Amor Soviético
11 Глава одиннадцать/Capítulo onze - A broken mind can be fixed
Notas iniciais
Assim que os primeiros raios de Sol iluminaram o quarto, ele acordou, colocando a mão no rosto e bocejando antes de se sentar na cama. Ao olhar para o lado, o soldado viu que ela não estava lá, ficando confuso e um pouco preocupado. Ele olhou para a mesa ao lado dele e viu uma pequena carta com seu nome nela, então a abriu e a leu:
"Bucky, eu precisei ir naquela missão, graças a Yelena, não pude desobedecer ordens diretas do Fury, e sei que você vai entender. Não quero que se preocupe, Clint também foi comigo para me dar apoio. Me perdoe por não ter me despedido da forma correta, mas eu não quis acordá-lo, já que sei dos seus problemas para dormir. Estarei de volta em quatro dias, enquanto isso, por favor, tente conversar com o Steve, ele quer isso há muito tempo.
поцелуй (Potseluy), Natalia Romanova"
Ele entendia que ela havia sido praticamente obrigada a ir nessa missão, mas ficou chateado por não ter falado com ela antes de partir. A parte que mais o incomodou foi saber que agora teria que parar de fugir do passado e conversar com Steve. Bucky não se sentia preparado psicologicamente para isso, porém o faria por Natasha.
§
Steve acordara cedo naquela manhã, logo indo para a sala principal na SHIELD, onde os agentes passavam a maior parte do tempo. Ele entrou na sala rodeada por computadores e pode ver vários agentes correndo pelo local, até que um deles esbarrou no Capitão.
– Desculpe... — ele ouviu a voz feminina dizer e viu ser alguém que ele conhecia bem.
– Nossa, ainda não me acostumei com a ideia de a minha vizinha trabalhar aqui — comentou ele, sorrindo para a loira, que lhe lançou um sorriso amigável.
– Já pode começar a me chamar de Sharon, Capitão — disse ela, cruzando os braços.
– Claro, assim que você começar a me chamar de Steve — agora o sorriso dele era mais suave. Sharon desviou o olhar por alguns segundos e depois retornou a fitar os olhos azuis dele.
– Sexta é o meu aniversário... Eu não ia fazer nada, mas o pessoal insistiu em dar uma festa, e como você não sai muito eu pensei que você... — antes que ela terminasse, ele disse:
– Adoraria — ao ouvir isso, a loira sorriu e assentiu com a cabeça, se virando e andando para longe dele.
– Oito horas — disse ela enquanto caminhava.
– Você não é muito bom com garotas, cara — ele ouviu uma voz atrás de si e viu um homem alto e moreno se aproximar.
– Sou velho, no meu tempo as garotas eram menos complicadas — Steve apertou a mão do amigo. — É bom vê-lo aqui de novo, Sam.
– Terminei a missão mais cedo, pensei e passar aqui e ver como andam as coisas — ele olhou em volta e seu olhar parou do outro lado da sala, onde viu Bucky saindo do corredor. — É seguro ter ele aqui?
– Sim, estamos com ele têm algumas semanas e ainda não causou nenhum estrago — Steve olhou para James e pensou que aquele era o momento de falar com ele. — Sam, foi ótimo revê-lo, mas eu preciso ir. Falo com você depois.
O Capitão mal deixou o moreno responder e já andou para longe, indo na direção de Bucky, que agora estava com as mãos na pequena grade que havia no meio da sala. Ele observava as pessoas que passavam no andar debaixo e parecia estar com os pensamentos à anos luz dali. O soldado estava tão distraído que nem percebeu quando Steve parou ao seu lado.
– É difícil ver como tudo mudou tão rápido, não é? — ouvir a voz de Steve fez com que ele sentisse frio na espinha e enrijecesse, apertando não tão forte a grade onde suas mãos estavam apoiadas. — Eu demorei um pouco para me acostumar com tudo...
– Comigo foi diferente... Eu fiquei um pouco fora do gelo ao longo dos anos e consegui assimilar algumas coisas — dizer isso foi como se ele recebesse uma facada na garganta. Sua mente estava mandando ele matar o Capitão, como se fosse uma programação que ele não havia conseguido apagar, mas ele se controlou, respirou fundo e pensou em Natasha. Isso o acalmava.
Rogers ficou feliz em ouvir ele falar com ele, já que ambos não havia trocado meia palavra desde que Bucky chegara lá.
– Sei que passou por muita coisa e está confuso, mas eu estou disposto a lhe ajudar. Mesmo que leve muito tempo, eu não quero te forçar a nada — disse ele, colocando a mão no ombro de Bucky, mas isso havia sido um erro, pois os reflexos de seu braço biônico o fizeram segurar o braço de Steve com força, quase o quebrando.
Rapidamente James o soltou e deu alguns passos para trás, sentindo sua respiração ficar ofegante e sua visão ficar turva, como se estivesse prestes a desmaiar. A última vez que ele havia sentido isso foi quando estava com Natasha e a Hidra os atacara em Nova York, então não podia ser um bom sinal. Steve tentou se aproximar dele, mas o soldado andou para trás.
– Fique longe de mim — disse Bucky, estendendo sua mão direita para mantê-lo longe.
– Bucky eu...
– Não! Fique... longe — dizendo isso, ele virou as costas e deixou a sala, voltando para o mesmo corredor de onde havia saído.
Steve suspirou e passou a mão no rosto, frustrado por ter chegado tão perto de conversar com ele e ter fracassado.
– Ele não é fácil, não é? — ele ouviu a voz familiar atrás de si e se virou, vendo a mulher alta de cabelos curtos e loiros usando roupas pretas que se assemelhavam as de Natasha, mas que deixavam sua barriga exposta. Era Yelena Belova, que sorria abertamente.
– O quê você quer? — perguntou ele, se lembrando do que Natasha havia lhe dito sobre ela na noite anterior.
– Nada de você. Bucky precisa de alguém que não bagunce a mente dele, você devia ficar longe — Yelena andou até mais perto de Steve, que sentiu raiva por ouvir o que ela disse.
– Isso é assunto meu, agente Belova. Se concentre apenas no que lhe diz respeito — dizendo isso, ele olhou para o lado e viu que Hill o chamava. Apenas um olhar foi o bastante e ele entendeu que se tratava de algo sério. — Se me der licença.
Dizendo isso, ele deixou Yelena e foi ao encontro de Hill, que estava a alguns metros deles.
– Aconteceu alguma coisa? — perguntou, indo direto ao assunto.
– Venha comigo — ela mantinha sua expressão séria e neutra, fazendo com que ele ficasse mais nervoso por não saber o que estava acontecendo. Maria andou na direção da sala de Fury, sendo seguida pelo Capitão até que chegassem lá. — Diretor, trouxe ele.
Ela disse ao entrar e fez um sinal com a cabeça para que Steve entrasse também.
– O que está acontecendo, Fury? — perguntou, cruzando os braços.
– A missão da Russia foi comprometida. Alguém deixou os planos da Viúva Negra vazarem e a Hidra já sabe sobre a nossa tentativa de explodir a base de armas deles — disse Nick, se levantando de sua cadeira. — Mas eles não sabem de todo o plano, só sabem que tínhamos um jeito de entrar e tomaram providências para que isso acontecesse.
– Isso significa...?
– Significa que vamos encontrar outro jeito de entrar, você explode a base e sai de lá antes que te matem. Entendeu? — Fury disse aquilo com tanta naturalidade que deixou Steve perturbado. Ele pensou que se fosse nessa missão, teria que deixar Bucky sozinho com Yelena, e era isso o que ela queria. Ele precisava encontrar um jeito de mantê-lo por perto.
– Agente Hill, chame o sargento Barnes — disse Steve e a agente olhou para Fury antes de acatar a ordem. O diretor olhou confuso para Steve, que logo tratou de esclarecer. — Eu tenho um plano, mas preciso do Bucky.
– Ele não é um agente, Capitão, é um prisioneiro — indagou Fury.
– Não, ele é a única chance que temos que destruir essa base antes que a Hidra mova suas armas para outro lugar. Quanto mais demorarmos, mais tempo eles terão para fazer isso.
O argumento de Rogers era válido, então Fury acenou com a cabeça para que Hill fosse chamar James. Eles esperaram por alguns minutos até que a porta se abriu e Bucky entrou, parecendo estar confuso, e ao ver Steve, desviou o olhar e cerrou os punhos.
– Precisamos da sua ajuda, Bucky — disse Steve, mantendo uma certa distância entre eles.
– Não sou um agente, não preciso ajudá-los — respondeu, seca e friamente, como se realmente não se importasse com isso.
– Isso envolve derrubar a Hidra e impedir uma futura guerra. Você já esteve em uma guerra, sabe como é horrível ver tantas pessoas inocentes morrerem, mas nós podemos evitar isso, com a sua ajuda — como sempre, as palavras de Rogers estavam cobertas de razão. Bucky olhou para ele e depois para o chão.
– Como eu poderia ajuda? Sou um assassino — ao dizer a última palavra ele olhou para Fury, que permaneceu sério.
– Você fala russo muito bem, não sei como conseguiram fazer isso, mas de alguma forma fizeram você acreditar que era mesmo soviético. Você fala inglês com um pouco de dificuldade e tem um sotaque russo, isso pode ser vantajoso, pois eles acreditarão que você faz parte da Hidra da Rússia. Nos infiltramos lá, implantamos as bombas e destruímos as armas, fazendo um grande buraco nos planos da Hidra.
– Eles conhecem o meu rosto, logo vão perceber que sou o Winter Soldier — argumentou Bucky.
– Podemos usar disfarces — Steve sugeriu, olhando para Fury.
– Disfarces? — repetiu Bucky.
§
{Rússia, base da Hidra no Kremlin em Moscou}
Naquele momento, a temperatura era de trinta e dois graus negativos. A neve cobria todos os telhados do Kremlin e os guardas que patrulhavam o local estavam bem agasalhados. Graças a SHIELD, Bucky e Steve haviam conseguido identidades falsas e havia se infiltrado no local sem causar alvoroço ou alarmar alguém, mas James ainda estava desconfortável com a presença do Capitão.
Steve vestia uma macacão azul especial para o frio, óculos e um boné, enquanto Bucky estava vestido como um oficial, roupas pretas com algumas medalhas e um símbolo em seu peito que indicava que ele era um Coronel. Para que não o reconhecessem, Steve sugeriu que ele usasse um bigode falso e Bucky não pode deixar de achar aquilo estranhamente ridículo.
– Disfarces?! — ele reclamou enquanto Steve dirigia o caminhão na direção do prédio principal. — Desde quando colocar uma taturana preta no meu rosto é um disfarce? — ele passou a mão no bigode falso em seu rosto, vendo Steve dar uma risada abafada.
– Logo que acabarmos você pode botar fogo nesse bigode — disse o loiro, estacionando o caminhão na porta de entrada do prédio. Por um segundo, Bucky olhou para baixo e percebeu que aquele uniforme se assemelhava ao que ele usava no exército. Essa lembrança, mais o fato de Steve estar bem ao seu lado, fez um flash passar em sua cabeça. O dia em que Rogers havia se alistado para o exército.

Foi uma cena rápida, mas ele não pode deixar de pensar em tudo o que havia acontecido. Eles eram amigos e, agora, sua mente dizia que devia matá-lo. Ele se lembrava da maioria das coisas que eles já havia feito, porém sentia que se tentasse se aproximar de Steve, tentaria machucá-lo ou pior.
– Você vem? — ele ouviu o Capitão perguntar, tirando-o de seus pensamentos e o fazendo descer do caminhão.
Steve abriu a parte de trás, onde pegou uma enorme caixa, que devia pesar quase quinhentos quilos, e seguiu Bucky para dentro do prédio. Ao entrarem, foram parados por dois guardas armados.
– O que fazem aqui? — um deles perguntou em russo.
– Viemos sob ordens de trazer mais armas — respondeu Bucky em russo, sua expressão séria e sem nenhum traço de nervosismo.
– Identidade — o outro pediu, erguendo a mão.
– Está duvidando de um Coronel, soldado? — Bucky pegou a identidade falsa em seu bolso e entregou para o homem, que ficou um pouco receoso quanto a isso, pois sabia que não era bom confrontar seus superiores. O soldado deu um boa olhada na identidade e a devolveu para ele, ficando sério. Por um segundo, Steve pensou que haviam sido descobertos, mas os dois homens prestaram continência e deixaram que eles passassem.
Os dois então caminharam pelo extenso corredor até uma porta grande de madeira, onde viram seis guardas armados na frente dela.
– Abram a porta — Bucky ordenou em russo, e sem demora, os soldados a abriram. O plano estava correndo bem, com sorte eles conseguiriam terminar tudo em uma questão de minutos. Rogers e Barnes adentraram o local e se viram rodeados por várias caixas, provavelmente contendo as mais variadas armas.
Ao verem que estavam sozinhos, e que os soldados já havia fechado as portas, os dois começaram a por o resto do plano em prática. Steve colocou a grande caixa no chão e a abriu, pegando seu escudo e retirando as bombas que eles colocariam no local, entregando algumas para Bucky.
Logo o grande salão estava coberto por bombas e eles correram para a saída que Natasha havia mostrado para Steve alguns dias antes. Quando chegaram a escotilha de metal, Rogers deu o sinal para que James acionasse os explosivos, que começaram em contagem regressiva de cinco segundos.
5...4...3...
Nesse momento, Steve tentou abrir a escotilha, mas estava trancada. Ele tentou mais uma vez, mas não havia como abrir.
– Eles sabiam... — disse ele, percebendo que tudo havia sido uma armadilha. Antes que se dessem conta, o local todo começou a explodir. Steve colocou seu escudo na frente dos dois, mas a força das explosões os jogaram para trás, fazendo ambos baterem com as costas na parede de metal.
Bucky olhou para cima e viu que havia uma escada de metal que levava a um lugar mais alto, longe das outras explosões, mas chegar lá seria um desafio. Ele se levantou e Steve fez o mesmo, correndo atrás dele por entre as chamas e evitando os locais que eles sabiam que iriam explodir. Quando estavam quase se aproximando na escada, uma bomba explodiu perto do Capitão, o lançando na direção de uma coluna de metal, que segurava uma parte do teto, fazendo-a desabar em cima dele e o prender no chão.
Bucky percebeu que ele não estava mais trás de si, então o viu caído no chão, as chamas se alastrando por todo o local e se aproximando cada vez mais dele. Antes que percebesse, já estava perto de Steve, tentando retirar a grande coluna de metal de cima dele, mas o fogo havia começado a derretê-la, e tocar nela era difícil, mesmo com seu braço biônico.
Steve deu um grito de dor ao sentir o metal derreter sobre seu tórax, e apesar de sua visão ainda estar turva, ele pode ver Bucky tentando ajudá-lo.
– Sai daqui! — ele gritou — Agora! — Steve sabia que não conseguiria escapar daquela, e ele não queria que Bucky morresse por sua causa. James ficou um tempo pensando e segurou a coluna de metal, quase que totalmente derretida, com seu braço biônico.
– Acho que você não entende o que "até o fim da linha" significa — disse ele, usando toda sua força para levantar o metal fervendo. Um grito de dor saiu de sua boca, assim como da de Steve, que conseguiu se arrastar para longe da coluna. Quando viu que ele já não estava mais lá, Bucky soltou, caindo em seus joelhos com a respiração ofegante. O oxigênio já fazia falta, a fumaça tóxica já havia dominado todo o local. Eles precisavam sair de lá rápido.
Bucky se levantou e andou até Steve, que estava com suas roupas parcialmente queimadas e com algumas queimaduras pelo corpo. Ele estendeu a mão para o amigo e o ajudou a se levantar, então os dois correram no meio das chamas de volta para a escotilha. Ao chegarem lá, Bucky deu um soco com seu braço biônico na porta de metal, e a mesma amassou. Outro soco bastou para destruí-la e ambos pularam para dentro do túnel, caindo sentados no chão e respirando aliviados por terem conseguido.
§
– Devo admitir que foi um bom trabalho, Capitão– disse Fury, pela chamada de vídeo. Steve tinha seus ferimentos enfaixados enquanto estava no avião militar que levava eles de volta para Nova York.
– Como vai a missão da agente Romanoff? — perguntou ele, curioso.
– Até agora tudo corre bem, mas eles só irão começar a por o plano em prática hoje a noite. Preciso ir, tenho que explicar ao Presidente da Rússia por que explodimos parte do Kremlin– a chamada de vídeo foi encerrada e o médico que enfaixava o abdômen de Steve se levantou, fazendo um sinal de positivo para ele e indo embora.
No banco, na frente de Steve, Bucky tinha sua mão direita enfaixada por conta das queimaduras que havia sofrido. Quando a enfermeira terminou, ele olhou para Rogers, que não havia dito nada desde que eles havia escapado da morte.
– Obrigado... Por salvar minha vida — disse ele, finalmente e se levantou. Bucky deu um sorriso com o canto dos lábios e se levantou ficando na frente dele.
– É isso o que eu sempre fiz; Salvar seu traseiro — os dois riram e Steve estendeu a mão para ele. James ficou um tempo encarando o herói e apertou sua mão.
– Bem-vindo de volta, amigo.
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