Amor Solidão

2 DESAMPARO // HARMONIA


O amanhecer amanheceu cantando.

O sol brilha no céu.

O povo amanheceu chorando,

Gritando, xingando, matando, roubando,

Pedindo arrego,

Pedindo sossego.

A terra gemeu.

Chora agoniada a dor do fruto que Deus lhe deu.

O céu penera sua alegria,

Sofre... falta amor.

O povo morre a cada esquina

Com fome, sem fé,

Sem força, esperança de vida.

Desesperançado, se pergunta:

- Que fazem os “deuses” desta Nação?

HARMONIA

Ao primo Aluísio

A lua brilhava.

A noite é criança se amamentando.

Belo!

Eu era fogo. Ardia!

Lareira em chama.

Queimava.

Meus olhos nos seus.

Ingênuos, maliciosos, lua.

Os seus rasgaram minha pele,

Sentiram minhas chamas,

Tocaram meu corpo suavemente.

Manso... seus lábios...

A terra aqueceu.

Corpos em harmonia, recebeu.

Abençoou a chuva toda aquela pureza.

Lua, estrelas... únicas testemunhas.

Beleza natural.

Grilos, cigarras cantavam.

Manhã. Sol.

Flores em botão.

Bom!!... Ai!... Barro molhado na pele, nos pés.

Pequena imensidão harmônica... hino.

O vento acariciava suavemente.

Olhos nos olhos.

Mãos unidas.

Corpos...

Valsa sem música.

Dança harmônica à natureza.

Canções sem letras.

Notas finais
Aqui há dois poemas.