no exterior e principalmente sobre os animais do Seaquarium, o parque onde ela trabalhou antes. Não foi uma conversa apenas entre mim e ela, infelizmente, Lorena e Rodrigo também se mostraram curiosos e participaram das perguntas. Eric apenas sorria orgulhoso pela namorada que tinha.

-Ainda querem ir ao mirante? Amanda perguntou quando o almoço acabou.

-Claro que sim! É uma das melhores vistas Eric confirmou por todos.

-Queremos aproveitar, esse final de semana estamos voltando para Natal Lorena logo completou.

-Não iria passar as férias aqui? Dianna indagou olhando diretamente para mim.

Ela queria que eu ficasse? Ah, calma coração, não confunda as coisas.

-Passarei uma semana lá para ajeitar umas coisas da faculdade e depois volto. Rodrigo vai levar Lorena para conhecer a família do pai em São Paulo expliquei e não pude evitar um comentário Não se preocupe, pode sentir saudades de mim, eu deixo.

-Já estava ficando preocupada que iria ir sem ver o meu show Dianna sorriu entrando na brincadeira.

-Não dê muita corda ou ela vai virar a Don Juan de saias Lorena avisou.

-Hey! protestei prontamente Não sou uma conquistadora. Só tenho muito bom gosto em minhas escolhas e invisto nelas.

-Fico lisonjeada com isso Amanda disse rindo Se bem que acho que fui eu que me aproveitei naquela época.

-Não estrague meus sonhos de acreditar que eu seduzi uma mulher linda como você só com 14 anos. Foi o ápice da minha adolescência!

-Imagino que o passar dos anos tenha feito bem a você Amanda comentou com um sorriso malicioso.

-Vem aqui conferir chamei sem hesitar.

Amanda levantou de onde estava, sentou ao meu lado. Eu sabia o que iria acontecer, era às vezes assim entre mim e ela. Envolvi um de meus braços na cintura dela e inclinamos nossos rostos um para o outro, deixando que nossas bocas se encontrassem em um beijo. Não preciso dizer o quanto foi incrível. Eu queria mostrar para ela o quanto tinha aprendido em minhas aventuras no Rio e em Natal, porém mais que isso. Eu queria que Dianna visse aquilo, um beijo delicioso entre duas garotas. Não era romântico, o que tinha ali era apenas um toque físico, uma provocação entre ex-namoradas que não se importavam em ficar às vezes sem compromisso ou ciúme. Amanda era madura, sedutora e divertida, uma amiga e uma mulher que eu gostava de ter por perto para absorver os pontos positivos. E claro, beijar àquela boca enlouquecedora.

-Querem parar? Eric exigiu Já ta começando a ficar quente por aqui.

-Ai que horror Eric reclamou Lorena.

-Mas ele está certo Rodrigo acrescentou tímido.

Paramos o beijo com um sorriso cumplice. Amanda fez um carinho em minha cabeça e se afastou como se nada tivesse acontecido. Porém o mais interessante foi ver Dianna levantar abruptamente e evitar os meus olhos e o de Amanda.

-Vamos? Senão vai ficar muito tarde para a volta ela tentou disfarçar, mas eu sabia que ela estava incomodada.

Arrumamos nossas coisas e nos preparamos para a caminhada mais complicada. O desafio verdadeiro dessa trilha era chegar ao mirante. Para chegar nele tínhamos de subir uma escada encravada na fenda do penhasco. Dessa vez seguimos mais em silêncio, o cansaço já tomava conta, sendo apenas a vontade de ver a paisagem o motivo de nos impulsionar sempre um degrau à cima. Eu seguia por ultimo, estava cansada e com uma preguiça grande... Além de que Dianna ia à frente e eu poderia admirar aquelas pernas torneadas e nádegas que pareciam muito tentadoras de serem mordidas. Naquele meu estado já não me importava em reprimir os meus pensamentos. Ela era linda e feita para ser admirada como uma musa.

No entanto, Dianna deu um passo em falso e começou a se desequilibrar. Eu agi rapidamente e sem pensar, subi quase caindo também e a segurei. Minha mão segurou firme em sua cintura e meu corpo colou um pouco no dela para servir de apoio. Ela estava assustada pelo medo de cair, respirando ofegante e com os olhos verdes bem abertos.

-Tudo bem? perguntei realmente preocupada.

Ela me fitou. Só então percebi nossa real distância... Principalmente que não havia uma. Eu a tinha praticamente em meus braços, meu corpo que estava colado ao dela parecia esquentar no local. E aqueles olhos tão misteriosos me fitavam de uma forma tão intensa que tive certeza naquele momento de que Dianna também estava abalada pela proximidade. O ar ao nosso redor parecia diferente, carregado em uma eletricidade que saia de nossos corpos juntos.

-Você está bem? repeti a pergunta, mas dessa vez de um modo mais baixo.

Vi a pele dela arrepiar com o meu tom carinhoso e baixo. Meu coração disparou loucamente só de pensar que eu a afetava.

-S-sim Dianna gaguejou, piscou os olhos várias vezes, pigarreou e se afastou um pouco Obrigada, acho que você me salvou.

-Bonequinha, você está bem?! Eric logo apareceu atrasado como sempre.

Afastei e desviei o olhar do dela. Apesar de tudo, apesar de ter notado que ela ficou praticamente entregue a mim... Dianna ainda era namorada de meu primo. Para minha infelicidade eles ficaram mais juntos do que antes, Eric todo preocupado em dar segurança para Dianna. Achava que ele a estava sufocando, mas se ela não reclamava o que eu poderia fazer? Segui o resto da subida inteira em silêncio, confusa com meus pensamentos.

Meu espirito só se acalmou quando chegamos ao mirante. Felizmente Amanda ficou ao meu lado, ela provavelmente tinha notado o meu estado abalado e apesar de nada comentar segurava o meu braço e sorria para mim de uma forma que era impossível não sorrir de volta para ela. Ainda mais em um lugar tão lindo como aquele. Porém, quando estávamos para voltar eu vi o olhar pesado de Lorena em minha direção. Ela suspirou e balançou a cabeça de forma negativa. Soube naquele momento que ela já havia captado tudo o que se passava em mim.

-Você está encrencada.

Ah, isso já não era mais uma novidade para mim.