Amor Proibido
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Naquela noite, Ágatha entraria na escola, e descobriria tudo.
Aproveitando que a mãe tinha um sono pesado, esperou-a adormecer, preparou sua mochila com algumas coisas (como lanterna, cordas e arames, etc.) que talvez fossem úteis, e saiu. A escola era perto de sua casa.
Estava uma noite nublada, mas clara, Ágatha foi andando até a escola no meio da noite por entre as sombras naquela rua deserta.
Como havia reparado na semana anterior, a janela de uma das salas do segundo andar estava quebrada. Então, esgueirou-se em um galho da árvore próxima e foi subindo assim, de galho em galho. Ao chegar ao galho mais próximo da janela, precisou se equilibrar em pé sobre ele. Por vez, pisou em falso e escorregou, mas logo se levantou e continuou até entrar pela janela.
A parte mais difícil já havia passado, ali dentro ninguém mais a veria. Ágatha colocou a mochila no chão e tirou uma lanterna de dentro. Dirigiu-se até a sala da direção, onde ficavam as fichas dos alunos dentro de um ármario. Logo achou a ficha de Henrico. Levou o envelope fechado para a secretaria e abriu-o lá. Verificou novamente se havia alguém nos corredores, vendo que estava de fato sozinha, fechou a porta e abriu o envelope. Todas as informações de Henrico estavam lá. Ele havia nascido em Beigüi, na Alemanha.
_ Que raio de cidade é essa? _ disse baixinho para si mesma e soltou um risinho.
Quando olhou para a foto em 3x4 de Henrico (aquela em que ninguém, por mais bonito que seja, fica bem) e sorriu, e se lembrou de quando se conheceram. E ainda sorrindo, uma lágrima lhe escorreu de um dos olhos.
_ Ágatha, concentre-se! _ disse para si mesma.
Então, ela, fazendo o mínimo possível de barulho, ligou a copiadora e copiou página por página da ficha de Henrico. Depois disso, desligou a máquina e grampeou as cópias. Guardou as páginas originais de volta no envelope e saiu da sala de secretaria em direção a sala da diretora novamente.
Quando estava no corredor, ouviu ruídos vindos da direção. Assustada, voltou rapidamente para a secretaria e ficou espiando pela porta entreaberta. Foi aí que viu Henrico sair de lá.
O coração de Ágatha acelerou e ela começou a suar frio. Correu para debaixo da escrivaninha mais próxima e ali permaneceu até que os ruídos cessassem. Quando achou que ele já havia ido embora, saiu de baixo da escrivaninha e se levantou vagarosamente em direção a porta. Quando abriu, deu de cara com Henrico.
_ Não devia ter vindo, garota! _ disse Henrico com ira nos olhos, e então a beijou, antes mesmo que ela dissesse alguma coisa.
Ágatha viu tudo ficar escuro, e então caiu desacordada no corredor.
_ Me perdoe Ágatha, mas isso é para te proteger. _ disse o garoto se ajoelhando ao lado do corpo desmaiado de Ágatha.
Henrico pegou o envelope que continha sua ficha da mão de Ágatha e levou-o à sala da diretora novamente. Voltou ao corpo de Ágatha, deu lhe um beijo na testa e a pegou nos braços.
_ Vamos querida, vou deixa-la em casa.
Ágatha pendia nos braços de Henrico quando passaram pela saída do lixo, por sorte o lixeiro já havia recolhido, e como sempre, a porta estava aberta.
Henrico levou Ágatha à casa dela. Entrou pela janela e colocou-a na cama, cobrindo a menina com o cobertor que ali havia.
_ Espero que possa me perdoar. _ então deu um beijo na testa de Ágatha com carinho e uma lágrima lhe escorreu de um dos olhos.
O garoto seguiu novamente até a janela e antes de sair, jogou outro beijo para Ágatha, ainda desacordada, e se foi pela noite.
...
Na manhã seguinte, Ágatha não acordou para ir a escola, então a mãe foi chamá-la.
_ Ágatha. Ágatha, querida, está atrasada. Vamos, acorde! _ tentava em vão acordar a menina _ Ágatha? ÁGATHA! ACORDE! _ a mãe começou a gritar.
Saiu correndo em direção a sala e pegou o telefone. Discou o número da ambulância.
_ Pelo amor de Deus, tragam uma ambulância para cá, minha filha está desacordada.
_ Já rastreamos a ligação, estamos indo para aí agora, senhora.
A mãe voltou ao quarto e continuou tentando acordar a filha até que a ambulância chegasse. Assim que ela chegou, a levaram ao hospital da cidade.
_ Doutor, ela está bem? _ disse a mãe desesperada, quando viu o médico.
_ Senhora, a sua filha sofreu uma desidratação e agora está em coma. ela está bem, mas precisamos esperar que acorde.
A mãe caiu de joelhos aos prantos.
_ Faremos o possível _ disse o médico e retirou-se.
...
Dois meses depois e Ágatha ainda não havia acordado. Henrico a visitava todos os dias, mas não entrava no quarto, apenas a observava da janela.
_ Dona Maria, ela piorou. _ disse o médico com o resultado de alguns exames na mão.
_ Ela vai ficar bem?
_ Vamos fazer o possível.
Nesse momento, dona Maria olhou para o aparelho que mede os batimentos cardíacos do paciente e viu uma linha contínua.
_ NÃO! Doutor, faça alguma coisa.
Então o médico começou a tentar reanimar Ágatha. Maria, saiu do quarto, preferiu não ver aquilo. Logo, vários médicos entraram no quarto para ajudar.
Então, o primeiro saiu, se dirigiu a mãe da menina e disse:
_ Lamento, mas sua filha está morta.
Dona Maria caiu novamente de joelhos aos prantos, no meio do corredor. Uma recepcionista tentou consolá-la.
_ Quero ver minha filha. _ disse ela chorando desesperadamente e entrou no quarto.
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