Amor Soviético
16 Глава Шестнадцать/Capítulo dezesseis - Goodbye, soldier
Notas iniciais
Horas se passaram até que os agentes da SHIELD chegassem ao local onde antes era a base da Hidra. Vários carros pretos estavam parados ao redor dos escombros, assim como alguns carros de polícia e ambulâncias. Natasha estava sentada em uma das macas tendo seu braço enfaixado por uma das médicas, ainda segurando a seringa vazia que Bucky lhe dera.
– Como ela está? — a ruiva ouviu alguém perguntar para a médica, e ergueu os olhos para essa pessoa, vendo ser Barton.
– Torceu o pulso, mas sem ferimentos graves. Alguns hematomas no pescoço e na barriga, mas nada com que se preocupar — respondeu, deixando o herói mais aliviado. Ele olhou para Steve, que estava dentro de uma ambulância atrás de Natasha, sua perna estava enfaixada após a remoção da bala que havia ficado alojada lá.
–Tudo bem, Capitão? — perguntou Clint.
O loiro deu um leve sorriso e se levantou, apoiado na parede da ambulância, e se aproximando dos dois, sentando-se ao lado de Natasha na maca.
– Sim, já passei por coisas piores — disse ele, olhando para a ruiva apreensivo, pois sabia o que ela sentia naquele momento.
– Sinto muito pelo Bucky, Nat — disse Clint, fazendo-a desviar o olhar para o lado.
– Agente Romanoff — eles viram Fury se aproximar acompanhado de Maria. — Fizeram um bom trabalho capturando Madame Hidra, ainda existem algumas bases da Hidra pelo mundo, mas sem ela livre vai ser bem mais fácil de acabar com a agencia.
– Deveria agradecer ao Bucky. Ah, espera, não pode, ele morreu com todos achando que ele era um assassino — disse Clint, claramente irritado. — Agora podemos voltar para a SHIELD e esfregar na cara de todos que duvidaram dele, o herói que o sargento Barnes foi.
– Onde está o soro do Zola? — perguntou Fury, ignorando o comentário de Clint.
– Foi destruído durante a explosão — respondeu Natasha, friamente. Steve olhou para ela, confuso, então olhou para Nick, Maria e Clint.
– Podem nos dar licença — disse o loiro, e os três se afastaram. — Eu vi o Bucky te entregar a seringa, o soro não foi destruído na explosão.
– Ele não morreu — a ruiva se virou para ele, deixando-o visivelmente surpreso. — A seringa estava vazia, acho que ele pode ter injetado o soro nele mesmo para poder sobreviver a explosão.
– Como sabe que isso é verdade?
– Ele levou um tiro um pouco antes da explosão, mas não havia ferimento e nem sangue no local onde a bala o acertara. O soro o deixaria indestrutível, mais forte, mais rápido... Acho que ele pode ter sobrevivido a explosão, mas não sei se já conseguiu sair.
– Não poderemos identificar os corpos que haviam na sala, a explosão foi tão forte que os corpos praticamente se desintegraram — disse Steve, pensando na possibilidade de Bucky estar mesmo vivo. — Só nos resta esperar.
Natasha assentiu e colocou a seringa em seu cinto, se levantando da maca e indo embora do local. Ela caminhou pelas ruas de Nova York em direção ao prédio onde tinha um apartamento, localizava-se no centro da cidade. O edifício era simples, porém com mais de vinte andares, do lado de fora parecia um hotel e por dentro também, a única diferença era que as pessoas viviam nele, e não apenas se hospedavam.
Ela passou pelo saguão recebendo olhares de algumas pessoas por seu rosto estar um pouco sujo depois da explosão, mas ela não ligava. Apenas queria chegar em casa e descansar. O elevador parou no nono andar e ela saiu, andando rapidamente pelo corredor até a porta de seu apartamento, colocando seu polegar no identificador de digitais e fazendo a porta se abrir automaticamente. Assim que entrou, colocou sua arma sobre a mesa, tirou suas roupas e entrou no banheiro, tomando um banho relaxante enquanto repassava todas as cenas que haviam acontecido mais cedo.
A ruiva sentia a água quente cair sobre sua pele fria, fazendo um arrepio percorrer todo o seu corpo. Ela fechou os olhos e viu a imagem do vidro sendo quebrado enquanto ela o socava, mas por um segundo, viu a mesma imagem, só que a ruiva socava um vidro diferente, em um lugar diferente. Isso passou como um flash rápido e Natasha não conseguiu descobrir o que significava, então deu de ombros e fechou o chuveiro, se enrolando em uma toalha branca e indo para seu quarto. Após se secar, ela vestiu uma blusa regata preta e seu short de lycra preto.
Natasha se sentou na cama e começou a pentear seus cabelos molhados, ainda sentindo um vazio no peito. Ela não tinha certeza de que ele estava vivo, aquilo que dissera a Steve foi apenas uma hipótese, no entanto ela queria acreditar que ele ainda estava em algum lugar no meio dos destroços com vida. A ruiva pensava em silêncio, quando ouviu alguém bater duas vezes no vidro da janela. Ela pegou uma arma que havia debaixo da sua cama e se virou rapidamente, porém soltou a arma logo que viu Bucky com sua mão biônica segurando a pilastra ao lado de sua janela.
– Oi — disse ele, erguendo sua mão livre e vendo-a se aproximar com os braços cruzados.
– James...? — seu coração começou a bater mais rápido do que o normal e a vontade de lhe dar um soco por fazê-la pensar que ele havia morrido aumentou.
– Eu sei que tenho muito o que explicar, mas eu acabei de escalar nove andares e está meio difícil de me equilibrar aqui... Posso entrar? — Natasha abriu a janela e ele entrou, se virando para ela, contudo, não sendo recebido da maneira que esperava. Ela lhe deu um chute circular, não o ferindo, mas o jogando contra a parede do quarto e fazendo a estante que havia presa ao lado da janela se quebrar.
– Você é maluco?! — ela tentou dar um soco nele, mas o soldado segurou sua mão. — Como você faz isso comigo? Eu pensei que você estava morto! — gritou a ruiva, tentando dar outro soco nele, porém tendo sua mão presa pela dele novamente. — Por que não me contou?
– A Madame Hidra estava com vocês, eu fiz aquilo exatamente para que todos pensassem que eu estava morto e pudesse ter uma vida sem perseguições! — disse ele, ainda segurando os punhos cerrados dela.
– Você não podia ter injetado o soro daquela maneira! Seu corpo poderia ter rejeitado e você teria morrido antes da explosão — os olhos dela se enchiam de lágrimas, ela estava feliz por vê-lo e, ao mesmo tempo, estava com raiva.
– Que bom que deu certo — Bucky soltou as mãos dela. — O que importa é que acabou, todos pensam que eu estou morto, sem mais agências me controlando. O que importa é que eu estou aqui, com você. — ele envolveu seu braço direito na cintura dela e a puxou para mais perto, deixando seus lábios à centímetros um do outro. Natasha fechou os olhos e envolveu os braços ao redor do pescoço dele, sentindo a raiva desaparecer, assim como a angustia e o desespero que ela sentia desde que vira aquela sala explodir.
Mas a ruiva sabia o que isso significava. Agora ele estava livre, a única coisa que o prendia naquele lugar era ela, e a SHIELD e a Hidra iriam descobrir sobre a morte simulada de Bucky se eles ficassem juntos. Isso significava que eles não podiam ficar juntos.
– Por que não entrou pela porta? — perguntou ela, respirando fundo e tentando se acalmar.
– Estou morto, ninguém pode me ver — ele sorriu com o canto dos lábios e usou sua mão biônica para pentear uma mecha de cabelo dela para trás de sua orelha.
– Hey... — ela sussurrou, abrindo os olhos e encarando o azul cristalino dos olhos dele.
– Sim?
– Eu acho que eu te amo, James Buchanan Barnes — ela sorriu e o viu fazer o mesmo, sentindo-o apertar um pouco sua cintura e fazendo-a soltar um suspiro leve por entre seus lábios.
– E eu te amo, Natalia Alianova Romanova — disse em russo, então a beijou como se precisasse apenas daquilo para sobreviver.
"Mergulho quente em ondas congeladas
Onde o passado retorna à vida
Se eu temo pela dor egoísta
Valeu a pena todas as vezes.
Ficar parado bem antes de colidirmos
Porque nós dois sabemos como isso termina
Um relógio faz tic-tac até quebrar seu vidro
E me afogo de novo em você..."
Ela sentiu seu peito queimar quando seus lábios se tocaram, como sempre que ele a beijava. Apenas ele fazia isso com ela, lhe causava essas sensações até, aquele momento, não experimentadas. Eles se beijavam como se o mundo fosse acabar, cada toque dele na pele macia dela parecia o primeiro. Quando ambos perceberam, já estavam sobre a cama, Natasha havia tirado o colete do soldado, enquanto ele deslizava sua mão por dentro da blusa dela.
"Porque você é o pedaço de mim
Que eu gostaria de não precisar
Perseguindo implacavelmente
Ainda luto e eu não sei por quê
Se o nosso amor é tragédia, por que você é meu remédio?
Se o nosso amor é insano, por que você é minha lucidez?"
Quando Natasha abriu os olhos, viu os primeiros raios de Sol invadirem seu quarto pela janela aberta, a brisa gelada que vinha do lado de fora fazia as cortinas balançarem e arrepiavam a pele da ruiva. Ela puxou o cobertor sobre seu corpo nu e pensou em voltar a dormir, mas se virou e viu que James não estava lá, e isso a fez se sentar na cama e se perguntar para onde ele havia ido.
Sua pergunta logo foi respondida quando o passar pela porta segurando duas canecas com um líquido quente dentro, ela percebeu isso por conta da fumaça que se misturava com o ar frio do quarto. Ele usava sua cueca box preta e também parecia ter acordado recentemente. Um sorriso leve se formou no rosto dela e James não pode deixar de retribuir com um sorriso mais aberto, se sentando ao lado dela na cama e lhe entregando a caneca, que agora ela sabia que continha café fresco.
– Dormiu bem? — perguntou ele, acariciando o rosto dela.
– Sim, eu precisava mesmo de uma boa noite de sono — ela sorriu e bebeu um gole do seu café, o vendo fazer o mesmo. Depois de dar o segundo gole, a ruiva colocou a caneca sobre a mesa, logo se virando para encarar os olhos dele. Havia algo de familiar neles, no entanto ela só havia percebido isso na noite anterior.
– O quê foi? — perguntou ele, sorrindo ao perceber que ela encarava seus olhos com muita atenção.
– Eu acho que já vi esses olhos... Muito tempo atrás — a ruiva se aproximou mais dele, dando um beijo suave em seus lábios.
– Hun, ele era mais bonito do que eu? — perguntou ele, fingindo ciúmes e dando uma leve risada. Natasha riu suavemente e se sentou no colo dele, pegando sua caneca e a colocando sobre a mesa ao lado da sua.
– Não me lembro, acho que deve ser coisa da minha cabeça...
– Nós já nos vimos antes, na sala vermelha — disse ele, acariciando as costas dela enquanto olhava em seus olhos.
– Não, naquela sala eu vi o Winter Soldier, esse seu olhar é bem diferente do dele. Mas você não é o meu primeiro namorado, James — ela riu, provocando-o e lhe dando um beijo lento e demorado, para depois afastar um pouco seus rostos.
– Eu sei disso. Todos devem ter tido um bom motivo para deixar você escapar — o soldado riu e beijou o pescoço dela. Ao ouvir isso, o sorriso dela se tornou uma expressão séria.
– Então você também deve ter um bom motivo, não é? — ele levantou o rosto, vendo o olhar triste de Natasha sobre si. Isso o fez suspirar e colocar suas mãos na cintura dela, a tirando de seu colo e a colocando ao seu lado.
– Eu tenho... — Bucky respirou fundo e olhou para o chão, depois para ela novamente. — Se nós ficarmos juntos, uma hora alguém vai descobrir, vão voltar a me procurar e consequentemente vão atrás de você. Eu não quero ser um peso na sua vida, Nat, se eu ficar não sei se vou poder controlar o Winter Soldier. O que houve na SHIELD ontem foi algo que pode se repetir, e se eu te machucar... — ele parou por um segundo e segurou a mão dela. — É melhor, para nós dois, se eu desaparecer, pelo menos até a poeira baixar e todos estiverem certos de que estou morto.
Natasha sabia que ele ia dizer aquilo, e por mais que já tivesse se preparando psicologicamente para essa notícia, seu coração não conseguia aceitar aquilo. Ela sentiu uma leve pontada na cabeça, mas ignorou, se esforçando para não começar a chorar. Desde o acidente na base da Hidra, ela estava com problemas para controlar suas emoções, pois agora que as havia deixado sair, depois de guardá-las por tanto tempo, era difícil coloca-las para dentro novamente.
– Natalia, isso não é um adeus — disse ele em russo, chamando a atenção dela.
– Eu sei disso — respondeu ela, também em russo e o abraçou com força. Quando fechou os olhos, as lágrimas caíram quase que automaticamente. Ao sentir algo quente escorrendo por suas costas, Bucky a segurou com mais força contra seu corpo e afundou a cabeça entre os cabelos ruivos dela, percebendo que também estava chorando. — Não sou muito boa com despedidas...
– Nem eu... — ele se afastou dela, usando sua mão direita para secar as lágrimas nas bochechas macias dela.
– Então, não me deixa te ver saindo. Eu não quero vê-lo ir embora — a ruiva colocou a mão na lateral do rosto dele, acariciando seu polegar sobre suas bochechas. Bucky apenas assentiu com a cabeça e a beijou, como se aquele fosse o último beijo que daria em sua vida.
Quando o beijo terminou, ele esperou algumas horas até que ela caísse no sono mais uma vez e foi embora, mesmo que aquilo tivesse sido a coisa mais difícil de sua vida. Natasha dormia profundamente, mas já havia percebido que ele não estava mais lá, fazendo o sonho que ela tinha naquele momento se tornar um pesadelo.
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