Amor Submerso

13 Capítulo 13: Treinamento


Notas iniciais
O que eu mais gostei nesse capítulo é que mostra mais ou menos como vão ser as coisas nessa vida de meio-sereia da Nanda, espero que vocês também gostem *-*

Voltei antes de o sol nascer para a casa de Amanda. Ela ainda dormia e tentei o máximo possível não fazer muito barulho. Simplesmente desabei no sofá assim que o alcancei, estava extremamente cansada emocionalmente. Totalmente confusa em relação à Dianna, ainda digerindo a informação de que tinha um irmão. Tudo bem, Eric era como se fosse um, mas ainda assim era diferente dessa situação. Parte de meu sangue corria nas veias daquele tritão. Basicamente uma hora depois Amanda me acordou dizendo que tinha de me deixar no Hotel pois tinha de trabalhar.


–Vamos, você chegou tão tarde assim? Eu não aguentei esperar depois das duas da manhã – Amanda começou a me puxar.


–Eu não sei a hora exata que voltei – disse quase dormindo, o que era de fato uma verdade – Ah espera, não posso esquecer...


Peguei o livro que minha mãe me deu e não respondi ao olhar questionador de Amanda. O livro era grande e grosso, um pouco pesado e de capa de couro azulado. Seguimos para o carro dela e praticamente cochilei o caminho inteiro até o Hotel. Ao chegar lá caminhei igual a um zumbi para o meu quarto para novamente despencar na cama e adormecer.


Dessa vez eu tive um sonho, tão real quanto o pesadelo de me afogar, porém menos terrorista. Eu me encontrava em algum ponto vazio do oceano. Não havia mais nada além do oceano. Uma figura começou a se formar, uma sereia enorme, do tipo, com uns quatro metros de altura e incrivelmente linda, mais ainda que minha própria mãe. Ela tinha a pele morena e o cabelo castanho era liso, seus olhos escuros e o corpo esbelto. A sereia sorriu de forma misteriosa e esticou as mãos em paralelo, uma palma virada para outra, separadas por cerca de 50 centímetros. Então entre esse espaço delimitado pelas mãos dela, uma imagem familiar apareceu. Seu tom variava entre cores de vermelho, um círculo incerto e no centro um tridente com duas espadas cruzadas na frente. Aquele símbolo me incomodou por saber que já o vi antes, mas não lembrava a onde.


Acordei por ter alguém mexendo em meu ombro. O sonho foi interrompido bruscamente e me fez saltar da cama assustada. O que resultou em um desastre já que minha perna se embolou no lençol e me fez cair lindamente no chão. Resmunguei alto e me apoiei no colchão para levantar e ver uma tia Rita se divertindo com minha situação.


–Desculpa te acordar querida, mas é que tem um garoto, muito lindo alias, te esperando no saguão. Disse que era um conhecido seu – tia Rita falou em tom de desculpa, mas ainda assim sorrindo divertida.


Minha mente ainda estava adormecida, não fazia ideia de quem esse garoto, mas desejei mata-lo de todas as formas por ter interrompido o meu sono. Tia Rita não me deixou voltar a dormir, praticamente levou-me até o banheiro não me deixando escolha senão começar a me arrumar. Tomei um rápido banho que me fez acordar um pouco mais, escovei os dentes, arrumei meu cabelo loiro com pontas azuladas e vesti um short jeans velho e surrado com uma blusa branca com a logo do Guns. Certas bandas sempre seriam eternas, mesmo que esta fosse muito antiga.


Sai do quarto com certa fome e ao chegar ao saguão estava com a mão sobre os lábios escondendo um preguiçoso bocejo... Que morreu assim que eu vi Nathan parado de braços cruzados quieto em seu canto ignorando todos os olhares que lhe eram lançados. Ele usava uma bermuda estampada com uma camiseta branca que definia o seu tórax e deixava os braços másculos bem exibidos. Pisquei varias vezes tentando acreditar que ele foi realmente rápido em aparecer ali.


–Não esperava você tão cedo – falei enquanto me aproximava.


Ele esticou a mão, eu a peguei naturalmente. Nathan levantou e o que aconteceu a seguir surpreendeu a mim e a todos o que estavam ali. Meu meio-irmão me deu um selinho. Eu fiquei estática no lugar, surpresa e chocada, tipo... Ele me beijou na boca. Meu meio-irmão.


–O que está fazendo?! – quase gritei depois que o susto passou.


–Você não disse que é comum os humanos se beijarem no cumprimento? – ele perguntou em um tom baixo, olhando-me um pouco confuso apesar de sua voz ser tranquila, sem entender realmente a gravidade do que tinha feito.


–Não na boca! É na bochecha! – exclamei com o coração disparado pelo susto – Nunca mais faça isso comigo, é errado já que você é meu... Tem esse tipo de ligação comigo.


Ele franziu o cenho, mas não se exaltou. Pus a mão sobre minha testa para tentar me acalmar e foi bem o tempo de tio Saulo se aproximar desconfiado. Olhei para o lado e vi uma tia Rita ainda chocada pelo que aconteceu.


–Olá jovem – tio Saulo cumprimentou Nathan com apenas um aceno de cabeça, ainda bem, pois se fosse apertar a mão poderia rolar um inesperado beijo! – Amigo de minha menina?


–Sim – ele respondeu de forma segura e simples.


–Tio Saulo, esse é Nathan – apresentei e recebi um olhar engraçado dele quando escutou o nome – Ele não é daqui, mas parece que vai passar um tempo em Noronha.


–Espero que goste daqui, Nathan, veio em uma ótima época! – meu tio sempre era cordial com os turistas, depois de anos isso era algo natural dele.


–Ahn... Tio, ele não tem ninguém e esperava que eu fosse sua guia. E como tudo aqui se resume a água... Você poderia repensar sua decisão? – comecei de um jeito incerto e terminando com um olhar digno de um cachorro abandonado.


Ele me olhou primeiro zangado com a lembrança, mas depois olhou de mim para Nathan. Se ele não aceitasse mais uma vez estaria mentindo para meu tio e isso era algo que já passava a me incomodar profundamente.


–Eu prometo que vou cuidar dela – Nathan falou em um tom tão protetor que me fez olhá-lo com um pouco de surpresa – Fernanda é uma pessoa que está se tornando especial para mim, senhor.


Isso fez meu tio sorrir divertido. Revirei os olhos imaginando as piadinhas que iriam surgir depois no jantar por ter um garoto tão bonito assim aparentemente a fim de mim. Mas se eu fosse pensar que era meu meio-irmão falando isso... As coisas mudavam de sentido e eu ficava um tanto abalada.


–Claro que sim, mas venha jantar conosco. Você parece uma pessoa de boa índole rapaz, gostei de você – tio Saulo falou e me deu um beijo no topo da cabeça – Se comporte filha, se for almoçar aqui ligue avisando.


Fiz que sim com a cabeça e tio Saulo partiu para perto de tia Rita que ainda nos encarava surpresa. Suspirei e olhei para Nathan, ele olhava para meu tio de uma forma engraçada.


–O que foi? – perguntei para ele.


–Os humanos são mesmo intrigantes, entendo um pouco melhor porque meu pai tinha curiosidade sobre eles – Nathan respondeu em um tom saudoso – Ele era apaixonado pelas possibilidades que os humanos possuem. Para ele esse era o maior dom do Povo da Terra.


–Possibilidades? – repeti o que ele disse intrigada.


–Sim, vocês não são determinados, mas sim formados com o tempo e que pode sofrer constantes transformações. O Povo Submerso é definido entre guerreiros e os que possuem o dom da magia. Apenas isso e com funções que derivam dessas duas possibilidades.


–Agora entendo porque nossa mãe era tão travessa. Eu enlouqueceria se tivesse apenas isso para fazer.


Nathan sorriu ao escutar eu dizer nossa mãe. Foi sem querer, mas de certa forma eu já o aceitava como meu irmão. Apesar de ele ter me beijado e tudo o mais.


–Certo, para onde vamos? – perguntei afastando um pouco dele apenas para que não pensassem que estávamos tendo uma conversa intima – Meu treinamento já vai começar?


–Imediatamente. Iremos para uma ilha para que possamos treinar sem nenhuma interferência.


Fiz que sim com a cabeça e avisei aos meus tios que estávamos saindo, aproveitando para pegar as chaves de um jeep. Assim que nos aproximamos do automóvel Nathan paralisou ficando admirando o carro. Só então pensei que ele nada sabia sobre o mundo humano e que deveria ser tudo muito novo. Era literalmente como um ser de outro mundo vindo pela primeira vez para a sociedade. Sorri divertida e tive de empurrá-lo para que desse o primeiro passo.


–Sabe que isso é um carro não é? – perguntei quase rindo.


–Li nas anotações de meu pai, mas nunca andei em um – Nathan admitiu sem jeito – São realmente rápidos?


–Quase tanto quanto um hipocampo – respondi abrindo a porta do carro para ele – Sente no banco.


Ele obedeceu e por via das dúvidas coloquei o cinto nele, tendo de explicar que era por motivos de segurança, apesar de o carro ter tecnologia solar como era de costume nesse ano, acidentes perigosos poderiam acontecer e eu não queria machucar o meu irmão. A viagem foi realmente engraçada. Nathan parecia um ET analisando com curiosidade os humanos. Não fazia muitas perguntas já que era do tipo quieto, mas eu podia vê-lo impressionado com algumas coisas e construções. Alugamos uma lancha e dessa vez eu o chamei para perto para ensiná-lo como pilotar. Eu queria me aproximar dele e parece que deu certo já que ele passou a ter certo respeito por mim por estar ensinando as coisas para ele. Era evidente que ele era inteligente e do tipo nerd, que queria saber de tudo e sobre tudo. Passamos pelas ilhas conhecidas de Fernando de Noronha, levando cerca de trinta minutos para chegar a uma que eu desconhecia.


–É uma ilha protegida. Os humanos não conseguem vê-la e sempre são desviados quando tentam se aproximar. É um dos lugares mais preservados do planeta – Nathan explicou enquanto manobrava a direção da lancha – Conhecemos como a Ilha Prometida.


Eu sorri animada com a possibilidade de conhecer um lugar mágico. Mesmo que fosse apenas por proteção, que animais existiriam ali?! Porém assim que chegamos Nathan não me deixou avançar para fora da praia, mandou-me fazer um alongamento para que pudesse começar o treinamento. Não importava, eu teria tempo depois, até porque queria saber mais sobre minhas novas capacidades. Depois de esticar meus braços e pernas fomos até o mar parando apenas quando a água batia na altura de meu joelho. Nathan estava a menos de um metro de mim, completamente sério.


–Se concentre no mar, ele sempre ajuda a relaxar. Você precisa aprender a sentir o fluxo de energia dentro de si para começar a fazer magia – ele instruiu calmamente, igual fazia nossa mãe – Feche os olhos, faça silêncio e se conecte com a natureza. Escute cada som que ela produz, sinta as ondas do mar.


Parecia coisa impossível de fazer. Mas o olhar dele era tão sério que eu balancei meus ombros tentando relaxar. Fechei os olhos, respirei fundo e fiquei quieta. Primeiro me concentrei no mar, eu estava acostumado a ele, aos sons que as ondas produziam quando se quebravam na areia, ao movimento das correntes, ao toque de sua água em minha pele. Então senti melhor o vento que passava em mim, podendo dizer facilmente a sua direção e sua intensidade pois estava em sincronia com o mar. Fui percebendo pouco a pouco o ritmo dos sons, da água, do vento e até mesmo o cheiro passou a surtir um efeito sobre mim.


–Ótimo, agora pense em você, sinta o seu equilíbrio interno – Nathan falou baixo e manso, como se tivesse medo de quebrar a conexão que eu havia criado.


Fiz o que ele mandou. Concentrei-me nas batidas de meu coração e de repente podia sentir o ritmo da minha circulação em sintonia com as batidas. Pouco a pouco fui tendo uma consciência incrível de mim mesma, de cada pelo arrepiado, de como era sentir o vento e o mar me tocando. Porém levou um tempo até que eu chegasse a um fluxo misterioso, mas que corria por todo o meu corpo. Abri os olhos e tudo havia mudado. Eu podia enxergar melhor, as cores vibravam sem que doesse minha vista, podia notar nitidamente cada fio raspado da barba de Nathan e até mesmo enxergar um pequeno peixe que nadava a certa distância de nós. Eu escutava melhor, notando cada barulho que era feito ao meu redor assim como agora poderia distinguir o cheiro de cada coisa.


–O que aconteceu? – Nathan perguntou curioso com minha reação, eu não parava de olhar admirada para os lados.


–Meus sentidos, é como se tivessem um level up. Estou vendo, ouvindo e sentindo melhor os odores – expliquei encantada.


–Isso é impressionante, pensei que demoraria até conectar seus sentidos ao fluxo de energia – Nathan ergueu ambas as sobrancelhas – Demos um passo maior do que esperava, acho que já podemos avançar um pouco.


Ele deu um passo a frente, escutei o barulho que fazia ao separar a água com o seu andar. Meu irmão ficou a uns três pés de distância de mim, esticou a palma e apontou para a água.


–Uma das nossas principais características é a de poder movimentar a água a nosso favor, pessoas poderosas como nossa mãe poderia até mesmo moldar as partículas de água do ar e multiplica-las dando a impressão de que é capaz de criar água em qualquer lugar. Quero que observe e preste atenção nas palavras que direi e nunca se esqueça de que quanto mais usar seu fluxo de energia, mais cansada irá ficar.


Fiz que sim com a cabeça e o observei com atenção. Ele concentrou em uma de suas palmas, falou “Élenchos” e fixou seu olhar na água abaixo de nós. Segundos depois uma porção de água se ergueu do tamanho de uma bola de tênis e subiu até a sua palma. Nathan virou a palma para o alto e com sua outra mão apontou o indicador para a água, começou a girar o dedo e logo a água ia se movendo cada vez mais rápido até se tornar um minitornado. O observei encantada, quase sem acreditar que também poderia fazer aquilo. Porém logo ele fechava a palma e a água caia no mar novamente.


–Leve a sua energia até a palma da mão – Nathan começou a explicar – e deixe que ela se conecte com a água, por isso é importante que você sinta a natureza ao seu redor. O nome chama a magia, conecta o mágico ao real. Os mais poderosos nunca precisam pronunciar o nome, mas conheço apenas três pessoas que podem fazer isso. Eu, Lynn e Irina.


Fiz que sim com a cabeça, respirei fundo e me preparei para tentar. Apontei minha palma para o chão de água e percebi que iria demorar um pouco mais que ele para me encontrar novamente no meu fluxo de energia. Cinco minutos depois tinha descoberto como manipular a energia dentro de mim e como ele havia instruído tentei leva-la até a palma de minha mão e se conectasse com a água. Pronunciei a apalavra que ele disse da melhor forma possível... E nada aconteceu.


–Você está falando errado – Nathan alertou – Repita comigo: Élenchos.


Aprender a pronunciar aquela palavra demorou quase 15 minutos. Tudo deveria ser perfeito, mas a palavra estranha usava tônica que minha garganta não estava acostumada. Porém quando Nathan finalmente se deu por convencido de minha pronunciação pediu para que eu tentasse novamente. Dessa vez encontrar e guiar meu fluxo foi muito mais fácil e quando falei Élenchos a água ergueu-se um pouco! Fiquei animada demais e perdi a minha concentração. Respirei fundo e tentei novamente... Porém mais uma vez a água ergueu-se apenas um pouco.


–Vamos com calma, de inicio pode ser difícil já que você é meio-humana – Nathan avisou paciente.


Porém vinte minutos depois a situação continuou a mesma e eu estava ficando cansada. Meu meio-irmão ficava paciente, tentando orientar, mas isso era tão novo para mim quanto para ele. Zangada e exausta quase gritei:


–Que merda! Élenchos dê certo!


Fiz um movimento brusco com a mão e uma verdadeira onda se formou em caminho contrário ao fluxo normal do mar. Recuei surpresa e de olhos arregalados olhei para Nathan, ficando mais animada do que antes.


–Espere, acho que entendo. Os humanos tem uma parte emocional muito forte. Você ficou com raiva e a magia deu certo. Vamos tentar de uma forma diferente, coloque um valor emocional na magia, pensar que é importante, necessário ou até mesmo que está se divertindo com isso – Nathan buscou uma lógica para o que acabara de acontecer.


Mordi o canto do lábio, eu estava cansada demais para tentar pensar que aquilo estava divertido, pois não estava. Mas então lembrei o porque de estar ali. Precisava ficar forte para proteger as pessoas ao meu redor... Principalmente Dianna. Meu coração disparou ao pensar nisso, minha determinação redobrou e eu mantive aquela sensação de necessidade e proteção. Afastei alguns passos de Nathan e repeti o processo de esticar minha mão com a palma virada para a água e guiar meu fluxo. Dessa vez quando falei Élenchos mantive em mente e em meu corpo que isso era necessário para proteger Dianna, para que ela ficasse bem. Uma grande porção de água foi movida para o alto. Não deixei que a surpresa tirasse minha concentração, mantive meu fluxo sobre a água e deixei que minha energia moldasse a água dando uma forma de uma estrela a ela. Era como o trabalho de uma artista fazendo a imagem em uma escultura. Só que ali havia apenas o fluxo como ferramenta e a água ao invés da pedra.


–Você já aprendeu a moldar! – Nathan exclamou satisfeito.


O elogio dele me pegou desprevenida. A água deformou-se e caiu. Resmunguei baixo e notei o quão cansada eu estava. Respirava ofegante e tinha gotículas de suor escorrendo por minha testa e costas. Mas sorria contente com o meu avanço.


–Vamos comer alguma coisa, você precisa descansar, gastou muito energia nas tentativas – Nathan anunciou e nadou rapidamente para a lancha.


Fui até a praia e me joguei na areia sentando para relaxar. Levantei minha blusa e vi que as linhas cursivas e redondas haviam subido até perto de meus seios, contornando de uma maneira até bonita a minha barriga, porém como estava em terra elas começavam a desaparecer. Abaixei o tecido e vi Nathan se aproximando com uma mochila com bolachas, sanduiches e sucos enlatados.


–Você está progredindo bem, Fernanda – Nathan elogiou enquanto sentava ao meu lado.


–Pode me chamar apenas de Nanda, ou de Fer – pedi enquanto o ajudava a pegar o aperitivo.


–Tudo bem... Mas no que pensou para realizar a magia tão bem? – ele perguntou escolhendo um suco de morango.


–Em uma pessoa especial para mim – admiti e suspirei – Se eu não ficar forte o suficiente para protegê-la, nunca poderei tentar ter ela para mim.


–É sempre muito nobre querer proteger as pessoas que você gosta.


Sorri carinhosa para ele e Nathan pareceu ficar tímido com minha reação. Comemos em silêncio, parte porque era da natureza dele, parte porque eu estava ficando cansada até mesmo para pensar. Quando terminamos me levantei e corri para o mar, porém indo mais fundo.


–Para onde vai?! – Nathan gritou atrás de mim.


–Nadar um pouco! Não tem nada melhor do que um mergulho para recobrar minhas forças! – respondi rindo feliz por estar no mar – Se quiser vim vai ser bom!


Eu não esperava que ele fosse aceitar a sugestão, mas depois de mergulhar e ir mais para a parte funda o vi ficar ao meu lado em sua forma de tritão. Sorri contente, já que mesmo não falando nada meu meio-irmão parecia querer passar mais tempo comigo. Fomos até perto de uns corais tão belos e novos para mim que minha surpresa ao encontra-los pareceu divertir Nathan. Ele me disse o nome de todas as espécies de peixes nova que eu encontrava e parecia bem em ensinar coisas. Ele seria o típico professor gostosão e inteligente. Depois de uma hora debaixo do mar Nathan praticamente me arrastou para a praia novamente, literalmente ele me puxou pelo braço ou eu ainda estaria babando pela novidade que aquele lugar trazia.


Voltei a me concentrar no treino. Dessa vez sabendo o jeito certo de fazer as coisas Nathan me ajudou a manter a magia e a manipulá-la melhor, fazendo-me ficar no limite até ver a quantidade de água que poderia mover assim como qual seria o mínimo possível que eu conseguiria moldar. Foi cansativo, extenso e definitivamente novo e excitante. Se isso era apenas o inicio, o que mais poderia aprender?

Notas finais
Só para avisar, todo encanto falado vai estar na língua grega. Mais especificamente usei o google tradutor no modo de leitura fonética, com apenas algumas modificações para não ficar tenso demais kkkkk.