Amor Soviético
5 Глава пятая/Capítulo cinco - Stained with innocent blood
Notas iniciais
Ambos sentiram algo quente no peito no local onde estava o coração. Por um segundo, Bucky não sabia o que fazer enquanto sentia os lábios de Natasha tocando os seus, pois não sabia ao certo o que estava acontecendo e como eles havia chegado aonde estavam. Mas essa dúvida logo terminou quando ele a sentiu entreabrir os lábios lentamente, de certa forma aprofundando o beijo, deslizando sua língua sobre o lábio inferior dele e deixando que ela tocasse a dele.
Bucky envolveu seu braço biônico ao redor da cintura dela e a puxou para mais perto, deixando seu corpo tocando o dele enquanto sua outra mãos ia para a bochecha dela. Natasha podia ouvir uma voz em sua cabeça que dizia que aquilo era má ideia, que esse teria que ser o primeiro e o último beijo deles, e por saber de tudo isso ela tentava aproveitar ao máximo o doce gosto dos lábios dele.
Ele sentia a língua dela acariciando a sua, então correspondeu com o mesmo gesto, fazendo a sua acariciar a dela e explorar sua boca. Aquele beijo teria durado horas, mas quando Natasha sentiu suas costas baterem com um pouco de força contra o espelho, ela parou como se voltasse a realidade. Ela abriu seus olhos e ele fez o mesmo, sentindo suas respirações pesadas umas contra as outras. Bucky não se lembrava de sentir aquilo, uma queimação forte e boa dentro de si. Agora ele sabia que nunca mais veria Natasha da mesma forma.
Ela queria dizer alguma coisa, mas as palavras simplesmente não saíam. Nenhum dos dois esperava por esse beijo, mas agora que havia acontecido, teriam que encarar as consequências.
– Me desculpa — disse ele, quebrando o silêncio. — Eu não devia...
– Não, não devia — ela desviou o olhar e colocou as mãos no peito dele, o afastando. — Eu preciso falar com o Fury sobre a minha ideia.
Bucky desviou o olhar para o lado e assentiu, ouvindo ela caminhar para fora da sala e o deixar sozinho lá. Ele se sentiu mal ao ouvir o que ela disse, pois pensou que ela havia gostado do beijo assim como ele, mas então pensou melhor e viu que aquilo seria burrice. Eles nunca poderiam ficar juntos, havia um limite para as coisas e ele não queria mais encrenca com a SHIELD.
§
Natasha havia usado muito do seu autocontrole para sair de perto dele daquela maneira. As palavras ficaram presas em sua garganta e ela pensou que não conseguiria dizer aquilo, mas felizmente, ou infelizmente, havia conseguido. Ela andava rapidamente pelos corredores, não querendo esbarrar em ninguém, mas isso não aconteceu.
– Nat! — ela ouviu a voz de Steve e ao olhar para o lado, o viu andar em sua direção. — Por que a pressa? — perguntou, sorrindo para a ruiva, que também deu um leve sorriso para disfarçar seu nervosismo.
– Eu ia falar com o Nick. Acho que descobri uma solução para o caso do Bucky — ela não queria conversar com ele, pois ainda sentia seu coração bater a mil por hora e não estava conseguindo disfarçar sua ansiedade muito bem.
– Isso é ótimo! Se eu puder ajudar em alguma coisa me deixe saber — ele olhou para o chão e então passou a mão na parte de trás de sua cabeça. — Hun, eu queria saber se você gostaria de ir tomar um café ou alguma outra coisa... Já que está de castigo deve estar com tempo livre. — Steve parecia nervoso, mas manteve seu sorriso. Natasha viu o que ele queria fazer, mas não estava com cabeça para pensar em sair com ele, mesmo que fosse um cara legal e seu amigo.
– Eu preciso ir agora... Quem sabe mais tarde — ela então virou as costas e andou o mais rápido que pode na direção do escritório de Fury, que ficava do outro lado da base. Ao chegar lá, ela abriu a porta com uma senha que apenas alguns membros tinham e o viu sentado em uma cadeira giratória atrás de sua mesa, mexendo em um tablet preto.
– Senhor, acho que sei como podemos descobrir a localização do soro sem precisarmos fazer com que Barnes passe por um processo doloroso — disse ela, se posicionando na frente da mesa. Nick levantou os olhos de seu tablet para ela e inclinou a cabeça para o lado.
– É mesmo? Como descobriu isso, se me permite perguntar — ele colocou a mão no queixo e a encarou. Por sorte ela já havia pensado em uma resposta.
– Eu percebi através de uma reação ao vê-lo se lembrar de algo do seu passado. Acho que se mostrarmos coisas que o lembrem da época em que a memória dele ainda não havia sido apagada ele vai se lembrar de onde Zola escondeu o soro.
– Entendi — ele se levantou, ainda segurando o tablet. — Mas você e o Sargento Barnes estão se entendendo bem, não é? — ele deu a volta na mesa e ficou ao lado dela. Essa pergunta fez um calafrio percorrer a espinha da ruiva.
– De certa forma, sim. Compartilhamos de experiências parecidas no passado — respondeu ela, de forma fria e quase sem emoções.
– Eu percebi — ele entregou o tablet para ela, onde passava uma gravação de uma das câmeras de segurança, mostrando Bucky e ela se beijando na sala de treinamento. Natasha prendeu a respiração e desviou o olhar, não querendo se lembrar do beijo.
– Nick... — antes que ela se explicasse, ele a interrompeu.
– Você pode tentar mentir a vontade, mas eu não sou idiota. Desde que eu soube que você havia ido em uma missão não autorizada, coisa que você nunca fez antes, apenas para ajudar um criminoso a fugir, eu soube que você sentia algo por ele, nem que fosse compaixão — Fury se sentou novamente em sua cadeira e continuou a encará-la. — No nosso trabalho, isso é algo perigoso, Natasha. Quando isso... — ele apontou para o tablet. — ...acontece, problemas vem logo em seguida. Você sabe disso.
– Isso não vai se repetir — ela colocou o tablet sobre a mesa.
– Assim espero — disse ele, olhando para o relógio. — Estamos ficando sem tempo. Vamos testar sua ideia agora.
Dizendo isso, ele andou para fora da sala, sendo seguido pela ruiva. Ela estava envergonhada por ele te-la visto beijar Bucky, praticamente seu inimigo, mas agora, depois que tudo havia acontecido, ela sentiu vontade de beijá-lo novamente.
– Hill, quero que leve o Barnes para a sala de interrogatório e traga o Rogers também. Quero todas as provas que recolhemos logo depois da derrota do Caveira Vermelha — disse Fury, pelo comunicador.
– Pode deixar, senhor– respondeu ela.
Eles andaram para a sala de interrogatório e esperaram que Hill chegasse. Depois de longos minutos, a porta se abriu e Steve, Bucky e ela entraram. Fury olhou para Natasha para saber qual seria a reação dela ao ver James, mas ela permaneceu com uma expressão neutra.
– Vamos começar — Nick fez sinal para que Bucky se sentasse em uma cadeira de metal na frente de uma mesa feita do mesmo material, então viu a agente Hill colocar uma caixa cheia de arquivos sobre a mesma. — Eu vou lhe mostrar algumas coisas e você vai me dizer se lembra ou não. Se sim, passamos para a próxima, se não, eu vou te ajudar a lembrar.
Bucky assentiu com a cabeça e olhou para Natasha, pensando se ela ainda estava tentando evitar ele após o beijo. Ele viu Nick colocar uma foto de um grupo de militares em cima da mesa, no meio, estava Steve e ao lado estava ele. James viu um flash passar em sua mente e se lembrou de quando eles haviam tirado aquela foto, logo depois de eles estragarem os planos do caveira vermelha e logo depois de Steve salvar sua vida.
– Eu me lembro — disse ele, ainda olhando para a foto. Quando não tentava reprimir as lembranças, elas fluíam sem dor, mas haviam coisas que ele preferia não lembrar.
Fury pegou outra foto, dessa vez, mostrava Bucky e Capitão América alguns segundos antes de iniciarem a missão do trem, a missão em que ele caíra e quase morrera. James apenas assentiu com a cabeça e então Fury pegou uma foto que deixou ele perturbado. Nela, ele estava sem o seu braço e desmaiado, sendo operado por alguns médicos, um deles era Zola.
– Onde conseguiu isso? — perguntou Steve, também achando que aquilo era pegar pesado demais.
– Nos arquivos de Zola — a agente Hill respondeu.
– Se lembra? — perguntou Nick. Bucky sentiu sua cabeça começar a doer, mas parou de tentar reprimir a lembrança e desviou os olhos da foto.
– Somente os momentos em que eu estava acordado — respondeu, se esforçando para continuar a deixar suas memórias saírem. Fury então pegou uma pasta e a abriu, fazendo com que várias fotos caíssem. Fotos de pessoas aleatórias, mas que Bucky reconhecia os rostos.
– E disso? — perguntou Fury. Ao perceber do que se tratava, Bucky sentiu uma dor no peito e fechou os olhos para não ter que encarar as fotos, mas as imagens apareciam em sua mente. Eram todas as pessoas que ele havia matado ao longo de cinquenta anos e ele se lembrava de cada morte. — Você matou todas essas pessoas. Se lembra?
– Nick... — Natasha tentou interrompê-lo, mas ele a cortou.
– Você matou milhares de pessoas, muitas inocente, e só porque elas não queriam cumprir com os objetivos da Hidra — continuou ele, fazendo com que a cabeça de Bucky doesse ainda mais ao tentar se esquecer daquilo que insistia em voltar.
– Eu nunca quis fazer isso... — James colocou as mãos na cabeça, podendo ouvir os tiros e gritos de pessoas.
– Mas você fez — Nick pegou uma das fotos e colocou na frente do rosto dele. — Você matou Howard Stark, um dos seus companheiros e fez parecer um acidente. Se lembra disso?
Ao ver a foto dele, começou a sentir sua respiração ficar mais pesada e um nó se formar em sua garganta, logo sentindo as lágrimas se formando em seus olhos ao se lembrar de quantas pessoas ele havia matado.
– Acho que já chega, Nick — Steve interviu, tirando a foto das mãos dele.
– Não tente negar, Barnes, eu sei que você se lembra. Você estava consciente quando isso aconteceu, sabia o que estava fazendo, mas não conseguia parar, porque você é uma arma.
– Pare... — Bucky colocou as duas mãos na cabeça, que doía como se fosse explodir.
– Você é uma arma — essas palavras de Fury bastaram para que Bucky se descontrolasse.
– PARE! — ele se levantou em um rápido movimento e virou a mesa, fazendo com que os quatro agente se abaixassem e a mesa de metal passasse por cima deles, acertando a parede do outro lado. Bucky deixou a sala logo em seguida, fazendo com que Steve e Natasha olhassem para Fury.
– No que estava pensando?! — gritou Steve.
– Era um teste. Já que funcionou vamos aplicá-lo — Fury se levantou. — A ideia foi boa, agente Romanoff.
Ela lançou um olhar frio para ele, então se levantou e correu para fora, na esperança de encontrar Bucky. Steve tentou ir atrás dela, mas Nick colocou a mão em seu peito e o impediu.
– Se tem alguém que pode ajudar ele a se acalmar, esse alguém é ela — disse Nick, saindo da sala junto com Hill.
§
Natasha correu pelos corredores da base, mas não o encontrava. Depois de alguns minutos, ela o viu dentro do refeitório, que aquela hora da tarde estava vazio. Ele estava encarando o vazio e ao percebê-la, se virou para encará-la.
– James... — ela tentou dizer algo para reconfortá-lo, mas ele a interrompeu.
– Eu me lembro de cada uma das mortes. Ele tem razão, eu sou uma arma — ele colocou a mão direita em sua cabeça. — Essas lembranças continuam a voltar, lembranças que me forçam a fazer o que eu não quero. Algo na minha cabeça diz que eu tenho que matar todos... Isso fica cada vez mais difícil de controlar...
– Nós vamos te ajudar! Você não vai mais matar ninguém, James — ela se aproximou e viu que ele segurava uma pistola com sua mão esquerda.
– Uma bala resolveria tudo isso... — ele apontou a arma para sua cabeça, seus olhos fixos nos dela. Natasha prendeu a respiração ao ver o dedo dele no gatilho, pronto para atirar.
– Não, não vai! Eu sei que você é um homem bom, o que aconteceu no passado está no passado. Você não é o Winter Soldier, é o sargento James Barnes! — disse ela, se aproximando para tentar tirar a arma dele.
– Eu matei milhares de pessoas e posso fazer de novo! Eu não vou conseguir me perdoar se eu fizer algo com você — essas palavras fizeram os olhos dela se encherem de lágrimas.
– Bucky, me dá essa arma! — pediu ela, quase que avançando para cima dele para conseguir tirar aquilo de suas mãos.
– Me dê um bom motivo para não puxar esse gatilho... — ele sentiu uma lágrima correr por seu rosto. — Acabaria com todos os problemas que já causei e eu pagaria pela dor e sofrimento que já causei.
– Para! Por favor, para com isso! — gritou ela. Nesse momento, Bucky viu um flash passar em sua mente. Viu Natasha caída no chão com as costas viradas para cima, Bucky segurava seu braço e estava prestes a quebrá-lo, os olhos dela cheios de lágrimas e sua voz trêmula como estavam agora. Ela então gritou a mesma coisa que havia gritado para ele naquele momento: "Para! Por favor, para com isso!"
Ele largou a arma e deu vários passos para trás, se afastando o máximo dela até sentir suas costas tocarem a parede com força. Ela não entendeu o que havia acontecido, mas viu que ele estava com um olhar distante e pensou que ele podia ter se lembrado de outra coisa.
– James! — ela correu até ele e colocou as mãos em seu rosto, fazendo-o olhar para ela.
– Você... — ele olhou fundo nos olhos dela. — Natalia Alianovna Romanova...
Ao ouvir isso, Natasha ficou sem reação e se afastou, sentindo seu coração parar após ouvir o nome não escutava a anos.
– C-como você sabe...? — a voz dela continuava trêmula, lutando para segurar as lágrimas em seus olhos. Bucky continuava a olhar para ela como se não acreditasse no que acabara de ver em suas memórias, então andou até ela.
– Nós já nos vimos antes... Você sabia disso — disse ele, mas ela permaneceu em silêncio, confirmando o que ele havia dito. Natasha já o havia visto antes, há sessenta anos atrás quando estava sendo treinada pela KGB.

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