Amor Sombrio

1 Capítulo 1: Conter a tentação tem suas recompesas


Eu tenho o mesmo sonho todas as noites, um raio corta os céus e começa a vim a gravidade quase zero e me puxa para o espaço, em vez de ver planetas e astros celestes, vejo apenas sombras negras e roxas, que brilhavam com uma luz intensa que emanavam de seu interior, eu nunca senti medo quando flutuava por essa escuridão, sozinho e esperançoso, quase completo, mas quando chego perto de ser feliz, seguro e qualquer coisa boa de um ser normal e sem traumas, tudo enegrece, aí eu morro. Só sei que quando acordo, não consigo me esquecer dos sonhos, mesmo que cada um seja idêntico ao outro, o sentimento que sinto a cada "jornada" é diferente, só que nenhum deles foi negativo como minha vida acordada.

–Eu estou sofrendo muito, não tenho ninguém, não gosto daqui, assim como nada gosta de mim, chega até ser difícil de respirar! — falei de um jeito quase forçado pois nem queria sequer falar, e passei por tanta coisa que já perdi a vontade de chorar.

–Cara não fica assim! Eu te amo muito! E vou te ajudar! Vamos superar essa juntos — Charlie meu irmão mais velho falou para mim quase chorando, ele realmente se importa muito comigo, eu não deveria dizer essas coisas para ele, eu não me importo do meu comportamento auto destrutivo está me matando, mas tá matando ele também.

–Também te amo muito cara! Você é mesmo meu melhor amigo não só por que é meu irmão, tem irmão que nem se fala ou se gosta, até os dois, sou feliz por não sermos nem um pouco assim! — falei com amor nas palavras afinal é verdade.

–Eu sei que as pessoas pegam pesado com você — ele falou com mais firmeza — mas isso não é motivo para dar as costas para o mundo, abrace ele — ele está certo em cada palavra

–Eu tento sabe? Eu tento e cada vez fica mais difícil de lutar — falei quase como um sussurro — Meus problemas são sérios! Você sabe disso! — falei suspirando

–Eu sei sim! mas..... — ele respirou fundo e soltou — vamos superar isso — ele respirou fundo e soltou de novo — juntos — ele deu um sorriso depois disso, e devo admitir que me sentir melhor -Vamos! — dei um sorriso de aprovação

–Então bora voltar aos velhos tempos? — ele falou entusiasmado — Vídeo games! Meninas! Escola! Passeios! Amigos — ele falou mais entusiasmado ainda

O sentimento de esperança e superação sumiu e tomou forma de desespero e tristeza — Não sei se estou pronto pra isso! Foi mal Charlie, mas eu....... acho que não vai...... dar certo agora — coloquei minha mão no joelho dele e logo ele sentiu minha tristeza, deu para ver nas expressões dele, o que foi estranho, mas sempre acontece, todas as vezes ele é muito compreensivo comigo.

–Desculpe eu me esqueci do que aconteceu! Me perdoa? — ele falou com tristeza presente nas palavras e apesar de não ter tido culpa alguma, ele quis assumir que mexeu em o que eu gostaria de dizer que são águas passadas.

–Suspirei fundo — Tudo Bem! Não tem problema! — Vou dormir boa noite! — falei tentando parecer forte

–Boa noite irmãozinho — ele respondeu triste — Fique bem! — completou ainda mais triste, ele estava tentando e vai tentar mais ainda só que meus problemas tão acabando com ele também me deixando mais triste

Ando pelo estreito corredor, abro a maçaneta da primeira porta, do lado esquerdo bato a porta com força, tiro minha camisa ficando somente de calça, e deito na minha cama. O relógio digital da cabeceira da cama marca 21:58. Tento dormi, cochilo, tudo fica preto, ai eu acordo, muito cansado e debilitado, olho para o relógio digital e marca 03:57 logo marca para 03:58. — Dormi durante 6 horas — pensei — To mais cansado do que nunca! — pensei com raiva

Tento dormi novamente, mas não demora muito e chega uma enorme tristeza que parece sem fim, completada com agonia e desespero sem igual, e sinto uma vontade enorme de me cortar, fico me segurando tentando não pegar a "lâmina casual" mas os desejos de ser cortar, aliviar a dor psíquica, abrir a carne ver o sangue jorrar, sentir que os problemas acabariam fala mais alto, é muito melhor ter uma carne partida do que uma alma, mesmo que o efeito da dor para conter a tristeza sem fim seja passageiro. Meu irmão nunca me deixava sozinho desde que eu me mutilava brutalmente quando tinha 14 anos, depois que eu parei de me corta, e os cortes se tornaram cicatrizes ele parou de analisar meus movimentos e me deixou em paz pensando que eu nunca mais faria, mas nunca pense nunca...... ele vai ficar muito decepcionado se descobrir, se.... mas pelo menos ainda irei estar aqui, bom eu acho.

Me levanto da cama, ainda debilitado pela noite muito mal dormida, ando mancando até minha mesa de estudo que fica em frente da janela, abro a quarta e última gaveta da parte de baixo da mesa, olho atentamente.

–tem muitos papéis aqui — penso

Reviro os amontoados de papéis, até que no fundo encontro a preciosa lâmina, guardada delicadamente em um envelope amarelo. Tento conter o sentimento de se mutilar, mas a loucura é inevitável.

Tiro a lâmina do envelope, ela é fina, afiada pois havia sido comprada noite passada, e pelo meu desespero ela acabaria com ele a partir do momento que introduzida na minha pele.

Abro a porta do meu quarto. Coloco a minha cabeça para fora e olho para ver ser a última porta do estreito corredor estava trancada, e realmente estava, Charlie ainda não havia se levantado, antes de sair olho para o relógio digital, e está marcando 04:23, me apresso e vou em direção ao banheiro, ligo a luz, fecho a porta, antes de me cortar olho para o espelho grande de parede, vejo o meu corpo, todo marcado de pequenas cicatrizes de auto mutilação e penso se valeria pena mais pena me cortar ou me matar de vez.

Guardo a lâmina meio triste e angustiado, mas um pouco feliz, ou quase isso, percebi que cortar minha pele poderia me fazer bem mas o sentimento é passageiro, é melhor enfrentar essa triste vida do que deixar meus problemas marcados na pele.

Saio do banheiro e vou correndo para meu quarto, caio em cima da cama, e desmaio de sono

Acordo em um lugar repleto por nevoas pretas, brancas e azuis escuros, há muitas árvores seca, somente com galhos sem folhas dando aspecto visual assustador, mas mesmo assim eu não sentia medo algum, as montanhas repletas de nevoas brancas, a luz da lua, tudo é amedrontadoramente reconfortante, mesmo sendo minha primeira nesse lugar um tanto "exótico", eu sentia que já o conhecia. Ando pela "vegetação morta" mas bela, como, enquanto ando a nevoa branca que chegava até meus joelhos se dissipavam aos poucos mas mesmo assim não conseguia enxergar os meus pés, eu estou descalço e não sei se onde estou pisando, mas pelo barulho e textura pareciam galhos secos.

Ando mais um pouco, avisto uma pedra, as nevoas que a rodeavam são de um rosa sombrio, e em cima da pedra uma garota, só dava para perceber seus longos cabelos castanhos claros, me aproximei.

–Oi! — falei sem jeito

–Oi! — ela respondeu baixo e em um tom sofrido, mas deu para perceber sua linda voz.

–Vem sempre aqui? — perguntei calmamente

–Toda noite! E quando posso, o tempo todo.... e você? — falou sofridamente mas com tons de felicidade

Não! Essa é a minha primeira vez! — respondi sem jeito

Ela tirou os cabelos do seu rosto e olhou fixamente para mim, dentro dos meus olhos. Não dava para resistir a tanta beleza assim, ela é simplesmente perfeita, tudo nela, seus olhos azuis perfeitos olhando para os meus castanhos escuros sem graça, nossa, o rosto dela é tão delicado, seus lábios são pouco carnudos, suas bochechas rosadas, tudo parece ser perfeitos demais para ser verdade.

Ela saiu da pedra com um sorrisinho malicioso, e pude notar que ela é um pouco mais baixa que eu — Nooossssaaa! Que corpo legal! — ela falou com prazer nas palavras e sua voz ficou delicadamente sedutora.

–De quem? O meu? — respondi sem graça

–Ao menos que esteja vendo outro rapaz sem camisa...... — ela falou tentando ser engraçada, mas não dava para esconder o sofrimento que seu lindo rosto expressava.

Desculpa! — falei sem graça — Não percebi que estava sem camisa — falei mais sem graça ainda

–Tudo bem! — ela falou compreensiva olhando para o meu corpo

–O que foi? — perguntei assustado quando reparei que ela estava analisando todo o meu corpo

–Você não devia ter feito isso! — ela falou triste

–Feito oque? — perguntei

–Se cortar — senti o esforço das palavras delas pareciam um sussurro

–Eu parei já! Não faço mais........ — respondi triste, mais meu sofrimento não voltou

–E por que está sangrando? — ele perguntou segurando em minhas mãos

–Nossa! Nem tinha percebido que estava sangrando! Nem tinha percebido que havia me cortado — falei surpreso, mas enquanto ela segurava as minhas mão, ouve um tipo de choque e aí nos distanciamos um pouco

–Vai ficar tudo bem! — ela falou uns cinco passos longe de mim

Ela passou a mão pelo meu peito, barriga, braços e finalmente voltou a segurar nas minhas mãos, cada toque me deixava mais forte por dentro, e cada toque me deixava feliz

–Pronto, só não faça mais isso! — falou em um tom de exigência

–Tá bom...... mas oque? — surpreso vi que todas as minhas cicatrizes e queimaduras haviam desaparecido e meu corpo voltou ao normal, até meu pequeno corte havia sumido — como fez isso? você é um anjo — falei tentando ser o mais carinhoso possível para não espanta-la

–Tenha certeza de uma coisa — ela levantou o dedo colocou na direção da minha boca mas sem tocar meus lábios — nunca vou ser um anjo — o tom que mesclava o delicado ao sombrio me assustou, mas não por ser assustador, e sim por que realmente eu estava gostando de alguém mesmo que as circunstancias diz que tudo não é real.

–O que foi? eu te assustei? — ela deu um sorrisinho sensual

Eu dei um largo sorriso — Por que? eu não tava procurando um anjo mesmo — nós dois rimos, e apesar de não conhece-la gosto muito dela

–Então tá bom senhor perigoso! — ela ficou um tanto ousada

–Tá bom oque? — perguntei surpreso

–Serei sua amiga! -falou sorrindo com olhos fechados

–Eu não pedi sua amizade! — ela ficou triste — ainda — ela sorriu

Uma explosão de energia subiu aos céus de sombras, depois mais outra e mais outra e parecia que não ia acabar

–Não acredito! — ela falou desesperada — Que foi? — perguntei de imediato

–Vamos nos separar agora! — ela falou mais desesperada ainda

–Vai ficar tudo bem! fica tudo bem no final! — tentei falar contendo minha tristeza que acabará de aparecer

–Não vai ficar não! — ela falou fria e distante

–Oque.... ela colocou delicadamente suas mãos no meu rosto e passou suavemente, ela se aproxima e diz nos meus ouvidos com sua voz doce — nunca se esqueça de mim quando partimos, sempre procure um caminho de volta para..... Shadowland

As explosões ficaram mais violentas, e logo se tornou um raio de energia rosa shock continuo da terra para o céu, nos abraçamos e fomos consumidos pela luz.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.