Amor Soviético
10 Глава десятая/Capítulo dez - Between love and duty
Notas iniciais
Natasha andava com passos firmes, sem olhar para trás. Ela sabia que Yelena era uma vagabunda e só queria provocá-la, mas não conseguia deixar de sentir raiva dos dois por isso. Bucky colocou a mão no ombro dela e a virou para si, e só o simple encontro de seus olhares já fez a raiva dela diminuir.
– Nat, você sabe que eu não vou ficar com a Yelena. Loiras não fazem o meu tipo — ele sorriu para ela, tentando quebrar o clima tenso no ar.
– A questão não é você ficar ou não com ela, isso cabe a você, mas eu te disse que não confiasse nela e parece que você me ignorou por completo! — Natasha desviou o olhar e cruzou os braços.
– Foi mal, eu sei que devia ficar longe dela, mas ela não parece ser ruim. Sabia que ela fala russo?
– Eu sei que ela fala russo! Fomos treinadas pela KGB, se esqueceu? — a ruiva aumentou o tom de voz e depois tentou se acalmar, colocando a mão na testa e respirando fundo. — Vou dizer mais um vez: Ela não é confiável. Você está sendo procurado pela Hidra, não pode confiar em ninguém, não deveria nem confiar em mim.
Depois de ouvir o que ela disse, Bucky ficou sério e deu um passo para frente, colocando a mão na cintura dela e deixando seu rosto muito próximo do dela. Natasha podia sentir a respiração dele contra a sua e quis beijá-lo, mas sabia que não devia fazer aquilo no meio da base.
– Você é a única pessoa em que eu confio — disse ele, olhando fundo nos olhos azuis da ruiva. Quando Natasha ia dizer algo, ambos ouviram a voz de alguém atrás deles.
– Atrapalho alguma coisa? — ao ouvir a voz familiar, Natasha e Bucky se afastaram rapidamente e olharam para trás, vendo Steve olhando para eles com uma certa curiosidade. A ruiva se perguntava o quanto ele teria visto ou ouvido, e não pode evitar ficar preocupada.
– Não... Eu estava indo me juntar a vocês e encontrei o Bucky — ela olhou para o soldado, que evitava olhar para Steve.
– Você perdeu o Tony tendo um surto e... Thor e Banner queriam ver você — Steve ainda não havia entendido o que eles faziam tão próximos. Pensou na possibilidade de eles estarem juntos, mas logo tratou de esquecer isso, pois Natasha não era do tipo de pessoa que se envolvia emocionalmente com alguém.
– Já estou indo — disse ela, dando um sorriso discreto e olhando para Bucky. — Vamos falar sobre isso mais tarde. Quero que conheça algumas pessoas.
Ele apenas assentiu com a cabeça e andou atrás dos dois heróis na direção do refeitório. Bucky não estava certo de quem ele iria conhecer, mas estava com o pressentimento ruim quanto a isso. Quando Steve abriu a porta, uma flecha acertou a mesma, fazendo o herói se mover para o lado. A flecha ficou atravessada na porta e risadas foram ouvidas do lado de dentro da sala.
– Eu falei que não sabia mexer com isso — eles ouviram uma voz grossa dizer. — Essas armas do seu mundo são tão primitivas.
– Fala o cara que bate nos outros com um martelo gigante — Natasha ouviu Clint dizer, então entrou na sala, vendo Thor dando o arco para Barton e olhando para a ruiva.
– Saudações, Natasha! — disse o deus, andando na direção dela. — É bom vê-la novamente.
– Olá, Thor — Natasha olhou em volta e viu Banner sentando ao lado de Tony, que bebia uma garrafa d'água. — Doutor, Stark — ela os cumprimentou com um aceno de cabeça.
– Hum-hum! — Tony balbuciou algo enquanto bebia água, então parou de beber e baixou a garrafa. — Quem é aquele? — o herói apontou para Bucky, que estava ao lado de Steve. — Ele tá me encarando, por quê?
Natasha se virou para James, que estava de fato encarando Tony. Ele conseguia ver alguns traços de Howard nele e essa lembrança o fez ficar tenso.
– Ele é Bucky Barnes, o soldado de quem eu falei — respondeu Steve, se sentando em uma das mesas que haviam no local.
– Ele ficou congelado igual ao Capitão — disse o Gavião Arqueiro, removendo sua flecha que havia ficado presa na porta.
– Outro picolé! Nossa, isso tá mesmo virando moda. Acho que vou me congelar, imagina como seria o futuro — Tony olhou para o vazio, como se imaginasse a cena.
– Passar cinquenta anos com o Stark congelado, quem aprova? — Banner sorriu e levantou a mão, vendo Thor, Steve e Clint fazerem o mesmo.
– Falem o que quiserem, eu sei que amam — Tony sorriu e bebeu mais um gole d'água. — Ainda não respondeu por que está me encarando, picolé 2.
Bucky pensou por alguns segundos e então desviou o olhar para Natasha, que parecia dizer que ele ficasse mais calmo apenas com o olhar. Ele olhou novamente para Stark e disse:
– Eu conheci o seu pai... Ele era um grande homem.
– Nem tanto — Tony deu um rápido sorriso e se levantou.
– Natasha... — todos ouviram uma voz feminina dizer, e quando a ruiva se virou para a porta, viu Yelena entrar. Isso fez com que seu sorriso sumisse e sua raiva aumentasse aos poucos. — Tenho uma surpresa para você.
– Nada que me agrade pode vir de você — respondeu ela, seu tom de voz transmitindo indiferença.
– Pode me agradecer depois, convenci o Fury a deixar você sair em missão — a loira sorriu e colocou as mãos na cintura. Natasha arregalou os olhos e olhou para Bucky, que também olhava confuso para ela, e essa troca de olhares não passou despercebida por Steve.
– Como você conseguiu isso? — perguntou Natasha, olhando para Yelena.
– Eu sei o quanto você gosta de sair em missão e soube que precisam de reforços na Alemanha. Já que você é uma das agentes mais habilidosas e uma das únicas que sabe falar alemão, pensei que isso lhe agradaria e ajudasse a SHIELD — Yelena deu um risada e se aproximou de Natasha, sussurrando perto do ouvido dela em russo: — Não se preocupe, eu vou cuidar dele para você.
– Se você tocar um dedo nele eu vou... — gritou Natasha, também em russo, deixando todos os outros heróis confusos, exceto Bucky. Ele colocou a mão no ombro dela e a afastou de Yelena.
– Nat, não vale a pena brigar com ela agora — ele disse em russo, fazendo a ruiva se acalmar.
Steve não conseguiu entender o que eles estavam dizendo, mas Bucky havia conseguido deixar Natasha mais calma, e isso era algo muito estranho.
– Clint, você acha que tem algo acontecendo entre o Bucky e a Nat? — o Capitão sussurrou para o Arqueiro, que sentiu vontade de rir, mas se controlou, deu uma rápida olhada para os dois e então olhou para Steve novamente.
– Não, nadinha. Eles só se entendem, mas a Nat não é de se envolver com as pessoas — respondeu ele.
– Mas é que... — antes que Rogers pudesse argumentar, Barton o cortou.
– Yelena, eu estou doido para ir em uma missão. Que tal nós irmos falar com o Fury para saber se eu não posso ir no lugar da Nat — Clint piscou discretamente para a ruiva e segurou o braço da loira, a puxando para fora da sala.
– O que vocês estavam falando? — perguntou Tony, olhando para Natasha e Bucky. Ela olhou para o soldado e então saiu da sala, sem perceber que ele havia feito o mesmo. — Nossa, acho que tem um rolo entre eles. — Stark riu. Essa palavras só serviram para deixar Steve mais curioso para saber sobre a relação que havia entre seus dois amigos.
No corredor, Natasha caminhava até seu quarto, virando o rosto para o lado e vendo que Bucky a seguia.
– O que você quer? — perguntou ela, sem parar de andar e parando apenas ao chegar na porta de seu quarto.
– Saber por que você está com raiva de mim — ele parou de andar e ficou encostado no vão da porta, seus olhos a encaravam com curiosidade.
– Não estou com raiva — disse ela, abrindo a porta e entrando. Bucky esperou alguns segundos e fez o mesmo, fechando a porta logo atrás de si. — Eu estou com raiva da Yelena. Estou certa de que ela quer se aproximar de você, só não sei o por quê, mas eu vou descobrir! — a Natasha cruzou os braços enquanto olhava para James, que estava parado na sua frente. Um pequeno sorriso se formou no canto dos lábios dele, o que a fez sentir um calor dentro do peito, como todas as vezes que ele estava por perto. Ela não conseguia explicar como, depois de tudo pelo que ambos já haviam passado, eles pudessem sentir uma emoção tão forte um pelo outro.
Bucky deu um passo para frente e colocou sua mão biônica na cintura dela, a puxando para mais perto e tentando beijá-la, mas Natasha colocou o dedo indicador nos lábios dele e olhou em seus olhos, que mais pareciam um oceano de águas cristalinas.
– Eu vou tomar um banho — disse ela, sua voz baixa como um sussurro. Ele assentiu levemente e deu um passo para trás, dando a ela espaço. A ruiva caminhou na direção do banheiro, já removendo a camiseta preta que usava, então parou e olhou para ele por cima de seu ombro. — Você vem comigo.
Aquilo não soou como um pedido, mas sim como uma ordem, apesar de não ser uma ordem ruim de ser cumprida. James sorriu mais abertamente e a seguiu em direção ao banheiro.

§
O Sol se pôs, dando lugar a lua, que estava cheia naquela noite. No céu, nenhuma nuvem era vista, a luz das estrelas e da lua adentravam no quarto escuro por conta das cortinas abertas, fazendo com que ambos pudessem ver claramente o rosto um do outro, apesar de as luzes estarem apagadas.
Natasha o beijava de forma intensa, feroz, sem nem ao menos fazer cerimônia. As mãos dele estava em suas costas, sempre mudando de posição, como se quisessem explorar o corpo dela por completo. As mãos dela também percorriam o corpo dele, procurando por alguma cicatriz e não obtendo sucesso em encontrar nenhuma.
Ela se afastou um pouco dele, deixando suas testas se tocando. A respiração ofegante de ambos batendo uma contra a outra.
– Você não tem nenhuma cicatriz? — perguntou ela, sorrindo ao vê-lo sorrir.
– Eles fizeram algo com o meu corpo, ele se cura mais rapidamente e não deixa cicatriz — respondeu ele, beijando o pescoço dela de maneira sensual e fazendo-a fechar os olhos.
– Eu também me curo rápido... Mas ainda assim tenho cicatrizes — disse ela, entre suspiros enquanto o sentia beijando seu pescoço. Ela posicionou uma de suas mãos sobre a dele e a deslizou para cima, fazendo-a parar em uma pequena cicatriz que havia no ombro direito dela. Ao senti-la, Bucky levantou seu rosto e tirou sua mão de cima da cicatriz, sua respiração começando a ficar um pouco mais pesada. Natasha abriu os olhos e o encarou, confusa.
– O que foi? — perguntou, colocando a mão direta na lateral do rosto dele e acariciando seu polegar sobre a bochecha do soldado. Bucky pareceu querer falar algo, mas as palavras haviam ficado presas em sua garganta. — Não foi você quem fez essa... — a ruiva se adiantou e respondeu, presumindo que ele pretendia lhe perguntar isso. James apenas respirou fundo e fechou os olhos, sentindo o toque suave dela em seu rosto.
– Eu não pergunto quantas eu provoquei porque tenho medo da resposta... — disse ele, abrindo os olhos.
– Você não fez muitas... Talvez alguns hematomas, mas não muitas cicatrizes — ela tentou sorrir, mas o olhar de preocupação dele não a deixou fazer isso.
– Me perdoe... Por todas as vezes que eu lhe feri. Isso nunca mais vai acontecer, eu prometo — ele deu um beijo suave na testa dela.
– Vamos dormir um pouco, o dia hoje foi muito estressante — Natasha conseguiu dar um leve sorriso e beijou os lábios dele de forma suave. Então deitou sua cabeça no peito sarado dele e descansou uma de suas mãos sobre a barriga do soldado. Bucky envolveu seu braço direito ao redor dela, correndo seus dedos pelos finos e curtos cabelos de Natasha. Em questão de minutos, ambos já haviam dormido, com sempre, se sentiam calmos quando estavam perto um do outro, como se o mundo parasse de girar e só existissem apenas eles.
Algumas horas depois, Natasha ouve um barulho irritante que a faz acordar.
"Bzzzz" "Bzzzz"
Ela olhou para o lado e viu seu celular sobre a mesa, vibrando sem parar. A ruiva cuidadosamente tirou o braço de James de cima dela e pegou o telefone, se sentando na beira da cama.
– Alô? — a voz sonolenta dela era notável.
– Nat, temos um problema– a voz de Clint disse do outro lado da linha.
– O quê houve? — perguntou ela, esfregando os olhos na tentativa de acordar.
– Eu fiquei até agora tentando convencer o Fury a me mandar nessa missão ao invés de você e adivinha; Nós dois vamos ter que ir– respondeu, também parecendo não gostar da ideia.
– O que?! Não, eu não vou deixar o Bucky aqui sozinho com a Belova! — Natasha estava quase gritando, porém manteve o tom de voz baixo para que não acordasse James.
– Não sei o que ela fez, mas aquela mulher é muito boa manipuladora– Clint suspirou. — Enfim, ordens diretas do Nick. Partimos agora.
Natasha queria recusar, dizer que não participaria dessa missão porque Yelena estava tramando algum plano contra Bucky, mas fora treinada para obedecer ordens e não poderia desrespeitar seu chefe recusando uma ordem direta dele.
– Te encontro no hangar em meia hora — disse ela, desligando o telefone e olhando para Bucky, que dormia tranquilamente. Ela se levantou e colocou suas roupas de Viúva Negra junto com uma bolsa cheia de equipamentos para a missão. Ela então olhou para James e se aproximou dele, pensando em acordar ele para se despedir, mas não conseguiu, pois ele dormia tão pacificamente, coisa que era raro para ele. Natasha não queria fazer com que ele perdesse o sono, depois de tantas noites que ele já havia passado em claro, então escreveu um bilhete e deixou sobre a mesinha ao lado da cama.
Depois de fechar a porta com cuidado, a ruiva andou na direção do hangar, mas antes, resolveu passar em um quarto primeiro. Ela bateu na porta várias vezes e após alguns minutos, Steve abriu a porta, seus olhos ainda estavam um pouco fechados e ele bocejou.
– Sabe que são três da manhã, não é? — perguntou ele.
– Vou ter que sair em missão graças a Yelena, mas eu acho que ela está tramando alguma coisa. Preciso que fique de olho no Bucky enquanto eu estiver fora, não confio naquela mulher — disse a ruiva, sem enrolar e indo direto ao ponto.
– Por que a Yelena tramaria algo contra o Bucky? — Steve esfregou os olhos e bocejou mais uma vez, ainda se sentindo sonolento.
– Eu não posso explicar agora, mas fica perto do Bucky. Ele precisa de um amigo agora, precisa de você. Tenta se aproximar dele aos poucos e não força nada — dizendo isso, ela virou as costas e andou na direção do hangar.
Steve não havia entendido o motivo de tanta preocupação, mas resolveu voltar a dormir e se interessar em saber disso no dia seguinte. A notícia que o deixou feliz foi saber que ele teria a chance de se reaproximar de seu melhor amigo, que por anos ele pensou que estivesse morto.
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