Amor Soviético

17 Бонус главе/Capítulo bônus - Red Love


Notas iniciais
Olá, Chegamos ao fim :( Mas eu escrevi esse capítulo especialmente para vocês, queridos leitores. Sabem, eu tive um estimulo para começar essa fic, já planejava ela um pouco antes de assistir o filme do Capitão América: Soldado Invernal, eu já tinha o começo planejado, mas se eu colocasse o começo no primeiro capítulo, seria óbvio demais e acabaria com toda a magia e o suspense da fic, então eu resolvi colocar o começo no fim, vocês entenderam?? Não? Ah, tudo bem, vocês vão entender. Aproveitem!

Flashback On

Rússia, 1989 — Base principal da KGB (Todas as conversas se passam em russo)

Aquilo queimava. Ela sentia o líquido quente percorrer suas veias como se rasgasse cada centímetro do seu corpo. Seus olhos estavam fechados, mas isso não fazia a dor parar. Suas mãos, presas na cadeira de metal, lutavam para se libertar, porém era um esforço inútil. Quando sentiu a queimação diminuir, pensou que estava morta, até que conseguiu abrir os olhos, sua respiração ofegante e seu corpo completamente dolorido.

– Ela sobreviveu — disse um dos cientistas, desamarrando as mãos da ruiva da cadeira.

– Ótimo, amanhã vamos começar a próxima fase — disse o comandante, que estava ao lado da porta.

– Qual é a próxima fase? — perguntou Natalia, se levantando e podendo sentir-se mais forte.

– Você vai ter que se infiltrar nos Estados Unidos para sabotar os planos americanos, mas para isso você precisa treinar e aprender a falar como eles — respondeu o comandante.

A ruiva assentiu e deixou a sala, indo para o seu dormitório que ficava no corredor sul. Ela se perguntava quem iria treina-la, mas o mais importante, o que esse soro que haviam injetado nela faria com seu corpo. As imagens da sala vermelha ainda passavam por sua mente, via seus amigos morrerem pelas mãos daquele homem, que também havia tentado lhe matar. Ela se perguntava o que havia acontecido com ele, contudo, não queria vê-lo tão cedo.

No dia seguinte, guardas foram ao quarto dela para levá-la ao seu primeiro dia de treinamento, e a ruiva foi de bom grado, afinal, não podia simplesmente dizer que não queria ir, pois ainda estava traumatizada com a morte das pessoas que eram consideradas os mais próximo que ela tinha de família.

– Agente Romanova, acho que você já conhece o seu treinador — o comandante apontou para o outro lado da sala. A atenção da ruiva se voltou para o homem alto de cabelos castanhos com um braço de metal, o mesmo que assombrava seus pensamentos desde a sala vermelha.

– Você... — sussurrou ela, entredentes, e correndo na direção dele, lhe dando um soco no rosto, que havia sido mais forte dos que ela havia dado antes, pois agora estava mais forte por conta do soro. Quando a ruiva tentou desferir outro golpe nele, Winter Soldier segurou sua mão e virou o corpo dela, fazendo seu braço ficar em suas costas e a jogando no chão.

Natalia respirou fundo e envolveu sua perna na dele, jogando-o no chão e envolvendo suas duas pernas ao redor da garganta do soldado. Ele segurou a perna da ruiva com sua mão biônica e começou a apertá-la, fazendo Natalia gritar de dor.

– Parem! — gritou o comandante. Winter Soldier soltou a perna da ruiva, e ela desenrolou suas pernas do pescoço dele, os dois então se levantaram. — Vocês não são crianças, não quero mais saber de brigas.

– Eu me recuso a treinar com ele — disse Natalia, olhando com desgosto para Winter Soldier. Ele também não parecia nada afim de fazer qualquer coisa com ela, pois ainda estava com raiva por ter sido derrotado por alguém que ele considerava inferior.

– São ordens, agente — esbravejou o comandante, então virou as costas para ela e andou na direção da porta. — Só vão sair daqui após três horas de treinamento.

Natalia quis argumentar, mas não o fez, sabia que perderia a discussão. Quando entrou para a KGB aceitou servir ao seu país, mesmo que para isso precisasse fazer coisas contra a sua vontade. Ela olhou para Winter Soldier, que também olhou para ela e então andou para perto de um armário que ficava ao lado da porta. Ele pegou duas luvas pretas e jogou na direção dela, que as segurou antes que caíssem no chão.

– Comece com o saco de areia — disse ele, se aproximando dela novamente. A ruiva pode notar um certo sotaque na voz dele, o que indicava que ele não era realmente russo. Ela não queria ter que receber ordens dele, queria matá-lo, mas se contentaria em espancá-lo durante os treinos.

§

Ela se sentou no chão com as costas na parede, o suor escorria de sua testa até o seu queixo e pingava em seu peito. A ruiva respirava pesadamente, querendo apenas dormir após mais uma sessão de treinamento com ele. Na opinião dela, aquele homem era maluco, a fazia treinar três horas sem descanso. Mesmo após dois meses, ela ainda não havia se acostumado com a intensidade do treinamento.

Por algum motivo, Natalia não conseguia mais nutrir aquele ódio que sentia por ele. Parecia que após tanto tempo, e depois de treinar até seus ossos quase se partirem, ela percebeu que não ganharia nada matando ele. A ruiva o viu passar na sua frente, ele estava sem camisa e segurava uma garrafa d'água, que estendeu na direção dela. Natalia ficou olhando para a garrafa como se aquilo fosse a coisa mais estranha do mundo e se perguntando por que ele estava fazendo aquilo.

– Sem água você vai desidratar até morrer, eles precisam de você viva — disse o soldado, então a ruiva pegou a garrafa da mão dele e o viu se afastar, indo na direção dos armários e recarregando suas armas. Ela abriu a garrafa e bebeu rapidamente, sentindo o líquido gelado passar direto por sua garganta. Enquanto bebia a água, ela se virou para o lado, vendo que Winter Soldier estava de costas para ela, e observando com cada músculo do corpo dele era bem definido, se perguntando se ele era mesmo um homem ou uma máquina. Na lateral do seu corpo ela podia ver o local onde ela havia cravado a faca, parecendo que já havia se curado quase que totalmente.

Natalia se levantou e andou na direção dele, vendo-o olhar para ela por cima de seu ombro.

– Obrigada — disse ela, entregando estendendo a garrafa vazia na direção dele. O soldado se virou para a ruiva com uma expressão de dúvida.

– O quê?

– Obrigada — repetiu, não entendendo o por quê de ele parecer confuso.

– O que isso significa? — agora ela entendia, ele não sabia o significado da palavra em russo, porém isso era algo básico, qualquer um que aprendesse russo saberia dizer "obrigado".

– Estou agradecendo, porque você fez algo para me ajudar — explicou, vendo-o pegar a garrafa de suas mãos. — Você não aprendeu isso?

– Ninguém me ensinou essa palavra — ele se virou novamente e colocou a garrafa no armário, fechando a porta e se virando para ela. Natalia não sabia por que queria continuar a conversa, talvez o motivo era o fato de ela não conversar com ninguém à meses.

– Ouvi eles lhe chamarem de Winter Soldier, mas isso não parece ser seu nome... — ela tentou puxar mais assunto, só que ele não estava com disposição para conversar com ela, pois ainda estava com raiva da ruiva por tê-lo derrotado.

– Eu não me lembro do meu nome — disse ele, friamente, então andou para longe dela. — Eu não me lembro de nada...

A última frase saiu como um sussurro, mas Natalia ouviu e se perguntou como e por que a KGB precisaria dele, o soldado parecia confuso, apesar de ser forte e um ótimo treinador de combate corpo-a-corpo. Ela resolveu tentar descobrir mais sobre o Winter Soldier.

Naquela noite, ela esperou a maioria dos agentes saírem de seus postos para irem dormir, enquanto os guardas noturnos ficavam de vigia pela base. Por não serem muitos, a ruiva conseguiu passar por eles sem ser notada, mas ao chegar a sala de arquivos, viu dois deles conversando na porta, impossibilitando sua entrada. Ela pegou dois pequenos dispositivos circulares em seu cinto e os jogou no chão, vendo-os deslizar até os pés dos guardas e liberar uma corrente elétrica tão forte que os fez desmaiar.

Ela correu até a porta e entrou na pequena sala, vasculhando todos os arquivos até encontrar um com o nome "Projeto Winter Soldier" na capa. A ruiva abriu a pasta e logo se deparou com algumas fotos bizarras.

– Minha Nossa... — ela começou a ler o que dizia sobre ele e ficou realmente chocada. Assim como ela, o soldado também estava sendo usado como se fosse uma máquina descartável. Isso a deixava indignada, pois o que eles haviam obrigado ela a fazer não se comparava ao que havia feito com ele.

Natalia pegou todos os arquivos sobre ele e saiu da pequena sala, indo para o quarto onde sabia que ele dormia. Ela bateu na porta algumas vezes antes que ele abrisse a porta, parecendo ter acabado de acordar, o que não era surpresa.

– O quê você quer? — perguntou ele, tentando não parecer tão cansado.

– James Buchanan Barnes, esse é o seu nome — disse ela. Ao ouvir isso, o soldado arregalou os olhos e deu um passo para trás. — Não devia ter feito isso, mas agora que fiz, sei pelo que você passou... Acho que é hora de você também saber — ela estendeu a pasta com os arquivos para ele, que hesitou, mas pegou os arquivos e começou a lê-los, entrando no quarto e se sentando na cama enquanto fazia isso. Natalia entrou logo atrás dele e fechou a porta, para que ninguém os visse.

O soldado lia atentamente cada parágrafo dos papéis;

"Sargento James Buchanan Barnes, forças americanas.

Encontrado, vivo, no meio da floresta por pelo russo Vasily Geral Karpov. Ele perdeu o braço esquerdo após uma misteriosa queda, porém o membro logo foi substituído por uma prótese biônica. Ao acordar, Barnes não se lembrou de sua identidade, dando uma oportunidade para Karpov reprogramar sua mente e transformá-lo em um agente especial da Hidra, chamando-o de Winter Soldier.

Sua implantação de memória causou instabilidade mental, então ele deve ser mantido em imobilismo entre as missões para impedir a rebelião..."

Ele parou de ler e ergueu os olhos para Natalia, que estava parada na frente dele segurando algumas fotos.

– Eu não sei se vai querer ver isso... — disse ela, receosa, pois as fotos eram realmente perturbadoras.

James se levantou e pensou um pouco, mas ergueu a mão para que ela lhe entregasse as fotos. A ruiva levou alguns segundos porém o fez, só naquele momento notando que mais uma vez ele estava sem camisa e usando uma calça preta. O soldado começou a olhar as fotos, em uma delas seu braço já havia sido completamente e ele estava desacordado, na outra ele estava dentro de um tanque congelado. Essas lembranças começavam a voltar lentamente, mas ele não conseguia se lembrar de nada sobre sua vida antes de tudo isso.

– Eu não sabia que eles haviam manipulado sua memória, James — disse ela, colocando a mão em seu ombro, mas ele deu um passo para trás, se afastando dela.

– Saia... — disse ele, virando as costas para a ruiva. — Saia, agora! — dessa vez ele gritou, e Natalia resolveu não irritá-lo mais. Ela virou as costas e deixou o quarto, indo para o seu. Agora ela não sentia mais raiva dele, mas sim pena, pois tudo o que ele havia passado havia sido dez vezes pior do que ela poderia imaginar. Não fora culpa dele, mas sim dessa "Hidra", da qual ela nunca ouvira falar. Talvez a KGB estivesse escondendo mais segredos do que ela imaginava.

§

– Não tente vencer usando as mãos, você é melhor com as pernas — disse ele, surpreendendo a ruiva, pois ele não falava com ela a dias, desde que havia lhe contado sobre seu passado.

– O quê sugere que eu faça? — perguntou, tirando as luvas que usava e a jogando no chão.

– Tente se defender dos meus golpes usando as pernas, assim vai deixá-las tão fortes quanto seus braços — disse ele, e sem esperar por uma resposta, tentou dar um soco certeiro no rosto dela, mas a ruiva levantou sua perna a uma velocidade incomum e defendeu o golpe dele com um chute. O soldado tentou desferir um cruzado de esquerda com sua mão biônica e ela deu um chute circular no braço dele, fazendo-o quase ser jogado para o lado.

Quando ele tentou dar um soco e Natalia ia novamente defender, James conseguiu segurar sua perna e a empurrou para o chão, fazendo um barulho alto e oco no piso de madeira coberta por um fino tatame.

– Ficou previsível — disse, vendo-a se levantar. Ela deu um leve sorriso, então colocou uma das mãos no chão, levantando as duas pernas como se fosse dar uma "estrela", mas ao invés disso, ela envolveu as pernas ao redor do pescoço dele e o fez cair com força de costas no chão. Suas duas mãos seguravam o braço dele, então o soldado percebeu que estava completamente imobilizado.

– Previu essa? — ela sorriu e então o soltou, se levantando. Ele passou a mão no pescoço e deu um rápido e leve sorriso, que não passou despercebido por Natalia.

Depois de algumas sessões de treinamento, ele passava mais duas horas tentando ensinar inglês para ela, pois seus superiores diziam que Natalia estava sendo treinada para uma missão infiltrada nos Estados Unidos. Ela era péssima falando outra língua, mas ele percebia que era uma pessoa esforçada e queria mesmo aprender inglês para poder fazer seu trabalho sem erros.

§

A ruiva treinava todos os dias, três horas por dia, mal percebendo que já haviam se passado quatro meses desde que começara. Ela se sentia mais fisicamente preparada para qualquer coisa, e o soro que lhe dava mais força e resistência também ajudava. Com o tempo, James começou a conversar com ela de vez em quando, e Natalia não reclamava, pois ele era a única pessoa com quem ela podia conversar dentro da base.

Ele ainda estava confuso com tudo o que havia descoberto sobre seu passado, contudo não conseguia se lembrar de sua vida, sua família, seus amigos, tudo parecia ter sido arrancado de sua mente. Antes ele apenas seguia ordens, como se fosse uma máquina, mas quando conversava com Natalia, sentia-se mais humano. Ela não o tratava como um monstro como os outros, nem tentava manipulá-lo para que matasse.

O soldado havia levado a ruiva para o alto de um prédio no centro da cidade, a neve cobria todo o telhado e ela podia ver o lago congelado próximo a base da KGB do outro lado da cidade. Ela usava uma calça e uma blusa pretas, sem casaco. Estava quase congelando, mas precisava se acostumar com o frio. Seus olhos se voltaram para James, que parecia não se importar com a temperatura negativa.

– Faça o que eu fizer — disse ele, vendo-a assentir e então correu até a borda do prédio, pulando direto para o outro, dando um um rolamento e caindo de pé. A ruiva olhou bem para a altura do prédio, que devia ter mais de vinte andares, e para a distância que ele havia saltado. Ninguém normal faria aquilo, ela mesma estava com medo de cair, mas ele não pareceu sentir nenhuma pontada de medo.

Natalia respirou fundo e andou até a outra borda, se preparando para pular. Ela então correu o mais rápido que pode, tentando não escorregar na neve, até a outra borda, e fechou os olhos no momento em que pulou para caso morresse, não visse. Ela sentiu seu pé esquerdo tocar o chão, fazendo-a dar um rolamento e ficar de pé, mas a ruiva bateu em algo que parecia uma parede. Ela percebeu que não era uma parede quando se desequilibrou e quase caiu para trás, sentindo uma mão em suas costas a empurrar para frente. A ruiva abriu os olhos e viu estar cara a cara com o soldado, que estava sério, enquanto ela tremia por causa do frio.

– Vamos para o próximo — disse ele, se afastando dela e andando até a outra borda.

– Até quando vamos fazer isso? — perguntou ela, andando atrás dele.

– Até você perder o medo — dizendo isso, James saltou para o outro telhado, esperando-a fazer o mesmo.

– Vou morrer antes de perder o medo — sussurrou a ruiva, bufando de raiva e pulando logo atrás dele.

Após pular de vários prédio, e algumas vezes quase cair, Natalia havia mesmo perdido o medo, na verdade ela havia começado a gostar de pular de prédios. E enquanto faziam isso, a adrenalina dentro deles aumentou, fazendo seus corpos ficarem aquecidos.

Quando voltaram para a base, Natalia não estava com tanto frio, mas sua pele parecia feita de porcelana congelada. Eles foram para a sala de treinamento, onde havia um grande vestiário cercado por armários de metal.

– Você fala inglês muito bem — disse ela, em inglês, pois precisava treinar. Ela abriu seu armário e pegou uma garrafa d'água que havia dentro dele. — É americano?

– Eu não me lembro de onde vim — respondeu, apoiando as costas no armário que estava atrás dela.

– Ah, me esqueci que você não tem memória... Me desculpe por tocar no assunto — ela olhou para trás, vendo-o encarar o vazio, como se estivesse pensando.

– Tudo bem, não faz diferença — ele voltou seus olhos para ela e os dois se encararam em silêncio por alguns segundos. — O que aconteceu na sala vermelha... Eles me mandaram matar todos vocês, sem piedade. Não sabia o por quê, mas não poderia descumprir uma ordem deles.

A ruiva sentiu um nó se formar em sua garganta ao ouvi-lo falar sobre aquela sala novamente. Ela se virou, encarando o armário aberta na sua frente sem saber o que responder.

– Tudo bem, muitos já tentaram me matar. Não sou uma pessoa que guarda ressentimento — Natalia se virou para ele. — Sei que você não fez por mal, estava seguindo ordens assim como nós. Se tenho que culpar alguém, culparei os diretores da KGB e dessa tal de Hidra que fez isso com você.

O soldado ficou em silêncio ao ouvir no nome "Hidra", escondendo a raiva que sentia por eles terem-no transformado em um monstro.

– Obrigado por ter me ajudado a saber como me tornei o que sou hoje — disse ele, surpreendendo a ruiva ao agradecê-la.

– Acho que ninguém merece viver com a mente em branco. Vou fazer o possível para te ajudar a descobrir mais sobre o seu passado — ela lhe lançou um sorriso suave e se virou, ficando de costas para ele e de frente para o armário.

James, assim como Natalia, não podia deixar de admitir que ela era o mais próximo de amiga que ele tinha naquele lugar. Ambos não tiveram escolha, foram obrigados a se tornarem assassinos, não tiveram a chance de ter uma vida normal. Ela entendia a dor dele, e ele a dela, isso fez com que os dois criassem um tipo de ligação, ainda fraca, mas que com o tempo poderia se fortalecer.

– No próximo mês faremos treinamento em campo — disse o soldado, andando para fora do vestiário.

– Mal posso esperar — disse ela, antes que James saísse da sala.

§

Chovia muito naquela noite em Paris, mas as pessoas insistiam em andar pelas ruas. Perto do Rio Sena, James e Natalia observavam um barco, quase um Iate particular, que ia na direção da ponte em que eles estavam. A ruiva segurava um binóculo enquanto ele segurava o grande guarda-chuva preto sobre eles para que não se molhassem.

– Ele está no barco, terceiro andar perto de uma mulher de cabelos loiros. O cara gordo com terno bem caro e segurando uma taça de vinho — disse ela, entregando o binóculo para ele, que deu o guarda-chuva para ela e pegou sua arma, olhando por alguns segundos antes de atirar e acertar a cabeça do homem.

– Pronto — disse ele, jogando a arma e o binóculo na água e olhando para ela. — Vamos.

Ele envolveu o braço ao redor do ombro dela e os dois andaram calmamente na direção de Notre Dame. Eles estavam vestidos com civis, ele com uma calça jeans, uma blusa preta e uma jaqueta de couro, enquanto ela usava um vestido preto e sapatos de salto, não recomendados em um dia de chuva. Ela notou que ele havia cortado o cabelo, o deixando um pouco menor do que era antes, mas não comentou nada.

Naquela missão, o disfarce deles era como um casal, se dissessem para eles fazerem isso cinco meses antes, teriam atirado um no outro, no entanto, agora, eles não se importavam, nem sentiam mais raiva um do outro.

– Não está com frio? — perguntou ele, olhando para ela.

– O frio daqui não se compara ao da Rússia — ela sorriu e envolveu seu braço na cintura dele, aproximando seus corpos para ficar totalmente debaixo do guarda-chuva.

– Frio e chuva não combinam comigo — disse ele, dando um meio sorriso.

– Sério? Então não deviam te chamar de Winter Soldier, não acha? — a ruiva parou de andar, vendo-o fazer o mesmo. — Eu amo a chuva, não chove muito na Rússia, lá é neve o tempo todo. Eu gosto de sentir o cheiro e sentir as gotas na minha pele.

Ela sorriu e deu um passo para trás, saindo de baixo do guarda-chuva e sentindo a chuva molhar seu rosto e seus longos cabelos ruivos. Naquele momento, não ventava tanto, mas a chuva caía com mais intensidade e a deixou praticamente encharcada em alguns segundos. James sorriu e soltou o guarda chuva, deixando as gotas grossas tocarem sua pele e se aproximando da ruiva.

– Você é uma das poucas pessoas que conseguem me surpreender — ele sorriu e a viu se aproximar um pouco mais.

– Você fala isso como se fosse algo ruim — ela sorriu enquanto olhava nos olhos dele, que naquele momento tinham um brilho diferente. Não era o mesmo olhar que ela havia visto na sala vermelha, agora ele parecia outra pessoa.

– Acredite, não é — o soldado havia se perdido enquanto encarava os dois topázios brilhantes que eram os olhos dela. Ele não conhecia aquela sensação boa que sentia quando estava com ela, era algo bom, porém estranho para ele, pois alguns meses antes ambos queriam matar um ao outro.

Natalia e James ficaram se encarando no meio da chuva, um pouco incertos do que fazer a seguir, então ele posicionou sua mão biônica na cintura dela, que ao vê-lo fazer isso envolveu um braço ao redor do pescoço dele enquanto sua outra mão descansava no peito forte do soldado.

Ele a viu se aproximar, sentindo o hálito doce da ruiva contra seu rosto molhado pela chuva. Ela inclinou o rosto levemente para o lado, não o beijando, mas deixando que seus lábios se tocassem, sentindo a textura macia dos lábios deles. James fechou os olhos sentindo a boca dela colada na sua, seus corpos se tocando e a chuva caindo sobre eles, aquilo o fez sentir algo queimar em seu peito.

James começou a mover os lábios lentamente, assim como ela, aprofundando o beijo a cada movimento, ambos provando do gosto um do outro, sem mais se importar com a chuva. Eles não percebiam o tempo passar e a cada segundo eles intensificavam mais o beijo. Quando se separaram, os lábios, antes frios, dos dois estavam quentes e levemente avermelhados, ao abrirem os olhos, viram que apesar de o beijo ter acabado, seus corpos ainda se tocavam.

– Não devíamos fazer isso... Eles vão no matar — disse ele, acariciando o rosto dela com sua mão direita.

– Eu gosto de me arriscar — ela sorriu e o puxou para perto novamente, o beijando de forma mais voraz e ardente, e ele não hesitou em corresponder o beijo da mesma forma.

§

James andava pela sala de treinamento com um saco de areia nas costas, se preparando para prendê-lo no teto. O soldado pegou a corrente que estava no chão e a prendeu na parte de cima do saco, mas antes que o prendesse, sentiu como se levasse um chute nas costas e caiu no chão de barriga para baixo, percebendo que alguém estava em cima dele.

– Ataque surpresa — ele sorriu ao ouvir a voz de Natalia, que usava as mãos para empurrar suas costas e mantê-lo no chão. — Se fosse de verdade, você estaria morto — ela sorriu e saiu de cima dele, ficando ao seu lado.

– Eu já disse que você não está mais tão previsível, pode parar de me atacar do nada — o soldado tentou se levantar, mas ela o empurrou novamente no chão, dessa vez olhando para ela enquanto a ruiva ficava por cima dele.

– Gosto de ver você indefeso — ela riu e se inclinou para baixo, dando um beijo suave em seus lábios.

Em um rápido movimento, James inverteu as posições e ficou por cima dela, segurando um de seus braços para cima.

– Quem está indefeso agora? — ele sorriu e ela fez o mesmo.

– Com certeza não é a garota que pegou sua arma e está com ela apontada para o seu peito — disse a ruiva, e só então ele viu que ela havia pego a arma em seu coldre e a apontava para o seu peito.

– Atiraria em mim? — ele sorriu com o canto dos lábios e abaixou o rosto, beijando o queixo dela e descendo para o seu pescoço. A ruiva fechou os olhos e jogou a arma no chão, usando sua mão livre para puxar o rosto dele para cima e beijá-lo de forma intensa.

James se levantou, puxando-a consigo e fazendo-a se sentar em seu colo enquanto se beijavam. Eles pararam quando ouviram um apito irritante vindo do bolso dele, então o soldado pegou o pequeno aparelho e viu uma mensagem dizendo sua próxima missão. James suspirou pesadamente e Natalia acariciou seu rosto com a ponta dos dedos.

– O que foi? — perguntou, vendo irritação nos olhos dele.

– Eu não quero mais fazer isso, já casei de matar pessoas que nunca fizeram mal para mim, muitos nunca fizeram mal a ninguém... — ele suspirou.

– O que aconteceu com o Winter Soldier, o assassino sanguinário que eu conheci meses atrás? — ela deitou a cabeça no ombro dele, ainda olhando para seu rosto.

– Ele desaparece quando estou com você — respondeu, ela notou o tom de sinceridade em sua voz, então levantou o rosto e o beijou, dessa vez mais terna e delicadamente.

– Então ele nunca mais vai precisar voltar... — sussurrou ela, o abraçando com força. James a abraçou de volta, passando sua mão biônica por entre os fios de cabelo longos e ruivos dela.

(...) — O que isso significa?! — gritou o comandante, dando um soco na mesa enquanto olhava para o monitor do computador que mostravam as filmagens das câmeras de segurança da sala de treinamento.

– Parece que eles estão tendo um caso — respondeu Zola, calmamente.

– Não vou permitir que percamos alguém como o Winter Soldier por causa de um amor bobo e ridículo! Separem-nos agora — ordenou, porém Zola interviu.

– Ele são mais espertos do que pensa, se os separar vão arranjar um jeito de voltarem a ficar juntos.

– O que sugere que façamos, então? Ele se recusa a fazer missões por causa dela! — gritou o comandante, claramente frustrado e aborrecido.

– O que fazer quando ele começa a criar uma consciência; Apague sua memória e congele-o — disse o cientista.

– E a agente Romanova? — perguntou, não achando a ideia ruim.

– Deixe que eu me encarrego dela.

(...)

– Desculpe, quem você disse que era mesmo? — perguntou a ruiva enquanto andava ao lado de um homem relativamente baixo que usava óculos e um jaleco branco.

– Arnim Zola, cientista da Hidra — respondeu, e Natalia parou de andar bruscamente ao ouvir aquele nome.
– Hidra?

– Sim, uma agência de espionagem que fez uma parceria com a KGB para derrotar os Estados Unidos. Fique calma, você trabalha para nós também, então nada vai acontecer com você — disse ele, continuando a andar.

A ruiva não sabia dessa parceria, devia ser por isso que James estava trabalhando junto com ela. Romanova queria entender melhor essa história, então optou por seguir Zola até uma grande porta no fim do corredor.

– Por que me trouxe aqui? — perguntou ela, vendo-o abrir a porta e entrar.

– Quero que veja uma coisa — disse ele, fazendo sinal para que ela entrasse também. Quando colocou os pés na sala, sentiu que o local era muito frio, mas não importou com isso. Ela olhou em volta e ficou paralisada ao ver uma câmara presa a parede, havia gelo cobrindo o vidro, mas ela pode ver que James estava congelado dentro da câmara.

– Meu Deus... — ela levou as mãos até a boca como se não acreditasse que aquilo era verdade. Seus olhos se encheram de lágrimas e ela sentiu um aperto no peito, como se seu coração estivesse congelado. — O que vocês fizeram com ele...?

A ruiva andou lentamente na direção da câmara e tocou no vidro, sentindo as lágrimas escorrerem por seus olhos. Ela deu um soco forte no vidro, tentando quebrá-lo, porém o máximo que conseguiu foi rachá-lo.

– Se quebrar o vidro ele morrerá, para descongelá-lo é preciso um processo especial — disse Zola, ficando ao lado dela.

– Tire-o daí agora! — gritou ela, segurando o cientista pela gola da camisa e o empurrando contra a parede mais próxima.

– Você segue minhas ordens, agente. Não vai rever seu namorado tão cedo, e se o descongelássemos agora ele não se lembraria de você.

– Isso é mentira! — gritou, dando um soco no rosto dele e o deixando cair no chão. Nesse momento, dois agentes entraram e atiraram um dardo nela, isso fez a ruiva se sentir tonta e cair no chão de joelhos.

– Apaguem a memória dela! — disse Zola, com raiva.

– Mas e o treinamento? Passou por tudo isso para nada!? — disse um dos agentes, segurando-a pelo braço.

– Não, idiota! Apague todas as lembranças dela sobre James Barnes, faça-a vê-lo como o inimigo, mas deixe o treinamento em sua mente. Ela não precisa aber de onde ele veio, só que trabalha para a Hidra agora.

– Sim, senhor — disse o outro agente, levando Natalia para fora da sala. A visão dela estava turva, seus membros estavam moles e era inúteis naquele momento, por mais que ela tentasse resistir, não conseguia. Eles a colocaram sentada em uma cadeira e cobriram sua cabeça com um tipo de capacete, isso foi a última coisa que ela viu antes de desmaiar.

Flashback Off

Natasha acordou com a respiração ofegante e suando frio. Seus olhos estavam arregalados e sua cabeça doía de uma forma que nunca doera antes. Ela tentou dizer alguma coisa, mas parecia ter engasgado com as palavras, sua mente girava em parar e seu corpo não obedecia aos comandos do seu cérebro.

Ela pensou que aquilo havia sido um sonho, contudo, todas as lembranças estavam claras em sua mente; Cada cheiro, cada voz, cada noite que havia passado com Bucky, tudo havia voltado de uma vez. Ela caiu da cama em uma tentativa fracassada de andar, seus lábios se moviam, mas nenhuma palavra saia.

– James... — ela conseguiu sussurrar, mas ele não estava lá. Mesmo após terem se passado três meses desde que ele se fora, ela ainda não havia se acostumado com sua ausência. Ela se levantou rapidamente e vestiu suas roupas. Após recuperar todas essas lembranças perdias, Natasha sentia que seu amor por ele havia, simplesmente, aumentado dez vezes, ela não se importava se os agentes da SHIELD aprovassem ou não, ela iria encontra-lo e trazê-lo de volta.

Notas finais
Se vocês perceberem a Nat começou a agir de forma diferente, e a se lembrar de coisas que ela nunca havia se lembrado antes, logo que pensou que Bucky havia morrido. As lembranças sobre o passado dela voltaram quando ela o perdeu novamente, entenderam? A verdadeira história dela com o Winter Soldier foi mais ou menos assim, pensei que seria legal escrever sobre o passado deles juntos, porque eles (na minha opinião) não tiveram muito tempo para ficar juntos nessa fic. Ah, e eu comecei uma fic nova, para quem estiver interessado: http://fanfiction.com.br/historia/514958/Fairest/ Obrigada mais uma vez por terem acompanhado a minha fic! Goodbye, soldiers ;)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!