Amor Sem Regras

1 O dia após aquela noite - parte 1


Allan abriu os olhos ao escutar seu celular tocando. Sua vista estava embaçada, sua cabeça doía. Tateou a mesa de cabeceira, até que sentiu seu celular, aproximou-o do rosto e viu que era seu filho que ligava. Não o atendeu, e quando parou de tocar, viu que havia várias ligações do filho. “O que será que houve?” pensou preocupado.

Colocou o celular novamente na mesa de cabeceira e então notou. Aquele móvel não era seu. Olhou para além da mesa, aquele não era o seu quarto. “Meu Deus, eu bebi demais ontem”. Allan suspirou e colocou o rosto sobre o travesseiro. “Tenho que parar de beber desse jeito”.

A cama se mexeu. Allan ficou um pouco confuso, ficou imóvel esperando algo mais acontecer, até que escutou um leve gemido, como se alguém estivesse acordando. Allan levantou a cabeça assustado e olhou para o lado. Seus olhos arregalaram.

Na sua frente estava um homem jovem, tinha menos de trinta. Seus cabelos eram pretos, assim como o de Allan, mas seus olhos eram verdes e os de Allan azuis. Estava com um sorriso bobo no rosto.

— Bom dia, Allan — falou sorrindo.

Allan ficou olhando apavorado para o homem.

— Quem é você?!

O homem levantou a cabeça ofendido.

— Como assim?

“Eu devo estar sonhando. Não! Sonho não. Isto é um pesadelo, só pode!” Allan se levantou da cama e viu que estava apenas com sua cueca. Ele olhou para o chão e viu o resto de suas roupas e as pegou.

— Allan...

— Como você sabe meu nome? Quem é você?

— Sou... Larry.

— Desde quando você me conhece?

— Desde ontem... — Larry levantou-se. Allan pode perceber que eles tinham quase a mesma altura, mas ainda era maior que Larry — Você não lembra?

— Ainda bem que não! — gritou vestindo sua calça.

— Não imaginei que você estivesse tão bêbado, você parecia estar agindo naturalmente.

Larry se aproximou de Allan.

— Não se aproxime! Fique longe de mim, seu gay miserável!

Larry franziu a testa com raiva.

— Olhe aqui, você pode não se lembrar o que aconteceu, mas não coloque a culpa em mim! Você aceitou, eu nunca iria saber que você hetero. E tenha mais respeito ao falar comigo!

— Você me usou!

— Ontem você demonstrou adorar.

— Cale a boca! — falou assustado.

— Certo, certo. Então, vamos conversar. Não tem para que ficarmos gritando aqui.

— Eu não tenho nada para conversar com você. Eu vou apenas esquecer tudo que aconteceu, vou fingir que nada disso aconteceu!

— Allan, por favor — falou magoado.

— Não fale meu nome. Não fale comigo como se fossemos amigos.

Allan terminou de se vestir, pegou o celular e foi na direção da porta.

— Allan, espera. Vamos conversar Allan!

Allan abriu a porta e antes de sair, olhou para Larry.

— Foda-se!

Allan fechou a porta com força e deixou Larry parado no meio do quarto.