Amor Soviético
9 Глава девятая/Capítulo nove - Yelena Belova
Notas iniciais
O Sol iluminavam o quarto, antes escuro, os raios ultravioleta batendo diretamente nos olhos fechados de Natasha e fazendo com que a ruiva virasse o rosto para o outro lado, na tentativa de fugir do Sol. Ela deslizou a mão para o lado e viu que o espaço naquele local estava vazio, porém ainda quente. Rapidamente ela abriu os olhos e viu que ele não estava mesmo lá.
Natasha se lembrava de ter acordado durante a noite e ter visto que ainda dormia nos braços dele, então voltara a dormir, pois aquela sensação era a melhor que já havia sentido em anos. Mas agora ele não estava mais ao seu lado, então a ruiva começou a se perguntar aonde ele poderia ter ido. Enquanto pensava, ouviu o barulho da porta do banheiro se abrindo e ele saindo de lá, usando sua cueca box preta, e sorriu ao vê-la acordada.
– Bom dia — Bucky se deitou na cama ao lado dela, que sorriu para ele, um sorriso que ele adorava.
– Bom dia, soldado — ela colocou a mão na bochecha dele e lhe deu um beijo suave, se sentando na cama logo depois. — Eu preciso ir, o Fury ou o Steve devem estar me procurando. — Natasha se levantou da cama e começou a vestir seu sutiã e sua calcinha.
– Eles podem sobreviver sem você por algumas horas, Nat — disse ele em russo, então se levantou da cama e a abraçou por trás.
– Eu queria ficar aqui, mas é melhor eu sair antes que alguém apareça — respondeu ela, também em russo e deitou a cabeça no ombro dele. De repente, alguém bateu na porta, e Bucky se afastou de Natasha, que foi se esconder atrás do armário, mas antes que ele abrisse a porta ela pegou um travesseiro que estava no chão e arremessou na cabeça dele, o fazendo se virar para ela, confuso. — Não abre a porta de cueca! — sussurrou ela. Bucky riu e então pegou sua calça no chão, a colocando rapidamente e abrindo a porta.
Ele agradeceu Natasha mentalmente por ter lembrado ele de colocar uma calça, já que quem estava na porta era uma mulher alta, loira e de olhos azuis. Ela usava roupas parecidas com as de Natasha, porém as dela deixavam sua barriga a amostra. Havia um sorriso amigável em seu rosto, seus dentes eram tão brancos que deixaram o soldado impressionado, mas ele ainda se perguntava quem era ela.
– Olá, James, sou Yelena Belova — disse a mulher, em um tom de voz que passava simpatia. Ao ouvir a voz e o nome dela, Natasha cerrou os punhos e se controlou para não fechar a porta na cara da loira. — Fury me mandou para ajudá-lo a se socializar melhor. Posso lhe mostrar a base hoje, se quiser.
– É um prazer conhecê-la, Yelena, mas eu acho que vou ficar aqui até que precisem de mim de novo... — Bucky olhou para Natasha atrás do armário, vendo que ela parecia com raiva.
– Vamos lá, você não é um prisioneiro, é um convidado. Todos os agentes querem te conhecer. Vai ser bom para a sua mente conhecer gente nova — Yelena conseguia ser persuasiva quando queria, mas Bucky realmente não estava interessado em andar pela base lotada de agentes que eram amigos dos que ele já havia matado.
James olhou mais uma vez para Natasha, que olhava para ele como se mandasse que ele expulsasse Yelena de lá. A loira viu que ele olhava para o outro lado do quarto e ficou curiosa para saber o que, ou quem, ele estava olhando.
– Tem alguém com você? — perguntou ela, dando um passo para frente e o fazendo segurar seus dois ombros para pará-la antes que visse Natasha.
– Hun, eu te vejo no primeiro andar em uma hora... Então você pode me mostrar a base — disse ele, na tentativa de tirá-la de lá sem ser rude.
– Tudo bem... Te vejo lá — Yelena arqueou a uma sobrancelha e foi embora, ainda se perguntando quem estava no quarto dele.
Bucky fechou a porta e logo sentiu outro travesseiro atingir sua nuca, o fazendo olhar para trás e ver Natasha de braços cruzados, o fuzilando com o olhar.
– O quê foi? — perguntou ele se aproximando dela.
– Você vai mesmo ir conhecer a base com a Belova? — o tom dela era de extrema raiva, o que fazia o soldado ficar um tanto confuso.
– Eu não queria, mas você estava a ponto de explodir. Tive que tirar ela daqui o mais rápido possível — respondeu, se sentando na cama sem parar de fitar ela. — O que você tem contra a Yelena?
Natasha ficou em silêncio por algum tempo e então olhou para a janela, pensando se ela iria mesmo contar aquilo para ele, já que era algo pessoal entre as duas.
– Nós fomos treinadas na mesma academia. Depois da Sala Vermelha fomos mandadas em uma missão juntas e ela era impulsiva, cabeça-quente, inconsequente. Tudo o que uma espiã não pode ser — a ruiva fez uma pausa e se sentou ao lado dele na cama. — Naquela missão, ela não cumpriu as minhas ordens e morreu queimada. Eu vi o corpo dela sendo quase que totalmente desintegrado pelas chamas, não pude fazer nada para salvá-la, mas ela morreu como uma heroína. Um mês depois ela voltou, totalmente curada. Não havia nenhum arranhão em sua pele, Yelena parecia nunca ter sofrido nenhum ferimento em toda sua vida.
– Como isso é possível? — perguntou ele, ficando intrigado com a história.
– Foi o que eu me perguntei, mas ela disse apenas que foi pura sorte — a ruiva revirou os olhos e se levantou da cama. — Eu não acredito em sorte — ela pegou sua blusa e sua calça no chão e começou a vesti-las enquanto falava. — Desse dia em diante a habilidade dela em combate aumentou, ela havia ficado mais ágil, mais forte e conseguia lutar contra todos os agentes sem perder. Eu não estava lingando para isso, até o dia em que ela disse, na minha cara, que eu era um péssima Viúva Negra. Que eu já estava velha para ser espiã e que ela seria melhor do que eu.
Quando terminou de se vestir, a ruiva ficou parada olhando para Bucky, que realmente não tinha ideia do que dizer para ela naquele momento.
– Ela me desafiou para uma luta, mas Fury não permitiu. Disse que queria me poupar de gastar minhas forças porque o DNA dela havia sido alterado e ela me venceria — Natasha cerrou os punhos, querendo socar a cara de Yelena naquele momento. — Eu não quero você perto dela.
– Você é melhor do que ela, não precisa de uma luta para saber disso, e eu sei que vocês tem problemas, mas eu não quero me envolver nisso, porque se eu o fizer, alguém vai sair ferido — Bucky se levanta e anda até ela, colocando suas duas mãos no rosto dela e fazendo-a olhar para ele. — Mas isso não é só por causa do passado de vocês, ou é? — ele sorriu, insinuando que ela estava com ciúmes.
– Só digo isso porque ela não é confiável, ninguém sabe como ela sobreviveu, pode ter se aliado a Hidra ou algo do tipo. Isso não tem nada a ver com ciúmes — ela tirou as mãos dele de seu rosto, desviando seus olhos para o lado. Ela estava mesmo com ciúmes, mas não queria admitir isso para ele. James sabia que ela não cederia, então apenas a beijou para encerrar o assunto de uma vez. A ruiva pretendia ficar com raiva por mais alguns minutos, mas aquele beijo foi tão bom que ela até se esqueceu o motivo de estar com raiva.
Quando se separaram, ela olhou fundo nos olhos dele, sentindo a necessidade de beijá-lo novamente, contudo, um pequeno alarme tocou em seu cérebro dizendo para que ela saísse logo, antes que ambos resolvessem repetir o que havia feito na noite anterior. Ela deu um beijo rápido nele e saiu do quarto, dando uma última olhada para trás e sorrindo para ele antes de fechar a porta atrás de si.
§
– Então, se eles forem para o norte vão encontrar as armas? — perguntou Steve, apontando para uma rota no mapa digital a sua frente.
– Exato, e depois eles precisam ir por um túnel que há debaixo da terra. Vai haver uma escotilha de metal abaixo deles e quando for o momento de explodir o local, é só eles entrarem lá que vão ficar protegidos — respondeu Natasha, destacando a rota do túnel no mapa. — Pena eu não poder ir nessa missão.
– Da próxima, tente não ir em uma missão sem o Fury saber — Steve sorriu suavemente, jogando a imagem holográfica na frente deles na direção de um dos computadores da sala, vendo o mapa aparecer na tela do mesmo. — Mas faltam apenas três semanas, não vai ser tão ruim. — os dois saíram da sala juntos e andaram pelo corredor principal lado a lado.
– Pra quem passou vários anos sem nem tirar folga ficar sem missões é bem difícil — disse ela. Os dois pararam de andar ao verem Clint sair de uma sala e se colocar na frente deles.
– Pessoal, o Stark, o Banner e o Thor chegaram na base, que tal matarmos a saudade e relembrar o que aconteceu em Nova York? Soube que se a gente começar a falar sobre isso o Tony tem um ataque de ansiedade e eu to louco pra ver isso — Gavião Arqueiro deu uma risada, fazendo Steve e Natasha sorrirem.
– Que horror, Barton... Mas tenho que admitir que vai ser bem legal — a ruiva e os dois andaram na direção do refeitório. Enquanto andavam, eles passaram pela sala de tiros, e Natasha deu uma olhada rápida para o lado de dentro, vendo que Bucky e Yelena estavam lá. Ela parou bruscamente, fazendo os dois heróis pararem também.
– Tudo bem, Nat? — perguntou Steve, vendo a expressão neutra no rosto dela.
– Podem ir, eu tenho que ver uma coisa — dizendo isso, ela se virou e andou para dentro da sala de tiros. Barton e Rogers deram de ombros e seguiram seu caminho para o refeitório.
Ao entrar Natasha parou na porta e viu que Yelena segurava uma sub-metralhadora e Bucky explicava para ela o jeito certo de segurá-la. A ruiva revirou os olhos enquanto observava Yelena se fazer de tonta para ele, pois sabia que ela já havia segurado centenas de armas e sabia como usá-las muito bem. Ele ficou atrás dela e puxou seu ombro alguns centímetros para a direita, apontando na direção do alvo. Em seguida, ela atirou, acertando em cheio o ponto vermelho no meio dele.
– Bom — disse ele, sorrindo para ela.
– Graças a você — Yelena sorriu de volta, então viu Natasha se aproximar deles. — Ah, Natalia, que surpresa — ao ouvir ela dizer seu nome, a ruiva ficou com mais raiva ainda, pois infelizmente Yelena era uma das poucas pessoas que sabia sua verdadeira identidade.
– Acho que precisam de você na sala de comando, por que não vai lá dar uma olhada — Natasha disse, friamente.
– Tudo bem. Falo com você depois, Bucky — dizendo isso, a loira deu a arma para ele e saiu da sala. No momento em que Natasha percebeu que ela estava fora do local, deu um tapa no braço de James.
– Eu não fiz nada! — disse ele, deixando a sub-metralhadora sobre a mesa, onde haviam várias outras armas.
– Ela é uma espiã treinada para matar pessoas, acha mesmo que ela não sabia atirar?! — gritou ela.
– Agora que você falou, também achei isso estranho — ele encostou as costas na parede e cruzou os braços. — Então, ela estava me paquerando?
– Vai me dizer que não percebeu? — Natasha não escondia o tom de irritação em sua voz, o que fazia o soldado se divertir, vendo-a expressar algum tipo de emoção, mesmo que essa fosse raiva.
– Não percebi, sabe por que? — ele andou até ela e parou bem na sua frente, deixando seus rostos próximos. — Porque eu só tenho olhos para você.
Ele se inclinou para beijá-la, mas Natasha virou o rosto e deu um passo para trás.
– Vai precisar mais do que frases clichês para me fazer ficar com menos raiva de você e daquela vagabunda oxigenada — disse ela, seriamente, então virou as costas e saiu da sala.
– Espera, Nat — ele andou atrás dela, tentando se controlar para não rir, pois ele nunca havia visto ela com ciúmes antes.
§
Yelena entrou em seu quarto e fechou a porta, pegando o telefone que havia em seu cinto e ligando para um número desconhecido.
– Conseguiu se aproximar dele?– perguntou a pessoa do outro lado, que falava em húngaro.
– Um pouco, mas aquela Natalia Romanova não sai de perto dele. Acho que tem algo acontecendo entre os dois — respondeu Yelena, também em húngaro.
– Tire-a de perto dele, só assim vai conseguir trazê-lo para cá e poderemos extrair o dispositivo do cérebro dele. Se preciso, mate a Viúva Negra, que é algo que eu sei que você quer a muito tempo.
– Isso é verdade — um sorriso de satisfação se formou nos lábios da loira.
– Você tem uma semana.
– Como quiser, senhora... Hail Hydra.

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